quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Um goleiro do tamanho do Inter

Gigante do Beira-Rio


Do alto de seu 1,96 cm e cerca de 30 títulos na carreira, o goleiro Nelson de Jesus Silva, o popular Dida, será o novo dono da posição no Internacional. Em que pese sua idade avançada, 40 anos, o atleta demonstrou excelente forma na temporada 2013, onde defendeu o rival Grêmio, sendo um dos pilares do destacado sistema defensivo do tricolor gaúcho na temporada. O arqueiro chega ao Beira-Rio para preencher uma lacuna desde a aposentadoria de Clemer, multicampeão pelo colorado. Desde então, os ‘vermelhos’ não contam com a tranquilidade de um camisa 1 unânime que traga calma e serenidade à equipe — exceção feita a primeira passagem de Renan pela Padre Cacique. Enfim, Dida é um goleiro do tamanho do Inter. Basta confirmar a teoria dentro de campo e mostrar a sua reconhecida excelência sob as traves.

Vira casaca

Inúmeras versões são aventadas para justificar a saída de Dida do Grêmio. Com contrato a ser encerrado no próximo dia 31, o arqueiro não teve seu vínculo renovado com o tricolor, por não ter se adequado a nova política salarial do clube. Outra hipótese aponta para a inconformidade da direção gremista, pelo fato do goleiro ter sido um dos líderes das reclamações no vestiário, relacionada ao atraso salarial. Independente disso, a saída de Dida revela um prejuízo técnico e tanto ao Grêmio, e que dificilmente será suprida pelo atual dono da posição Marcelo Grohe. Herói da classificação gremista para a semifinal da Copa do Brasil, contra o Corinthians nos pênaltis, a bem verdade, Dida jamais gozou de prestígio junto aos torcedores, com raríssimas exceções. Vai entender? É o futebol e sua velhas excentricidades.

Novo ‘velho’ titular

Revelado pela base gremista, novamente Grohe inicia a temporada com a confiança da comissão técnica — assim como ocorreu quando da venda de Victor ao Atlético-MG. Entretanto o arqueiro me parece insuficiente para as necessidades do Grêmio. Com todo respeito profissional ao novo camisa 1 tricolor, a troca de Dida por Marcelo é um equívoco gremista, justificado tão somente pela readequação das contas do clube.

Camisa 9


Apresentado junto com o Dida, o centroavante Wellington Paulista é a ‘aposta’ da direção colorada para de alguma forma substituir Leandro Damião, negociado com o Santos. Homem-gol nato, centroavante à antiga, Paulista surgiu para o futebol brasileiro no Cruzeiro em 2009, onde foi vice-campeão da Libertadores — fazendo dupla ofensiva com o hoje gremista, Kléber Gladiador. Na eterna grenalização, típica do futebol dos pampas, o centroavante chega com uma credencial e tanto: em seis partidas contra o Grêmio, o atleta de 30 anos, assinalou sete gols. Se o critério for estritamente técnico, o jogador vindo do catarinense Criciúma, larga na frente de Rafael Moura, como primeira opção de Abel Braga como homem de referência. Aguardemos!

Incógnita defensiva


O zagueiro Pedro Geromel chega ao Grêmio avalizado por ninguém menos que Luís Felipe Scolari. Porém, não há maiores informações sobre o jogador de 28 anos, que estava no Mallorca da Espanha, a não ser que o novo camisa 3 atua tanto pelo lado direito, quanto esquerdo da defesa. Anos atrás o ‘beque’ foi eleito o melhor defensor do campeonato português, quando Felipão o conheceu. Na época, Geromel inclusive foi sondado pelo Real Madrid. Era isso para o momento.

Réveillon

Aproveito o ensejo para desejar aos amigos e amigas leitores (as) um ano de 2014 repleto de paz, saúde e felicidades. Agradeço a todos pelo carinho e a ‘audiência’ do ano que finda e renovo o convite para que nos próximos 365 continuemos debatendo o esporte que é paixão nacional. Boas Festas!!!

Fotos: Internacional Oficial e Grêmio Oficial 

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Especial: O Mundo é vermelho e branco

Sete anos


Quando o ídolo maior do elenco, Fernandão, saiu extenuado, com cãibras, nem o mais otimista torcedor colorado poderia imaginar que seu suplente, Adriano Gabiru, pudesse colocar os alvirrubros, àquela noite de branco, no seleto grupo de “donos do Mundo”. Porém, como em futebol a única certeza é o imponderável, foi justamente dele, do outrora criticado camisa 16, que saiu o gol que garantiu ao dia 17 de dezembro, uma data eterna aos vermelhos. Parabéns a nação colorada por sua maior efeméride. Abaixo, algumas considerações sobre uma das maiores conquistas do futebol gaúcho e a manhã (horário de Brasília) mais gloriosa do centenário Sport Club Internacional.

Caminho

Liderados pelo técnico Abel Braga, o Internacional chegou a Yokohama após vencer a Libertadores sobre o São Paulo, Campeão da América e do Mundo, em 2005. Sem Rafael Sóbis, Jorge Wagner, Tinga e Bolívar, que deixaram o colorado após a conquista da América, a equipe foi reformulada, com ênfase no ataque, e bateu ninguém menos que o Barcelona, que na época, já era considerado o suprassumo do futebol mundial, tendo como destaque simplesmente o melhor do mundo: Ronaldinho Gaúcho. Enquanto os ‘vermelhos’ suaram muito para bater o Al-Alhy do Egito, na semifinal do torneio, com dois gols dos prata-da-casa Alexandre Pato e Luiz Adriano —  que meses antes foram os protagonistas da conquista do Brasileirão Sub-20 do Inter — o Barça aplicou sonora goleada de 4 a 0 no América do México, deixando os catalães ainda mais favoritos ao certame. Felizmente para os colorados e para a história do Internacional, novamente o “impossível não passou de teoria”.

Meio e Ataque


Com um meio-campo em losango e extremamente ofensivo, Abel escalou Edinho, na primeira função, Wellington Monteiro na direita, Alex na esquerda e Fernandão à frente, fechando o quarteto. No ataque Iarley, sem dúvidas, o craque da partida, e o prodígio Alexandre Pato, 17 anos. Na segunda etapa, ingressou o meia-volante colombiano Fabián Vargas, ex-Boca Júnior, na vaga de Alex, o que garantiu um pouco mais de robustez defensiva ao setor. No comando de ataque, o outro jovem Luiz Adriano entrou na vaga do cansado Pato. Além disso, Adriano Gabiru saiu do banco para entrar na história — com o perdão do clichê justificado.

Defesa

No gol Clemer, que foi fundamental para a conquista da Libertadores e autor de uma das defesas mais bonitas de sua carreira na final contra o Barça em chute de Deco. Na lateral-direita Ceará, que ouviu bem o recado de Abelão na véspera do confronto: “Você vai marcar o melhor do mundo (Ronaldinho) e amanhã poderá ser o melhor lateral-direito do mundo”, profetizou o treinador. Foi o que ocorreu, ao menos em 2006. Na esquerda jogou Rubens Cardoso, substituindo o lesionado peruano Martin Hidalgo. A dupla defensiva foi composta por Índio e Fabiano Eller, atrelando as características consideradas ideais para o sucesso do setor: força de um e técnica de outro, respectivamente.

Comando

Vice-campeão brasileiro pelo próprio Internacional, em 1988, Abel Braga chegou ao Inter após a saída de Muricy Ramalho, que obteve o mesmo desempenho no campeonato em 2005, porém, com a escandalosa remarcação de jogos, após Edison Pereira de Carvalho ter ‘roubado a torto e direito’. Convivendo com a ‘pecha’ de eterno VICE, Abelão precisou superar as desconfianças inclusive de parte da torcida, que acabaram dissipadas na Libertadores ganha num Beira-Rio lotado contra o São Paulo do próprio Muricy. Nesta semana, Abel reassumiu o comandando da equipe pela sexta vez. Voltando a 2006, no vestiário, Fernando Carvalho na presidência e Vitório Píffero como vice de futebol. O líder da preparação física era Paulo Paixão. Definitivamente, o Inter não ganhou o mundo por acaso.

Craque do jogo


Contra o Barcelona, o baixinho Pedro Iarley justificou o número de sua camiseta. Com velocidade, vitória pessoal, além de janelinha no ‘zagueiraço’ Puyol e passe certeiro para o gol de Gabiru, o camisa 10 foi o principal nome individual dos colorados de branco na fria noite de Yokohama. Após o gol e a eminente pressão dos catalães, coube a ele segurar a bola na linha de fundo, sofrer faltas e garantir a inédita conquista a sala de troféus do Internacional. O prêmio de melhor jogador do mundial ficou para o meia Deco, então do Barça, mas na prática, a distinção foi do cearense mais gaúcho da história do Inter.

Ídolo

Embora o gol tenha sido marcado por Adriano Gabiru, sem dúvidas o nome que melhor representa a conquista foi o do camisa 9 Fernandão. Um dos goleadores do time na Libertadores, o capitão notabilizou-se por sua ascendência técnica e, sobretudo, por sua inegável liderança junto ao grupo. Durante a estada em Yokohama, em uma das reuniões entre a comissão técnica e o grupo de jogadores, Fernandão interveio: “Abel, precisamos bloquear a saída de bola do Barcelona. Deixa que vou para o sacrifício e marcarei o Thiago Motta”, disse. Está explicado as câimbras do ídolo colorado. Logo ele, sempre protagonista com gols e assistências, teve destaque por seu trabalho tático. Eis mais um capítulo de uma noite atípica.

Temporalidade 



Para àqueles que viveram epidermicamente a geração Falcão & Cia — que ganhou três campeonatos brasileiros na década de 70, o último deles inclusive de maneira invicta, em 1979 —, o feito histórico de Abel, Fernandão, Iarley, Clemer & Cia teve gosto de ‘catarse’, uma vez que a geração de ouro não venceu nenhuma competição internacional. Para os mais jovens, que não puderam vibrar com o timaço da década de 70, eis um encontro e tanto do Inter com seu verdadeiro tamanho, agora, em dose interplanetária. Aliás, ver seu time, in loco, conquistar o Mundo é uma dádiva de poucos. Parabéns novamente a nação colorada pelos sete anos da conquista do Planeta Bola.

Fotos: S.C. Internacional Oficial

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Grêmio e o ‘acerto’ chamado Edinho

Volante da gema


O volante Edinho, que estava no Fluminense, foi apresentado como novo reforço do Grêmio para as próximas duas temporadas. Típico homem de marcação, camisa 5 clássico – embora vestirá a 8 no Grêmio – o atleta convive historicamente com o falso estigma de que ‘não joga nada, é truculento e só sabe usar de violência’. Discordo amigavelmente. Embora no início da carreira pecasse muito pelo excessivo número de passes errados, hoje, o carioca corrigiu a deficiência e está longe de ser um jogador desprezível. Pelo contrário, naquilo que se propõe a fazer, defender, o jogador sempre foi muito útil.

Salvação

Embora tenha sido rebaixado (dentro de campo) com o Fluminense, neste ano, Edinho foi um dos únicos que se salvaram na caótica temporada do tricolor carioca. Atuando como capitão da equipe, quando o centroavante Fred estava fora do time, o volante jogou diversas vezes como zagueiro, sobretudo na passagem de Vanderlei Luxemburgo pelas laranjeiras. Em tempo: como volante, Edinho faz um dos melhores ‘terceiros-zagueiros’ do Brasil — melhor que ele somente o Henrique do Palmeiras, quando atua na função. Como zagueiro, Edinho (em relação a ele próprio) é melhor ainda e coloca Bressan, por exemplo, no ‘bolso’ fácil, fácil. Bela sacada da direção gremista, bem como a contratação do fisicultor Fábio Mahseredjian, campeão da Sul-Americana pelo Inter e da Libertadores e do Mundo, pelo Corinthians, ano passado.

Identidade

Pelo estilo de jogo, que prioriza a força, a marcação e a entrega, Edinho não vai demorar muito para cair nas ‘graças’ do torcedor gremista que, historicamente, valoriza os atletas que suam a camiseta. Mesmo que tenha feito parte da geração multicampeã do rival Internacional, que ganhou a Libertadores e o Mundial, em 2006, Edimo, seu nome de batismo, já começou a agradar muitos gremistas, inclusive revertendo a ‘rejeição’ inicial em relação a sua contratação. Em sua primeira entrevista, Edinho salientou: “Se for preciso dou carrinho de cabeça”. Tem frase que se encaixe melhor à identidade do Grêmio?

Vira-casaca


Há tempos, Edinho é ‘homem de confiança’ de Abel Braga, que o treinou no Inter, em 2006, e também no Fluminense, onde conquistaram o Brasileirão, em 2012. Abelão, reapresentado no colorado na terça-feira última (17), deu a entender que gostaria de contar com Edinho em 2014. A direção não deu ouvidos. Aliás, nunca tinha visto preconceito pelo fato de ‘o atleta ter sido bem sucedido na equipe’ – postura endossada por grande parte da imprensa esportiva gaúcha. Como não sou crítico da crítica e nem pretendo ser, limito-me apenas a opinar: Edinho no Grêmio é mais um erro da direção do Internacional, e mais um acerto de Fábio André Koff, presidente tricolor. Nos dois casos, só para variar.

Foto: Grêmio Oficial

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Marrocos e a zebra que ‘bateu’ o Galo

Futebol na essência


Campeonato/Torneio com sistema eliminatório é pródigo em surpresa. Eis que para a desgraça do Atlético-MG, a zebra desfilou no Marrocos e os brasileiros perderam para o Raja Casablanca, por 3 a 1, na semifinal do Mundial de Clubes da Fifa de 2013. Não bastasse o fracasso, os marroquinos estão no torneio exclusivamente por serem os atuais campeões do país sede, ou seja, não são campeões do continente. Na atual liga marroquina, os ‘carrascos’ ocupam a oitava colocação. Perder é do jogo, faz parte, ainda mais em mata-mata, mas o Galo mineiro conseguiu uma ‘proeza e tanto’.

Atuação

O time de Cuca não sofreu o chamado ‘crime’, pelo contrário: ‘livrou-se’ de uma derrota com placar ainda mais traumático. Embora tenha liderado as ações no início da partida e perdido duas chances incríveis com o centroavante Jô e o ponta-esquerda Fernandinho, os atleticanos passaram grande parte da noite correndo atrás dos marroquinos que ‘pintaram e bordaram’ pelo setor esquerdo defensivo do time brasileiro. Teve defesa de Victor, chance desperdiçada e gol anulado. O futebol é o único jogo em que o ‘pior pode triunfar sobre o melhor’. Infelizmente, para o Galo mineiro.

Infelicidade

“Se ganhou é bom, se perdeu, é porque não teve humildade”. Acho um pensamento simplista e equivocado. O time de Ronaldinho Gaúcho não pareceu soberbo, tampouco, desinteressado. O que ocorreu, sim, foi uma jornada deveras infeliz, tanto na individualidade de seus atletas, como, principalmente, no sistema tático. Ao final da partida, o presidente Alexandre Kallil, que fora elogiado nesse espaço pelos investimentos que fizera, legando ao clube o inédito título de Campeão da América, deixou de lado o discurso oficialista e atacou o elenco. Ele defendeu um time mais humilde para 2014, sem “Pelés e gênios”. Ah... por favor, presidente! Quando venceram a Libertadores, todos ganharam e os ‘gênios’ serviram? Quando perde o elenco não presta? Baita oportunismo. É preciso ter grandeza no futebol, ainda mais na derrota.

Bastidores

No entanto, os palavrões ditos pelo lateral-direito Marcos Rocha (que aliás, desde que foi convocado para a seleção achou que jogava mais que o Cafu) após a substituição, bem como a declaração de Cuca que dias antes disse que não ficaria na equipe, independente do resultado do Mundial, são indícios que o vestiário não estava, assim, as mil maravilhas. Para completar ‘a noite trágica’ do time que jogou o melhor futebol do Brasil, em 2013, sobretudo, na primeira fase da Libertadores, o pênalti que resultou no segundo gol marroquino foi no mínimo duvidoso, para não dizer ‘obra do apito amigo’ — erro da arbitragem. Problemas fora de campo, atrelados as dificuldades dentro dele e, que já foram explicitadas, afastou o futebol mineiro do sonhado título mundial. Em 1976 e 1997, ainda no formato intercontinental (Campeão europeu x Campeão das Américas), o rival Cruzeiro perdeu para os alemães Bayern de Munique e Borússia Dortmund, respectivamente.

Raja e o Raio



Se numa hipotética final frente ao Galo o Bayern já era o favorito absoluto, contra o Raja Casablanca, então, a final deverá ser apenas protocolar. Por mais ressalvas (‘vacinas’) que se possam fazer, os alemães têm tudo para fazer história e aplicar, quiçá, a maior goleada da história de uma final no mundial de clubes. Se de um lado o time de Ribery & Cia só precisa jogar ‘minimamente’ o que sabe, aos anfitriões, resta motivar-se com a festa de seu torcedor e abraçar-se ao imponderável que somente o futebol pode proporcionar. O Raja quer provar que o ‘raio’ pode sim cair duas vezes no mesmo ‘mundial’.

Fotos: O Globo, Esportes IG e Folha de S.Paulo

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Abelão, Enderson e a ‘operação’ Celso Roth


A volta do campeão

Nome eternizado na história do clube, Abel Braga iniciará a sua sexta passagem pelo comando técnico do Internacional. Campeão da Libertadores e do Mundo, em 2006, Abelão chega para “arrumar a bagunçada casa”. Embora se diga motivado e externe felicidade por “voltar para casa”, as desconfianças acerca das ambições do comandante no colorado, uma vez que já chegou ao ápice no time alvirrubro, tem lógica. Entretanto, neste momento, o retorno do “campeão” se justifica completamente. Explico...

Funções

Abel é inegavelmente um dos melhores da função do país e sua estada em Porto Alegre deverá refletir na melhora tática da equipe, além de servir como ‘injeção de ânimo’ ao atual momento cabisbaixo da nação colorada. Mais do que isso, Abelão também deverá ocupar, de maneira oficiosa, o cargo do homem mais forte do futebol colorado em 2014. Não de maneira clara, óbvio, mas me refiro a personalidade forte do comandante, que certamente será um contraste  ao comportamento brando do atual presidente Giovani Luigi e de seu “velho-novo” departamento de futebol, liderado, agora, por Marcelo Medeiros. Na prática, oficiosa, mas prática, Abel será responsável por fazer valer a hierarquia do clube no vestiário. Abel não irá acumular também o cargo de vice de futebol, mas será quase isso.

Aposta no emergente

De excelente campanha com o time mediano do Goiás no Brasileirão 2013, Enderson Moreira é a aposta da direção gremista para a temporada de 2014. Embora valorize o ótimo trabalho do treinador, a chegada de Enderson representa um anticlímax à nação tricolor, ao menos na teoria, visando a conquista da Libertadores. Concordo que a faixa salarial dos treinadores brasileiros está insustentável e que o Grêmio, historicamente, tem sucesso ao apostar suas fichas em comandantes jovens (lembram de Felipão, Tite e Mano Menezes?), mas nesse momento, é um equívoco. Por sua postura calma, serena e pouco sanguínea, Enderson, que teve passagens pelas categorias de base do Inter e assumiu a equipe interinamente em 2010, certamente terá muitas dificuldades à frente do Grêmio – lembram do Vagner Mancini? Tomara que por seu trabalho, sobretudo, no aspecto tático, o comandante logre êxito. Para o bem de sua carreira e, principalmente, da torcida. 

Operação Roth

Em 2011, quando da saída de Renato, a direção ousou e anunciou Julinho Camargo, então coordenador técnico de Paulo Roberto Falcão no Inter. Meses depois, Camargo foi substituído por Celso Roth, criando a ‘sensação’ de que seu mandato foi tampão, apenas para ‘acalmar o torcedor’. Já imaginaram trocar o maior ídolo do clube (como jogador) pelo estigmatizado Celso Roth? Pois é, algo me diz que a estratégia é a mesma para 2014. Aliás, Enderson chega ao Grêmio sem multa rescisória. Ou seja, se a direção quiser demiti-lo poderá fazê-lo amanhã, se for o caso, sem maiores prejuízos financeiros. Se Enderson não emplacar, Roth voltará. Eis a hipótese.

Fotos: ESPN e Sportv

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Especial: O mundo é azul, preto e branco

Três décadas

Desde que Renato pôs os alemães para “sambar” e presenteou os gremistas com o Mundo lá se vão 30 anos. Entretanto, quem disse que o histórico 11 de dezembro de 1983 teve fim? Jamais! Pelo contrário: os 11 gremistas, de calções brancos e meias azuis são eternos. Parabéns a nação gremista por sua maior efeméride. Abaixo, algumas considerações sobre uma das maiores conquistas do futebol gaúcho e a madrugada (horário de Brasília) mais gloriosa do centenário Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense.
Caminho
Liderados por um indisciplinado ponta-direita, camisa 7 às costas, o time de Valdir Espinosa chegou a Tóquio após bater o muticampeão Peñarol, na final da Libertadores. Na terra do sol nascente, o rival seria o Hamburgo, que meses antes havia assombrado o mundo, ao bater a Juventus de Platini, na final da Champions League. Durante os 90 minutos, a igualdade do duelo foi a tônica do confronto, embora os gaúchos ameaçassem mais à meta europeia. Usando e abusando da jogada aérea — que até pouco tempo era típica da escola alemã, ao lado da inglesa — a equipe do Norte da Alemanha tinha na força física o seu maior atributo. Aos brasileiros, gaúchos e gremistas, a técnica de seus jogadores, sobretudo, do meio para frente era a maior arma — tanto que após assistir a uma partida do Hamburgo, meses antes, Valdir Espinosa disse a Fábio Koff: “Presidente, contrate o Mário Sérgio que seremos campeões do mundo”.
Meio e ataque
Mário Sérgio “vesgo” deitando e rolando com a sua canhota. Osvaldo, segundo volante, meia-direita, terceiro homem de meio. Enfim, a movimentação sempre foi a sua marca registrada. Paulo César Caju, suplente na conquista do Tricampeonato Mundial do Brasil, no México, em 1970, revezava-se com o “vesgo” nas tarefa de armar e de chegar à linha de fundo pela esquerda. À frente, Tarciso, flecha negra. Outrora ponta-direita, o camisa 9 passou para o comando de ataque, abrindo vaga para um ‘tal’ de Renato. Em tempo: Mário Sérgio foi apelidado de “vesgo” por ter sido o precursor de uma jogada anos mais tarde consagrada por Ronaldinho Gaúcho, ou seja, a de olhar para um lado e passar a bola para outro.  
Defesa

Paulo Roberto, um jovem prata da casa era o dono absoluto da lateral-direita. Dois anos antes, foi dele o cruzamento que originou o gol de Baltazar e o primeiro título do brasileirão para o Grêmio, contra o São Paulo, no Morumbi. No miolo de zaga, duas torres. Um polaco no estilo “zagueiro-zagueiro” como diria Felipão, Baidek. O outro, um uruguaio, Hugo De León, capitão, xerife na essência que literalmente dava o sangue pela equipe — como retrata a foto da conquista da Libertadores, quando o camisa 6 machucou-se com a própria taça. Na lateral-esquerda, Paulo César Magalhães fechada a defesa. Assumindo a titularidade após a lesão do outrora titular absoluto, Casemiro que se lesionou, Magalhães cumpriu sua tarefa à risca, guardando posição e liberando os meias para jogar. Na proteção defensiva China, um cão de guarda ao velho estilo, clássico camisa 5. No gol, um “baixinho” milagreiro. Com estatura fora do comum para os arqueiros da atualidade (1,79 cm) Mazzaropi foi fundamental para o título, sobretudo, como uma defesa com as pernas no segundo tempo da prorrogação.
Comando
Na casamata, Valdir Atahualpa Ramirez Espinosa, que deixou a lateral-direita, onde era um atleta mediano, para virar personagem na história gremista como treinador. No vestiário: Fábio André Koff, que despensa apresentações.
Ídolo

Renato está para o Grêmio, como Pelé está para o Santos. A afirmação pode parecer exagerada, principalmente para quem não vive a realidade do futebol gaúcho. Para nós que respiramos a rivalidade Gre-Nal, não, é apenas um óbvio registro. Autor dos dois gols no triunfo, em Tóquio, o camisa 7 é, merecidamente, um dos melhores atacantes da história do futebol nacional, mesmo que não tenha repetido o sucesso na seleção brasileira e na Europa. Jogando prioritariamente pelo setor direito de ataque, Portaluppi reunia atributos digno de uma extraordinário avante: força, velocidade, capacidade de drible, técnica apurada e precisão na conclusão com as duas pernas. No final da carreira, atuou mais fixo, como falso centroavante. Não à toa, Renato é o Pelé do Grêmio e, como tal, goza do prestígio de “maior jogador da história do clube”.
In loco
Dos personagens campeões do mundo vi apenas dois em atuação. O protagonista da conquista, Renato, já em final de carreira, com sua então inconfundível cabeleira, faixa na cabeça, e o antológico gol de barriga pelo Fluminense, na conquista do campeonato carioca, de 95, num Fla-Flu, após cruzamento de Aílton — que no ano anterior deu ao Grêmio o bicampeonato brasileiro, com um belíssimo gol diante da Portuguesa, no Olímpico.  O outro foi Paulo Roberto. Tive a oportunidade de vê-lo em atuação em partidas amistosas e solidárias na cidade de Viamão, região metropolitana de Porto Alegre, e terra natal do antigo camisa 2 e desse colunista. Atuando no meio-campo, seja como volante ou como terceiro homem, o ex-lateral ainda hoje esbanja técnica, tem um cruzamento que causa inveja aos atuais melhores atletas da função do mundo, sem contar que leva “uma década” para errar um passe. Hoje, Paulo Roberto é empresário do futebol.
Temporalidade

Para os gremistas mais jovens, que não tiveram a oportunidade de acompanhar o histórico 11/12/83, não há nada a lamentar, pelo contrário. Para àqueles que viveram o conquista do Mundo epidermicamente, é uma excelente oportunidade para reviver os grande momentos. Mas, voltando aos jovens, meus sinceros cumprimentos. Afinal, nascer Campeão do Mundo é uma dádiva de poucos. Parabéns novamente a nação gremista pelos 30 anos da conquista do Planeta Bola.
Fotos: Grêmio Oficial, Placar, Zero Hora e Globoesporte

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O desfecho do Brasileirão 2013


Vice-campeão



O que já era motivo de celebração para os gremistas, a vaga na Libertadores 2014, ganhou um sabor ainda mais especial: o tricolor gaúcho participará da fase de grupos da maior competição do Continente. Com um empate sem gols com a Portuguesa, em São Paulo, na última rodada, no domingo, o time de Renato garantiu o vice-campeonato, com 65 pontos, o que possibilitará mais tempo de férias, maior período para a pré-temporada, além de legar ao clube 6 milhões de reais de prêmio da CBF. Mesmo longe de jogar um futebol brilhante, o Grêmio logrou êxito por sua disciplina, pragmatismo e, sobretudo, regularidade. Agora, tudo é Libertadores da América. Boa sorte aos gremistas!

Ciclo encerrado

Por mais contraditório que pareça, acredito que Renato tenha cumprido seu objetivo na segunda passagem pela casamata do tricolor. Embora aparente um ato de “ingratidão”, uma vez que os resultados são incontestáveis, o comandante pecou muito pela intransigência e teimosia, sobretudo no aspecto tático — quando demorou muito a revogar o outrora exitoso esquema com três zagueiros e três volantes. Felizmente, para o bem dos gremistas, o maior ídolo da história do clube mudou a convicção e promoveu os ingressos de Vargas e Zé Roberto entre os titulares a tempo de confirmar a classificação à ‘Copa’. Entretanto, pela produção em campo (mesmo que tenha ‘tirado do grupo mais do que ele poderia render’) e pela necessidade de “reciclar a folha salarial”, às vezes é aconselhável mudar. Mesmo em time que está ganhando. 

Fórmula

Quem assistiu ao duelo entre Grêmio e Portuguesa, livre de qualquer paixão clubística, pode, com razão, contestar se o empate não fora obra de um acordo extracampo. Talvez não oficialmente, mas certamente as equipes foram a campo com o “freio de mão” puxado, uma vez que a igualdade bastaria a ambos para atingirem seus objetivos no final do certame. Nem gaúchos, nem paulistas têm culpa. O vilão do hipotético ‘jogo de compadres’, mesmo que tenha ocorrido de maneira velada, é a chatíssima fórmula do brasileirão. Embora aponte o melhor, com justiça, a forma de disputa é enfadonha, nega a tradição do futebol nacional e permite ‘desconfianças’ como a explicitada acima.

Vergonha


Nas bastasse a campanha pífia ao longo do segundo turno, o time do Internacional reservou mais uma “grande surpresa” ao seu torcedor na derradeira partida do brasileirão: conseguiu a ‘proeza’ de empatar com o time “C” da rebaixada Ponte Preta, — que nesta quarta-feira decide título da Copa Sul-Americana contra o Lanús, na Argentina. Com o empate em zero a zero, em Caxias do Sul, os colorados terminam o campeonato na vexatória 15ª posição, com míseros 48 pontos. De bom, ‘apenas’ a permanência na elite do futebol em 2014 — embora seja obrigação. Ah... falando nisso, os “vermelhos” não conseguiram sequer uma ‘vaguinha’ na Copa Sul-americana. Felizmente, para os “vermelhos”, 2013 já acabou.

Mutação

Abel Braga deverá ser o técnico do Inter no próximo ano. Todavia, a principal mutação precisa atingir outro setor fundamental do clube, o departamento de futebol. Nesse sentido, os “homens da área”, Luís César Souto de Moura e Marcelo Medeiros, deixaram seus cargos. Aliás, as despedidas revelam o maior serviço que a dupla prestou ao Internacional. Além deles, é imperiosa uma renovação no grupo de jogadores. Atletas do time “come e dorme”, como Rafael Moura, deverão deixar o colorado. Antes tarde do que nunca...

Legítimo campeão


Com quase dois titulares por posição, com nível técnico similar, o Cruzeiro é o legítimo campeão Brasileiro de 2013. Éverton Ribeiro, craque da Raposa, levou ainda a premiação como melhor atleta do certame. Além disso, o goleiro Fábio, a dupla de zaga composta por Dedé, ex-Vasco e Bruno Rodrigo, ex-Santos, além do volante Nilton, foram outros protagonistas da campanha irrepreensível do time de Marcelo Oliveira.

Seleção 


Os melhores do campeonato brasileiro, para esse singelo colunista, são: Fábio (Cruzeiro); Léo (Atlético-PR), Dedé (Cruzeiro), Rhodolfo (Grêmio) e Juan (Vitória); Nilton (Cruzeiro), Elias (Flamengo), Cícero (Santos) e Éverton Ribeiro (Cruzeiro) - eleito, justamente, o craque do certame; Walter (Goiás) e Hernane (Flamengo). Técnico: Ney Franco. Viram? Ao contrário de outros anos, poucos nomes foram do “tipo incontestáveis" — mesmo nas eleições tradicionais realizada ao final de cada temporada. A propósito, o brasileirão 2013 foi um dos piores, tecnicamente, dos últimos tempos. Tomara que no próximo, em 2014, a “bola seja menos maltratada”.

Rebaixamento

Além de Náutico e Ponte Preta, rebaixados há tempos, os gigantes cariocas Vasco e Fluminense também integrarão o álbum de figurinhas da Segundona em 2014. No caso do Vasco, o descenso decorre muito em conta da precaridade do grupo de jogadores — evidenciada em seus goleiros quase “amadores”. Pelo lado do tricolor carioca, a ‘queda’ é digno de estudo psicanalítico. Afinal, o Fluzão foi campeão brasileiro ano passado e, embora tenha perdido valores após a Libertadores deste ano — como Thiago neves e Wellington Nem —, tem, no papel, um dos grupos de jogadores para no mínimo, não ser rebaixado. A utilização de um atleta irregular pela Portuguesa, contra o Grêmio, porém, poderá livrar o Fluminense da ‘degola’. É o que sonham os tricolores do Rio.

Fotos: Futura Press, Bol fotos, Folha de S. Paulo

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Inter: Incômoda pauta, lei do silêncio e ‘D’Aledependência’

Segundona?


Na vida do Internacional neste final de ano, a pauta continua sendo a possibilidade de descenso. Com o empate sem gols diante do Corinthians, em São Paulo, aliado ao insucesso dos resultados paralelos, a equipe  que jogou grande parte  do duelo com um a menos, pela expulsão de Willians — arrasta a incômoda probabilidade de rebaixamento até a última rodada. Para que a temporada “traumática” se torne “tragédia”, os colorados precisam perder para a Ponte Preta, em Caxias, e ainda contar com a desventura de outras três combinações. Mesmo que as chances sejam baixíssimas, “é preciso abrir o olho”. Se enquanto há vida, existe esperança, um desdobramento do contrário também é válido: enquanto há risco, o temor se justifica. 
Matemática x realidade
Mesmo que o Inter consiga a “proeza” de perder para a ‘Macaca’, provavelmente com time reserva — por estar na final da Sul-americana, os “vermelhos” não serão rebaixados se ocorrer ao menos uma das três hipóteses: se o Criciúma perder para o Botafogo, no Rio; se o Coritiba não vencer o São Paulo, em Itu; ou ainda se o Vasco não vencer o Atlético-PR, em Joinville-SC. Mas, convenhamos: se perder para a Ponte Preta, o Internacional, que faz campanha digna de “rebaixamento moral”, merece, sim, inaugurar o novíssimo Beira-Rio na incômoda série B. É pouco provável e tomara que não ocorra, para o bem dos colorados.
Razão
Mesmo gastando “rios de dinheiro”, o Inter chega à derradeira rodada na 14ª colocação. Com apenas 17 pontos no returno — campanha superior apenas a do Náutico, rebaixado “há mil anos” e à frente do Coritiba apenas pelos critérios de desempate, finalmente a direção, capitaneada por Giovanni Luigi, “descobriu” a responsável pela campanha pífia: a imprensa, pasmem! Segundo os “homens do futebol”, existe um complô das rádios-tvs e jornais contra o Internacional, o que originou a “lei do silêncio” — nenhum jogador poder falar pelas ‘bandas’ do Beira-Rio. Eis mais uma cena patética de um departamento de futebol, esse sim, digno da segundona. 

Aliás
Entre os anos de 2006 e 2010, período glorioso na história contemporânea do Inter, onde estava a imprensa? Respondo: fazendo o seu trabalho como sempre. Com erros, às vezes, possíveis exageros, confesso, mas, fundamentalmente, fazendo o seu papel. Apenas isso. O resto é “choro desesperado” de quem foi incompetente e precisa de uma justificativa para o injustificável. Eita amadorismo!
Ciclo encerrado?

Após a partida contra o Timão, D’Alessandro não confirmou a permanência no Inter em 2014, embora tenha contrato até maio de 2015. Luigi, por sua vez, afirmou que enquanto for presidente do clube, o argentino não sai da Padre Cacique – mesmo que Flamengo e Cruzeiro estejam de olho no craque alvirrubro. Para àqueles que contestam a importância do gringo na equipe e colocam em xeque os benefícios de sua permanência, contra-argumento: não fosse o camisa 10, a temporada colorada, que beira o ridículo, seria ainda mais traumática. Vide o número de gols e assistências do castelhano no brasileirão.
Fotos: Alexandre Lops/SC Internacional e ClicRBS

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Grêmio: Sonho renovado, aprendizado e Libertadores


Rumo ao TRI




Com uma rodada de antecedência, o tricolor confirmou a lógica – ancorada em sua regular campanha desde a chegada de Renato – e garantiu-se na maior competição do Continente, em 2014. Diante da vitória mínima contra o Goiás, na Arena, gol de Barcos (acredite se puder!), a única dúvida é saber se o Grêmio participará da fase de grupos ou se precisará encarar a Pré-Libertadores. Um mero empate, no próximo domingo, contra a Portuguesa, no Canindé, garante os “azuis” a primeira condição, com direito a férias e pré-temporada mais prolongadas. O desafio agora é a formação de um time competitivo e com acréscimos consideráveis, sobretudo, no setor ofensivo, além de reposições à altura para as prováveis saídas. Parabéns aos tricolores pelo primeiro objetivo alcançado rumo ao sonhado Tri da América!

Replay ou aprendizado?

Para vencer a Libertadores, a vaga é imperiosa, logicamente, mas tomara que ‘fazer parte do certame’ não seja o limite gremista. A participação na competição “nata” da América é uma honraria e tanto, sem dúvidas, além de uma fonte de receita fantástica, mas a nação gremista clama e merece muito mais, justificadamente. Se não vier o Tri da Libertadores, que venha o Brasileirão ou a Copa do Brasil. O Grêmio é muito maior do que as “participações”. Em 2014 o Grêmio tem novamente a chance de escrever mais uma gloriosa página em sua já vitoriosa existência. É tudo o que espera a nação gaúcha de três cores.

Sorte e competência

Para coroar a temporada competente, o Grêmio recebeu uma dose considerável de sorte na 37ª rodada. Além da lesão de Walter, que o impediu de voltar para o segundo tempo — embora tenha ameaçado a meta de Dida somente uma vez na etapa inicial — o tricolor foi beneficiado com derrota do Atlético-PR para o Santos e voltou à vice-liderança. Agora só depende dele próprio para concluir o certamente na segunda colocação. Embora não tenha confirmação científica, existe sorte em futebol, sim, mas sem dúvidas, ela sorri muito mais para quem faz por merecer.

Atributo 

O gol de Barcos, após longo jejum de sete jogos, e que garantiu o tricolor na “Liberta 2014”, teve origem em uma jogada protagonizada por Pará e Ramiro pelo setor direito. Mais do que isso, a investida traduziu um dos atributos essenciais ao sucesso do futebol moderno e que, em regra, é ausente no Grêmio: a velocidade. Para o ano que vem, a titularidade de Maxi Rodriguez, que não chega a ser um velocista, mas garante dinamismo ao setor de meio-campo, além da contratação de um segunda atacante — que até pode ser Leandro, emprestado ao Palmeiras e que pode retornar —, são duas alternativas para fazer do Grêmio um time mais célere na transição defesa-ataque.

Campanha



Mesmo com atuações ao longo da temporada, em regra, contestáveis — pela disposição tática conservadora e “tranca rua” de seu treinador — o Grêmio, a seu estilo, pragmático, cumpriu a meta que o cabia (desde que o Cruzeiro liquidou com a esperança de título dos outros 19 postulantes). A vaga tem a assinatura de Renato, em três momentos: quando “descobriu” o esquema de três zagueiros e três volantes no Gre-Nal do primeiro turno; e, sobretudo, quando, mesmo que tardiamente, reviu alguns de seus conceitos e inseriu Vargas na equipe e, posteriormente, alçou Zé Roberto entre os titulares. Para 2014, com Renato ou sem ele, espero que o tricolor possa aliar excelentes resultados com atuações similares. Com reforços, o caminho será menos tortuoso. Mãos à obra, “cartolagem”. 

Futuro

No próximo post confira a repercussão do empate do Internacional e a "incômoda" situação colorada na reta final do Brasileirão 2013.

Fotos: Ricardo Giusti/Correio do Povo e Lucas Uebel / Grêmio FBPA

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Flamengo: Título com a cara do futebol brasileiro

Tricampeonato



Liderado pelo interino-efetivado Jayme de Almeida e dispondo do dinamismo de Elias e dos gols de Hernane “Brocador”, o Flamengo sagrou-se, com justiça, o Campeão da Copa do Brasil de 2013 – e de quebra garantiu uma vaga na Libertadores do próximo ano. Após o empate de 1 a 1 na semana passada, no Paraná, o rubro-negro bateu o Atlético-PR, no Maracanã por 2 a 0 — com gols dos atletas citados acima — e levou para a Gávea o terceiro caneco do torneio. Mais do que a festa da maior torcida do mundo no templo mais “charmoso do planeta”, o título representou, em síntese, a cara do futebol brasileiro. Vejamos...

Tradição

Disposto num tradicional 4-2-2-2 ou 4-4-2, como queiram, sistema outrora regra na maioria dos clubes do país, o Flamengo sob o comando de Jayme encontrou seu equilíbrio nas tarefas de atacar e defender, encaixou a “equipe” e cresceu na hora certa, com o perdão do clichê, embora seja justificado. Mesclando jovens com atletas experientes, o Flamengo não dispõe de um elenco milionário, tampouco, que reúne craques, mas soube explorar as virtudes e minoras as mazelas no tradicional 4-4-2 com dois volantes, dois meias e dois atacantes, sendo um de velocidade e outro de referência. Às vezes, a simplicidade tática é o melhor caminho.

Categoria de base


Jayme de Almeida segue a jornada de outros técnicos flamenguistas que de ex-jogadores do clube, assumiram a condição de treinadores interinos, foram efetivados e fizeram história: Andrade, Campeão Brasileiro em 2009; Carlinhos, venceu o mesmo título em 87 e 92 e, sobretudo, Paulo César Carpegiani, ex-Inter, Campeão da Libertadores e do Mundo, em 1981.

Elenco

Mesmo sem “craques”, os cariocas tiveram alguns atletas destacados na campanha vitoriosa. O lateral-direito e capitão Léo Moura, mesmo aos 35 anos, segue como um dos melhores da função no país. Além dele, o segundo-volante Luiz Antônio, cria da casa, foi outra afirmação. Do meia para frente, Elias, terceiro homem e por vezes, atuando como segundo volante foi o grande nome da conquista, por sua movimentação e gols decisivos. Na frente, Paulinho, outra prata da casa é um típico segundo atacante: tem velocidade, drible e atua pelos flancos. Completando a equipe, Hernane, claro, sempre ele, o maior goleador do país na temporada. Típico camisa 9, centroavante nato, homem-gol. Hoje é disparado, o maior xodó da nação de duas cores.

Justiça

Na Copa do Brasil, o rubro-negro eliminou três dos quatro clubes que hoje estão no G4 do Brasileirão — Cruzeiro, Goiás e Atlético-PR. Somente o Grêmio, que teve o Furacão, o outro finalista como algoz, não atravessou o caminho carioca. Portanto, um título “pra lá” de merecido.

Beleza cultural



Como é bom vermos um campeão forjado numa finalíssima. Jogo ida e volta, estádios lotados, emoção nas arquibancadas e o bom e velho “mata-mata”. Sem dúvidas, o sistema de pontos corridos brinda a melhor campanha — aliás o Cruzeiro é o justíssimo Campeão Brasileiro de 2013 — mas, no Brasil, não tem jeito: a torcida é apaixonadíssima pelo sistema eliminatório. Menos mal que a Copa do Brasil, a partir deste ano, mudou o calendário e está sendo disputada no segundo semestre. É um alento aos últimos monótonos finais de temporada do futebol nacional.

“Xororô” bairrista

Além da Copa do Brasil, outro “mata-mata” agitou o centro do país nessa quarta-feira à noite. A segunda equipe mais velha do país, a Ponte Preta, de Campinas-SP, empatou com o São Paulo — após vitória por 3 a 1 no Morumbi —, em Mogi Mirim, e classificou-se ineditamente para a sua primeira final internacional — a Copa Sul-americana. À margem de tudo isso, mais uma vez, a dupla Gre-Nal acompanhou tudo do sofá de casa. Até quando? A nós, resta brindamos a busca por uma vaga à Libertadores por parte do Grêmio (pelo menos isso) ou a luta para não ser rebaixado do Internacional (mediocridade pura). Que 2014 seja infinitamente melhor para os gaúchos (do ponto de vista futebolístico). Tomara!!!

Fotos: Goal.com, Esporte Interativo, Globoesporte e UOL/Esportes