quarta-feira, 30 de abril de 2014

Grêmio x San Lorenzo: Treze anos em 90 minutos

É hoje


Quando a bola rolar hoje à noite na Arena, não estará em voga apenas mais uma partida pela Libertadores 2014 que definirá um dos classificados às quartas-de-final. Nada disso. Estará em jogo, também, a chance de os atuais atletas gremistas reescreveram a história do Grêmio, ancorados na obsessão chamada Tri da América. A torcida, carente de um grande título desde 2001, certamente lotará a Arena e promete, na questão ambiental, E TÃO SOMENTE PELO GRITO DA TORCIDA, apresentar o ‘inferno’ ao time do Papa — com o perdão da heresia. Amanhã é feriado e, portanto, não há melhor programa aos gremistas a não ser a moderníssima praça esportiva situada na zona norte de Porto Alegre.

Receita

O Grêmio jogará 13 anos em 90 minutos. É imbuído deste sentimento — além da organização tática e do esmero técnico, claro — que os jogadores precisam ingressar no gramado.

Sí... Se puede!

Embora precise vencer por dois gols de diferença, acredito na classificação gaúcha/brasileira por um simples motivo: tecnicamente, o Grêmio é infinitamente melhor que o San Lorenzo — principalmente pelos retornos de Wendell e Luan ao time que, lesionado, não jogaram na Argentina. Entretanto, será fundamental que os tricolores inibam as investidas, principalmente de Correa e Villalba, principalmente no contra-ataque, que deverá ser a maior estratégia ofensiva do técnico Edgardo Bauza. Além disso, obviamente, todo o cuidado é pouco com a ‘famigerada’ bola parada que há tempos decide a maior parte dos jogos mundo afora — vide a goleada do Real Madrid sobre o Bayer.

Realidade e desejo

Com a eliminação do Velez e na semana passada do Léon, do México, apenas os clubes brasileiros possuem envergadura técnica, ‘bola no corpo’ — na atualidade, dentro de campo, e não somente na tradição — para vencer a maior das Américas. Na minha visão, obviamente. Espero que Grêmio ou Cruzeiro ou Atlético-MG salve a honra-técnica da pior Libertadores dos últimos tempos. 

Estratégia


Conforme aventado pela imprensa, o tricolor deverá entrar em campo no 4-2-3-1, com apenas dois volantes (Edinho e Riveros). Desta feita, Luan, Zé Roberto e Dudu devem compor a linha de três meias atrás do centroavante Barcos — com chances de Rodriguinho ocupar a vaga de Zé. Pela necessidade do resultado e, principalmente, diante do modelo tático saturado com os três volantes, taticamente e na teoria, acerta Enderson Moreira. Entretanto, sugiro mais uma alteração, desta vez de ordem nominal. Veja abaixo...

Apoio de qualidade


O volante Ramiro deve ser o lateral-direito no lugar de Pará. Com o camisa 17 no setor, o tricolor ganhará uma saída qualificada pela direita e disporá de uma interessante dobradinha ofensiva com Luan— semelhante a que ocorre pelo outro lado com Wendell e Dudu. Com Ramiro, o Grêmio não perderia em poder de marcação, uma vez que atleta natural de Gramado-RS, é volante. Além disso, com ele, o time de Enderson Moreira terá mais um expediente contra a retranca que possivelmente os argentino farão: o chute de médio-longa distância. Boa sorte aos tricolores.
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Foto: Ducker.com.br, Band Esportes e Grêmio Oficial

Bayern de Munique e a falência do "modelo Guardiola"

Merengue com chocolate


É preciso que se faça um reconhecimento ao virtual Campeão da Champions League 2014: o Real Madrid. Jogando na Alemanha, os ‘merengues’ não tomaram conhecimento do atual campeão europeu e do mundo, o Bayern de Munique, e aplicaram sonoro ‘chocolate’ de 4 a 0 — surpreendentes 5 a 0 no placar no agregado. Liderados pelo melhor do mundo Cristiano Ronaldo (CR7), autor de dois gols, os espanhóis aguardam o vencedor de Chelsea e Atlético de Madrid para saber o adversário no próximo dia 24 de maio, na finalíssima, em Lisboa, capital portuguesa. Contra os bávaros, CR7 alcançou a marca extraordinária de 16 gols no certame, batendo o recorde em uma única edição do torneio. Méritos ao comandante italiano Carlo Anchelotti, infinitamente superior ao ‘marqueteiro-retranqueiro’ José Mourinho, ex-treinador do Madrid. Na minha ótica, claro.

Temor justificado

No dia 29 de maio de 2013 — quando da conquista da Champions pelo Bayer e frente a iminente chegada de Pep Guardiola (abaixo), que já estava contratado e substituiria Jupp Heyneckes — manifestei um temor: “Espero que Guardiola não promova a “Barcelonização” do Bayer (...) que prioriza a posse de bola através da troca sistemática de passes, em detrimento da objetividade”, escrevi naquela oportunidade. Infelizmente, para os admiradores daquele Bayern, como eu, Guardiola conseguiu, sim, a proeza de “burocratizar” ou outrora melhor time do mundo que era arquitetado e vocacionado para o gol, sem deixar de ser equilibrado.

Mutação


No mesmo texto, acrescentei: “No duelo de estilos, sou mais Jupp Heyneckes (e seu 4-2-3-1 com variação para o 4-3-3) e já faz tempo, desde quando o Barcelona era justa e merecidamente, “modelo tático” do futebol mundial”. Infelizmente, acertei. Hoje, os ‘bávaros’ jogam o mesmo futebol insosso e sem ‘sangue’ da época vitoriosa do Barcelona — apesar da aparente contradição — com um agravante: O Bayern não dispõe de atletas como Xavi e Iniesta, talhados para o ‘toque-toque’ e, sobretudo, não possui a genialidade objetiva de Lionel Messi, que avalizavam o 'modelo' vitorioso do Barça. O estilo Guardiola no Bayer era a crônica de um ‘fracasso anunciado’. O mais impressionante de tudo é que a diretoria dos “vermelhos da Alemanha” investiu fortemente no comandante catalão. Mas, tem uma coisa, né? Nunca é tarde para mudar.

Estilos


Ao contrário do Barcelona, o Bayer possui um elenco marcado por atletas de velocidade e força, ilustrados em Robben e Ribery no que tange a rapidez. Sem a objetividade coletiva, os alemães perdem o melhor trunfo de suas individualidades: a jogada solo, a ‘fome’ pelo gol, o ‘partir para dentro’, como se diz no futebol. Ano passado, Robben, herói do título, era um típico ponteiro-direito agudo ‘de perna direita’. Por exemplo, hoje, é um mero auxiliar de ataque que atua junto a bandeirinha de escanteio e troca passes improdutivos com o melhor lateral do mundo, Phillip Lahm (aliás, que jogou a primeira partida contra o Real como volante em mais uma das bizarras escolhas de Guardiola).

Resenha

A filosofia de futebol do Bayern, pelos atletas disponíveis, está deveras equivocada, para dizer o mínimo. E modéstia à parte, os leitores do Futebol Além do Resultado (espaço que possuo no Facebook) já sabiam há pelo menos um ano.

Redenção

Menos mal — para os admiradores do estilo bávaro de 2013 — que grande parte do elenco do Bayern de Munique terá uma chance e tanto de reabilitar-se a partir de junho, no Brasil. Base da seleção alemã, o selecionado de Neuer, Lahm, Schweisteiger, Gotze, Müller e cia, é a grande favorita a conquistar o Copa do Mundo de 2014. Ao contrário de Guardiola, Joachim Löw, técnico da Tricampeã, escala a equipe conforme as características dos atletas disponíveis. Claro que favoritismo não é garantia de nada. Mas, pelo futebol apresentado nos últimos anos, a minha racionalidade torcerá para os alemães. Entretanto, a passionalidade, claro, estará de mãos dadas com a seleção canarinho - como faço desde 1994.

Fotos: Reuters, AFP, Netflu e EFE

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Vitória inspiradora na Arena e apagão colorado no ‘Maraca’

GRÊMIO 2 X 1 ATLÉTICO-MG

Surpresa e herança


Após a sequência de três derrotas seguidas, o Grêmio surpreendeu e com reservas venceu o time titular do Atlético-MG, atual Campeão da Libertadores, em partida na Arena, por 2 a 1. A vitória obtida com gols de Alan Ruiz e Lucas Coelho legou ao time um ambiente um ‘pouco menos tensionado’ para a decisão da próxima quarta-feira (30), no mesmo estádio, contra o San Lorenzo, pela Copa Libertadores. Mesmo que tenha sido obtida no Brasileirão e protagonizada pelos suplentes, a vitória, além de herdar a equipe o sucesso de uma nova formatação tática, serve de estímulo para o desafio frente aos argentinos.

Trinca promissora

O jovem Luan, variando investidas pela esquerda e pelo centro, foi o grande nome individual da equipe. Além disso, a formação com três meias e apenas dois volantes (4-2-3-1), surtiu bom resultado, sem deixar a equipe vulnerável defensivamente. Rodriguinho, ao centro e Alan Ruiz, pela direita, foram outros destaques. Com três meias, o Grêmio jogou em aproximação, contribuindo com a individualidade de Ruiz, que antes, era escalado solitariamente como falso ponta-direita, sem nenhuma contribuição à equipe. Na quarta-feira, o esquema deve ser repetido, entretanto, com novos nomes, claro: Edinho e Riveros na contenção, com Luan, Zé Roberto e Dudu nas meias. Rodriguinho pode ser a surpresa na vaga de Zé. Aguardemos!

Diferencial


Apesar de o aspecto tático ter favorecido o coletivo e permitido o destaque das individualidade, o grande trunfo do tricolor frente ao Galo mineiro foi o fator anímico. Ao contrário das últimas jornadas, além da melhor organização, a equipe teve ‘entrega’, comeu ‘grama’, como se diz no bom ‘futebolês’ — pessoalizado na dupla de defesa Saimon e Bressan. A gurizada do Grêmio deu aula ao time principal: entregou-se a tradição do clube, jogou e foi à luta. É evidente que para vencer, não basta apenas raça. Claro que não. Mas, sem ela, a tarefa é ainda mais inglória. Que sirva de inspiração aos titulares.

Pelos lados

Faz tempo que esse espaço sugere o volante Ramiro na lateral-direita na vaga do criticado Pará. Contra o San Lorenzo, não haveria melhor oportunidade para guindar o camisa 17 à função em que ele conhece desde os tempos de Juventude. Com Ramiro pelo lado, o Grêmio ganharia em qualidade no apoio pelo lado, teria uma saída qualificada pela direita e proporia ao jovem Luan uma dobradinha interessante — semelhante a que ocorre pelo outro lado com Wendell e Dudu. Com Ramiro, o Grêmio não perderia em poder de marcação, uma vez que atleta natural de Gramado-RS, é volante. Além disso, com ele, o time de Enderson Moreira terá mais um expediente contra a retranca que possivelmente os argentino farão: o chute de médio-longa distância.

BOTAFOGO 2 x 2 INTERNACIONAL

Extremos


Em que pese a pouca amostragem — apenas duas rodadas — o primeiro tempo do Internacional contra o Botafogo, no Maracanã foi digno de um postulante ao título. Com troca de passes no campo adversário, domínio técnico da partida e o meia Valdívia como grande protagonista da equipe, o Internacional foi para o intervalo vencendo por 2 a 0, dois gols do oportunista Rafael Moura. Na segunda etapa, porém, o colorado sucumbiu completamente, sofreu o empate e não seria nenhum absurdo se houvesse sofrido a virada. A etapa final do Inter foi digna de candidato ao rebaixamento. É preciso que a comissão técnica se atente ao fato e busque alternativas que reduzam a oscilação.

Raio-x do apagão

O ingresso do lateral-direito Edílson no Botafogo foi o grande acréscimo dos cariocas em relação a etapa inicial. Com a alteração de Vagner Mancini, o Fogão qualificou a saída de bola e fez do camisa 33, ex-Grêmio, elemento surpresa ofensivo. Abel Braga detectou a fragilidade e mandou a campo Gladstone como antídoto. Entretanto, o camisa 37 em nada justificou seu ingresso, inclusive tendo levado cartão amarelo em sua primeira participação na partida — o que talvez tenha tirado a naturalidade do atleta e comprometido a sua atuação. Talvez...


Blecaute total


O Internacional iniciou o segundo tempo com postura extremamente defensiva, ilustrada na marcação em duas linhas de quarto, tendo o volante Willians entre as linhas – prova disso que era o meia Valdívia em estava na marcação de Lucas, no primeiro gol do Botafogo. Aliás, o 1 a 2, marcado pelo estreante Emerson Sheik, teve dois co-autores colorados: o zagueiro Juan e, sobretudo, o goleiro Dida que falhou amadoramente ao sair em falso. Atrelado aos erros e a postura recuada — até certo ponto normal pela vantagem daquele momento — Alan Patrick e D’Alessandro, em jornada apática, não conseguiam reter a bola no campo ofensivo. Valdívia era a exceção e não deveria ter saído, configurando o erro de Abel Braga. Sem o camisa 29, entrou Otávio, visivelmente carecendo de ritmo de jogo. Jorge Henrique talvez pudesse dar melhor resposta. Talvez...

Carência ofensiva

Há tempos abordamos nesse espaço, que apesar de Alan Patrick ter acertado a equipe colorada, o time carece de maior ‘poder de fogo’. Patrick atua improvisadamente no setor esquerdo, como falso segundo atacante pela ausência de opções de qualidade. O camisa 19 rende melhor centralizado, por ser um meia-cancha clássico de visão de jogo, alta técnica e qualidade no passe. Mais do que nunca, é imprescindível que a direção saia às compras para reforçar o elenco. Do contrário, o sonho do Tetra do Brasileirão será pauta somente para 2015.
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Fotos: Lance Net, Diego da Rosa/GES, Globoesporte e Internacional Oficial

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Grêmio: derrota, paradoxo e evolução esperançosa

Na Arena


Futebol, infelizmente, nunca foi e jamais será um ato de justiça. Fosse ao contrário, o Grêmio teria deixado o estádio Nuevo Gasómetro, com ao menos um empate frente ao San Lorenzo. Mesmo com atuação infinitamente superior as últimas partidas, sobretudo, no aspecto anímico, o tricolor perdeu por 1 a 0 e acumulou a terceira derrota consecutiva — se computarmos também as partidas do Gauchão e do Brasileirão. A partida de volta ocorrerá na próxima quarta-feira (30), na Arena completamente lotada. Pela atuação que teve no segundo tempo, aliado ao fato de jogar em casa, com a força de seu torcedor, mais do que nunca: Sí, se puede!

Realidade copeira

É o futebol e seu velho paradoxo. Afinal, jogar bem não é certeza de vitória. Fosse assim, o Brasil de 1982 teria vencido a Copa do Mundo da Espanha, bem como a Holanda de Cruyff, em 74, e a Hungria de Puskas, 20 anos antes.

Fôlego... Ufa!!!

Enderson Moreira, desta feita, porém, não teve participação direta no insucesso, pelo contrário, até mostrou virtudes no aspecto tático, alterou bem a equipe no segundo tempo e logrou êxito em suas escolhas, sobretudo na escalação de Pedro Geromel — em que pese os dois vacilos do camisa 3 que quase originaram gols argentinos. Apesar da derrota, ao que tudo indica, o comandante conseguiu afrouxar um pouco a ‘corda que há tempos já está no seu pescoço’. Pelo menos por enquanto.

Cobertor


Em que pese o gol sofrido, o Grêmio cumpriu com louvor a tarefa de neutralizar o adversário — e teve um teve um pênalti claríssimo ‘sonegado’ pela arbitragem. Entretanto, pela filosofia de jogo adotada no confronto, tal qual um ‘cobertor curto’, a equipe não teve o mesmo mérito na parte ofensiva. Na segunda etapa, porém, com Luan na vaga de Ramiro, a equipe migrou para o 4-2-3-1 com apenas dois volantes. A mutação, conforme sugerida neste espaço para o segundo tempo, legou ao time maior ‘poder de fogo’. Aliás, um meio-campo com Edinho, Riveros, Luan, Zé Roberto e Dudu deve ser mantido para o jogo da próxima semana. Fica a dica/pitaco. 

Desafio

O maior empecilho para o Grêmio reverter a vantagem argentina será a carência ofensiva. Ao contrário do que normalmente faz, na próxima quarta-feira o tricolor precisará propor o jogo, partir para cima. Enquanto o San Lorenzo será o Grêmio da partida na Argentina e jogará no contragolpe. Por isso, Luan na equipe e apenas dois volantes pode ser o caminho.

Destaque e fracasso


O meia-atacante Dudu, pela ponta-esquerda, novamente foi o único sopro de qualidade e individualidade ofensiva na equipe. Pena que faltou companhia, sobretudo a de Wendell, que lesionado, desfalcou à equipe. Em contrapartida, o centroavante Hernán Barcos teve jornada desgraçadamente pífia — ilustrada na chance claríssima desperdiçada em tiro livre indireto na risca da pequena área.

Pitacos

Léo Gago, defendido neste espaço na vaga de Wendell, sucumbiu completamente. Acusando falta de ritmo de jogo, o camisa 6 não teve destaque sequer em uma de suas principais qualidade, a bola parada. Além disso, a origem do gol de Correa foi as suas costas. Mesmo assim, pela experiência do volante, Enderson acertou na escolha — Por mais contraditório que pareça. O mesmo se aplica a Geromel, em detrimento de Bressan. O camisa 3 mostrou firmeza, sobretudo na bola aérea. E por fim, Zé Roberto entre os titulares e Luan no banco. O jovem entrou na segunda etapa e visivelmente carecendo de ritmo, pouco acrescentou. Zé Roberto, por sua vez, foi importante fundamentalmente pelo auxílio defensivo, embora apagado na peça ofensiva — como toda a equipe.

Realidade



O nível da Libertadores da América 2014 está baixíssimo. Isso condiciona aos brasileiros, Grêmio, Cruzeiro e Atlético-MG, o favoritismo para erguer o caneco, embora o trio tenha saído da primeira partida das oitavas-de-final em desvantagem. Para vencer a América em 2014, basta jogar futebol MINIMAMENTE, uma vez que o certame está longe de contar com um ‘bicho-papão’ na disputa. Não existe nenhum demérito aos participantes que, com competência, ainda sobrevivem à disputa. Antes pelo contrário. É apenas e tão somente, mais uma demonstração da triste realidade técnica que há tempos impera no futebol sul-americano.

Fotos: Juan Mabromata, AFP; Esporte Interativo; Reuter e google Imagens

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Desfalcado e em crise técnica, Grêmio enfrenta o time do Papa


Léo Gago na lateral-esquerda, Bressan na vaga de Rhodolfo, manutenção dos três volantes, Zé Roberto entre os titulares e o jovem Luan como alternativa para o segundo tempo. Esse é o cenário gremista que me parece mais plausível para o jogaço de hoje à noite, contra o San Lorenzo, na Argentina, pela primeira partida das oitavas-de-final da Libertadores 2014. Embaso meus pitacos abaixo.

Lateral-esquerda

Wendell é disparado o maior diferencial ofensivo do Grêmio de 2014. Com extrema capacidade de apoio, o camisa 18 faz interessante dobradinha pela esquerda com o meia-atacante Dudu. Já que não Enderson Moreira não terá o mesmo apoio qualificado pela esquerda, se por acaso escalasse o reserva Breno, ao menos, que reforce o setor defensivamente. Neste ponto: a escalação de Léo Gago, mesmo de maneira improvisada, se justifica. Além disso, com o camisa 6 o Grêmio ganha uma virtudes que não possui há tempos: o chute de médio-longa distância e a bola parada frontal.

Zagueiro-zagueiro


A ausência de Rhodolfo é um pandemônio ao Grêmio. Bressan deve ser o substituto. Mesmo que seja insuficiente e fraco tecnicamente para a titularidade no Grêmio, NA MINHA SINGELA OPINIÃO, o camisa 15 é uma boa opção de grupo e neste momento, justifica a sua escalação –embasada na temporada regular que fez em 2013. Embora com pouco ritmo de jogo, já que atuou somente no último domingo, Bressan, mesmo com suas fragilidades é infinitamente superior a Pedro Geromel. Mesmo que tenha atuado poucas vezes, o camisa 3, por enquanto, demostrou ser ‘incapaz’ de vestir a camisa gremista. Talvez com sequência possa provar o contrário. Hoje, Bressan é o mais indicado.

Manutenção

Ouvi dizer que Enderson cogitaria sacar do time Edinho e mandar uma equipe com Luan, Zé Roberto e Dudu nas meias e apenas dois volantes. Embora essa filosofia de jogo me agrade, não é o momento adequado para  mutações táticas. O time encontra-se em crise técnica, com autoestima baixa e, portanto, deve ser evitado alterações bruscas. Aliás, Edinho, por seu trabalho de proteção à defesa, é o único que não pode deixar o time. Ainda mais que o tricolor não terá o seu melhor beque, Rhodolfo. Mesmo assim, se quiser ousar, por exemplo, no segundo tempo, que recue Edinho para a função de zagueiro.

Futuro

No futuro breve, sim, apoio a ideia de um time no 4-2-3-1 com Luan, Zé e Dudu e apenas dois volantes. No entanto, com Edinho e Riveros entre os titulares, retirando assim, Ramiro da equipe.

Camisa 10


Zé Roberto será imprescindível por sua experiência, capacidade de retenção de bola e, sobretudo, pelo auxílio defensivo que tem capacidade de fazer — afinal, já jogou até copa do mundo como segundo volante. Porém, Zé precisa atuar centralizado e não aberto pelo flanco direito. Deixar Luan no banco, com toda a capacidade individual e velocidade que possui é um ‘pecado’, sei disso. Mas, neste momento, me parece a estratégia mais acertada. Seria temerário iniciar a partida com Zé Roberto e Luan, uma vez que ambos estão voltando de lesão. Portanto, o camisa 10 deve iniciar com Luan sendo alternativa para a segunda etapa – quando a defesa adversária já estará desgastada fisicamente e, portanto, o camisa 26 será excelente opção para abrir ‘a defesa rival’ e para o contragolpe.

‘Sacrifício’

Ao que tudo indica, o melhor jogador do Grêmio na temporada, Marcelo Grohe, desfalque no último domingo na derrota gaúcha para Atlético-PR, na estreia do  Brasileirão, jogará no ‘sacrifício’, mesmo com lesão na perna esquerda. Se o camisa 1 não atuar, será um ‘Deus nos acuda’, com o perdão da heresia. Além da segurança que passa à equipe, o maior problema em uma possível ausência de Grohe seria a reposição deficitária, uma vez que o reserva imediato Busatto, nas parcas chances que teve, como há três dias, mostrou-se inseguro e atabalhoado. Se não jogar Marcelo, a tendência é que atue Tiago. Com passagem pelas categorias de base da seleção, o arqueiro tem 1,90 cm de altura.

Sí, se puede


Mesmo com as fragilidades, o tricolor pode sim, sair do Nuevo Gasómetro com um bom resultado, inclusive, com a vitória. Apesar da goleada de 3 a 0 sobre o Botafogo, na última partida da fase classificatória, os argentinos estão longe de ser um bicho papão e tem na instabilidade a marca registrada da equipe na Libertadores até agora. Mas, é claro, que se tratando dos Hermanos, o ‘fator local’ é um aliado e tanto. Enfim. Boa sorte aos gremistas. E se for preciso, que a IMORTALIDADE seja invocada contra o time do Papa.
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Fotos: Grêmio Oficial/ Cristiano Oliveski, Portal Terra, Yahoo e Fox Sports

terça-feira, 22 de abril de 2014

Luto e gangorra Gre-Nal marcam o início do Brasileirão

Fortuna estrangeira



D’Alessandro e Aránguiz garantem ao Internacional, sem exageros, o melhor setor direito do futebol brasileiro. A dobradinha de luxo pode ser conferida novamente no trunfo de 1 a 0 contra o Vitória, na estreia colorada no último sábado (19/04), no remodelado Beira-Rio — exemplo o golaço marcado pelo chileno de cobertura, após bela assistência do capitão camisa 10, logo aos cinco minutos de partida.

Sinal de alerta

Depois disso, muitas chances foram criadas, mas a trave, o goleiro Wilson e o ‘desperdício’ impediram que o placar fosse ampliado. Na segunda etapa, porém, a equipe ‘relaxou’, cedeu espaços e quase comprometeu os primeiros três pontos rumo ao sonhado Tetracampeonato nacional. Abel Braga, com razão, ‘puxou a orelha’ da boleirada pela etapa final insossa dos colorados. Fez bem. Brasileirão é uma Copa do Mundo a cada jogo — com o perdão do clichê.

Fênix

A exemplo da final do Gauchão, Alex Raphael novamente foi o destaque individual do Inter. Colocando em prática a sua velha virtude, o chute de médio-longa distância, o camisa 12 só não deixou o seu por milímetros e tem crescido muito de produção com a sequência de jogos. Contra os baianos, Alex atuou como legítimo meia centralizado no 4-2-3-1 e parece ter superado o excesso de lesões e o déficit físico, oriundo de sua passagem pelo futebol árabe — embora tenha deixado a partida mais cedo acusando dores musculares. O Alex de 2014 é um acréscimo e tanto ao Inter, se comparado com o jogador da temporada última.

Rotina incômoda


Mesmo atuando com o time principal, a invencibilidade do Grêmio no Brasileirão 2014 durou míseros 90 minutos. Novamente em jornada apática, o time contou com o retorno de Zé Roberto, após longo período de lesão, mas acusou as ausências de Marcelo Grohe, Wendell e Rhodolfo, lesionados. Enfrentando um Atlético-PR com média de idade de 23 anos e com apenas a dupla de ataque Marcelo e Ederson, do time que fez excelente campanha no passado, o Grêmio levou o gol na jogada mais óbvia possível: a bola parada. O desafio agora é remobilizar o grupo para a primeira partida das oitavas-de-final da Libertadores, na próxima quarta-feira, contra o San Lorenzo, na Argentina. Para tanto, a comissão técnica deveria ter sido trocada, o que certamente, seria um ‘fator’ novo e serviria de combustível para o ainda possível, mas cada vez mais distante sonho do Tri da América.

Validade

Embora seja promissor, Enderson Moreira ainda está muito aquém da grandeza e, sobretudo, das exigências do Grêmio. O comandante parece ser incapaz de criar alternativas dentro do grupo e peca muito pelos erros no aspecto tático — vide a escalação de Zé Roberto aberto pela direita, tal qual a postura equivocada de Alán Ruiz nas últimas partidas. O diferencial foi o brilhantismo e a dinâmica do camisa 10 que se movimentou por todos os lados do setor de armação. Desta feita, Enderson já deu diversas provas de que ‘está com o prazo de validade vencido’ à frente do comando técnico do time.  O camisa 7 Dudu, que joga cada dia mais, novamente foi a exceção de um time que nem de longe corresponde ao real tamanho do Grêmio.

Melhor gol da TV


Era desta forma que o jornalista Milton Neves, com total justiça, chamava o narrador Luciano do Valle, falecido precocemente, aos 66 anos, no último sábado. Mais do que uma voz marcante e de uma trajetória empreendedora dentro esporte nacional, o narrador da Bandeirantes era de fato, essencialmente, um JORNALISTA ESPORTIVO. Entre as proezas de sua carreira, esteve a popularização do voleibol no país do futebol, o que garantiu a ele a justa alcunha de Luciano do Vôlei. Além disso, era profundo conhecedor das demais modalidades esportivas, desde o futebol, passando pelo basquetebol, pelo futebol americano e culminando, pasmem, na sinuca — o que ajuda a pontuar a sua excelência e versatilidade profissional.

Legado jornalístico

Luciano do Valle deixa como legado não somente a sua inconfundível voz, mas, sobretudo, o exemplo de um JORNALISTA ‘da gema’, trabalhador de todos os finais de semana e que jamais se contentou com o cômodo “lugar comum do jornalismo futebolístico”. Luciano sabia como poucos que jornalista não é ‘estrela’, tampouco sujeito da notícia. Fez como poucos a tarefa de relatar com emoção e isenção, sem jamais colocar-se à frente dos reais protagonistas do esporte, os atletas. Deixou saudades! 

Fotos: Internacional Oficial/ Alexandre Lops; Bandeirantes/Divulgação e Grêmio Oficial/arquivo

terça-feira, 15 de abril de 2014

Inter é Tetra com direito a 'chocolate' no maior rival

Título irreparável


O Internacional liderou o Gauchão 2014 de ponta a ponta, perdeu apenas uma partida (foi derrotado para o Veranópolis jogando com o time reserva) e ganhou com autoridade os dois Gre-Nais da finalíssima, com direito a "chocolate" de 4 a 1 na segunda partida, no estádio Centenário, em Caxias do Sul. Mesmo com o gosto amargo da derrota, parabéns ao Grêmio — que mesmo disputando a Taça Libertadores — ‘valorizou’ muito a conquista colorada, ao escalar os titulares nas duas partidas, buscar o título e colocar 40 mil gremistas na Arena, no dia 30 março — corroborando o interesse pelo muitas vezes estigmatizado e menosprezado certame estadual. Os gols colorados foram assinalados por D’Alessandro, Alex (2 x) e Alan Patrick (de pênalti).

Personagem


O técnico Abel Braga é inegavelmente o principal nome da conquista do 43° Gauchão do Internacional. Além de literalmente ter ‘virado’ o primeiro Gre-Nal, ocorrido na Arena, quando no intervalo promoveu o ingresso e Alan Patrick no time e recuou um pouco Alex (migrando para o 4-3-2-1), o comandante também teve jornada de sucesso no segundo Gre-Nal. Leia a seguir...

Respeito ao rival

Mesmo com a ampla vantagem no marcador, Abelão promoveu o ingresso do volante Ygor e do zagueiro Juan, passando o defensor Ernando para a função de centromédio — o que trouxe robustez defensiva à equipe e garantiu caráter de seriedade ao confronto. Naquele momento, o Internacional estava desconcentrado, permitiu o crescimento do Grêmio na partida e por vezes pecou pelo preciosismo — estava muito ‘enfeitadinho’—, personificado na atuação do lateral-direito Gilberto.

Erro sobre erro

Por outro lado, Enderson Moreira foi o anti-herói da finalíssima 2014. Após ter sido merecidamente elogiado no início da temporada, por ter acertado o Grêmio taticamente, após a lesão de Zé Roberto — como ingresso de Dudu no time —, o comandante não teve o mesmo sucesso ao administrar a saída do promissor meia-atacante Luan. Sem o camisa 26, é imperioso que o treinador promova uma alteração tática ou nominal — conforme já abordamos na última semana. Entenda na sequência...

Preceito básico


Se quiser manter o esquema com três volantes e dois meias atrás do centroavante Barcos, a melhor opção para jogar na ponta direita é Jean Deretti, que tem velocidade e capacidade de drible como principais atributos. Alán Ruiz, jamais conseguirá desempenhar função semelhante, pois é um ponta-de-lança clássico, com pouca velocidade e parca movimentação que precisa atuar, necessariamente, centralizado. Enderson está cometendo um erro primário, ao impor uma formação tática ‘goela’ abaixo, sem levar em conta as características dos jogadores. E o pior: ele teve tempo para corrigir e não o fez, pois Ruiz atuou na mesma forma na vitória de 1 a 0 contra o Nacional na quinta-feira passada, na Arena, pela Libertadores.

Infelicidade

Em entrevista após o constrangedor ‘quatrilho’, o técnico Enderson Moreira foi absurdamente infeliz em uma das respostas. O treinador disse: “Já aconteceu isso outras vezes comigo. Já ganhei finais com placar elástico e também perdi da mesma forma”, disse. Não, Enderson, definitivamente, não! Esse é um discurso de treinador de time pequeno ou médio. E você, hoje, se ainda não sabe, está treinando o GRÊMIO, que é uma equipe “simplesmente” Campeã do Mundo. Se realmente pensa que é ‘normal’ levar uma goleada do maior rival — que não atuou dentro de casa, embora tivesse o mando de campo — então é melhor ter a dignidade e pedir demissão. Enfim... Enderson é um treinador promissor, mas ainda está muito aquém da grandeza, da ambição e das exigências do Grêmio.

Nós avisamos

Na semana passada também destacamos que se quisesse deixar o Grêmio mais ofensivo, Enderson jamais deveria sacar Edinho do time, pois a equipe ficaria muito vulnerável. Foi justamente o que ocorreu. No intervalo, quando o camisa 8 ficou no vestiário, o Grêmio conseguiu a ‘proeza’ de levar quatro gols em 12 minutos. Entretanto, no Gre-Nal 401, específica e exclusivamente, concordo com o treinador ao retirar Edinho, pois o volante já possuía cartão amarelo e estava exagerando da força, sobretudo na marcação ao volante-meia Charles Aránguiz, eleito o craque do Gauchão 2014. Sendo assim, o débito precisa ser endereçado a Ramiro e Riveros, que sucumbiram nas tarefas de marcação. Prova disso é que mesmo perdendo de 4 a 0, Enderson mandou a campo o volante Léo Gago para evitar um vexame ainda maior.

Demora, moção, ironia e justiça


O fato acima, porém, não exime Enderson do equívoco de ter iniciado o jogo com os mesmos três volantes de sempre — mesmo precisando ganhar e de ter demorado ‘mil anos’ para deixar o time mais ofensivo. Enderson Moreira teve, novamente, uma jornada de Renato Portaluppi (...) No lado colorado, moção honrosa para o meia-volante Alex Raphael, autor de dois belos gols e que lembrou o velho jogador que teve passagem pela seleção brasileira de Dunga (...) Para deixar a tarde gremista ainda mais constrangedora, o único gol tricolor foi marcado também pelo Internacional. O zagueiro Ernando, que ganhou a vaga do veterano Juan, tentou ‘cortar’ o cruzamento de Dudu e jogou a bola para as redes de Dida (...) Por fim, o zagueiro Paulão (à esquerda), constantemente criticado neste espaço, teve jornada impecável, sintetizado na sua maior virtude: a marcação vigorosa.

Reforços

Entretanto, se não quiser conquistar ‘apenas’ o Gauchão na temporada — como ocorreu nos últimos anos — o Internacional precisará reforçar o elenco, sobretudo nas posições de ataque. Embora todos os méritos, por ter feito 6 a 2 em dois jogos — no time que tem a segunda melhor equipe da Libertadores e detentora na melhor defesa da competição sul-americana — é notória a falta de opções no setor de ofensivo. Tanto que Abel azeitou o time colocando um meia na vaga de um teoricamente segundo avante, Jorge Henrique. O retorno do jovem Otávio, que está voltando de lesão, poderá atenuar a carência, mas sem dúvidas, é imprescindível que a direção saia às compras.

E o favoritismo?


Antes da primeira partida da final, assinalei que o Grêmio seria o favorito para conquistar o título. E faria da mesma forma, todas as vezes que o cenário fosse o mesmo daquela oportunidade. À época, o Grêmio, com Luan e Dudu nas meias e três volantes, era infinitamente mais equilibrado que o ‘faceirinho’ Inter de Abelão — Tanto que o tricolor ganhou com autoridade o primeiro tempo do Gre-Nal da Arena. No intervalo, porém, Abel ajustou o time colorado, ao recuar Alex para a função híbrida de meia e volante, pela esquerda, tal qual Aránguiz desempenha pela direita, além de trocar Jorge Henrique por Alan Patrick. Ou seja, Abel Braga mudou o favoritismo de lado e consequentemente deu novo rumo ao Gauchão 2014 ao migrar a equipe para o 4-3-2-1. Parabéns aos colorados pela conquista irretocável.
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Fotos: Internacional Oficial/Alexandre Lops e Globoesporte

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Que venha o time o Papa: Grêmio enfrentará o San Lorenzo nas oitavas

Arena decisiva


Ao terminar a fase de grupo com 14 pontos — invicto, com a defesa menos vazada — e a segunda melhor campanha da Libertadores até então, o Grêmio garantiu o direito de decidir todos os ‘mata-matas’, em casa, na Arena, exceto se o adversário for o argentino Vélez, detentor da maior pontuação. É lógico que a ‘vantagem’ é subjetiva e atrelada à primeira partida, mas é inegável que disputar os jogos DECISIVOS em seus domínios, é uma inspiração e tanto. Que venha o San Lorenzo, time de coração do Papa Francisco.

Futuro

Embora a campanha gremista seja IRREPARÁVEL, o tricolor precisa jogar mais. Bem mais! Ou então, a estratégia será REZAR... e MUITO... para consolidar o objetivo chamado Tri da América.

Preocupação

Na vitória contra o Nacional, por 1 a 0, gol de Barcos, de pênalti, o Grêmio voltou a fracassar taticamente. Com o ingresso de Alán Ruiz, na vaga do lesionado Luan, era imprescindível que Enderson Moreira alterasse um pouco a equipe taticamente. Não foi o que ocorreu. O treinador manteve a mesma estrutura, com Ruiz aberto na direita e Dudu à esquerda. Entretanto, o argentino é um típico ponta-de-lança, tem a conclusão como principal virtude, não dispõe de muita velocidade e, portanto, necessariamente rende mais atuando centralizado — o que ocorreu a partir do intervalo, quando Jean Deretti entrou aberto à direita. Para o futuro próximo, com Ruiz, o tricolor deve migrar, necessariamente, para o 4-3-1-2, adiantando Dudu para a função de segundo atacante, típico, pelos flancos, fazendo companhia para o ‘matador’ Hernán Barcos.

Vulnerabilidade


Todavia, se quiser deixar a equipe mais ofensiva para, por exemplo para o Gre-Nal do próximo domingo, em Caxias do Sul — com apenas dois volantes — o único que não pode deixar a equipe é Edinho, que saiu contra o Nacional. Sem o camisa 8 a equipe fica muito vulnerável defensivamente, sobretudo no lado direito que conta com os contestáveis (com justiça) Pará e Werley. Para o lugar de Luan, Jean Deretti ou Máxi Rodriguez se credenciaram para iniciar o clássico, não apenas pela boa atuação contra os uruguaios, mas sobretudo, pela jornada sonolenta de Alán Ruiz — que pertence ao San Lorenzo e só poderá enfrentar o ‘time do Papa’ se o tricolor pagar multa prevista no contrato de empréstimo.

Arbitragem

O gol gremista surgiu de um pênalti bem assinalado pelo auxiliar (bandeirinha), salvando o árbitro do equívoco de não ter marcado a infração. Na segunda etapa, o Nacional, que veio a Porto Alegre já eliminado e com equipe mista, foi prejudicado pela não marcação de pênalti em toque de Dudu. Pelo jeito, o árbitro boliviano Oscar Maldonado veio à Arena apenas para fazer turismo em Porto Alegre.

Reforços à vista


Nas últimas jornadas, o Grêmio tem atuado muito recuado, com “marcação baixa” e cedendo a posse de bola para o adversário — muito longe das atuações promissoras do início da temporada. Enderson precisa rever a postura, sobretudo de Riveros que, pode/deve atuar como meia quando a equipe estiver atacando. No aspecto técnico, o treinador deverá contar, muito em breve com os retornos do jovem Luan e do craque Zé Roberto. A partir das oitavas-de-final, inicia uma ‘outra’ competição e para tanto, os reforços são mais do que imprescindíveis.

Absurdo e risco

Antes mesmo de a partida iniciar, torcedores brigaram nas arquibancadas, resultando na prisão de 26 gremistas. A direção torce para que a confusão não provoque punição por parte da Conmebol. A irresponsabilidade destes "torcedores" poderá fazer com o que o Grêmio, por exemplo, perca mandos de campo. Absurdamente lamentável.
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Fotos: Globoesporte/Wesley Santos, Goal.com e Diego Vara/Clic RBS