quinta-feira, 28 de julho de 2011

Copa Audi: prestígio e saldo positivo


Honraria

O Internacional representou com dignidade o futebol nacional no torneio “relâmpago”, ocorrido na Alemanha, nesta semana. Além da honraria de integrar o seleto grupo de participantes, ao lado de Barcelona, Milán e Bayer de München, as atuações mostraram-se satisfatórias, sobretudo pelo lançamento de jovens atletas – que podem servir como alternativas em breve - como no caso do meia atacante João Paulo e do volante Elton.

Legado

Os colorados voltam para Porto Alegre após dois empates em 2 a 2 contra Barcelona e Milán. No desempate, derrota para o catalães, nos pênaltis e, triunfo sobre os italianos, também na marca penal. Resumo da ópera: uma vez mais o Internacional orgulha sua grande torcida, termina o torneio em terceiro lugar (foto) e, de quebra, recupera um pouco da autoestima perdida com os últimos episódios relativos a demissão de Paulo Roberto Falcão.

Barcelona

Reeditando o Mundial de Clubes de 2006, vencidos pelos vermelhos, os colorados fizeram um péssimo primeiro tempo frente ao time catalão com apenas três titulares. Com um meio-campo “tranca rua”, com três volantes – Eton, Bolatti e Tinga – e, apenas Leandro Damião no ataque, os gaúchos assistiram ao barça tocar bola de um lado para outro, terminar o primeiro tempo com 69% de posse de bola, além do 1 a 0 no placar. No intervalo, com as sete mudanças realizadas por Guardiola – em torneios amistosos são permitidos mais substtuições, além das três habituais – o time do interino Osmar Loss equilibrou o confronto e empatou com o criticado lateral-direito, Nei. No entanto, logo em seguida, o Barcelona passou novamente na frente, mas, Leandro Damião, em belo cabeceio empatou no final da partida. Nos pênaltis, o próprio Damião e o jovem lateral-esquerdo estreiante Zé Mário, desperdiçcaram. Final, Barcelona 4 a 2.

Jovem

Discordo de quem diz que Loss não deveria ter escalado os jovens para as cobranças. Com as ausências de D’Alessandro e Andrezinho, que foram substituídos, não restou outra alternativa. É óbvio que todo o atleta tem seu tempo de maturação, mas, o fracasso nos pênaltis não passa pela juventude dos cobradores. Afinal, Leandro Damião, artilheiro colorado no ano, jogou a bola nas estrelas e o jovem estreiante João Paulo, bateu com tranquilidade e maestria. Outro debutante foi o lateral-esquerdo Zé Mário, que também fracassou. Ou seja, futebol é e sempre será definido pela qualidade, independente da idade – com o perdão da obviedade (com direito a rima tripla).

Milán

Vendo as escalações de Inter - com Danton, Zé Mário, Elton, Fabrício, Wilson Matias e Gilberto – e, o Milán com a base que conquistou o campeonato Italiano – Pato, Robinho, Ibrahimovic, Seedorf, Gattuso – parecia que o Internacional sofreria uma das maiores derrotas de sua história. O temor aumentou ainda mais quando o sueco Zlatan Ibrahimovic abriu o marcador logo aos 2 minutos, em um belo gol de letra. No entanto, o colorado reagiu e, liderados pela bela atuação de João Paulo, chegou ao empate após jogada em velocidade de Gilberto pela direita e cruzamento perfeito para Damião. Na etapa final, Pato, ex-Inter, pos os italianos novamente em vantagem. Quando o confronto dava indícios de definido, o argentino D’Alessandro, que entrara na vaga de Damião, como centroavante, venceu o arqueiro Amelia. Final: 2 a 2 e nova disputa penais...

Fenômeno

Pode parecer exagero, mas não é. Tratando-se de pênaltis, o goleiro Renán é um fenômeno. Natural de Viamão, o camisa 12 defendeu três cobranças, não tomou nenhum gol e garantiu o triunfo gaúcho por 2 a 0. Mesmo com o ano tumultuado – com a perda dos pais e, a instabilidade nas atuações, que inclusive o fizeram perder a titularidade - , Renán levou para casa o troféu de melhor jogador da partida e foi figura central no feito colorado, assim como fizera na decisão do Gauchão, em 2011. Em 13 cobranças de pênaltis, na temporada, Renán alcançou a impressionante marca de sete defesas. Os números não mentem, Renán é fora de série quando a bola está na marca do pênalti.

Melhor da América

Para coroar o momento, a Conmebol divugou seu ranking: Internacional no topo da América, com 494 pontos. Os outros listados, são: LDU, do Equador; Estudiantes, da Argentina; Santos e Cruzeiro; Libertad, do Paraguai; Vélez e Independiente, ambos da Argentina; São Paulo e Boca Juniors, da Argentina. O ranking leva em contas o desempenho dos clubes nas últimas cinco temporadas e é atualizado semanalmente. No critério utilizado, vitórias, empates, classificações para fases seguintes e títulos conquistados contam pontos.

Brasileirão

De volta ao brasil, os colorados recebem o Atlético-GO, motivado pela vitória de 2 a 0 sobre o Cruzeiro, no Beira-Rio, no próximo domingo, às 16h. A equipe ainda será comandada pelo interino Gilmar Loss e não terá o capitão Bolívar e o goleador Leandro Damião, suspensos pelo terceiro cartão amarelo; além de Índio, Zé Roberto e Guiñazu, lesionados. Boa sorte aos vermelhos!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Vassoura vermelha


Voo interrompido

Após computar três derrotas seguidas, a última delas sendo goleado pelo São Paulo em pleno Beira-Rio, por 3 a 0, a direção colorada promoveu uma legítima varredura no departamento de futebol. Com a decisão, perderam o emprego o vice-presidente de futebol Roberto Teixeira Siegmann e o então treinador e maior ídolo da história Colorada, Paulo Roberto Falcão (foto). Em 19 partidas à frente do Inter, Falcão venceu oito, perdeu seis e empatou cinco, obtendo aproveitamento de apenas 50%. No entanto, a demissão do comandante me parece precipitada e revela uma de tantas falhas dos atuais gestores colorados, a começar pela falta de convicção...

Simplismo

Pouco adiantará as trocas de treinador e do departamento de futebol se o grupo de jogadores não for reformulado. Se não rejuvenescerem a defesa, não disponibilizarem um lateral-direito no mínimo de qualidade média; além de um volante, um meia e dois atacantes em condições de serem titulares, a tarefa de fazer o time jogar será árdua para qualquer comandante. Porém, Falcão também teve seus pecados...

Equívocos

Os números são preocupantes. Apenas 50% de aproveitamento em 19 jogos depõem contra o maior ídolo vermelho. A demora para fixar os jovens Juan e Oscar como titulares, a insistência com Ricardo Goulart, como alternativa prioritária no banco de reservas, além da eliminação precoce para o Peñarol, no Beira-Rio, pela Libertadores, revelam que a passagem de Falcão teve uma dose de fracasso. De positivo, fica a conquista do Campeonato Gaúcho, contra o rival, no Olímpico, embora nos pênaltis. No entanto, a incapacidade de vencer outros grandes, como Palmeiras, Corinthians, Vasco, além da derrota para o Ceará, em casa, e a goleada derradeira frente ao São Paulo, são duras de aceitar.

Teoria x prática

Logo que assumiu o comando colorado, em 10 de abril, neste mesmo espaço me referi a Falcão como uma “aposta mística”. Muito tempo longe dos meandros do futebol, o treinador foi conduzido ao cargo muito mais como um presente à torcida e, sobretudo, como uma resposta ao Grêmio, que também possuía seu maior ídolo como comandante, do que qualquer outra justificativa. Em apenas três meses, Falcão não conseguiu praticar seus principais conceitos de futebol, como a compactação e a imposição. Mas, convenhamos: com a falta de opções e, diante das lesões de Tinga, Andrezinho, as convocações de Juan, Oscar e as saídas de Rafael Sóbis e Cavenaghi e a suspensão de Zé Roberto, seria preciso milagre. Falcão falhou muitas vezes, mas, neste momento, sua saída é muito mais fruto de decisões políticas do que por argumentos dentro de campo, apesar das três derrotas seguidas.

Oxigênio

Também neste espaço, exaltei a revelação que fora Roberto Siegmann. Demonstrando conhecimento profundo sobre o cotidiano do vestiário, dominando a chamada “linguagem dos boleiros” e, não hesitando em decidir, em mudar rumos – como a extinção do Time B, por exemplo – sem dúvidas, Siegmann é uma perda e tanto ao Internacional. E digo mais: está na hora da oposição ganhar o próximo pleito no Internacional. É fundamental para a democracia que haja alternância no poder. Tudo na vida tem um prazo de validade. Luigi, Carvalho, Píffero, possuem serviços inegáveis ao Internacional. Entretanto, está na hora de oxigenar a direção colorada.

Racha

Os discursos de Roberto Siegmann e do presidente Giovanni Luigi jamais foram afinados. A contratação e permanência de Falcão no Inter sempre foram bancadas por Siegmann. De temperamento explosivo e decisões fortes, o ex-dirigente difere e muito do comportamento quase inerte do atual presidente colorado. Um agravante, tornava a “parceria” uma questão de tempo: a possível ascendência do ex-presidente Fernando Carvalho, sobre as decisões de Luigi...

Laranja

Não consigo conceber que um clube do tamanho do Internacional, com mais de 100 mil sócios, esteja sendo gerido por um “laranja”. Prefiro ficar com o discurso político do presidente Giovanni Luigi, que, em entrevista coletiva foi taxativo: “A decisão de demitir o treinador e reformular o departamento de futebol, é exclusivamnete minha”. Só achei a frase desnecessária, uma vez que o regime no Internacional é presidencialista. Afinal, quem poderia mandar no clube fora o presidente?

Futebol

Não me surpreenderia nada se Fernando Carvalho voltasse ao futebol colorado. Se não como vice, ao menos, como assessor. Outros boatos apontam que Fernandão, capitão da conquista do mundial, em 2006, seria outra peça fundamental para a reformulação do departamento. No entanto, o ex-camisa 9, ocuparia a função de gerente, inclusive sendo remunerado e com outras prerrogativas. No entanto, será que Carvalho e Fernandão trabalhariam juntos, novamente? Não esqueçamos que Fernando Carvalho rejeitou o retorno do ex-capitão há dois anos.

Nomes?

Entre os treinadores cogitados para assumir o colorado, estão Dunga, Dorival Júnior e a tendência do momento, é Cuca. Com todo o respeito, trocar Falcão por Cuca soará como deboche à torcida colorada. Se ainda restar alguma competência ao presidente Giovanni Luiggi, certamente o atual mandatário não trará Cuca ao Beira-Rio. Desta forma, Dunga me parece o nome ideal. Isso, se os velhos caciques colorados, disserem amém.

domingo, 3 de julho de 2011

Troca, palha e seleção



Idolatria manchada

Após mais um resultado insatisfatório dentro do Olímpico - 2 a 2 com o Avaí - o torcedor chiou, a direção vociferou e Renato Gaúcho pegou seu chapéu e chorando disse adeus a massa que tanto o idolatra. Desde agosto do ano passado sob comando tricolor, Portaluppi resgatou a equipe da zona de rebaixamento, recuperou o orgulho gremista ferido e de quebra, classificou a equipe para a Copa Libertadores. Neste ano, porém, o comandante foi incapaz de novo milagre à frente do carente elenco do Grêmio. A ausência de qualidade em alguns setores, como o ataque, aliadas a série de atritos públicos com a direção tornaram o ambiente insustentável. Ao contrário do que se espera de um grande ídolo, Renato abandonou o barco em meio ao mar. Entendo os motivos do treinador, mas diante do amor que Renato diz sentir pelo clube, sua saída é uma afronta contra sua própria idolatria.

Filé

Por mais paradoxal que pareça, Renato deixa a equipe justamente quando os reforços estão entrando no time. Contra o Avaí, os retornos de Bruno Colaço na lateral-esquerda, André Lima no comando de ataque e a ótima estreia do argentino Miralles, foram alguns alentos para a apagada atuação. Depois de ter que improvisar em alguns setores, implorar por reforços e ter que se virar com o que tinha, por exemplo, escalando um atacante que beira o amadorismo com Jr. Viçosa e Lins, Renato não aguentou esperar mais tempo. Uma pena para ele e, sobretudo para o Grêmio. A sua identificação com o time e sua capacidade de liderança seriam fundamentais para a "ressurreição" gremista. Cansado de roer osso, Renato não teve paciência para esperar o filé...

Aposta Gre-Nal

Nem Cuca, nem Adilson Baptista, muito menos Dorival Júnior. Fugindo dos salários astronômicos, a direção gremista resolveu apostar na velha e boa escola gaúcha de treinadores. Entretanto, o insólito fica por conta do nome escolhido. Trata-se de Julinho Camargo (foto), então auxiliar técnico de Paulo Roberto Falcão no comando colorado. Do dia para a noite, o ex-treindor do Novo Hamburgo, vira a casaca, troca o vermelho pelo azul e é a grande aposta de Paulo Odone e Cia. Para os mais apaixonados, um pecado de lesa pátria Gre-Nal. Para os mais tarimbados no mundo da bola, uma oportunidade de ouro para Camargo. Nas categorias de base, o profissional foi campeão Mundial Sub-15 com o Internacional e Campeão Brasileiro Sub-20 pelo Grêmio. Boa sorte ao novo comandante. O desafio é árduo!

Dinamismo

Ao contrário do que se poderia imaginar, a bela atuação contra o Figueirense não foi fogo de palha. Assim como ocorrera contra os catarinenese, o Inter repetiu a atuação sólida e convincente também diante do Atlético-MG em sete lagoas. Os 4 a 0 foram cópia fiel da superioridade alvirrubra na partida. As atuações do sistema ofensivo, com Oscar, D'Alessandro, Zé Roberto e Damião - autores dos gols - além da manutenção da posse de bola, foram os maiores trunfos do time do outrora criticado Paulo Roberto Falcão. Como diria o ex-presidente do Grêmio, Rafael Bandeira dos Santos, o futebol é dinâmico. Tratando-se da rivalidade Gre-Nal, então, seja a ser irônico. Quando menos se espera a gangorra sempre dá o ar da graça.

Dupla em campo

Na próxima quarta-feira, o Internacional recebe o Atlético-PR, no Beira-Rio, às 19h30.Com a goleada diante os mineiros, os vermelhos subiram para a posição de número oito, com 12 pontos. Por outro lado, o Grêmio é o 12º com oito e vai a Minas enfrentar o Cruzeiro, no mesmo horário. Boa sorte à dupla!


Estreia frustrante

Com três atacantes e mais Paulo Henrique Ganso na articulação, a seleção brasileira não passou de um empate frustante e sem gols na estreia contra os venezuelanos na Copa América. As atuações apagadas de Neymar, Robinho e Ganso coloram em cheque o ousado sistema de Mano Menezes. Do jovem e talentoso quarteto ofensivo, apenas Alexandre Pato teve atuação destacada. Com intensa movimentação e senso de posicionamento, o camisa 9 foi protagonista da melhor chance canarinho na partida. Após jogada de Daniel Alves pela lateral-direita, o ex-colorado desferiu potente chute contra a meta de Vera, que mesmo atingindo velocidade superior a 100 km/h, explodiu na trave e não passou de uma bela chance desperdiçada...

Equilíbrio

Diante da apagada atuação, a tendência é que Mano opte pelo 4-4-2, em breve. Para isso, teria que tirar Robinho ou Neymar e promover a entrada de Lucas ou Elano. Pelo trabalho tático que desenvolve, além da qualidade que possui na bola parada, o último me parece ideal para entrar na meia-cancha. O santista seria peça fundamental para o tão sonhado equilírio. Sua presença, além de auxiliar os volantes na marcação, seria um acréscimo ao isolado Ganso na zona de articulação. No próximo sábado, o adversário será o Paraguai, às 16h. Boa sorte a "nosotros"... "Voa canarinho, voa!"