quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Flamengo: Título com a cara do futebol brasileiro

Tricampeonato



Liderado pelo interino-efetivado Jayme de Almeida e dispondo do dinamismo de Elias e dos gols de Hernane “Brocador”, o Flamengo sagrou-se, com justiça, o Campeão da Copa do Brasil de 2013 – e de quebra garantiu uma vaga na Libertadores do próximo ano. Após o empate de 1 a 1 na semana passada, no Paraná, o rubro-negro bateu o Atlético-PR, no Maracanã por 2 a 0 — com gols dos atletas citados acima — e levou para a Gávea o terceiro caneco do torneio. Mais do que a festa da maior torcida do mundo no templo mais “charmoso do planeta”, o título representou, em síntese, a cara do futebol brasileiro. Vejamos...

Tradição

Disposto num tradicional 4-2-2-2 ou 4-4-2, como queiram, sistema outrora regra na maioria dos clubes do país, o Flamengo sob o comando de Jayme encontrou seu equilíbrio nas tarefas de atacar e defender, encaixou a “equipe” e cresceu na hora certa, com o perdão do clichê, embora seja justificado. Mesclando jovens com atletas experientes, o Flamengo não dispõe de um elenco milionário, tampouco, que reúne craques, mas soube explorar as virtudes e minoras as mazelas no tradicional 4-4-2 com dois volantes, dois meias e dois atacantes, sendo um de velocidade e outro de referência. Às vezes, a simplicidade tática é o melhor caminho.

Categoria de base


Jayme de Almeida segue a jornada de outros técnicos flamenguistas que de ex-jogadores do clube, assumiram a condição de treinadores interinos, foram efetivados e fizeram história: Andrade, Campeão Brasileiro em 2009; Carlinhos, venceu o mesmo título em 87 e 92 e, sobretudo, Paulo César Carpegiani, ex-Inter, Campeão da Libertadores e do Mundo, em 1981.

Elenco

Mesmo sem “craques”, os cariocas tiveram alguns atletas destacados na campanha vitoriosa. O lateral-direito e capitão Léo Moura, mesmo aos 35 anos, segue como um dos melhores da função no país. Além dele, o segundo-volante Luiz Antônio, cria da casa, foi outra afirmação. Do meia para frente, Elias, terceiro homem e por vezes, atuando como segundo volante foi o grande nome da conquista, por sua movimentação e gols decisivos. Na frente, Paulinho, outra prata da casa é um típico segundo atacante: tem velocidade, drible e atua pelos flancos. Completando a equipe, Hernane, claro, sempre ele, o maior goleador do país na temporada. Típico camisa 9, centroavante nato, homem-gol. Hoje é disparado, o maior xodó da nação de duas cores.

Justiça

Na Copa do Brasil, o rubro-negro eliminou três dos quatro clubes que hoje estão no G4 do Brasileirão — Cruzeiro, Goiás e Atlético-PR. Somente o Grêmio, que teve o Furacão, o outro finalista como algoz, não atravessou o caminho carioca. Portanto, um título “pra lá” de merecido.

Beleza cultural



Como é bom vermos um campeão forjado numa finalíssima. Jogo ida e volta, estádios lotados, emoção nas arquibancadas e o bom e velho “mata-mata”. Sem dúvidas, o sistema de pontos corridos brinda a melhor campanha — aliás o Cruzeiro é o justíssimo Campeão Brasileiro de 2013 — mas, no Brasil, não tem jeito: a torcida é apaixonadíssima pelo sistema eliminatório. Menos mal que a Copa do Brasil, a partir deste ano, mudou o calendário e está sendo disputada no segundo semestre. É um alento aos últimos monótonos finais de temporada do futebol nacional.

“Xororô” bairrista

Além da Copa do Brasil, outro “mata-mata” agitou o centro do país nessa quarta-feira à noite. A segunda equipe mais velha do país, a Ponte Preta, de Campinas-SP, empatou com o São Paulo — após vitória por 3 a 1 no Morumbi —, em Mogi Mirim, e classificou-se ineditamente para a sua primeira final internacional — a Copa Sul-americana. À margem de tudo isso, mais uma vez, a dupla Gre-Nal acompanhou tudo do sofá de casa. Até quando? A nós, resta brindamos a busca por uma vaga à Libertadores por parte do Grêmio (pelo menos isso) ou a luta para não ser rebaixado do Internacional (mediocridade pura). Que 2014 seja infinitamente melhor para os gaúchos (do ponto de vista futebolístico). Tomara!!!

Fotos: Goal.com, Esporte Interativo, Globoesporte e UOL/Esportes 

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Empates, desperdício e bendito telefone

Falso poder

Dono de um volume de jogo pouco visto na temporada, o Internacional criou inúmeras chances, amassou o Coritiba, em Caxias do Sul, acertou a trave, teve gol (justamente) anulado, levou perigo na jogada aérea, em triangulações, mas brincou de desperdício. Nem mesmo a atuação de Leandro Damião, com a marca Damião de tempos atrás, garantiu ao menos um gol. Com o falso poder de fogo, os vermelhos ficaram num incômodo 0 a 0, em situação ainda mais incômoda: afinal, o fantasma do rebaixamento, embora a matemática aponte para apenas 0,5% de chances, ainda não está dissipado.

Velho impasse

Em situação semelhante (em relação ao sistema ofensivo), o Grêmio enfrentou o vice-lanterna Ponte Preta e novamente pecou pela falta de eficiência de seus avantes — mesmo que a Macaca tenha ido a campo com um time misto, priorizando a disputa da semifinal da Sul-americana. Em belo cruzamento de Zé Roberto, Vargas de cabeça, empatou o prélio no início da segunda etapa. Ficou nisso (1 a 1). Com o resultado, o tricolor caiu uma posição e agora é o terceiro, como a mesma pontuação do vice, Atlético-PR, com 61 pontos. Pela matemática, o tricolor possui 92% de chances de chegar á Libertadores 2014.

Banco polêmico

Do meio para o ataque, Clemer escalou o Inter com Jorge Henrique, D’Alessandro, Otávio e Damião. Mesmo com a dificuldade de marcar, o comandante promoveu apenas uma alteração, o ingresso de Alex. Com isso, Forlán permaneceu sentado na casamata — mesmo que pudesse ser interessante alternativa para aumentar o REAL poder de fogo do time, por sua qualidade inegável de arremate. Aí fica difícil professor!!! Ao final do jogo, o volante Willians reclamou publicamente do treinador. Novo erro. O camisa 8 que aliás, repetiu a dobradinha de sucesso do início da temporada com Josimar, não tinha nada que expor a discordância publicamente e perdeu uma oportunidade e tanto de ficar calado. O fato foi mais uma prova de que o vestiário colorado carece de uma liderança, um bom e velho vice de futebol, que seja capaz de fazer valer a hierarquia do clube. Para ontem.

Celular e silêncio


Na pauta das entrevistas, o treinador Renato Portaluppi interrompeu intempestivamente a sua coletiva após a partida devido ao toque de celular de um dos repórteres. Novamente, o ídolo gremista pecou por um de seus maiores defeitos: a arrogância. Aliás, diante das últimas declarações do comandante, que se coloca no centro do universo e por vezes, passa a imagem de buscar ser maior que o próprio Grêmio, enalteço que o celular tenha soado. Aliás, torço que o fato se repita nas demais entrevistas. Talvez assim sejamos poupados do show de soberba comumente protagonizada por Portaluppi.

Presidente oficialista

Quando questionado sobre os motivos que podem justificar a campanha patética do Internacional no Brasileirão 2013, o ex-presidente Fernando Carvalho, Campeão do Mundo em 2006 foi taxativo. “O grande problema foi jogar fora de casa. Grande parte do resultado negativo do ano foi ter ficado sem o Beira-Rio”, disse ao Jornal Zero Hora de Porto Alegre. Concordo que o fato tenha prejudica, claro, mas como será que o ex-cartola explicaria o fenômeno Atlético-PR? Mesmo atuando fora de seus domínios, o Furacão é finalista da Copa do Brasil e vice-líder do campeonato brasileiro. Por mais que esteja afastado do dia a dia do futebol colorado, Carvalho agiu como presidente em exercício. Mas, por favor, torcedor, não caía no conto do discurso oficialista.

Dentro de campo


Finalmente o Grêmio entrou em campo equilibrado taticamente. Com apenas dois volantes e tendo Zé, Vargas, Kléber e Barcos no time, a equipe mostrou-se mais afeita a ofensividade, sem mostrar-se vulnerável na defesa (embora os laterais tenham na parte defensiva suas maiores mazelas), se compararmos com a regra vigente na temporada. Por vezes disposto num 4-2-3-1, com Vargas na direita, Kléber no centro e Z10 na esquerda, o esquema garantiu alternância tática ao time. Aliás, o trio de meias trouxe à tona a relação função x posição. A vitória não veio, infelizmente, mas por mais irônico que seja, o time jogou muito mais futebol do que na maioria do certame.

Nota da redação

Qual seria, em números precisos o custo x benefício da dupla Kléber e Barcos? O primeiro parece estar extenuado fisicamente e está prestes a completar um turno inteiro sem um golzinho sequer. Barcos, por sua vez, vive um inferno técnico sem precedentes. Para 2014, o tricolor sonha com o retorno de Jonas, hoje no espanhol Valência — o que seria um baiiiiiiiiiita acréscimo. A mesma questão se aplica muito ao Internacional com nomes como Rafael Moura. Qual o custo benefício? Eis o questionamento aos cartolas.

Pelé gremista


Em entrevista divulgada pela mesma ZH neste final de semana, o Rei Pelé divulgou que quase atuou no Grêmio no início da carreira, aos 16 anos. O maior de todos os tempos seria emprestado pelo Santos para adquirir experiência, mas acabou ficando na Vila famosa. Agora só falta Renato vir aos microfones dizer “que foi melhor que Pelé”. Com o perdão da aparente “marcação com Renato”, mas não me surpreenderia nada-nada. Antes que essa aberração ocorra, tomara que o telefone toque novamente.

Fotos: Mauro Vieira/Agencia RBS, FOX Sports, Jornal A Tribuna (Santos) e Clic RBS