quarta-feira, 13 de março de 2013

Derrota, aprendizado e retorno


Tropeço

No grupo mais embolado e imprevisível da Libertadores, o Grêmio teve dois tempos distintos, começou bem, “relaxou”, levou a virada contra o Caracas e agora jogará a “classificação” contra o Fluminense no próximo dia 10 de abril, na Arena. Mais do que isso, a derrota evidencia algumas deficiências da defesa e acende dois sinais: um de “alerta” da direção e outro de “desconfiança” da torcida. Agora, o jeito é levantar, sacudir e poeira e dar a volta por cima.

Pedagogia

Por mais contraditório que pareça, creio que a derrota servirá para que a comissão técnica intensifique a preparação e corrija os rumos da equipe. O insucesso traz às claras o verdadeiro momento gremista, ou seja, uma equipe de bons jogadores, mas ainda em formação. Com as goleadas sobre o Fluminense e o próprio Caracas, criou-se a falsa imagem, por parte de alguns integrantes da opinião pública, que o time de Luxemburgo estivesse pronto. Ainda não. Em que pese a frustração pela derrota, ela ocorreu em um momento em que ainda é possível a reabilitação. Aprender com o insucesso, eis o desafio da vez.

Relaxamento

Assim como ocorreu após a derrota para o Huachipato, alguns creditam o fracasso ao chamado “salto alto”, traduzido pelo zagueiro Cris como “relaxamento”. Sinceramente, acho que a tentativa seja uma perigosa explicação simplista para justificar o - que em condições normais seria -  injustificável: perder para o Caracas e o Huachipato. Se levarmos em conta as declarações do defensor, o Grêmio vence e convence ou simplesmente relaxa e perde o jogo. Discordo, amigavelmente. Existem outros fatores por trás da derrota.

Fatores

O primeiro deles está na falta de atitude da equipe no segundo tempo. Deixando o rótulo de “copeiro” somente na teoria, o time de Luxa cedeu espaços, reduziu o ritmo e não conseguiu neutralizar os dois principais atletas do adversário, o meia Otero e o lateral-meia Carabalí. Não bastasse, ainda viu suas maiores esperanças e referências técnicas naufragarem: o capitão Zé Roberto foi um mero “carimbador de bolas” e o goleador Barcos perdeu uma chance incrível de cabeça...

Raio-x


A derrota não passa diretamente pela dupla Zé e Barcos, mas diante do potencial que possuem – e por isso a cobrança se justifica - ficaram devendo e muito. Por outro lado, de jogadores como o Pará, Welliton, William José e Marco Antônio – os últimos três lançados no time na etapa complementar - , por mais respeito profissional que mereçam, não se espera muito.

Gramado

Lambança e bagunça. Os adjetivos, infelizmente, são destinados à Confederação Sul-Americana de Futebol, a Conmbebol. É inadmissível que a entidade permita que um clube que disputa a maior competição do continente, promova suas partidas em um solo como o gramado do Estádio Olímpico, da Venezuela. O piso não justifica a derrota gremista, tampouco, colaborou com a vitória do Caracas. Ambos tiveram as mesmas dificuldades – com o perdão da obviedade - mas o fato é inadmissível tratando-se do profissionalismo que exige ao FUTEBOL PROFISSIONAL.

Retorno

Com atuação esplêndida – sem exageros - do Barça, os catalães deram um verdadeiro chocolate no Milán, que há 15 dias havia vencido por 2 a 0 em solo italiano. Méritos irrevogáveis ao time de Messi, mas o técnico rossonero vacilou ao não repetir a mesma equipe que havia triunfado no San Siro – escalou o francês Flamini, em detrimento do ganês Muntari. Para ajudar, o meia-atacante M'Baye Niang, perdeu chance incrível – bola na trave em contra-ataque – dois minutos antes do segundo gol Espanhol. São apenas algumas considerações sobre uma vitória “assustadoramente” irrepreensível do Barcelona.


Gauchão e história

Campeão do primeiro turno, o Internacional começa a Taça Farroupilha contra o Canoas, no complexo da Ulbra, no próximo domingo, às 16h. Pelo lado gremista, tudo aponta para a utilização dos titulares, ou ao menos, a maioria deles contra o Lajeadense no sábado, às 18h30. Outra novidade é o fato do Olímpico Monumental, agora sim, “deixar a vida para entrar na história”. A direção anunciou que o tricolor mandará TODAS suas partidas na nova e moderna casa. Sendo assim, a equipe de Lajeado entrará para a história: será o primeiro time brasileiro a “desafiar” o Grêmio na Arena.
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Fotos: Grêmio Oficial, Agência AFE e RTE.ie

segunda-feira, 11 de março de 2013

Conquista, evolução e vaga na final


Cartilha
   
Nada de colocar a culpa no gramado, nas dimensões do campo ou no calendário Maia. O Internacional fez a sua parte e seguiu à risca a cartilha das grandes equipes: jogou, venceu a melhor equipe do torneio até então, goleou e assegurou vaga a finalíssima do Campeonato Gaúcho – isso se não vencer também o returno. Muito mais do que os cinco gols (Damião 2x, Gabriel, D’Alessandro e Rafael Moura) e o retorno das boas atuações de Leandro Damião, a atuação denota um padrão tático consistente, que permite a solidez defensiva e o destaque das individualidades. Méritos a Dunga e taça em boas mãos, sem dúvidas.

Disciplina

Com disciplina militar, Dunga cobra que a equipe faça dos treinos jogo e dos jogos, final de Copa do Mundo. O comportamento reflete diretamente no crescimento da equipe, com destaque para a aplicação dos atletas – exemplo foi o capitão D’Alessandro que mesmo com os 4 a 0 no placar, estava na lateral direita assessorando Gabriel na marcação. “A equipe teve humildade de marcar e não deixar o São Luiz jogar”, enalteceu o comandante após a vitória. Mais do que ninguém ele sabe que após favoritismo e qualidade técnica não ganham jogo. Futebol é muito mais, a começar pela transpiração.

Laboratório

O Internacional acerta em cheio ao utilizar o Gauchão como laboratório para a temporada. Nada de euforia ou ilusão pela vitória. A direção e a comissão técnica sabem que as exigências daqui para frente serão muito maiores, mas o início do ano é promissor, sobretudo se compararmos com o Internacional do ano passado.

Solidez

A tão falada “solidez defensiva” é sonho de qualquer treinador. O termo não é sinônimo de “retranca”, mas, sim, denota uma equipe que corre poucos riscos, marca com aplicação e ajuda a promover outro conceito adorado pelos comandantes: o equilíbrio – defender e atacar com a mesma eficiência. No time de Dunga, um jogador em especial tem grande responsabilidade para o sucesso inicial do padrão tático: o volante Ygor. Atuando bem à frente dos zagueiros e, por vezes, entre Moledo e Juan, o gaúcho de Santana do Livramento é peça chave para o sucesso inicial do time de Dunga...

Modelos

Nos últimos anos, três equipes de notoriedade utilizaram o mesmo padrão defensivo do Internacional. A seleção tetracampeã de 94, por exemplo, tinha na figura de Mauro Silva – companheiro de Dunga na marcação – um volante bem recuado e por vezes, zagueiro. O mesmo ocorreu no pentacampeonato como Edmílson – embora este com movimento oposto – partia da função de zagueiro para a de volante. O último modelo foi a própria seleção de Dunga na Copa de 2010 com a figura de Gilberto Silva, ex-Grêmio. Falando no assunto, não será surpresa se Felipão testar o beque do Chelsea, David Luiz, na mesma função. Aposto e aguardo!

Afinação

O posicionamento de Ygor colabora e muito com o crescimento técnico e o entrosamento de Rodrigo Moledo (esq.) e Juan. Aliás, a dupla reúne uma “dobradinha” por muitos, tida como perfeita do ponto de vista das características. Enquanto o primeiro tem o vigor e a imposição física como principais atributos, Juan é técnico, experiência e joga no “atalho”. Além disso, a solidez permite, inclusive, o crescimento do volante Josimar. Outrora contestável, hoje o camisa 27 já é admitido como no mínimo, uma boa peça de reposição para o setor. São as virtudes do padrão defensivo.

Ataque e expectativa

Reduzindo as chances de ser derrotado, o passo seguinte é buscar a vitória. È isso que tem feito o time de Dunga. Com supremacia técnica – incomparável aos demais adversários até agora enfrentados, inclusive o Grêmio misto – o time tem conseguido se impor naturalmente, principalmente pela qualidade dos atacantes. Embora as virtudes sejam inegáveis, “muita calma nessa hora!”. O time de Dunga, ainda não teve nenhum “batismo de fogo”. Quem sabe um Gre-Nal de titulares no segundo turno? Torcemos e aguardemos.

Goleador

Goleador dos últimos dois gauchões, Leandro Damião foi a grande figura da conquista. Autor de dois gols e participando ativamente de outros dois – inclusive com assistência para o de D’Alessandro – o centroavante mostrou a velha capacidade que o tornou assíduo na seleção brasileira. Movimentando-se mais do que nos últimos confrontos, o camisa 9 chegou aos cinco gols e está um atrás do companheiro Forlán, discretíssimo na final. Se o futebol de Damião voltou, só o tempo dirá. Uma “coisa” de cada vez. Por enquanto, os colorados celebram a volta dos gols de seu “matador”.

Reposição

Mais do que um time competitivo é preciso ter grupo. Paralelo as boa atuações, a direção trabalha para qualificar o elenco - um meia capaz de substituir D’Ale é o desafio da hora. Em contrapartida, dois suplentes mostraram suas credenciais contra o São Luiz. O atacante Caio fez boa assistência para o belíssimo gol de Rafael Moura. Mesmo assim, ainda gostaria de ver Cassiano melhor aproveitado.

Libertadores

Em busca da terceira vitória seguida na maior competição do Continente, o Grêmio enfrenta o Caracas, às 21h30 – horário de Brasília – desta terça-feira, no Equador. Embalado pelo excelente momento da equipe, Luxemburgo tem em Barcos e Zé Roberto as grandes esperanças para mais uma jornada luxuosa rumo ao Tricampeonato. Boa sorte aos tricolores!   

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Fotos: Alexandre Lops (S.C. Internacional), Globoesporte e Esportes Uol

quarta-feira, 6 de março de 2013

Final, Libertadores e Seleção

Caminho
  
O Grêmio está no caminho certo. Mesmo com a incisiva vitória de 4 a 1 sobre o Caracas da enlutada Venezuela (pela morte do presidente Hugo Chávez) – é precipitado falarmos em favoritismo. Entretanto, diante das últimas duas atuações, o tricolor, é sim, candidato ao título. Embora ainda precise passar por um “teste de fogo”, como um duelo contra o Corinthians ou Atlético-MG no mata-mata, por exemplo, a equipe vem encorpando a cada jogo e conquistar o tricampeonato está longe de ser “missão impossível”.


Rivalidade

O que joga Hernán Barcos não está no gibi... Pena que é argentino! Sem ufanismo, apenas lamento pela inviabilidade de vestir a amarelinha. Seria titular da seleção brasileira com um Tapa-olho a menos, digo, uma perna-de-pau a menos, opa... com uma perna a menos. Como anti-argentino assumido (na temática estritamente futebolística), me atrevo a dizer: assim como Lionel Messi, Barcos ou B28, como queiram, é um “Hermano” com futebol de brasileiro.


Ovelha

A repetição da equipe, atreladas ao reconhecido trabalho tático de Luxemburgo, tem garantido que a individualidades do Grêmio se sobressaiam, notadamente o setor ofensivo. Entretanto, uma “ovelha” está destoando do rebanho. Trata-se do meia Elano. Pouco participativo e com visível declínio físico, o camisa 7 não deixa de ser importante, principalmente na “bola parada”, mas ainda está anos luz aquém do “velho Elano” dos tempos de Santos e da Seleção brasileira... Por outro lado, Zé Roberto - autor de dois gols - “come a bola” a cada jogo e se credencia a retornar à seleção, em que pese seus 38 aninhos.

Atacantes 

Com isso, não seria surpresa se o treinador repensasse o esquema de jogo da equipe. Com o intenso e meritório trabalho da direção, que disponibilizou um elenco de qualidade, Luxa tem peças de sobras para criar alternativas. Dentre tantas possíveis, gostaria de ver uma formatação com três avantes e creio que em algum momento a tendência seja esta: Vargas, Barcos e Kléber, sustentados por Fernando, Souza e Zé Roberto. Para tanto, o Gladiador precisa recuperar a forma física. Aguardemos!

Lamentável

De negativo apenas o fato de alguns “pseudo-torcedores” terem depredado cadeiras no novíssimo estádio gremista. Felizmente, a direção encabeçada pelo mestre-presidente Fábio Koff promete ser implacável no combate aos “marginais da arquibancada”.

Final

Falando de Gauchão, a decisão da Piratini será em vermelho e branco. Jogando em casa, o São Luiz, de Ijuí, do destacado treinador Paulo Porto, receberá o Internacional. A partida será no próximo domingo, às 16h. Quem vencer, garante vaga na finalíssima, além de credenciar-se a conquistar o caneco de maneira antecipada caso tenha êxito também no segundo turno. Pelo lado colorado de Porto Alegre, Diego Forlán, com seis gols em seis jogos, é a grande esperança.

Mundial

Durante as semifinais, o técnico do Esportivo, Luís Carlos Winck alfinetou o colorado e divulgou a pretensão do time da serra: “ser um novo Mazembe na vida do Inter”. Não foi desta vez. Apesar da forte marcação, o desejo não passou de retórica e sua equipe só não foi goleada devido a imprecisão dos “arrematadores” do Inter. Entretanto, mesmo assim, Winck viveu seu dia de mundial. Não como Mazembe, mas como Barcelona.

Estádio

É claro que vivemos no Rio grande do Sul e diante da rivalidade, pode até parecer uma proposta absurda, mas o Internacional deveria mandar seus jogos no estádio Olímpico. Talvez uma negociação diretamente com a OAS, ou até mesmo com o próprio rival antes deste “entregar as chaves” para os investidores. Enfim, é apenas uma ideia e não seria a primeira vez. 
  
Relembre
 
Em 1969, durante a construção do Beira-Rio, os vermelhos jogaram na Azenha por algumas oportunidades. Por outro lado, em 2005, os tricolores retribuíram a visita e mandaram dois jogos pela série B no Beira-Rio – devido a suspensão do Olímpico por parte da CBF.


Seleção
Na média achei boa a convocação dos "canarinhos". Exceto o atacante Diego Costa - que sinceramente não conheço - os demais aprovo, sobretudo os retornos de Kaká, Dedé e Thiago Silva (que estava lesionado), além dos “não chamamentos” de R10 e do lateral Adriano.A grande e contestável surpresa, sem dúvidas, é o gaúcho Fernando.Embora seja merecida a oportunidade, a convocação se justifica, (quase que exclusivamente) pela lesão do também cabeça de área Sandro, do Tottenham, da Inglaterra. O camisa 30 dos “ingleses”, inegavelmente, joga mais que o guri de Erechim – sem “grenalizar”, por favor!

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Fotos: FoxSports, Globoesporte.com e Esportes Uol