Objetivo x
atuação
Golaço, vitória nos pênaltis, torcedores feridos e pouco
futebol. Eis a síntese da sofrida classificação do Grêmio para a fase de grupo
da Libertadores. Ao contrário do que ocorreu em Quito, desta vez o tricolor
criou pouca chances, não conseguiu vencer o bloqueio defensivo do rival e só
conseguiu levar a decisão para os pênaltis por um chute de raríssima felicidade
de Elano de fora da área. Apesar do sufoco, o objetivo foi alcançado.
Entretanto, a equipe precisa evoluir e muito. Do contrário os gaúchos não
passarão de coadjuvantes no certame. Considerações à parte, parabéns aos
tricolores!
Contratações
Neste sentido, a direção precisa deixar a euforia para a torcida
e tratar de remangar a camisa. Os reforços são mais que necessários se o
tricolor quiser ao menos sonhar com a conquista do título. Não é a primeira vez
que abordamos o fato: jogar a maior competição da Libertadores com
improvisações ou tendo que utilizar jovens – como nos casos de Bressan e Alex
Telles (embora não tenham comprometido) – é no mínimo uma temeridade. Daqui
para frente, as exigências serão muito superiores. Só para ilustrar, o Grêmio
fará parte do Grupo 8, ao lado de Hiachipato do Chile, Caracas da Venezuela e
Fluminense – o campeão brasileiro. O tricolor estreia na fase de grupos contra
os chilenos no próximo dia 14, em Porto Alegre.
Herói
Alvo de polêmicas, Marcelo Grohe foi a grande figura da
classificação. Mesmo com apoio da maioria dos torcedores, o “prata da casa”,
destaque do time no ano passado - após venda de Victor – só voltou a
titularidade pela lesão de Dida, contratado para a camisa 1 a pedido de
Luxemburgo. Após mais de 90 minutos sem ter sido exigido uma vez sequer, o
suplente deu a volta por cima, defendeu a cobrança do zagueiro Morante e
tornou-se o grande herói da classificação. De quebra, acirrou ainda mais a
disputa pela vaga de arqueiro titular da Azenha. É o futebol e seu velho
dinamismo.
Qualidade
O meia Elano foi outro destaque do time. Após iniciar a partida
atuando pelo setor esquerdo na formatação tática em losango – com Souza na
direita, Fernando recuado e Zé Roberto na extremidade ofensiva – o camisa 7 teve
mais liberdade na segunda etapa – após as mudanças de Luxemburgo (recuando Zé
Roberto para a função de segundo volante e os ingresso dos centroavantes André
Lima e William José). Com o novo posicionamento, o meia teve a oportunidade de
atuar mais próximo ao gol, possibilitando a conclusão mais que perfeita que
garantiu a decisão nos pênaltis. Uma Bucha com “B” maiúsculo.
Perigo previsto
A tradicional avalanche quase acabou em tragédia. Após o golaço,
os torcedores da geral realização o movimento descendo rumo ao
alambrado/mureta, que não suportou o número de torcedores e acabou tombando:
oito torcedores ficaram feriados. Quando a Brigada Militar quis proibir a
avalanche na Arena - algo que felizmente ocorreu através do Corpo de
Bombeiros na manhã seguinte ao jogo - muitos torcedores “grenalizaram a
decisão”, acusando o comandante do Policiamento da Capital, Cel. Alfeu
Freitas Moreira, de “colorado”. É triste: estupidez travestida
de rivalidade.
Dívida inicial
Após muita expectativa, o time A do Internacional estreou na
temporada sob o comando de Dunga. Mesmo com total domínio do jogo, o colorado
não passou de um frustrante empate sem gols contra o Novo Hamburgo em Gravataí
– mando de jogo do Inter. De positivo, fica a atuação do estreante Gabriel e do
capitão D’Alessandro, além das triangulações entre meio-ataque e laterais –
movimento exaustivamente treinado na pré-temporada. Mas muito ainda precisa ser
aperfeiçoado.
Pergunta e constatação
A propósito: quando será que Forlán e Damião – que perdeu chance incrível de perna
esquerda e marcou gol anulado– farão as pazes com as redes? Além disso, lamentável o índice de
passes errados do volante Willians, que estreiou com a promessa de fazer a
torcida esquecer o antigo ídolo Guiñazu. Por enquanto, ficou só na promessa –
mas, paciência, recém foi a primeira amostra.
Respeito à tradição
Mais do que nunca, os atletas da atualidade são “profissionais”,
o que acaba eximindo-os do velho e infelizmente extinto “amor à camiseta”. Mas,
por favor, alguns exageros deveriam ser evitados. Digo isso para combater
alguns atletas do Internacional que utilizam chuteiras em cor azul. Casos do
lateral Fabrício, o lateral-direito reserva Hélder e o atacante Gilberto – além
de Rafael Moura (na temporada passada). Ao contrário de tópicos atrás, não se
trata de rivalidade estúpida, mas sim, de respeito à centenária tradição
Gre-Nal. Nem que para isso, seja preciso interferência da direção. Não é
exagero.
Clássico em Erechim
Falando no assunto, domingo ocorrerá o primeiro Gre-Nal da
temporada. A exemplo de anos atrás, a disputa terá a cidade de Erechim como
sede – com mando de campo do Internacional. Informações preliminares atestam
que o grêmio deva atuar com time B. Mesmo com o desgaste (inclusive o tricolor
volta a campo hoje à noite pelo Gauchão – a exemplo da semana passada, uma
barbaridade do calendário), duvido muito que a direção corra esse risco. Sendo
assim, aposto em um “mistão quente” do tricolor. O clássico inicia às 17h, com
transmissão ao vivo da RBS TV. Que vença o melhor!
Luto
É impossível ficar indiferente a tragédia ocorrida em Santa
Maria no final de semana passado. Diante do quadro, somo minhas condolências a
grande comoção nacional. Que Deus receba os que se foram e conforte os
familiares. Esperamos que os responsáveis sejam exemplarmente punidos, em
que pese o nem sempre “ágil” sistema jurídico brasileiro.
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Fotos: Grêmio oficial, Saul Teixeira, Globo Esporte e Audax SP















