terça-feira, 15 de abril de 2014

Inter é Tetra com direito a 'chocolate' no maior rival

Título irreparável


O Internacional liderou o Gauchão 2014 de ponta a ponta, perdeu apenas uma partida (foi derrotado para o Veranópolis jogando com o time reserva) e ganhou com autoridade os dois Gre-Nais da finalíssima, com direito a "chocolate" de 4 a 1 na segunda partida, no estádio Centenário, em Caxias do Sul. Mesmo com o gosto amargo da derrota, parabéns ao Grêmio — que mesmo disputando a Taça Libertadores — ‘valorizou’ muito a conquista colorada, ao escalar os titulares nas duas partidas, buscar o título e colocar 40 mil gremistas na Arena, no dia 30 março — corroborando o interesse pelo muitas vezes estigmatizado e menosprezado certame estadual. Os gols colorados foram assinalados por D’Alessandro, Alex (2 x) e Alan Patrick (de pênalti).

Personagem


O técnico Abel Braga é inegavelmente o principal nome da conquista do 43° Gauchão do Internacional. Além de literalmente ter ‘virado’ o primeiro Gre-Nal, ocorrido na Arena, quando no intervalo promoveu o ingresso e Alan Patrick no time e recuou um pouco Alex (migrando para o 4-3-2-1), o comandante também teve jornada de sucesso no segundo Gre-Nal. Leia a seguir...

Respeito ao rival

Mesmo com a ampla vantagem no marcador, Abelão promoveu o ingresso do volante Ygor e do zagueiro Juan, passando o defensor Ernando para a função de centromédio — o que trouxe robustez defensiva à equipe e garantiu caráter de seriedade ao confronto. Naquele momento, o Internacional estava desconcentrado, permitiu o crescimento do Grêmio na partida e por vezes pecou pelo preciosismo — estava muito ‘enfeitadinho’—, personificado na atuação do lateral-direito Gilberto.

Erro sobre erro

Por outro lado, Enderson Moreira foi o anti-herói da finalíssima 2014. Após ter sido merecidamente elogiado no início da temporada, por ter acertado o Grêmio taticamente, após a lesão de Zé Roberto — como ingresso de Dudu no time —, o comandante não teve o mesmo sucesso ao administrar a saída do promissor meia-atacante Luan. Sem o camisa 26, é imperioso que o treinador promova uma alteração tática ou nominal — conforme já abordamos na última semana. Entenda na sequência...

Preceito básico


Se quiser manter o esquema com três volantes e dois meias atrás do centroavante Barcos, a melhor opção para jogar na ponta direita é Jean Deretti, que tem velocidade e capacidade de drible como principais atributos. Alán Ruiz, jamais conseguirá desempenhar função semelhante, pois é um ponta-de-lança clássico, com pouca velocidade e parca movimentação que precisa atuar, necessariamente, centralizado. Enderson está cometendo um erro primário, ao impor uma formação tática ‘goela’ abaixo, sem levar em conta as características dos jogadores. E o pior: ele teve tempo para corrigir e não o fez, pois Ruiz atuou na mesma forma na vitória de 1 a 0 contra o Nacional na quinta-feira passada, na Arena, pela Libertadores.

Infelicidade

Em entrevista após o constrangedor ‘quatrilho’, o técnico Enderson Moreira foi absurdamente infeliz em uma das respostas. O treinador disse: “Já aconteceu isso outras vezes comigo. Já ganhei finais com placar elástico e também perdi da mesma forma”, disse. Não, Enderson, definitivamente, não! Esse é um discurso de treinador de time pequeno ou médio. E você, hoje, se ainda não sabe, está treinando o GRÊMIO, que é uma equipe “simplesmente” Campeã do Mundo. Se realmente pensa que é ‘normal’ levar uma goleada do maior rival — que não atuou dentro de casa, embora tivesse o mando de campo — então é melhor ter a dignidade e pedir demissão. Enfim... Enderson é um treinador promissor, mas ainda está muito aquém da grandeza, da ambição e das exigências do Grêmio.

Nós avisamos

Na semana passada também destacamos que se quisesse deixar o Grêmio mais ofensivo, Enderson jamais deveria sacar Edinho do time, pois a equipe ficaria muito vulnerável. Foi justamente o que ocorreu. No intervalo, quando o camisa 8 ficou no vestiário, o Grêmio conseguiu a ‘proeza’ de levar quatro gols em 12 minutos. Entretanto, no Gre-Nal 401, específica e exclusivamente, concordo com o treinador ao retirar Edinho, pois o volante já possuía cartão amarelo e estava exagerando da força, sobretudo na marcação ao volante-meia Charles Aránguiz, eleito o craque do Gauchão 2014. Sendo assim, o débito precisa ser endereçado a Ramiro e Riveros, que sucumbiram nas tarefas de marcação. Prova disso é que mesmo perdendo de 4 a 0, Enderson mandou a campo o volante Léo Gago para evitar um vexame ainda maior.

Demora, moção, ironia e justiça


O fato acima, porém, não exime Enderson do equívoco de ter iniciado o jogo com os mesmos três volantes de sempre — mesmo precisando ganhar e de ter demorado ‘mil anos’ para deixar o time mais ofensivo. Enderson Moreira teve, novamente, uma jornada de Renato Portaluppi (...) No lado colorado, moção honrosa para o meia-volante Alex Raphael, autor de dois belos gols e que lembrou o velho jogador que teve passagem pela seleção brasileira de Dunga (...) Para deixar a tarde gremista ainda mais constrangedora, o único gol tricolor foi marcado também pelo Internacional. O zagueiro Ernando, que ganhou a vaga do veterano Juan, tentou ‘cortar’ o cruzamento de Dudu e jogou a bola para as redes de Dida (...) Por fim, o zagueiro Paulão (à esquerda), constantemente criticado neste espaço, teve jornada impecável, sintetizado na sua maior virtude: a marcação vigorosa.

Reforços

Entretanto, se não quiser conquistar ‘apenas’ o Gauchão na temporada — como ocorreu nos últimos anos — o Internacional precisará reforçar o elenco, sobretudo nas posições de ataque. Embora todos os méritos, por ter feito 6 a 2 em dois jogos — no time que tem a segunda melhor equipe da Libertadores e detentora na melhor defesa da competição sul-americana — é notória a falta de opções no setor de ofensivo. Tanto que Abel azeitou o time colocando um meia na vaga de um teoricamente segundo avante, Jorge Henrique. O retorno do jovem Otávio, que está voltando de lesão, poderá atenuar a carência, mas sem dúvidas, é imprescindível que a direção saia às compras.

E o favoritismo?


Antes da primeira partida da final, assinalei que o Grêmio seria o favorito para conquistar o título. E faria da mesma forma, todas as vezes que o cenário fosse o mesmo daquela oportunidade. À época, o Grêmio, com Luan e Dudu nas meias e três volantes, era infinitamente mais equilibrado que o ‘faceirinho’ Inter de Abelão — Tanto que o tricolor ganhou com autoridade o primeiro tempo do Gre-Nal da Arena. No intervalo, porém, Abel ajustou o time colorado, ao recuar Alex para a função híbrida de meia e volante, pela esquerda, tal qual Aránguiz desempenha pela direita, além de trocar Jorge Henrique por Alan Patrick. Ou seja, Abel Braga mudou o favoritismo de lado e consequentemente deu novo rumo ao Gauchão 2014 ao migrar a equipe para o 4-3-2-1. Parabéns aos colorados pela conquista irretocável.
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Fotos: Internacional Oficial/Alexandre Lops e Globoesporte

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