Futebol
na essência
Campeonato/Torneio
com sistema eliminatório é pródigo em surpresa. Eis que para a desgraça do
Atlético-MG, a zebra desfilou no Marrocos e os brasileiros perderam para o Raja
Casablanca, por 3 a 1, na semifinal do Mundial de Clubes da Fifa de 2013. Não
bastasse o fracasso, os marroquinos estão no torneio exclusivamente por serem
os atuais campeões do país sede, ou seja, não são campeões do continente. Na
atual liga marroquina, os ‘carrascos’ ocupam a oitava colocação. Perder é do
jogo, faz parte, ainda mais em mata-mata, mas o Galo mineiro conseguiu uma
‘proeza e tanto’.
Atuação
O time de Cuca não
sofreu o chamado ‘crime’, pelo contrário: ‘livrou-se’ de uma derrota com placar
ainda mais traumático. Embora tenha liderado as ações no início da partida e
perdido duas chances incríveis com o centroavante Jô e o ponta-esquerda
Fernandinho, os atleticanos passaram grande parte da noite correndo atrás dos
marroquinos que ‘pintaram e bordaram’ pelo setor esquerdo defensivo do time
brasileiro. Teve defesa de Victor, chance desperdiçada e gol anulado. O futebol
é o único jogo em que o ‘pior pode triunfar sobre o melhor’. Infelizmente, para
o Galo mineiro.
Infelicidade
“Se ganhou é bom, se
perdeu, é porque não teve humildade”. Acho um pensamento simplista e
equivocado. O time de Ronaldinho Gaúcho não pareceu soberbo, tampouco,
desinteressado. O que ocorreu, sim, foi uma jornada deveras infeliz, tanto na
individualidade de seus atletas, como, principalmente, no sistema tático. Ao
final da partida, o presidente Alexandre Kallil, que fora elogiado nesse espaço
pelos investimentos que fizera, legando ao clube o inédito título de Campeão da
América, deixou de lado o discurso oficialista e atacou o elenco. Ele defendeu um time mais humilde para 2014, sem “Pelés e gênios”.
Ah... por favor, presidente! Quando venceram a Libertadores, todos ganharam e
os ‘gênios’ serviram? Quando perde o elenco não presta? Baita oportunismo. É
preciso ter grandeza no futebol, ainda mais na derrota.
Bastidores
No
entanto, os palavrões ditos pelo lateral-direito Marcos Rocha (que aliás, desde
que foi convocado para a seleção achou que jogava mais que o Cafu) após a
substituição, bem como a declaração de Cuca que dias antes disse que não
ficaria na equipe, independente do resultado do Mundial, são indícios que o
vestiário não estava, assim, as mil maravilhas. Para completar ‘a noite
trágica’ do time que jogou o melhor futebol do Brasil, em 2013, sobretudo, na
primeira fase da Libertadores, o pênalti que resultou no segundo gol marroquino
foi no mínimo duvidoso, para não dizer ‘obra do apito amigo’ — erro da
arbitragem. Problemas fora de campo, atrelados as dificuldades dentro dele e,
que já foram explicitadas, afastou o futebol mineiro do sonhado título mundial.
Em 1976 e 1997, ainda no formato intercontinental (Campeão europeu x Campeão
das Américas), o rival Cruzeiro perdeu para os alemães Bayern de Munique e
Borússia Dortmund, respectivamente.
Raja e o Raio
Se
numa hipotética final frente ao Galo o Bayern já era o favorito absoluto,
contra o Raja Casablanca, então, a final deverá ser apenas protocolar. Por mais
ressalvas (‘vacinas’) que se possam fazer, os alemães têm tudo para fazer
história e aplicar, quiçá, a maior goleada da história de uma final no mundial
de clubes. Se de um lado o time de Ribery & Cia só precisa jogar
‘minimamente’ o que sabe, aos anfitriões, resta motivar-se com a festa de seu
torcedor e abraçar-se ao imponderável que somente o futebol pode proporcionar.
O Raja quer provar que o ‘raio’ pode sim cair duas vezes no mesmo ‘mundial’.
Fotos: O Globo, Esportes IG e Folha de S.Paulo



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