terça-feira, 26 de novembro de 2013

Empates, desperdício e bendito telefone

Falso poder

Dono de um volume de jogo pouco visto na temporada, o Internacional criou inúmeras chances, amassou o Coritiba, em Caxias do Sul, acertou a trave, teve gol (justamente) anulado, levou perigo na jogada aérea, em triangulações, mas brincou de desperdício. Nem mesmo a atuação de Leandro Damião, com a marca Damião de tempos atrás, garantiu ao menos um gol. Com o falso poder de fogo, os vermelhos ficaram num incômodo 0 a 0, em situação ainda mais incômoda: afinal, o fantasma do rebaixamento, embora a matemática aponte para apenas 0,5% de chances, ainda não está dissipado.

Velho impasse

Em situação semelhante (em relação ao sistema ofensivo), o Grêmio enfrentou o vice-lanterna Ponte Preta e novamente pecou pela falta de eficiência de seus avantes — mesmo que a Macaca tenha ido a campo com um time misto, priorizando a disputa da semifinal da Sul-americana. Em belo cruzamento de Zé Roberto, Vargas de cabeça, empatou o prélio no início da segunda etapa. Ficou nisso (1 a 1). Com o resultado, o tricolor caiu uma posição e agora é o terceiro, como a mesma pontuação do vice, Atlético-PR, com 61 pontos. Pela matemática, o tricolor possui 92% de chances de chegar á Libertadores 2014.

Banco polêmico

Do meio para o ataque, Clemer escalou o Inter com Jorge Henrique, D’Alessandro, Otávio e Damião. Mesmo com a dificuldade de marcar, o comandante promoveu apenas uma alteração, o ingresso de Alex. Com isso, Forlán permaneceu sentado na casamata — mesmo que pudesse ser interessante alternativa para aumentar o REAL poder de fogo do time, por sua qualidade inegável de arremate. Aí fica difícil professor!!! Ao final do jogo, o volante Willians reclamou publicamente do treinador. Novo erro. O camisa 8 que aliás, repetiu a dobradinha de sucesso do início da temporada com Josimar, não tinha nada que expor a discordância publicamente e perdeu uma oportunidade e tanto de ficar calado. O fato foi mais uma prova de que o vestiário colorado carece de uma liderança, um bom e velho vice de futebol, que seja capaz de fazer valer a hierarquia do clube. Para ontem.

Celular e silêncio


Na pauta das entrevistas, o treinador Renato Portaluppi interrompeu intempestivamente a sua coletiva após a partida devido ao toque de celular de um dos repórteres. Novamente, o ídolo gremista pecou por um de seus maiores defeitos: a arrogância. Aliás, diante das últimas declarações do comandante, que se coloca no centro do universo e por vezes, passa a imagem de buscar ser maior que o próprio Grêmio, enalteço que o celular tenha soado. Aliás, torço que o fato se repita nas demais entrevistas. Talvez assim sejamos poupados do show de soberba comumente protagonizada por Portaluppi.

Presidente oficialista

Quando questionado sobre os motivos que podem justificar a campanha patética do Internacional no Brasileirão 2013, o ex-presidente Fernando Carvalho, Campeão do Mundo em 2006 foi taxativo. “O grande problema foi jogar fora de casa. Grande parte do resultado negativo do ano foi ter ficado sem o Beira-Rio”, disse ao Jornal Zero Hora de Porto Alegre. Concordo que o fato tenha prejudica, claro, mas como será que o ex-cartola explicaria o fenômeno Atlético-PR? Mesmo atuando fora de seus domínios, o Furacão é finalista da Copa do Brasil e vice-líder do campeonato brasileiro. Por mais que esteja afastado do dia a dia do futebol colorado, Carvalho agiu como presidente em exercício. Mas, por favor, torcedor, não caía no conto do discurso oficialista.

Dentro de campo


Finalmente o Grêmio entrou em campo equilibrado taticamente. Com apenas dois volantes e tendo Zé, Vargas, Kléber e Barcos no time, a equipe mostrou-se mais afeita a ofensividade, sem mostrar-se vulnerável na defesa (embora os laterais tenham na parte defensiva suas maiores mazelas), se compararmos com a regra vigente na temporada. Por vezes disposto num 4-2-3-1, com Vargas na direita, Kléber no centro e Z10 na esquerda, o esquema garantiu alternância tática ao time. Aliás, o trio de meias trouxe à tona a relação função x posição. A vitória não veio, infelizmente, mas por mais irônico que seja, o time jogou muito mais futebol do que na maioria do certame.

Nota da redação

Qual seria, em números precisos o custo x benefício da dupla Kléber e Barcos? O primeiro parece estar extenuado fisicamente e está prestes a completar um turno inteiro sem um golzinho sequer. Barcos, por sua vez, vive um inferno técnico sem precedentes. Para 2014, o tricolor sonha com o retorno de Jonas, hoje no espanhol Valência — o que seria um baiiiiiiiiiita acréscimo. A mesma questão se aplica muito ao Internacional com nomes como Rafael Moura. Qual o custo benefício? Eis o questionamento aos cartolas.

Pelé gremista


Em entrevista divulgada pela mesma ZH neste final de semana, o Rei Pelé divulgou que quase atuou no Grêmio no início da carreira, aos 16 anos. O maior de todos os tempos seria emprestado pelo Santos para adquirir experiência, mas acabou ficando na Vila famosa. Agora só falta Renato vir aos microfones dizer “que foi melhor que Pelé”. Com o perdão da aparente “marcação com Renato”, mas não me surpreenderia nada-nada. Antes que essa aberração ocorra, tomara que o telefone toque novamente.

Fotos: Mauro Vieira/Agencia RBS, FOX Sports, Jornal A Tribuna (Santos) e Clic RBS

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