segunda-feira, 31 de março de 2014

Com selo “Abelão”, Inter vence Gre-Nal 400

Jogaço

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O Gre-Nal 400 além de garantir ao Internacional a honra de ser o primeiro a vencer um clássico na novíssima Arena, teve um componente extra: o bom futebol. Vencido de virada pelos vermelhos, por 2 a 1 — gols de Barcos para o Grêmio e Rafael Moura (2x) — o duelo teve tempos distintos: o primeiro tempo foi do Grêmio, mas o segundo teve tamanha superioridade colorada que o marcador acabou sendo justo. Agora, dia 13 de abril, provavelmente no Beira-Rio, o Internacional jogará com uma baita e inegável vantagem visando o Tetracampeonato estadual. 

Padrão Fifa

Obviamente nada está decidido. Lembram do Gauchão 2011? Coisa boa quando os dois gigantes do futebol Gaúcho valorizam também o certame regional. O Gre-Nal 400 foi ‘Padrão Fifa’. Tomara que o 401 seja ao menos parecido.

Nome do Gre-Nal

Sem dúvidas, Abel Braga foi o grande personagem do clássico 400 que rendeu ao Internacional a vitória de número 150. Além de literalmente ter alterado a partida no intervalo, Abelão comprovou que é possível, sim, vencer com uma postura longe da ortodoxa (como defendida neste espaço, com a presença do volante Ygor). É verdade, que o time passou a “jogar” e teve superioridade assombrosa no segundo tempo, somente quando Abel, entre outros, reviu seu ‘faceirismo’, mudou a equipe taticamente e recuou Alex. Mesmo assim, os méritos do treinador foram inegáveis. Para coroar sua participação, Rafael Moura, seu homem de confiança, mesmo voltando de lesão, marcou os dois gols da vitória.

Revés

Por outro lado, Endeson Moreira teve seu primeiro grande revés à frente do tricolor. Em uma jornada atípica, o comandante foi incapaz de equilibrar o duelo tático com o colorado na segunda etapa. Para piorar a sua atuação, errou na substituição, ao retirar Dudu e promover o ingresso de Alán Ruiz — que deveria ter entrada na vaga de um dos volantes. Trocar Dudu por Alán Ruiz, taticamente foi a “arte do mais do mesmo”. Mais agravante que sua infelicidade tática e técnica foi a sua entrevista coletiva após o jogo: Enderson justificou a derrota pelo desgaste físico da equipe que também está disputando a Libertadores. Não deixa de ser uma ‘meia-verdade’, claro, mas o maior problema do Grêmio no clássico foi de ordem tática na segunda etapa e, portanto, a responsabilidade foi inteiramente do treinador. Além do mais, o preparador físico do Grêmio é ninguém menos que Fábio Mahseredjian, ‘simplesmente’ o melhor do país.

Saiba mais

No próximo post confira os destaques táticos do clássico, bem como outros destaques do jogaço ocorrido na Arena do Grêmio. 
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Foto: Internacional Oficial

sexta-feira, 28 de março de 2014

Pitacos e apostas para o Gre-Nal 400

Favoritismo


“Gre-Nal é clássico e, portanto, não existe favorito”. Discordo amigavelmente. Nem que seja em caráter singelo, sempre uma equipe chega em vantagem — TEÓRICA — em relação a outra para a disputa. Desta vez, o favoritismo, mesmo que seja mínimo, é do Grêmio, não apenas para o Gre-Nal 400 como também para a conquista do título. E justifico...

Cancha e equilíbrio

Por estar disputando a Libertadores, o tricolor encontra-se mais tarimbado para enfrentar grandes adversários, o que ainda não ocorreu com o Internacional na temporada — exceto o primeiro Gre-Nal, em fevereiro, embora as duas equipes ainda estivessem recém iniciando os trabalhos. Mas principalmente, porque a equipe de Enderson Moreira (d) é infinitamente mais equilibrada que a de Abel Braga. Além da consistência defensiva, garantida pela presença dos três homens de marcação, o Grêmio também tem mais alternativas ofensivas, sobretudo através de Dudu e Luan, com extrema velocidade.

Versatilidade


Além disso, o tricolor dispõe da versatilidade de Riveros que atua hora como meia, hora como volante, dependendo da exigência do momento. Futebol se começa a ganhar ou perder é pelo meio-campo. E neste ponto, o Grêmio entra no clássico com superioridade.

Mudança

Para igualar o cenário, seria imperioso que Abel Braga promovesse ao menos uma mudança na equipe: o ingresso do volante Ygor, por exemplo, é a possibilidade que me parece mais adequada — Mas também poderia ser o ingresso de Ernando e a migração para o sistema 3-5-2. Com Ygor e Willians, o Inter teria proteção à frente dos zagueiros e legaria ao time mais liberdade para Aránguiz, D’Alessandro e Alex criarem e chegarem à frente. Neste sentido, Alex atuaria na vaga de Jorge Henrique, que até agora não disse a que veio.

Diferencial


Pelo lado do Internacional, o grande diferencial chama-se D’Alessandro. O camisa 10 será o único craque em campo no Gre-Nal 400 e certamente, é capaz de decidir o confronto em uma jogada solo, seja com um chute de fora da área, um drible desconcertante ou uma assistência precisa. O jovem Luan, embora todo o potencial, ainda é um ‘projeto de craque’. Poderá até consolidar-se inclusive a partir do Gre-Nal, numa hipotética atuação de luxo, mas por enquanto, não possui a estatura técnica de D’Ale. Ainda, reitero. Além de ambos, os centroavantes Barcos e Rafael Moura (ou Wellington Paulista) também são potenciais candidatos a heróis do duelo pelo simples critério da ‘centroavância’, isso é, posição talhada para decidir.

Grêmio francês

Pela ‘liga’ tática da equipe, Enderson deverá repetir a mesma formatação das últimas jornadas com Edinho, Ramiro e Riveros numa primeira linha, com Luan e Dudu mais à frente e Barcos no comando de ataque — formação idêntica a utilizada pela seleção francesa. Eis os pitacos gremistas deste colunista.

Internacional Inglês

Dentro da tática proposta, com mais um homem de marcação entre os titulares, Abelão poderia mandar a campo uma equipe em duas linhas de quatro (4-4-2), tendo Aránguiz e Alex abertos e Willians e Ygor mais ao centro. Sendo assim, D’Alessandro atuaria à frente dos quatro, com mais liberdade para armar e encostar no centroavante. Na peça defensiva, seria um esboço do esquema típico do futebol inglês. Entretanto, com a posse de bola, Aránguiz e Alex se somariam a D’Ale na armação, formando a linha de três meias atrás do centroavante, em 4-2-3-1. Eis os pitacos colorados deste colunista.

Outras possibilidades

O ingresso de Alán Ruiz no time e a saída de um dos volantes para deixar o Grêmio mais ofensivo. Nesse sentido, o tricolor atuaria no 4-2-3-1, com Ruiz centralizado. No lado do Inter, o meia-atacante Otávio, embora esteja voltando de lesão, é uma bela alternativa de ataque e velocidade, independente da formatação tática — embora o 4-2-3-1 fosse o mais indicado. Entretanto, são possibilidades que embora possam ser “surpresas dos treinadores” para o início da partida, são mais indicadas para ocorreram ao longo do confronto, principalmente no segundo tempo.

Numerologia


Em matéria de finalíssima do Gauchão, a obviedade veste azul e vermelho. Até hoje, a dupla decidiu o estadual 35 vezes, com pequeníssima vantagem gremista: 18 títulos, contra 17 dos colorados. No próximo domingo, ocorrerá o clássico de número 400 da história. E na “numerologia”, a supremacia geral também é do Grêmio, que venceu os clássicos de número 100, no ano de 1948, empatou o de número 200, em 1971 e venceu nos pênaltis, o de número 300, em 1989. Quando a comparação são os clássicos na historia, o Internacional leva vantagem com 149 triunfos, contra 125 do tricolor e 125 empates.

Fotos: Esportes UOL/Bol*, Goal.com, Esporte IG e Google Imagens

*Vinícius Costa/Agência Preview & Lucas Uebel/Divulgação Grêmio

quinta-feira, 27 de março de 2014

Final previsível, tendência caseira e presunção da inocência

Apito em pauta


Futebol jamais foi e, infelizmente, jamais será um ato de justiça. Porém, essa realidade muitas vezes triste — vide a seleção de 1982 — ganha ares ainda mais dramáticos quando, por exemplo, um erro de arbitragem interfere no resultado: exemplo atual foi a vitória gremista sobre o Brasil de Pelotas por 2 a 1, sendo que a origem do segundo gol foi irregular. Na partida do Internacional, o ‘homem do apito’ também vacilou ao não assinalar o pênalti favorável ao Caxias, na vitória colorada por 3 a 0, quando os colorados ainda venciam pelo placar mínimo.

Inocência e tendência

Por essas e outras, Fabrício Neves Corrêa (e) e Jean Pierre de Lima “facilitaram” ainda mais o óbvio curso natural do campeonato, ou seja, uma final entre Grêmio e Internacional. Deixo claro que acredito na honestidade e lisura profissional dos citados ‘homens do apito’— pelo simples critério da presunção da inocência até prova em contrário. No entanto, não podemos ignorar, que novamente os ‘erros’ beneficiaram os mais fortes e/ou aqueles que jogavam em casa. Coincidência ou não, é um fato que merece atenção científica. Fica a dica!

Grêmio em campo


Longe do inibido Luan da última partida da Libertadores, o camisa 26 voltou a ser protagonista e teve atuação destacada, com os conhecidos dribles, assistências e arrancadas que colocam xeque qualquer defesa — exemplificado pelo segundo gol, embora a origem tenha sido irregular, pois o atacante colocou as duas mãos na bola. O primeiro gol ocorreu após cruzamento de Dudu e colaboração de Fernando Cardoso, que de carrinho, ‘jogou contra o patrimônio’. De negativo fica, principalmente, o destempero do melhor defensor gremista, o zagueiro Rhodolfo que, se fosse expulso, após confusão na lateral de campo, não seria nenhum absurdo. O lateral-esquerdo Wendell e o volante Washington, do Xavante, também poderiam ter recebido o vermelho no mesmo ‘enrosca-enrosca’.

Menções honrosas

Gustavo Papa novamente deixou sua marca contra o Grêmio. Embora tenha ficado no banco boa parte da partida, o ‘matador’ foi uma 'pedra no sapato' da defesa gremista. Na outra semifinal, o atacante Mailson foi um sopro de esperança para o frágil e desfalcado Caxias de Beto Campos. O camisa 9 atormentou a defesa colorada, sobretudo, atuando às costas do setor canhoto de defesa colorado.

Inter em campo


O meia Alex talvez tenha feito sua melhor partida desde que retornou ao colorado. Independente do gol, marcado de fora da área, sua marca registrada, o futebol, do camisa 12 cresceu principalmente pela proximidade com D’Alessandro e Aránguiz. Falando em D’Ale, novamente o camisa 10 “comeu a bola” e está muito acima do nível técnico da maioria dos atletas hoje em atividade no Brasil — Não é à toa que ganhou o prêmio de melhor estrangeiro do futebol brasileiro, em 2013, superando inclusive Clarence Seedorf, então do Botafogo e hoje, técnico do italiano Milán. De negativo, ficam os ‘velhos problemas de sempre’: Paulão atabalhoado — vide o pênalti não assinalado, Fabrício, embora a disposição ofensiva parece ‘incapaz’ de acertar um cruzamento, além de Jorge Henrique, que novamente teve jornada ‘sonolenta’, em que pese o passe para o segundo gol de Wellington Paulista — que ao marcar dois, chegou a marca de sete no campeonato.

Na sequência

Quem é o favorito para o Gre-Nal? Quais são as principais alternativas táticas de Enderson Moreira e Abel Braga para surpreender o adversário? Quais os candidatos a personagens dos clássicos? Isso e um pouco mais no próximo post. Obrigado pela atenção e até a próxima!

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Fotos: Correio do Povo*, Grêmio Oficial/ Lucas Uebel e Internacional Oficial/ Alexandre Lops

*Montagem sobre fotos de Ricardo Giusti e Fabiano do Amaral / CP Memória

quarta-feira, 26 de março de 2014

Dupla Gre-Nal e a revolução tática #SóQueNão


Por mais que Abel Braga e Enderson Moreira mandem a campo equipes ancoradas no esquema 4-2-3-1, que teve seu ‘boom’ na última Copa do Mundo, na África do Sul, os gremistas e colorados teimam em atuar, COM A BOLA, no 4-1-4-1, devido a postura avançada de Charles Aránguiz no Inter e de Riveros ou Ramiro — hora um hora outro—, no tricolor dos pampas.

Todavia, embora alguns comentaristas façam referência ao hipotético 'esquema revolcionário', A POSTURA TÁTICA É MAIS BEM OBSERVADA SEM A POSSE DE BOLA, ou seja, quando a equipe está na peça defensiva e esperando o rival. Neste sentido, ninguém defende em 4-1-4-1. Portanto, o Internacional atua no 4-2-3-1 e o Grêmio no 4-3-2-1 — eis o critério de análise deste espaço.

Agradeço ao amigo/leitor Gabriel Pinto, que muito atento e profundo conhecedor de futebol, propôs a discussão. E fiquem à vontade para também sugerirem, contestarem, debaterem, opinarem... Fraternal abraço a todos e a todas.
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Foto: CBN Foz

terça-feira, 25 de março de 2014

Pirata’s Day, 'achado chileno' e a constrangedora polarizaçao

Chatice polarização


A superioridade da dupla Gre-Nal seja a ser constrangedora no Gauchão 2014. No sábado, em ritmo de coletivo, o Internacional bateu o Cruzeiro de Porto Alegre/Cachoeirinha por 3 a 1, no estádio do Vale, em Novo Hamburgo. No domingo, foi a vez do Grêmio que, com ainda maior facilidade, goleou o Juventude do ex-gremista Roger Machado por 3 a 0. Aliás, desde o início do certame parece ‘líquido e certo’ que a famosa dupla decidirá o campeonato — o que não deixa de ser uma obrigação, devido a fragilidade dos demais participantes.

Porém...

Isso, se o ‘Imponderável Futebol Clube’ não aparecer nas semifinais, claro. Desta feita, Brasil de Pelotas (Xavante), que enfrenta os ‘azuis’, e Caxias, adversário dos colorados, sonham em colocar a ‘zebra para desfilar’ na próxima quarta-feira. Em que pese o bom momento de ambos, notadamente o Xavante, é pouquíssimo provável que consigam. Mas, aguardemos, afinal, nada é mais incógnito que o futebol. A finalíssima inicia no próximo domingo.

É Fantástico!

Criticado pelo jejum de gols na Taça Libertadores, Hernán Barcos, o 'PIRATA', voltou a destacar-se no Gauchão no último final de semana. Autor de três gols contra o Juventude, o capitão gremista pediu gol no Fantástico — quadro do programa da TV Globo cujo jogador pede uma canção toda a vez que marca no mínimo três gols em uma mesma partida —, e de quebra isolou-se na artilharia do certame com 12 gols em 14 jogos, média de 0,85 por partida. Contra a ‘Papada’, o argentino sintetizou com primor a função típica de um camisa 9: gol de cabeça na pequena área, outro belíssimo driblando o goleiro e, por fim, uma cobrança precisa de penalidade máxima. O desafio agora é manter o bom momento e levar os ‘gols’ para a maior competição das Américas.

Milagre e esperança


Acredite se quiser: o lateral-direito Pará acertou um belo cruzamento e foi coautor do primeiro gol tricolor. Alvo de ‘corneta’ por um número expressivo de torcedores nas rede sociais — após a partida contra o Newell’s Old Boys, na semana passada — o camisa 2 mostrou a velha regularidade defensiva, mas desta vez, teve também projeção no ataque. Depois do ‘milagre’ de Pará, resta apenas ao lateral-esquerdo Fabrício, do Internacional, conseguir ‘a mesma proeza’. Contra o Cruzeiro de Porto Alegre, o camisa 6 teve ‘N’ oportunidade e como de praxe, errou todas. A seu favor, fica o registro de dos cinco gols assinalados no campeonato até agora.

Você viu?

O Grêmio utilizou pela primeira vez a numeração fixa no certame estadual. Sendo assim, Werley veste o número 5, Riveros 16, Wendell 18, Luan 26 e assim por diante. Enfim, é a mesma numeração adotada na Libertadores. Gostei... O fato cria identidade com a torcida e é uma interessante estratégia de marketing para potencializar a venda das camisetas oficiais.

Dinamismo


O meio-campista Charles Aránguiz foi um ‘achado e tanto’ da direção do Internacional. Apesar de sua presença assídua na seleção chilena que disputará a Copa no Brasil, o camisa 20 era desconhecido do grande público brasileiro. Frente ao Cruzeirinho, novamente foi o destaque, com direito a dois gols, além da tradicional qualidade no passe e intensa movimentação. Emprestado ao colorado pela Udinese até agosto — e com direitos pertencentes ao Granada da Espanha, cujo dono é o mesmo da equipe italiana — o Internacional precisará desembolsar 5 milhões de dólares para adquirir o ‘passe’ em definitivo do meia/volante. Pelo o que joga Aránguiz, 15 milhões de reais é um valor singelíssimo na relação custo/benefício — sempre destacando que o debate ocorre dentro da realidade à parte do futebol mundial, claro.

Até quando?

Enquanto Aránguiz parece multiplicar-se em campo (viva o clichê!), o zagueiro Paulão e o atacante Jorge Henrique seguem abaixo da crítica. Recuperando-se de lesão, Otávio deve assumir a titularidade muito em breve — com Eduardo Sasha correndo por fora, embora seja necessário sair as compras e reforçar o setor. Em relação a Paulão, todavia, tudo indica que o camisa 25 só sairá da equipe quando Abel Braga deixar o Beira-Rio. Enquanto isso, com JH e Paulão, o colorado continuará entrando em campo com ‘apenas nove jogadores’. Em que pese o exagero, logicamente.

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Fotos: Grêmio Oficial e Internacional Oficial 

quinta-feira, 20 de março de 2014

Classificação à vista, resgate histórico e ‘senhor da razão’

Clichê e justiça


Dizer que o empate obtido aos 46 minutos do segundo tempo, fora de casa, foi a cara do Grêmio é ‘chover no molhado’. Fugindo um pouco do clichê, embora ele fosse justificado, o resultado conquistado no apagar das luzes foi meramente um brinde à justiça do confronto.  Apesar do domínio inicial, com marcação adiantada e posse de bola ofensiva, na primeira etapa, o Grêmio não teve grandes chances de gol, tal qual o Newell’s Old Boys (NOB) — exceção ao chute no travessão do jovem Ponce e a chance de cabeceio de Rhodolfo, antes do mesmo empatar a partida.

Herança

Além manter-se na liderança do grupo 6, atrasar a vida dos argentinos e encaminhar muito bem a classificação, a partida teve outro componente, o resgate histórico às tradições do Grêmio: Mesmo fora de casa, contra um adversário respeitável e jogo típico de Libertadores, o tricolor voltou a jogar como time grande, se compararmos com o ano passado. Méritos de Enderson Moreira.

Presente e futuro

Embora o tricolor ainda não tenha vencido nenhum grande adversário nesta Libertadores, ainda — enfrentou apenas o próprio NOB duas vezes — a amostragem é promissora.

Colírio

Para quem gosta de futebol bem jogado, independente do resultado, a atuação tricolor foi ilustrativa. Além da reconhecida consistência defensiva — aliás Riveros atuou mais recuado que o habitual — o ingresso de Dudu trouxe ao time velocidade e ambição ofensiva, mesmo que o camisa 7 tenha atuado na função híbrida entre meia e atacante, assim como Luan — conforme humildemente sugerido neste espaço dias atrás. Além de ofertar ao tricolor o contra-ataque, sobretudo na segunda etapa, a formatação com três volantes e dois meias de extrema velocidade — a exemplo da seleção francesa — permitiram ao Grêmio surpreender o NOB no início da partida quando ditou o ritmo do duelo.

Expoentes


Com a habitual capacidade de apoio, o lateral-esquerdo Wendell fez grande primeiro tempo, principalmente nas tabelas com Dudu. Entretanto, demostrou alguma dificuldade defensiva — a ‘canelada’ que originou a bola na trave de Ponce, na etapa final, é emblemática neste sentido. Outro expoente da noite foi Riveros. Apesar de pouco destaque ofensivo, o paraguaio novamente mostrou a velha excelência. Poucos atletas no futebol brasileiro tem a capacidade de fazer as quatro funções de meio como o camisa 16. Por fim, o atacante Dudu foi o grande nome gremista na jornada no estádio Marcelo ‘El loco’ Bielsa. O porquê já fora supracitado nos tópicos acima.

Dívida

Muito abaixo das atuações que encantaram os gremistas no início da temporada, o jovem Luan sucumbiu tecnicamente em Rosário. Por diversas vezes protagonizou arrancadas, puxou contra-golpes, mas errou na penúltima bola (passe). Se estivesse em jornada mais feliz, os gremistas poderiam estar celebrando os três pontos nesta quinta-feira. Mas, tratando-se de um atleta recém chegado aos profissionais, a oscilação é compreensível — aliás, Alán Ruiz poderia/deveria ter entrado no lugar do camisa 26 bem antes do gol do Newell’s.

Vagalume e xerife

Apagado durante os 90 minutos — talvez prejudicado por um problema no tornozelo — o centroavante Hernán Barcos ‘brilhou’ aos 46 minutos, quando recuou e fez excelente cruzamento para o gol de Rhodolfo. A propósito, não é a primeira vez que o camisa 4 se lança ao ataque nos minutos finais quando o resultado é adverso – o mesmo ocorreu frente ao São Paulo de Rio Grande no Gauchão. Rejeitado no São Paulo de Muricy de Ramalho, o ‘xerifão’ gremista, além da conhecida evidência defensiva, também transformou-se em alternativa ofensiva. Ou seja: não à toa, caiu nas graças da ‘HINCHADA GREMISTA’.

‘Fantasminhas’


Festejado como ‘craques’ e presenças assíduas na seleção argentina, os meias Éver Banega (volante) e Máxi Rodriguez (meia-atacante) não justificaram em nada o grande cartaz que possuem — embora Máxi tenha feito o gol argentino. Atuando aberto pelos flancos — direito no primeiro tempo e esquerdo, no segundo — Máxi parece que renderia mais se atuasse centralizado, por sua capacidade de criação e passe. Banega, entretanto, mal suou a camiseta. Com o perdão do aparente exagero, mas é por essas e outras — por estar nas mãos de ‘pseudoscraques’ — que a Argentina jamais ganhou notoriedade desde que Maradona pendurou as chuteiras — Vide Gabriel Heinze, hoje titular do NOB e que por anos serviu a seleção argentina...

Exceções

Ainda sobre o selecionado argentino, obviamente, Messi, claro, além de Di Maria e Agüero, são algumas das parcas exceções do atual selecionado. Na minha singelíssima opinião, evidentemente.

Destaque Máster

Impressionante o que jogou o veterano capitão do NOB, Lucas Bernardi. Firme na marcação, passe preciso e ‘mestre’ na virada de jogo, o camisa 7, embora seus 36 anos, foi a exceção de um meio-campo omisso do rubro-negro argentino — muito em conta pela postura equilibrada do tricolor gaúcho.

Dois toques

Autor de grandes defesas, isso não exime Marcelo Grohe da falha no gol de Máxi. Curiosidade: pouco comum no futebol mundial, a ‘zaga’ do Newell’s é composta por dois canhotos (López e Heinze). Em contrapartida, o lateral-esquerdo (Castro), atua preferencialmente com a perna direita.

Senhor da razão



Definitivamente o tempo é senhor da razão. Renato Portaluppi, apesar dos resultados, sempre sofreu críticas pela postura ‘covarde’ com que mandava o Grêmio a campo. Embora não tivesse a mesma oferta ofensiva que hoje dispõe Enderson, por diversas oportunidade poderia ter escalado um time com postura mais à frente e rechaçou a ideia em nome do conservadorismo. Conforme destacado, entre outros, neste espaço, Renato é com justiça o maior jogador da história do Grêmio, mas como treinador, é apenas mediano. Enderson Moreira, porém, chegou sem alarde — inclusive com a desconfiança deste ‘pitaqueiro de futebol’, que defendia um treinador mais experimentado —, e está se consolidando no comando da equipe. Acertei com Renato e ‘queimei a língua’ com Enderson. Os gremistas agradecem.

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Fotos: Globoesporte, Gol TV e Grêmio Oficial

quarta-feira, 19 de março de 2014

Libertadores: Grêmio e a tática francesa

Polarização




Sem Zé Roberto, lesionado pelos próximos 30 dias, o meia argentino Alán Ruiz e o atacante (ou meia-atacante, como queiram) Dudu, disputam a vaga entre os titulares que enfrentarão o ‘caldeirão de Rosário’ nesta quarta-feira (19) contra o Newell’s Old Boys (NOB) da Argentina. Acompanhando as entrevistas de Enderson Moreira e atento ao relato dos repórteres, a tendência apontava para que Ruiz iniciasse o prélio. Porém, ontem, Dudu treinou entre os titulares. Embora seja necessário uma pequena mudança tática, concordo com o treinador e também escalaria Dudu. E justifico...

Estratégia

Dudu é veloz, dinâmico e uma excelente alternativa para o contra-ataque. Se na Arena o NOB teve mais de 65% de posse de bola, é muito provável que os ‘Hermanos’ repitam o predomínio territorial e, portanto, o contragolpe será a principal alternativa para que os gremistas deixem a terra de Lionel Messi (Rosário) ao menos com um empate e, assim, encaminhem a sua classificação para às oitavas-de-final do maior certame das Américas.

E o Ruiz?

Por mais que atue preferencialmente centralizado, na zona de articulação e de uma forma ou de outra possa suprir a ausência de Zé — mantendo assim a estrutura tática do time — Alán Ruiz iniciou pouquíssimas partidas nesta temporada e, portanto, não seria agora, em uma partida contra um grande adversário e fora de casa que a ‘aposta se justificaria. Aliás, não sabemos sequer quais são suas reais condições físicas para aguentar a intensidade da partida. Sempre que entrou durante os jogos, entretanto, o camisa 11 foi destaque pela objetividade com que atua e com a característica de chutar de longa e médias distâncias, beneficiado entre outros, pelo desgaste físico dos adversários. Por tudo isso, Alán Ruiz deve ser alternativa para a segunda etapa.

À francesa



Com Dudu na equipe, Enderson terá que mudar um pouco a formatação tática. Deixando o 4-2-3-1 que na verdade mais parece um 4-4-2 — pela intensa movimentação de Luan e a postura adiantada de Riveros — o comandante deverá adotar a formatação utilizada por Didier Deschamps na seleção francesa que disputará a Copa do Mundo a partir de junho, no Brasil. Numa variação do sistema com três meias atrás do centroavante, os Les Bleus atuam com três volantes (Cabaye, Pogba e Matuidi) sendo os dois últimos com grande capacidade de saída de jogo. À frente deles jogam dois meias com extrema velocidade (Valbuena e Ribery), que se aproximam constantemente do centroavante (Benzema). Trazendo a formatação para a realidade do Grêmio e SALIENTANDO QUE A COMPARAÇÃO É MERAMENTE TÁTICA, jogariam: Edinho, Ramiro e Riveros na primeira linha de meio, com Dudu e Luan fazendo um híbrido de meias e atacantes, com Barcos no comando de ataque. Fica a dica.

Saiba mais

Na foto a seleção-base da França, que taticamente, escala: Lloris, Debuchy, Varane, Mamadou Sakho e Evra; Cabaye, Pogba e Matuidi; Valbuena e Ribery; Benzema. 

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Foto: Grêmio Oficial e Uol Esportes

segunda-feira, 17 de março de 2014

Vitória histórica, credenciamento e purgatório

Enciclopédia



Com o triunfo do time reserva contra o Lajeadense no domingo (16), na última fase classificatória do Gauchão, o técnico Abel Braga atingiu a histórica marca de 150 vitórias comandando o Internacional. Na sua sexta passagem pelo colorado, Abelão, completou 288 partidas na chefia da equipe e poderá ainda em 2014 assumir o posto do treinador que mais vezes liderou jogos dos ‘vermelhos’ — Hoje, ocupa a terceira posição, atrás de Cláudio Duarte, com 305 partidas e Teté (327). Já eternizado na história colorada pela conquista da Libertadores e do Mundial de Clubes, em 2006, o carioca mais gaúcho da vida centenária do Inter poderá ganhar mais uma página na enciclopédia colorada. É apenas uma questão de tempo.

Nove em oito

Das nove partidas que disputou com o time B, o Inter venceu oito. Mais do que os 88,9% de aproveitamento, superior inclusive aos dos titulares (77,8%), as atuações serviram de laboratório para muitos atletas que buscam a titularidade na equipe. Contra o Lajeadense, destaque para o lateral-esquerdo Alan Ruschel, que no mínimo, se habilita como principal sombra de Fabrício. Ao longo de toda a jornada do time suplente, outros valores se sobressaíram e certamente serão boas alternativas à comissão técnica. Entre eles, o volante Gladestone, o lateral-direito Cláudio Winck, o meia-esquerda Murilo e o atacante Aylon. O ‘veterano’ Wellington Paulista, autor de quatro gols na temporada, inclusive o da vitória mais recente, é outra bela alternativa ofensiva.

Zaga ideal


Após longo período de lesão, o zagueiro Juan voltou à equipe para não sair mais. Mostrando a velha técnica e ‘firmeza’ de sempre, o camisa 4 deve voltar ao time principal no próximo sábado na partida válida pelas quartas-de-final. Entretanto, é imperioso que ele ingresse na vaga de Paulão e não de Ernando, conforme indica a tendência atual. Sem dúvidas, a dupla ideal de zagueiros do Internacional, nesta temporada, deve ser Ernando e Juan. Reitero: Paulão está anos luz aquém das necessidades e da grandeza do Internacional. Parece que apenas Abel Braga não enxerga.

Credenciamento


O meia-atacante Jean Deretti aproveitou muito bem a oportunidade dada por Enderson Moreira e foi o principal nome da vitória gremista frente ao Pelotas — que apesar dos três títulos conquistados nos últimos meses, entre eles, a Recopa Gaúcha contra o Inter B, acabou sendo rebaixado. Substituindo o ‘sonolento’ Máxi Rodriguez, Deretti marcou dois gols em meia hora e parece ter dado um importante passo em busca da retomada de sua carreira no tricolor gaúcho — Everton fechou a goleada de 3 a 0. Surgido no Figueirense como grande promessa, o camisa 25 perdeu espaço devido às inúmeras lesões e fracas atuações no início de temporada. Veloz, driblador e atuando preferencialmente pelos flancos, é talhado para atuar na linha de três meias atrás do centroavante. Se confirmar o bom momento, o tricolor ganha mais uma boa alternativa para a temporada, notadamente, para a disputa da Libertadores. Só depende de Deretti.

Domingueira

Como produto da vitória, o tricolor enfrentará o Juventude no próximo domingo (23), na Arena, pelas quartas-de-final. Será o reencontro do Grêmio com Roger Machado, ex-lateral-esquerdo multicampeão pelo tricolor, que fazia parte da comissão técnica gremista até ano passado e hoje é técnico do time da Serra.

Purgatório


Vitimado com a perda de oito pontos, devido a inscrição irregular de um atleta, o Passo Fundo foi outro time rebaixado no Gauchão — o terceiro foi o São Luiz de Ijuí. Um efeito suspensivo, porém, será julgado na próxima quinta-feira (20) e poderá não só reconduzir o time do Planalto Médio à elite, como também, classificá-lo para às quarta-de-final para jogar contra o Internacional, no próximo sábado  Desta feita, o Cruzeiro de Cachoeirinha (ex-Porto Alegre), perderia à vaga e o Esportivo seria rebaixado. Aguardemos.

Aliás

É impressionante a discrepância das punições se compararmos as sanções aplicadas para atos de racismo frente a inscrição irregular de jogadores. A exemplo do que ocorreu com a Portuguesa, no brasileirão do ano passado, o Passo Fundo foi severamente punido por um equívoco administrativo — não tiro a responsabilidade dos clubes, longe disso — porém, a pena contra atos que, por exemplo, atingiram o árbitro Márcio Chagas, poderiam e deveriam ser foco de penas muito maiores do que míseras ‘perdas de campo’ e multas. Novamente faço o apelo.

Na sequência

No próximo post confira os ‘pitacos’ acerca do jogaço entre Newell’s Old Boys x Grêmio que ocorre em Rosário na próxima quarta-feira, pela Libertadores da América. Não perca!

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Fotos: Correio do Povo, Internacional Oficial, Google Imagens e Portal Terra

sexta-feira, 14 de março de 2014

Liderança provisória, velho impasse e aprovação

Tri da América



Na primeira grande partida do ano em Porto Alegre, com direito a estádio lotado e torcida incorporando o velho espírito ‘A Libertadores é a nossa cara’, o tricolor recebeu o argentino Newell’s Old Boys, na noite de quinta-feira (13), na Arena. Apesar do empate sem gols, a boa atuação é indício de que o trabalho está sendo bem executado e que o sonho do Tri da América está longe de ser utopia. Pelo contrário...
Números
Mesmo sem o triunfo, o tricolor garantiu pelo saldo de gols, a melhor campanha da primeira fase da Libertadores, até agora, com os mesmos sete pontos de Santos Laguna do México e do atual campeão Atlético-MG. Na próxima quarta-feira, o duelo será contra o mesmo NOB, desta vez, porém, em Rosário.  
90 minutos
No primeiro tempo, o time de Enderson Moreira teve sérias dificuldades, sobretudo pela superioridade territorial do adversário (posse de bola). Ao longo de todo o confronto, mostrou consistência defensiva— aliás, é a única equipe que ainda não sofreu gols no certame—, mas novamente pecou pela lentidão na transição defesa-ataque e, sobretudo, pelo excesso de gols perdidos na segunda etapa — Barcos (2x), Pará e Werley que o digam. A propósito, a dificuldade de propor o jogo, ditar o ritmo do duelo, tomar iniciativa e ‘encaixotar’ o adversário, é o velho impasse tricolor também no Gauchão. O ingresso de Dudu e a saída de um volantes, principalmente nas partidas dentro de caso, talvez seja o caminho para minorar o problema.
Os 'caras'

Sobre as individualidades, nenhuma inovação, pelo contrário: o atacante Luan, o lateral-esquerdo Wendell e, principalmente o zagueiro Rhodolfo, que teve atuação soberba, foram os destaques da noite.

Aprovação
Quem assiste ao Grêmio de 2014, mas consegue acreditar que a base da equipe é a mesma do ano passado, quando — pela postura tática extremamente retrógrada de Renato Portaluppi — fazer um gol era mais difícil que o sargento Garcia prender o zorro. Com Enderson Moreira, não. Embora atue preferencialmente com três homens de marcação, o comandante não hesita em alterar o esquema e promover ingresso de atletas que garantam maior ofensividade ao time. Contra o NOB, entraram Dudu, Alan Ruíz e Máxi Rodriguez, que enfrentou seu xará famoso.
Agenda
No próximo domingo, os gremistas voltam a campo para confirmar sua classificação para a fase eliminatória do Gauchão. A partida ocorrerá em Novo Hamburgo, devido a perda de campo envolvendo os ‘rojões’ arremessados contra o Juventude, lembram? O adversário é o Pelotas e o confronto inicia às 16 horas.
“Vitória do racismo”

Depois de todo o absurdo protagonizado por torcedores do Esportivo contra o árbitro Márcio Chagas, a expectativa era que o TJD Gaúcho desse exemplo aplicasse uma sanção que provocasse o ‘fim do racismo nos gramados gaúchos’. Infelizmente não foi o que ocorreu. O time de Bento Gonçalves foi punido ‘apenas’ com a perda de cinco mandos de campo e multa de R$ 30 mil reais. Apesar do julgamento e da punição, permanece o amargo gosto, afinal, o “racismo venceu novamente”. Até quando?
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Fotos: Esporte IG, Revista Placar e Notícias Bol