Convocação
Na manhã desta
terça-feira (14/05), o técnico Luiz Felipe Scolari anunciou a lista de 23 nomes
para a disputa da Copa das Confederações, no próximo mês, no país. Ao contrário
do que se imaginava Ronaldinho Gaúcho, que hoje é o melhor jogador em atividade
no país – superando inclusive Neymar, está fora da lista. Dizem que problemas
extracampo afastaram o R10 da amarelinha. Por favor, Felipão, craque precisa
ser administrado, ainda mais diante da escassez de valores do futebol
brasileiro.
Penta x atualidade
Em 2002 Felipão não levou o
Romário e a conquista do Pentacampeonato acabou "abafando" o
equívoco. E pelo que parece, a não convocação de Ronaldinho teria tido mesma
razão - discussões fora das quatro linhas atraso em apresentações, algo do
gênero. Mas, alô... atenção, hoje é diferente. Na Copa da Ásia tínhamos
Rivaldo, Ronaldo e o próprio Ronaldinho vivendo seus auges, sem falarmos em
Cafu e Roberto Carlos. Hoje, entre as opções temos Jadson e Hulk. Convenhamos:
vaidade tem limites.
Articulador
Sem Ronaldinho e Kaká – que
embora esteja longe das condições atuais, deveria estar ao menos entre os
reservas - o único afirmado do setor, entre os convocados, é Oscar. Jadson,
apesar do bom momento no São Paulo, está longe das exigências da seleção. Os
demais convocados simplesmente não são da função. Vejamos: Bernard e Lucas, do
PSG, são jogadores de frente e de lado de campo. Aliás, mesma função do Hulk...
Que com todo o respeito, não consegue ser titular sequer no Zenit.
Agravante
Mesmo em relação a Oscar, único
afirmado no setor, existe uma agravante. O meia do Chelsea não tem condição de
ser o centro técnico da equipe. Joga demais, é uma afirmação indiscutível, mas
é assessor de camisa 10 e não a figura principal do setor. Lembram dele no
Internacional? O melhor momento de Oscar foi ao lado de D’Alessandro. Na
seleção, a 10 será de Oscar, mas na prática, ninguém da função foi convocado.
Um erro primário digno de demissão por justa causa.
Esquema
Mesmo com as observações, Oscar pode
desempenhar com louvor- embora improvisadamente – a figura de centro técnico do
time no sistema 4-2-3-1. Porém, para isso, é preciso, imprescindivelmente, que
os meias/atacantes de flanco – Neymar de um lado - e o outro quem será? Talvez
Bernard? – superam a ausência de 10 clássico. Do contrário, se Oscar for bem
marcado, a seleção ficará refém do “balão da defesa” e/ou dos avanços dos laterais,
nem sempre possível contra adversários de maior qualidade como a Espanha, por
exemplo.
Três
volantes
Tem mais. A partir da convocação
“varzeana”, não me surpreenderia em nada se a seleção fosse a campo com três
volantes e apenas Oscar na armação. Sendo assim, uma meia cancha em losango –
com Fernando (do Grêmio) ou Luís Gustavo recuado, Paulinho na direita, Hernanes na esquerda e Oscar adiantado. Diante dos nomes, essa seria a
formatação tática mais equilibrada. Mas, convenhamos: a única possibilidade
aceitável de jogar uma Copa das Confederações, em casa e com três volantes, é
diante da convocação equivocada. Na frente, Neymar e Fred, por enquanto,
indiscutíveis.
Ataque
Falando no setor,
Felipão cometeu outro equívoco. Se a escolha foi por apenas dois centroavantes,
deveria ter variado as características. Com Fred e Leandro Damião (do
Internacional), a seleção fica refém dos homens de área, que necessariamente,
precisam ser constantemente abastecidos. Diante da titularidade de Fred, a
opção mais racional no banco seria Alexandre Pato. Embora esteja na reserva do
Corinthians, o camisa 7 tem a velocidade como principal característica, além de
também poder jogar como segundo atacante.
Pitaco
Na verdade, o ideal
seria que Felipão convocasse dois centroavantes de ofício e mais Alexandre Pato
– deixando Hulk bem longe da amarelinha. Neste sentido, sobre os primeiros, não
seria surpresa se Jô estivesse na vaga de Damião. Futebol é momento e, neste
quesito, o 7 do Atlético-MG está jogando mais que o colorado. Mas, Felipão
apostou na regularidade de Damião, o que não deixa de ser um acerto.
Dono
da bola
Além
da convocação, querem mais uma prova cabal do momento medíocre da seleção
nacional? A Copa das Confederações congrega as seleções campeãs continentais,
além da campeão do Mundo, a Espanha.
Porém, o Brasil, pentacampeão mundial, participará do torneio somente
por ser sede. Assim como a África do Sul na Copa passada, lembram? Parece
aquele menino que joga tão mal que a única chance de integrar o time dos amigos
é sendo o dono da bola.
Falando
nisso
Não
é à toa que hoje estamos na 19ª colocação do ranking da Fifa – embora conteste
alguns critérios da entidade. Desculpem o desabafo, mas está cada dia mais
difícil torcer para esse remendo de time chamado seleção brasileira.
Solução
mágica
Com a “pataquada” em
forma de convocação de Felipão, reforça ainda mais minha teoria de que o gaúcho
de Caxias do Sul não é nada além do que uma Solução Mágica para resolver os
problemas da seleção. Quando Mano Menezes assumiu a casamata, o nome correto
seria Muricy Ramalho, mas diante da falta de acerto, Mano foi jogado aos leões
e a goela abaixo da opinião pública. Hoje, como uma espécie de Paladino do
Futebol Brasileiro, Super Herói da Pátria de Chuteiras, Felipão novamente está
na função. Porém, não me surpreende que ele deixe a função – ou seja, demitido –
antes mesmo da Copa do Mundo. Adenor Bacchi, o Tite, é o nome da vez. Mas,
torçamos por Felipão, por mais difícil que seja.
Sonho
do cronista
Diante
da convocação, ainda sonho em disputar uma Copa do Mundo. Perna-de-pau por
perna-de-pau, meu sonho é justo e tangível.
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Fotos: Globoesporte.com, Esportes Uol, Lance Net e Gazeta Esportiva