A vitória de goleada foi o 'menor mérito' da
estreia dos titulares do Grêmio no campeonato estadual. Embora seja preciso
ressalvar a fragilidade do Aimoré, de São Leopoldo, o tricolor mostrou algumas virtudes
em relação à temporada passada, principalmente no que diz respeito à postura
tática, muito mais equilibrada e longe dos famigerados três zagueiros e três
volantes que imperou em 2013. Nesta quarta-feira (29), às 22 horas, o tricolor
volta a campo, desta vez, porém, com os atletas da base comandados por Mabília.
O adversário da hora é o Brasil de Pelotas, na região Sul do Estado.
Individualidades
A mutação tática permitiu, entre outros, que as
individualidades se destacassem, em relação a eles mesmos, em 2013. Eis os
casos do meia Máxi Rodriguez, de intensa movimentação e capacidade de
articulação e o centroavante Barcos, atuando muito mais à frente que o
habitual. Além deles, o lateral-esquerdo Wendell, que substitui Alex Telles,
negociado com o turco Galatasaray, foi outro destaque ofensivo. Na sistema defensivo,
embora pouco exigido, reitero, o volante Edinho, ex-Inter, que inclusive marcou
um dos gols, foi a grata surpresa na primeira posição do meio-campo, ao lado do
‘novo-velho’ titular Marcelo Grohe, autor de grandes defesas, uma delas um
milagre incrível. Por essas e outras, o que menos importou foi o 4 a 0.
Hábito ou premonição?
Marcelo Grohe, novo dono da camiseta 1 do Grêmio, voltou para
o segundo tempo vestindo a 12, seu número ano passado, quando era suplente de
Dida, hoje no rival Inter – sendo obrigado a retornar ao vestiário para
corrigir o equívoco. Porém, surge uma dúvida: será que Grohe equivocou-se ou
possui o dom da premonição? Afinal, dois dias depois, nesta terça-feira, a
imprensa gaúcha aborda, com veemência, a possibilidade do arqueiro da seleção
Júlio César, desembarcar na Arena Porto-Alegrense. Do ponto de vista técnico — embora possa soar como ‘barriga de aluguel’ para disputar a
Copa, tal qual fizera o centroavante Luisão, em 2002 — Júlio seria um acréscimo e tanto a qualquer
equipe brasileira. Porém, pela nova política financeira do clube e, sobretudo,
pelo discurso inflamado do presidente Fábio Koff, ao final da temporada passada
pró-Marcelo Grohe, parece-me um tanto contraditório. Mas, como futebol é
dinâmico, não me surpreenderia nada, nada.
Rival à vista
Pela
Taça Libertadores, Oriente Petrolero e Nacional do Uruguai, iniciam nesta
terça-feira (28), na Bolívia, a busca por uma vaga no grupo 6, ao lado de
Grêmio, Atlético Nacional da Colômbia e Newell’ Old Boys da argentina. Quem
passar pela pré-libertadores, será o adversário do tricolor gaúcho no próximo
dia 13 de fevereiro, sendo que os gremistas atuaram fora de casa. Será a
largada oficial do time de Enderson Moreira rumo ao sonhado Tricampeonato da
América. Portanto, olho na TV.
Missão cumprida
Novamente tendo o atacante Aylon como principal figura da
equipe, o Internacional Sub-23 comandado por Clemer somou 100% de
aproveitamento em três partidas no Gauchão 2014, cumprindo com louvor a missão
de representar o clube no estágio inicial do certame. Além disso, legou aos torcedores
e a comissão técnica titular a atuação de atletas promissores. O último triunfo
ocorreu no Vermelhão da Serra, contra o Passo Fundo, no domingo, por 2 a 1.
Nesta quarta-feira (29), em Novo Hamburgo, o time reserva do Inter, sob a
batuta de Abel Braga, enfrenta o São Paulo de Rio Grande. A provável formação colorada no tradicional 4-4-2, com possibilidade de alternância para o 4-2-3-1 terá: Agenor; Cláudio Winck, Ernando, Índio e Raphinha;
João Alfonso, Augusto; Alan Patrick; Valdívia; Otávio e Wellington Paulista.
Futuro ofensivo
Aylon (à direita) é um avante moderno. Longe de ser um centroavante clássico,
de ‘estilo aipim’, o jovem também não é segundo atacante pelos lados. Na
verdade, o camisa 9 é um centroavante de movimentação que atua centralizado.
Com experiência na segundona gaúcha, o guri atua muito bem de costas para o
gol; tem relativa velocidade e, principalmente, faro de gol. Certamente
receberá oportunidades no grupo principal em breve. O meia-atacante Murilo (e) foi
outro grande expoente da jornada contra o Passo Fundo. Aos 19 anos, o camisa 11
disputou a Copa São Paulo de Futebol Júnior, no início do mês, tem a perna
esquerda como preferencial, mas também utiliza com precisão o pé-direito. Tem
no drible e na velocidade as principais virtudes e é talhado para atuar pela
extremidade esquerda, na linha de três meias no 4-2-3-1. Aliás, a dupla foi autora
dos gols da vitória. Sem afobação, tampouco, queima de etapas, mas olho neles,
Abelão!!!!
Tradição nacional
Historicamente, em regra, os laterais brasileiros são
pródigos no apoio, mas proporcionalmente deficitários na marcação. Quando
falamos de jovens, então, formados na base e recém guindados ao grupo
principal, o fato torna-se ainda mais visível. É justamente o caso de Cláudio
Winck e Raphinha, dois dos destaques do time sub-23 na peça ofensiva, porém,
com graves defeitos na defesa. Ainda há tempo para corrigir, claro, porém, até
lá, a ‘síndrome de laterais meramente ofensivos’ pode atrasar ‘a vida dos
garotos’. Eis a necessidade das categorias de base trabalhar mais o poder de
marcação dos jovens laterais.
Fotos: Grêmio oficial, Band/Uol e ClicRBS









