Título
irreparável
O Internacional
liderou o Gauchão 2014 de ponta a ponta, perdeu apenas uma partida (foi
derrotado para o Veranópolis jogando com o time reserva) e ganhou com
autoridade os dois Gre-Nais da finalíssima, com direito a "chocolate"
de 4 a 1 na segunda partida, no estádio Centenário, em Caxias do Sul. Mesmo com
o gosto amargo da derrota, parabéns ao Grêmio — que mesmo disputando a Taça Libertadores
— ‘valorizou’ muito a conquista colorada, ao escalar os titulares nas duas
partidas, buscar o título e colocar 40 mil gremistas na Arena, no dia 30 março —
corroborando o interesse pelo muitas vezes estigmatizado e menosprezado certame
estadual. Os gols colorados foram assinalados por D’Alessandro, Alex (2 x) e
Alan Patrick (de pênalti).
Personagem
O técnico Abel Braga é
inegavelmente o principal nome da conquista do 43° Gauchão do Internacional. Além
de literalmente ter ‘virado’ o primeiro Gre-Nal, ocorrido na Arena, quando no
intervalo promoveu o ingresso e Alan Patrick no time e recuou um pouco Alex (migrando
para o 4-3-2-1), o comandante também teve jornada de sucesso no segundo
Gre-Nal. Leia a seguir...
Respeito
ao rival
Mesmo com a ampla vantagem no marcador, Abelão promoveu o ingresso do volante Ygor e do
zagueiro Juan, passando o defensor Ernando para a função de centromédio — o que trouxe robustez
defensiva à equipe e garantiu caráter de seriedade ao confronto. Naquele momento,
o Internacional estava desconcentrado, permitiu o crescimento do Grêmio na
partida e por vezes pecou pelo preciosismo — estava muito ‘enfeitadinho’—, personificado na atuação do lateral-direito Gilberto.
Erro
sobre erro
Por outro lado,
Enderson Moreira foi o anti-herói da finalíssima 2014. Após ter sido
merecidamente elogiado no início da temporada, por ter acertado o Grêmio
taticamente, após a lesão de Zé Roberto — como ingresso de Dudu no time —, o
comandante não teve o mesmo sucesso ao administrar a saída do promissor
meia-atacante Luan. Sem o camisa 26, é imperioso que o treinador promova uma
alteração tática ou nominal — conforme já abordamos na última semana. Entenda
na sequência...
Preceito
básico
Se quiser manter o
esquema com três volantes e dois meias atrás do centroavante Barcos, a melhor
opção para jogar na ponta direita é Jean Deretti, que tem velocidade e
capacidade de drible como principais atributos. Alán Ruiz, jamais conseguirá
desempenhar função semelhante, pois é um ponta-de-lança clássico, com pouca
velocidade e parca movimentação que precisa atuar, necessariamente, centralizado.
Enderson está cometendo um erro primário, ao impor uma formação tática ‘goela’
abaixo, sem levar em conta as características dos jogadores. E o pior: ele teve
tempo para corrigir e não o fez, pois Ruiz atuou na mesma forma na vitória de 1
a 0 contra o Nacional na quinta-feira passada, na Arena, pela Libertadores.
Infelicidade
Em entrevista após o
constrangedor ‘quatrilho’, o técnico Enderson Moreira foi absurdamente infeliz
em uma das respostas. O treinador disse: “Já aconteceu isso outras vezes
comigo. Já ganhei finais com placar elástico e também perdi da mesma forma”, disse.
Não, Enderson, definitivamente, não! Esse é um discurso de treinador de time pequeno
ou médio. E você, hoje, se ainda não sabe, está treinando o GRÊMIO, que é uma
equipe “simplesmente” Campeã do Mundo. Se realmente pensa que é ‘normal’ levar
uma goleada do maior rival — que não atuou dentro de casa, embora tivesse o
mando de campo — então é melhor ter a dignidade e pedir demissão. Enfim... Enderson
é um treinador promissor, mas ainda está muito aquém da grandeza, da ambição e
das exigências do Grêmio.
Nós
avisamos
Na semana passada também
destacamos que se quisesse deixar o Grêmio mais ofensivo, Enderson jamais
deveria sacar Edinho do time, pois a equipe ficaria muito vulnerável. Foi
justamente o que ocorreu. No intervalo, quando o camisa 8 ficou no vestiário, o
Grêmio conseguiu a ‘proeza’ de levar quatro gols em 12 minutos. Entretanto, no
Gre-Nal 401, específica e exclusivamente, concordo com o treinador ao retirar Edinho,
pois o volante já possuía cartão amarelo e estava exagerando da força,
sobretudo na marcação ao volante-meia Charles Aránguiz, eleito o craque do Gauchão
2014. Sendo assim, o débito precisa ser endereçado a Ramiro e Riveros, que sucumbiram
nas tarefas de marcação. Prova disso é que mesmo perdendo de 4 a 0, Enderson
mandou a campo o volante Léo Gago para evitar um vexame ainda maior.
Demora,
moção, ironia e justiça
O fato acima, porém,
não exime Enderson do equívoco de ter iniciado o jogo com os mesmos três
volantes de sempre — mesmo precisando ganhar e de ter demorado ‘mil anos’ para
deixar o time mais ofensivo. Enderson Moreira teve, novamente, uma jornada de
Renato Portaluppi (...) No lado colorado, moção honrosa para o meia-volante
Alex Raphael, autor de dois belos gols e que lembrou o velho jogador que teve
passagem pela seleção brasileira de Dunga (...) Para deixar a tarde gremista
ainda mais constrangedora, o único gol tricolor foi marcado também pelo
Internacional. O zagueiro Ernando, que ganhou a vaga do veterano Juan, tentou ‘cortar’
o cruzamento de Dudu e jogou a bola para as redes de Dida (...) Por fim, o
zagueiro Paulão (à esquerda), constantemente criticado neste espaço, teve jornada impecável,
sintetizado na sua maior virtude: a marcação vigorosa.
Reforços
Entretanto, se não
quiser conquistar ‘apenas’ o Gauchão na temporada — como ocorreu nos últimos
anos — o Internacional precisará reforçar o elenco, sobretudo nas posições de
ataque. Embora todos os méritos, por ter feito 6 a 2 em dois jogos — no time
que tem a segunda melhor equipe da Libertadores e detentora na melhor defesa da
competição sul-americana — é notória a falta de opções no setor de ofensivo.
Tanto que Abel azeitou o time colocando um meia na vaga de um teoricamente
segundo avante, Jorge Henrique. O retorno do jovem Otávio, que está voltando de
lesão, poderá atenuar a carência, mas sem dúvidas, é imprescindível que a
direção saia às compras.
E
o favoritismo?
Antes da primeira
partida da final, assinalei que o Grêmio seria o favorito para conquistar o
título. E faria da mesma forma, todas as vezes que o cenário fosse o mesmo
daquela oportunidade. À época, o Grêmio, com Luan e Dudu nas meias e três
volantes, era infinitamente mais equilibrado que o ‘faceirinho’ Inter de Abelão
— Tanto que o tricolor ganhou com autoridade o primeiro tempo do Gre-Nal da Arena.
No intervalo, porém, Abel ajustou o time colorado, ao recuar Alex para a função
híbrida de meia e volante, pela esquerda, tal qual Aránguiz desempenha pela
direita, além de trocar Jorge Henrique por Alan Patrick. Ou seja, Abel Braga mudou
o favoritismo de lado e consequentemente deu novo rumo ao Gauchão 2014 ao
migrar a equipe para o 4-3-2-1. Parabéns aos colorados pela conquista irretocável.
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Fotos: Internacional Oficial/Alexandre Lops e Globoesporte