terça-feira, 1 de abril de 2014

O duelo tático no Gre-Nal 400

Raio-X



O Internacional iniciou a partida com uma mudança de posicionamento de seus três meias: D’Alessandro atuou centralizado, com Jorge Henrique à direita, provavelmente para bloquear os avanços do lateral-esquerdo gremista Wendell — o que não surtiu efeito — e Alex no setor canhoto. No Grêmio, nenhuma novidade no posicionamento, tampouco tática.  Destaque para o volante Riveros, que com a bola, era um típico meia-direita e juntava-se constantemente ao trio ofensivo da equipe, com Luan, Dudu e Barcos.
Etapa inicial

O primeiro tempo foi uma síntese da temporada: um Grêmio mais equilibrado, consistente e tendo superioridade no meio-campo — onde a partida se decide — enquanto o Internacional, por estar mal escalado (desequilibrado), apresentou a velha vulnerabilidade defensiva da temporada, com um agravante: a incapacidade de armação e chegada à frente, com raríssimas exceções. Por essas e outras, o golaço de Barcos, após cruzamento perfeito de Pará — repetindo a jogada contra o Juventude na semana passada — acabou traduzindo de fato a superioridade, mesmo singela, do tricolor nos primeiros 46 minutos: Grêmio 1 a 0.
Tempo final
O ingresso de Alan Patrick, no lugar de Jorge Henrique, garantiu dinâmica, retenção de bola e poder de armação à equipe. Entretanto, a melhora considerável do Inter na etapa complementar foi fruto de uma mudança tática: o colorado voltou a campo com um esquema espelhado ao do Grêmio, com três volantes — sendo dois com liberdade para avançar — e dois meias. Alex atuou recuado, como segundo volante (meia de ligação) pela esquerda, com Charles Aránguiz desempenhando a mesma função pela direita e Willians recuado. D’Ale aberto pela direita — e não mais centralizado, quando facilitava a marcação, sobretudo de Edinho — e Patrick, o novo titular, anunciado por Abel, após o jogo, pela esquerda, completaram o setor. A superioridade colorada no segundo foi tão assombrosa que não seria nenhum “crime” se o Inter tivesse decidido o Gauchão 2014 na primeira partida.
Avanços

A nova mecânica de jogo garantiu mais liberdade a Aránguiz. Ao contrário do primeiro tempo, quando se viu obrigado a guardar posição e tolhido de avançar — UM DESPERDÍCIO pelo talento que dispõe e que denota o equívoco tático de Abelão —, na segunda etapa o chileno confirmou seu atual cartaz: é o melhor jogador colorado na temporada, disparado. Foi dele o belo cruzamento para o gol de empate de Rafael Moura, além protagonizar outras jogadas de destaque, sobretudo a infiltração que quase gerou a virada colorada e obrigou Marcelo Grohe a grande defesa. Atenção alguns comentaristas e narradores: é “infiltração” e não penetração. Afinal é futebol, prática esportiva, e não aula de sexologia.
Questão de justiça

A propósito, Marcelo Grohe foi o grande nome do Grêmio na partida. Além do lance citado, antes disso, quando a partida ainda estava empatada sem gols, o camisa 1 promoveu grande defesa em cabeçada de Alex. No lado colorado, o lateral-esquerdo Fabrício foi provocado neste espaço e precisou de apenas uma partida para dar a resposta: não apenas acertou o cruzamento, como colocou a ‘bola na cabeça’ do He-Man, para o camisa 11 virar o jogo e terminar o prélio como artilheiro da tarde. Pará, novamente, acertou um belíssimo cruzamento. Ou seja, os milagres de fato, acontecem e mais de uma vez.
Falhas semelhantes

O gol gremista e o segundo tento colorado tiveram co-autoria semelhante: a falha de posicionamento das defesas. No golaço do Pirata, o camisa 9 estava livre na área, em vacilo amador do experiente Juan. No segundo gol colorado, ocorreu cochilo semelhante, desta vez de Werley.

Lisura total

Felizmente o Gre-Nal 400 passou longe das polêmicas e dos erros de arbitragem. Desta feita, estão de parabéns Leandro Pedro Vuaden e os auxiliares José Franco Filho e Rafael Alves. Coisa boa quando o resultado é consumado somente pelos 22 atletas, ao contrário do que ocorreu nas semifinais, quando a dupla Gre-Nal acabou beneficiada pelos erros dos homens do apito.

Devedores


Embora tenha repetido a velha cadência e qualidade no passe de sempre, D’Alessandro ficou devendo pela ausência do brilho individual. No lado tricolor, novamente o jovem promissor Luan sucumbiu em uma grande partida. Mais apagado que letra em caderno velho, o camisa 26 foi um “Fantasminha Camarada” no Gre-Nal 400. Tomara que o atacante apareça e faça a diferença na quarta-feira (2), quando os gremistas enfrentam o Atlético Nacional da Colômbia, em Medellín. Boa sorte aos tricolores! 
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Fotos: Internacional Oficial/Alexandre Lops, Grêmio Oficial/Lucas Uebel e Clic RBS

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