O Internacional iniciou a partida com uma mudança
de posicionamento de seus três meias: D’Alessandro atuou centralizado, com
Jorge Henrique à direita, provavelmente para bloquear os avanços do
lateral-esquerdo gremista Wendell — o que não surtiu efeito — e Alex no setor
canhoto. No Grêmio, nenhuma novidade no posicionamento, tampouco tática. Destaque para o volante Riveros, que com a bola,
era um típico meia-direita e juntava-se constantemente ao trio ofensivo da equipe,
com Luan, Dudu e Barcos.
Etapa inicial
O primeiro tempo foi uma síntese da temporada: um
Grêmio mais equilibrado, consistente e tendo superioridade no meio-campo — onde
a partida se decide — enquanto o Internacional, por estar mal escalado (desequilibrado),
apresentou a velha vulnerabilidade defensiva da temporada, com um agravante: a
incapacidade de armação e chegada à frente, com raríssimas exceções. Por essas
e outras, o golaço de Barcos, após cruzamento perfeito de Pará — repetindo a
jogada contra o Juventude na semana passada — acabou traduzindo de fato a superioridade, mesmo singela, do tricolor nos
primeiros 46 minutos: Grêmio 1 a 0.
Tempo final
O ingresso de Alan Patrick, no lugar de Jorge
Henrique, garantiu dinâmica, retenção de bola e poder de armação à equipe.
Entretanto, a melhora considerável do Inter na etapa complementar foi fruto de
uma mudança tática: o colorado voltou a campo com um esquema espelhado ao do
Grêmio, com três volantes — sendo dois com liberdade para avançar — e dois
meias. Alex atuou recuado, como segundo volante (meia de ligação) pela
esquerda, com Charles Aránguiz desempenhando a mesma função pela direita e
Willians recuado. D’Ale aberto pela direita — e não mais centralizado, quando
facilitava a marcação, sobretudo de Edinho — e Patrick, o novo titular,
anunciado por Abel, após o jogo, pela esquerda, completaram o setor. A
superioridade colorada no segundo foi tão assombrosa que não seria nenhum
“crime” se o Inter tivesse decidido o Gauchão 2014 na primeira partida.
Avanços
A nova mecânica de jogo garantiu mais liberdade a
Aránguiz. Ao contrário do primeiro tempo, quando se viu obrigado a guardar
posição e tolhido de avançar — UM DESPERDÍCIO pelo talento que dispõe e que
denota o equívoco tático de Abelão —, na segunda etapa o chileno confirmou seu
atual cartaz: é o melhor jogador colorado na temporada, disparado. Foi dele o
belo cruzamento para o gol de empate de Rafael Moura, além protagonizar outras
jogadas de destaque, sobretudo a infiltração que quase gerou a virada colorada
e obrigou Marcelo Grohe a grande defesa. Atenção alguns comentaristas e
narradores: é “infiltração” e não penetração. Afinal é futebol, prática
esportiva, e não aula de sexologia.
Questão de justiça
A propósito, Marcelo Grohe foi o grande nome do
Grêmio na partida. Além do lance citado, antes disso, quando a partida ainda
estava empatada sem gols, o camisa 1 promoveu grande defesa em cabeçada de
Alex. No lado colorado, o lateral-esquerdo Fabrício foi provocado neste espaço
e precisou de apenas uma partida para dar a resposta: não apenas acertou o
cruzamento, como colocou a ‘bola na cabeça’ do He-Man, para o camisa 11 virar o
jogo e terminar o prélio como artilheiro da tarde. Pará, novamente, acertou um
belíssimo cruzamento. Ou seja, os milagres de fato, acontecem e mais de uma
vez.
Falhas semelhantes
O gol
gremista e o segundo tento colorado tiveram co-autoria semelhante: a falha de
posicionamento das defesas. No golaço do Pirata, o camisa 9 estava livre na
área, em vacilo amador do experiente Juan. No segundo gol colorado, ocorreu
cochilo semelhante, desta vez de Werley.
Lisura total
Felizmente
o Gre-Nal 400 passou longe das polêmicas e dos erros de arbitragem. Desta
feita, estão de parabéns Leandro Pedro Vuaden e os auxiliares José Franco Filho
e Rafael Alves. Coisa boa quando o resultado é consumado somente pelos 22
atletas, ao contrário do que ocorreu nas semifinais, quando a dupla Gre-Nal
acabou beneficiada pelos erros dos homens do apito.
Devedores
Embora tenha repetido
a velha cadência e qualidade no passe de sempre, D’Alessandro ficou devendo
pela ausência do brilho individual. No lado tricolor, novamente o jovem
promissor Luan sucumbiu em uma grande partida. Mais apagado que letra em
caderno velho, o camisa 26 foi um “Fantasminha Camarada” no Gre-Nal 400. Tomara
que o atacante apareça e faça a diferença na quarta-feira (2), quando os
gremistas enfrentam o Atlético Nacional da Colômbia, em Medellín. Boa sorte aos
tricolores!
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Fotos: Internacional Oficial/Alexandre Lops, Grêmio Oficial/Lucas Uebel e Clic RBS





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