quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Marrocos e a zebra que ‘bateu’ o Galo

Futebol na essência


Campeonato/Torneio com sistema eliminatório é pródigo em surpresa. Eis que para a desgraça do Atlético-MG, a zebra desfilou no Marrocos e os brasileiros perderam para o Raja Casablanca, por 3 a 1, na semifinal do Mundial de Clubes da Fifa de 2013. Não bastasse o fracasso, os marroquinos estão no torneio exclusivamente por serem os atuais campeões do país sede, ou seja, não são campeões do continente. Na atual liga marroquina, os ‘carrascos’ ocupam a oitava colocação. Perder é do jogo, faz parte, ainda mais em mata-mata, mas o Galo mineiro conseguiu uma ‘proeza e tanto’.

Atuação

O time de Cuca não sofreu o chamado ‘crime’, pelo contrário: ‘livrou-se’ de uma derrota com placar ainda mais traumático. Embora tenha liderado as ações no início da partida e perdido duas chances incríveis com o centroavante Jô e o ponta-esquerda Fernandinho, os atleticanos passaram grande parte da noite correndo atrás dos marroquinos que ‘pintaram e bordaram’ pelo setor esquerdo defensivo do time brasileiro. Teve defesa de Victor, chance desperdiçada e gol anulado. O futebol é o único jogo em que o ‘pior pode triunfar sobre o melhor’. Infelizmente, para o Galo mineiro.

Infelicidade

“Se ganhou é bom, se perdeu, é porque não teve humildade”. Acho um pensamento simplista e equivocado. O time de Ronaldinho Gaúcho não pareceu soberbo, tampouco, desinteressado. O que ocorreu, sim, foi uma jornada deveras infeliz, tanto na individualidade de seus atletas, como, principalmente, no sistema tático. Ao final da partida, o presidente Alexandre Kallil, que fora elogiado nesse espaço pelos investimentos que fizera, legando ao clube o inédito título de Campeão da América, deixou de lado o discurso oficialista e atacou o elenco. Ele defendeu um time mais humilde para 2014, sem “Pelés e gênios”. Ah... por favor, presidente! Quando venceram a Libertadores, todos ganharam e os ‘gênios’ serviram? Quando perde o elenco não presta? Baita oportunismo. É preciso ter grandeza no futebol, ainda mais na derrota.

Bastidores

No entanto, os palavrões ditos pelo lateral-direito Marcos Rocha (que aliás, desde que foi convocado para a seleção achou que jogava mais que o Cafu) após a substituição, bem como a declaração de Cuca que dias antes disse que não ficaria na equipe, independente do resultado do Mundial, são indícios que o vestiário não estava, assim, as mil maravilhas. Para completar ‘a noite trágica’ do time que jogou o melhor futebol do Brasil, em 2013, sobretudo, na primeira fase da Libertadores, o pênalti que resultou no segundo gol marroquino foi no mínimo duvidoso, para não dizer ‘obra do apito amigo’ — erro da arbitragem. Problemas fora de campo, atrelados as dificuldades dentro dele e, que já foram explicitadas, afastou o futebol mineiro do sonhado título mundial. Em 1976 e 1997, ainda no formato intercontinental (Campeão europeu x Campeão das Américas), o rival Cruzeiro perdeu para os alemães Bayern de Munique e Borússia Dortmund, respectivamente.

Raja e o Raio



Se numa hipotética final frente ao Galo o Bayern já era o favorito absoluto, contra o Raja Casablanca, então, a final deverá ser apenas protocolar. Por mais ressalvas (‘vacinas’) que se possam fazer, os alemães têm tudo para fazer história e aplicar, quiçá, a maior goleada da história de uma final no mundial de clubes. Se de um lado o time de Ribery & Cia só precisa jogar ‘minimamente’ o que sabe, aos anfitriões, resta motivar-se com a festa de seu torcedor e abraçar-se ao imponderável que somente o futebol pode proporcionar. O Raja quer provar que o ‘raio’ pode sim cair duas vezes no mesmo ‘mundial’.

Fotos: O Globo, Esportes IG e Folha de S.Paulo

Nenhum comentário:

Postar um comentário