sexta-feira, 23 de maio de 2014
Migramos para o FINAL SPORTS
É com grande alegria que comunico aos amigos que a partir de agora passo a integrar o time de colunistas do Final Sports (http://www.final.com.br/)
Com isso, a presente página migrará para o citado portal.
Agradeço a todos os envolvidos pela nova oportunidade e, sobretudo, a vocês, amigos-leitores, pelo apoio de sempre.
Continuo contando com o carinho e 'audiência' de vocês, agora em
http://futebolalemdoresultado.final.com.br/
Vamos adiante... Debatendo, discutindo, dialogando sobre o ESPORTE BRETÃO.
Grato desde já.
Saudações futebolísticas;
SAUL Teixeira
quinta-feira, 22 de maio de 2014
Com virada promissora em Caxias, Grêmio assume a vice-liderança
Peleia
Em jogo com cara de Gauchão,
o Grêmio viajou a Caxias do Sul e ‘recebeu’ o Botafogo no Alfredo Jaconi,
tradicional casa do Juventude — a Arena já está à disposição da Fifa para ser
campo de treinamento da Copa do Mundo. O gramado pesado foi o cenário perfeito
para um jogo truncado, marcado por muitas faltas e confusão. Com a bola
rolando, o tricolor começou vacilante, levou um gol aos cinco minutos, teve séries
dificuldades para vencer a marcação do Fogão na primeira etapa, mas teve a
insistência brindada com o empate assinalado por Rodriguinho, após ‘parede’ do
centroavante Barcos. No segundo tempo, porém, o time de Enderson Moreira entrou
mais aceso, teve volume de jogo, criou chances e viu Maxi Rodriguez sair do
banco para garantir os três pontos e o salto para a vice-liderança.
Resenha
e tabela
Com os 2 a 1, os
gremistas superaram o rival Internacional na tabela. Hoje, o Grêmio está com 13
pontos, mesma pontuação do líder Cruzeiro. No sábado, sem Alán Ruiz, suspenso
pelo terceiro cartão amarelo, o tricolor enfrentará o São Paulo, no estádio
Morumbi, em horário insólito: 21 horas.
‘Bancários’
em voga
Veloz e habilidoso,
Máxi Rodriguez ingressou na equipe na vaga do cansado Rodriguinho. Ao contrário
de suas últimas aparições do time, Máxi atuou mais centralizado e foi ali que
protagonizou lindo drible no ex-colorado Bolatti, com posterior conclusão
precisa de pé direito. O craque Zé Roberto, embora saído igualmente do banco,
também foi decisivo ao dar assistência perfeita ao camisa 14. Embora não tenha
a mesma energia de outrora, o camisa 10 ainda pode, com sobras, ser muito útil
à equipe. Aliás, Máxi e Zé disputam a vaga de Ruiz, suspenso, contra o São Paulo.
Enderson, porém, poderá voltar a formação com três volantes. Zé Roberto, um
pouco mais recuado que o normal, como terceiro volante, à esquerda — com Edinho
e Riveros nas primeiras funções — seria o meu ‘pitaco’. Veremos!
Mudança
de postura
Embora tenha atuado novamente
aberto pelo flanco direito, Alán Ruiz, contra os cariocas, movimentou-se mais e
por diversas ocasiões ocupou a faixa central do gramado, local aonde rende bem
mais. Ao contrário de suas últimas jornadas, o camisa 11 driblou, passou, deu
assistências e ameaçou a meta de Renan na bola parada. A jornada de destaque de
Ruiz deu-se muito pelo posicionamento tático mais centralizado — conforme defendido
repetidas vezes neste espaço. Mesmo que
no ‘papel’ essa seja a função de Rodriguinho, Ruiz ao centro é sem dúvidas
muito mais útil do que aberto pelo flanco. Longe de ser um velocista, o
argentino tem na conclusão a sua principal virtude e, portanto, é talhado para
jogar como um ponta-de-lança clássico, isto é, centralizado atrás dos
atacantes.
Maturação na ala
Ao contrário da partida contra o Fluminense, o jovem Breno mostrou-se mais à vontade, menos inseguro, e colocou em prática a sua principal qualidade, o apoio. Aliás, essa foi a característica que o fez ascender das categorias de base.
‘Vazamento’ previsto
Durante todo o primeiro tempo, o polêmico meia Carlos Alberto atuou às costas de Riveros e Ramiro — vide o passe que originou o gol carioca. Aliás, as dificuldades na contenção já eram previstas, uma vez que nem Riveros, nem Ramiro são marcadores implacáveis, tampouco guardam posição à frente da área. Com o atual grupo de jogadores, o volante Edinho não pode ser reserva, ainda mais que o zagueiro Rhodolfo, que é outro esteio do sistema defensivo gremista, está fora por lesão. Edinho é garantia de equilíbrio defensivo. Com ele, o único ‘vazamento’ que ocorre é de fotos na internet — o volante foi foco de polêmica, pois ganhou as manchetes por ter feito uma ‘selfie’ em que aparece com uma lata de cerveja e com agasalho do Grêmio.
Exigência
ou fato?
Pelo menos dois dos
três gols da partida deram a impressão de serem defensáveis. Embora os lances
não configurem falhas graves dos arqueiros —Renan (Botafogo) e Marcelo Grohe
(Grêmio) — os gols de Zeballos e Rodriguinho, contaram sim com a ‘contribuição’
involuntária dos goleiros rivais.
Na sequência
No próximo post, confira os destaques do empate de 1 a 1 entre Coritiba e Internacional.
Na sequência
No próximo post, confira os destaques do empate de 1 a 1 entre Coritiba e Internacional.
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Fotos: Grêmio Oficial/Lucas Uebel, Lance Net, Clic RBS
terça-feira, 20 de maio de 2014
Com os velhos problemas, Inter ‘tropeça’, mas segue na liderança
Repetição
Bendita tabela
Com o empate, o Inter
manteve-se na liderança do campeonato de maneira isolada, com 11 pontos, muito
em conta da “tabela pra lá de generosa” neste início de campeonato. O que já
era bom (leia-se a liderança) poderia ser ainda melhor se o Internacional não
tivesse perdido quatro pontos “fáceis”: dois contra o Botafogo, no Rio de
Janeiro, quando cedeu o empate após abrir 2 a 0 e por último, diante do Tigre
catarinense. Agora, o jeito é correr atrás do “prejuízo”, por mais
contraditório que pareça, levando-se em conta que os ‘colorados’ já estão na
liderança. No entanto, não esqueçamos do nome deste espaço, né? Viva o Futebol
Além do Resultado - Página que possuímos no Facebook.
Se nas vitórias já são
flagrantes algumas fragilidades do Internacional, elas se tornam ainda mais
visíveis quando o resultado não é o esperado pelos ‘vermelhos’, como ocorrido no
empate sem gols diante do Criciúma. Com um jogador a mais durante todo o segundo
tempo, o time de Abel Braga teve mais de 70% de posse de bole, mas não soube
traduzir a superioridade territorial em chances de gol. Pecou novamente pela
ausência de ‘poder de fogo’ e velocidade, este último, problema crônico da
temporada, o que torna o setor de armação e criatividade fácil de ser
neutralizado. Mesmo com o empate, o Inter manteve-se na liderança isolada do
brasileirão 2014, com 11 pontos.
Solução
mágica
Mesmo que tenha sido
contratado para atuar como primeiro volante, Abelão escalou o estreante
Wellington, ex-São Paulo, mais à frente, especificamente na linha de meias,
pela direita, na função que comumente é ocupada por Charles Aránguiz. Erro
rotundo. Sem o chileno, que está a serviço da seleção do Chile que disputará a
Copa do Mundo, o treinador poderia ter testado a formação clamada por parte da
opinião pública: isto é, com dois volantes (Wellignton e Willians) — o que
legaria mais liberdade a Alex, D’Alessandro e Alan Patrick. Abelão não quis. Com
a opção equivocada, Alex seguiu como segundo volante — na maior parte das ações
— enquanto Wellington, embora esforçado, tentava fazer aquilo que não sabe:
armar e apoiar o ataque.
Desperdício
Pelo jeito, o treinador
colorado rechaça completamente a ideia de atuar com dois homens de marcação no
meio. Discordo, mas respeito — conforme escrevemos diversas vezes neste espaço,
futebol requer equilíbrio. Entretanto, levando-se em conta a filosofia do
comandante, a melhor opção para suprir, ao menos taticamente a ausência de
Aránguiz, seria Jorge Henrique. Jamais Wellington. Com JH, o Inter manteria o
apoio pelo setor direito, sem perder na recomposição defensiva, uma vez que o
camisa 23 se notabiliza pelo trabalho tático que desempenha desde a época do
Corinthians. Falando nisso, desde que chegou ao colorado, Jorge Henrique
pouquíssimas vezes foi escalado na função em que rende mais e que conquistou
“quase tudo” no clube paulista: aberto no setor direito. Se for escalado na
vaga de Aránguiz, de alguma forma ou de outra, JH estará no seu habitat
natural. Embora tenha mais responsabilidades defensivas, claro.
‘Faceirice’
aguda
Durante grande parte
do segundo tempo, o esquema do Inter, que já é ofensivo, ganhou ainda mais ares
de ‘faceirice’ — desta feita, porém, justificada pelo contexto. Com os
ingressos de Otávio, Valdívia e Wellington Paulista, o Inter passou a atuar no
4-1-3-2. Porém, Otávio insistiu muito pela faixa central do gramado, quando se
previa, por suas características, que atuasse pelos flancos, sobretudo o
esquerdo. Não foi o que ocorreu. Valdívia, por sua vez, obrigou Galatto a uma grande
defesa no final do jogo, mas teve poucos minutos para tentar algo além. Outra:
Wellington Paulista ao lado de Rafael Moura realmente é uma opção meramente
emergencial e justificada somente para o “tudo ou nada”. O fato novamente
ilustra outra debilidade do Inter: a falta de opções de qualidade para o setor
ofensivo, notadamente, a função de segundo atacante.
Perguntar
não ofende
Falando nisso: alguém
tem notícias do jovem Aylon? Embora atue mais centralizado, como camisa 9, ele
poderia ao menos servir de opção para o ataque colorado, não acham? Rafael
Moura e Wellington Paulista se assemelham em características. Aylon, porém, tem
mais técnica e velocidade. Poderia e deveria receber mais oportunidades. Por
essas e outras, Carlos Luque, jogador do argentino Colón, deve ser anunciado
nos próximos dias. Com ele, o ataque do Inter voltará a ter um expediente
imprescindível a todo e qualquer equipe, a velocidade.
Craque
deslocado
Novamente
D’Alessandro esteve abaixo de suas atuações de destaque. Atuando mais à
esquerda que o normal, o argentino ‘perde campo de ação’, uma vez que não
dispõe de velocidade e, portanto, não busca a linha de fundo pela esquerda — mesmo
atuando prioritariamente com a perna canhota. Sendo assim, o camisa 10 precisa
necessariamente voltar a joga à direita, onde inegavelmente é diferenciado. Ou
então, precisa migrar para a função de meia centralizado. Embora a alternância
de posição seja salutar, D’Ale na esquerda está sendo subaproveitado e
facilmente neutralizado.
Bendita tabela
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Fotos: Internacional Oficial/Alexandre Lops
segunda-feira, 19 de maio de 2014
Marcelo Grohe e ‘pragmatismo’ conduzem Grêmio ao G-4
Vitória
cirúrgica
Mesmo atuando em
casa, as melhores chances de gol foram do Fluminense; o melhor em campo foi o
goleiro do Grêmio, Marcelo Grohe; e a iniciativa, na maior parte do tempo,
partiu do tricolor carioca. Entretanto, o Grêmio foi cirúrgico no pragmatismo,
marcou 1 a 0 com Rodriguinho — que, novamente foi destaque — e garantiu, assim,
a vitória dentro de casa, o que é imprescindível para quem ambiciona “algo
grande” no certame nacional. Com o triunfo, o Grêmio saltou para a terceira
colocação e hoje é terceiro (com pontuação de vice), com 10 pontos.
Monstro
sob as traves
Não tenho dúvidas de
que se a Copa do Mundo ocorresse daqui a seis meses, Marcelo Grohe estaria
entre os convocados de Luís Felipe Scolari. Não existe nenhum bairrismo nessa
colocação, tampouco, exagero. Grohe é inegavelmente, o maior nome gremista na
temporada e o melhor goleiro em atuação no futebol nacional. Neste momento,
supera inclusive os atuais convocados Jefferson e Victor e está à frente também
de outra referência nacional na posição: Fábio, do Cruzeiro. Contra o
Fluminense, o camisa 1 fez no mínimo duas grandes defesas, consagrando-o como
um goleiro acima da média. Isto é, aquele arqueiro que realiza defesas que a maioria
não as realiza — ilustrada na maior defesa da recém-inaugurada Arena, em
cabeçada do centroavante da Seleção, Fred. Enfim... só para lembrar: diversas
vezes manifestei minhas restrições em relação a Marcelo. Felizmente para os
gremistas, o camisa 1 está 'queimando a minha língua a cada rodada'. Que
continue assim.
Milagre
tem limite
Frente a Chapecoense,
Grohe já havia feito belíssimas defesas. Embora a sequência de grandes atuações
seja um justo motivo para a celebração dos gremistas, o fato ilustra um
desequilíbrio defensivo da equipe – aguçado desde a saída de Rhodolfo,
lesionado. Contra o tricolor das Laranjeiras, outra baixa importante no setor:
suspenso, Edinho, não atuou. ‘Improvisado’ na primeira função da meia-cancha,
Riveros acusou falta de ritmo na função e muitas vezes foi ‘pego fora de lugar’. O jovem lateral-esquerdo, Breno, também foi
outro ponto vulnerável da equipe, mas é compreensivo, o camisa 21 disputou os
primeiros 90 minutos como titula — após
a saída de Wendell para o futebol alemão.
Até
quando?
Caro treinador
Enderson Moreira: até quando vossa excelência insistirá com Alán Ruiz? E o
pior, escalando-o fora de função, ou seja, aberto pelo flanco direito? Típico
ponta-de-lança, o camisa 11 tem no arremate a sua grande virtude e não dispõe
de velocidade, portanto, escalá-lo rente a linha lateral é um desperdício
técnico e um erro tático imperdoável. Tudo bem que Rodriguinho “tomou conta” da
função centralizada dos três meias – onde Ruiz renderia mais —, mas insistir
com o argentino revela uma teimosia e tanto. Dizem que a maior contribuição de
Ruiz à equipe foi ter ‘cavado’ a justa expulsão de Fred. Exageros à parte, por
que não tentar Maxi Rodriguez? Mesmo longe de empolgar, o camisa 14, sim, é
atleta da função e talhado, sobretudo por ter velocidade, para atuar aberto na
direita.
O
paradoxo da camisa 9
Grande protagonista
da vitória contra a Chapecoense, semana passada, Hernán Barcos voltou a ser
criticado pelos tricolores gaúchos e com razão. O camisa 9, ao contrário do que
se espera de um centroavante-nato, novamente sucumbiu nas horas decisivas da
partida — o argentino desperdiçou duas chances claríssimas de “matar o duelo”,
quando o Fluzão já estava com um a menos. Por enquanto, Barcos segue convivendo
com a desconfortável pecha de ‘artilheiro dos gols fáceis e não decisivos’.
Mesmo assim, o atacante é disparado o goleador gremista na temporada com 17
gols em 2014. Como diria o folclórico centroavante Dario Maravilha: “Não existe
gol feio, feio é não fazer gol”. Barcos agradece.
Resumo
da ópera
Ancorado na atuação
de gala de Marcelo Grohe, o Grêmio correu riscos, cedeu muito terreno ao rival,
mesmo assim teve méritos coletivos e garantiu a vitória contra um adversário
direito às primeiras posições. Entretanto, se a ambição tricolor gaúcha for o
título, é imprescindível que a equipe jogue mais, bem mais. Pragmatismo ganha
jogos, claro, mas não é o suficiente para garantir o “caneco”, sobretudo em
torneios de pontos corridos, como é o brasileirão.
Na
sequência
No próximo post,
confira os destaques do empate sem gols de Criciúma e Internacional, em Santa
Catarina.
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Foto:
Luciano Leon / Futura Press / Agência Estado, Globoesporte e Esportes IG
quinta-feira, 15 de maio de 2014
Inter: Classificação protocolar, variações e velho impasse
Terceira
fase
Conforme era
esperado, a partida do Internacional frente ao Cuiabá foi um ‘massacre’ técnico.
Se em condições normais, o favoritismo já era todo vermelho e branco, o caminho
ficou ainda mais facilitado pelo fato do time do Mato Grosso, pasmem, escalar
uma equipe sem cinco titulares visando a disputa da Série C. Tudo bem que a
distância futebolística entre ambos é abissal, mas a equipe treinada pelo ex-gremista
Luciano Dias pecou e muito pela falta de ambição. A derrota era iminente, lógico,
mas o clube esmeraldino poderia ao menos ter “vendido” um pouco mais caro e com
mais “dignidade” a derrota. Enfim, o Inter jogou por protocolo e garantiu a
passagem para a terceira fase da Copa do Brasil.
Variações
O grande trunfo do
time de Abel Braga deu-se pela constante variação de posição entre os meias, o
que impõe sérias dificuldades aos marcadores. O primeiro gol, por exemplo, Alex (foto) saiu de uma posição recuada — de segundo volante ao lado de Willians —
projetou-se e tabelou com Rafael Moura: Inter 1 a 0. No segundo, Aránguiz
trocou de função com Alan Patrick e aberto pelo flanco esquerdo, cruzou
perfeitamente para Moura. No terceiro, Aránguiz, centralizado, ‘deu novo merengue’,
desta vez para Alex, que nesta altura estava aberto pelo setor canhoto,
ocupando a vaga de Patrick, substituído por Jorge Henrique. Aliás, JH entrou em
campo trocando sistematicamente de posição com D’Alessandro: hora um atuava
aberto pela direita, com o outro aberto pelo flanco direito. Fabrício, de
cabeça, após escanteio, marcou o quarto gol. No ‘apagar das luzes’, Alan Popó
descontou. Final: Inter 4 a 1.
Velho
impasse
Falando nisso, é
impressionante como o Internacional sofre gol de quase todos os adversários.
Mesmo que troque a dupla de ‘zaga’, desta feita com Ernando e Juan, a sina é a
mesma: bola na rede de Dida. O fato, sem dúvidas, ilustra um desequilíbrio
defensivo. Se por um lado, os meias do Inter são justamente festejados, por
outro, a presença de apenas um volante lega ao time de Abel a tática ‘cobertor
curto’. O gol cuiabano, por exemplo, teve origem num ‘balão’ da defesa que
pegou os quatro defensores do Inter, amadoramente posicionados em linha. Ygor,
que entrara na vaga de Willians, no momento, estava na ponta-esquerda.
Resenha
defensiva
Se com apenas um
volante de ofício a marcação já é deficitária (Willians ou Ygor), imaginem ‘sem
nenhum’. Neste esquema do colorado, é impreterível que o volante guarde mais
posição — a maior crítica a Willians, ao longo da temporada, é justamente essa.
Do contrário, o Internacional continuará levando muitos gols e a tendência
aponta para dificuldades ainda maiores frente a adversários de maior capacidade
técnica.
Aprovação
Aposta quase
solitária de Abelão no início da temporada, Rafael Moura está dando conta do
recado e com sobras. Além dos gols, função primordial do centroavante, o camisa
11 vem notabilizando-se pelas assistências. Contra o Atlético-PR, o passe
preciso serviu Alan Patrick. Contra o Cuiabá, Alex foi o beneficiado. Além
disso, He-Man tem feito muito bem ‘a parede’, o que é fundamental para o time,
sobretudo levando em conta a características da meia-cancha da equipe, marcada
pela alta técnica, mas pouca velocidade.
Os
protagonistas
O craque D’Alessandro
esteve abaixo de suas conhecidas jornadas. Menos mal que pela mecânica de jogo
permite que outros atletas liderem as investidas ofensivas do time. Contra o
Cuiabá, Alex foi o grande nome individual, pelo trabalho tático (variando como
segundo volante e meia) e técnico — coroado pela marcação de dois gols. Único
jogador da dupla Gre-Nal convocado para a Copa do Mundo, Charles Aránguiz, foi
outro destaque, novamente sendo decisivo. Mesmo sem a movimentação das últimas
partidas, o chileno foi autor de duas belíssimas assistências. Pelo jeito, o
Inter está criando alternativas para a outrora, preocupante, “D’Aledependência”.
O camisa 10 com justiça continua sendo o centro técnico do time, mas é
fundamental que outros atletas tenham condições de também decidir. Ganham os
colorados.
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Fotos: Internacional Oficial/Alexandre Lops
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Fotos: Internacional Oficial/Alexandre Lops
segunda-feira, 12 de maio de 2014
Grêmio: Vitória com a marca do centroavante paradoxal
Três pontos
Embora tenha iniciado
a partida acuado, tendo o goleiro Marcelo Grohe como melhor em campo, aos
poucos, o Grêmio fez valer sua maior capacidade técnica e venceu a Chapeconse,
em Santa Catarina, por 2 a 1, no domingo. Embora a atuação esteja longe de
empolgar, os três pontos foram fundamentais para devolver o ‘mínimo’ de
tranquilidade ao cotidiano gremista — que vive um verdadeiro calvário desde a
eliminação na Libertadores — e, sobretudo, para colocar os tricolores perto dos
líderes e consolida-lo como postulante ao título, embora o certame esteja
apenas iniciando. Detalhes abaixo.
Redenção
Hernán Barcos, vilão
de ‘ontem’, marcou os dois gols da vitória, demonstrando presença de área e
oportunismo típicos de um camisa 9. Mais do que isso, a partida no estado
vizinho, trouxe ao ‘Pirata’ o lado inverso da moeda, se compararmos com suas
últimas jornadas: Mesmo jogando mal contra os catarinenses, Barcos fez sua
função primordial com sobras, ou seja, “bola na rede!” Em tempo: contra o San
Lorenzo, na Arena, no passado recente, por exemplo, o argentino teve uma de
suas melhores atuações individuais desde que chegou a Porto Alegre, mas
sucumbiu na hora decisiva. Em Chapecó, Barcos foi centroavante na essência.
Cerebral
Embora vista a camisa
27, Rodriguinho foi um legítimo camisa 10, isto é, centro técnico e termômetro
da equipe. Com altíssimo índice de acerto de passes, boa dinâmica e
aproveitamento satisfatório na bola parada — algo que o tricolor não possuía
desde a saída de Elano, hoje no Flamengo —, o meia credenciou-se a continuar
como titular absoluto, atuando centralizado na linha de três meias. Embora a
amostragem ainda seja pequena, o atleta reeditou um pouco do grande futebol que
fez com que o Corinthians o contratasse junto ao América-MG. Só deixará a
equipe se Enderson Moreira for ‘maluco’ ou se quiser ser demitido.
Equívoco
repetido
Apesar de ter
acertado no ingresso de Rodriguinho na equipe, Enderson segue pecando pela
insistência com Alán Ruiz. Pior: o comandante teima em escalar o camisa 11 fora
de função, ou seja, aberto na ponta-direita. Típico ponta-de-lança o argentino
renderá apenas se atuar centralizado, já que não dispõe de velocidade e tem no
arremate a sua maior virtude. Após o ‘gelo’ merecido em Luan, devido a suas atuações
sofríveis, a tendência é que o camisa 26 retome a titularidade muito em breve.
Desta feita, o tricolor terá “cada um no seu quadrado”. Leia-se Luan pelo
flanco direito; Dudu no lado oposto e Rodriguinho ao centro. É apenas uma
questão de tempo.
Miolo
em pauta
Desde que foi
guindado à função de segundo volante (mesmo papel que desempenha na seleção
paraguaia), Riveros não consegue repetir as jornadas do início do ano. Ao
contrário do que se imaginava — inclusive defendido neste espaço — o camisa 16
não consegue apoiar o setor de criação, tampouco, tem êxito na marcação, nas
roubadas de bola. Seu companheiro, Edinho, contra a Chapecoense, lembrou o
início instável de sua carreira, principalmente por ‘usar e abusar’ da força —
inclusive deveria ter sido expulso. A atuação da dupla, abaixo da média,
contribuiu para que o time da casa tivesse claras chances na segunda etapa.
Afirmação
Sem dúvidas, Marcelo
Grohe é um dos melhores goleiros brasileiros da atualidade. Calando os críticos
— como o dono deste espaço — o camisa 1 novamente foi o grande nome gremista na
partida. Uma lástima que tenha falhado no gol da Chapecoense. Do contrário,
teria tido uma partida irreparável: vide as duas saídas perfeitas, por baixo,
na primeira etapa, e a ‘defesaça’ após cabeceio catarinense, no segundo tempo. Para
coroar a jornada, quando estava vencido, a trave o salvou, consagrando a máxima
de que ‘goleiro bom também é sortudo’. Falando na falha, aliás, o
lateral-esquerdo Wendell, que despediu-se do clube e jogará no Bayer
Leverkussen, ‘furou’ bisonhamente no lance que originou o gol do ‘Chapecó’.
Craque
suplente
Durante a pressão normal
feita pela Chapecoense no final do jogo, o meia Zé Roberto notabilizou-se como
a principal figura gremista pela retenção de bola e desaceleração da partida, atuado
assim, mais recuado que o habitual — relembrando sua jornada na Copa do Mundo de
2006. Mesmo jogando parcos minutos — ao entrar na vaga de Dudu — o camisa 10
demonstrou, sim, que ainda pode ser muito útil ao grupo gremista. Pena que
devido a idade avançada, talvez, não consiga mais atuar em alto nível como
titular. Mesmo assim, novamente Zé demonstrou sua importância e ascendência
técnica. Joga demais... Aliás, sempre jogou.
Foto:
Bernardo Bercht / Correio do Povo, Rádio Gaúcha
Na liderança, Internacional se repete nas virtudes e fragilidades
Isolado
no topo
Na virada frente ao
Atlético-PR no último sábado, no Beira-Rio, o Internacional computou 15 jogos
de invencibilidade na temporada e alcançou a liderança, com 10 pontos, do recém
iniciado Brasileirão 2014 — beneficiado pelos tropeços de Corinthians e
Cruzeiro, seus principais concorrentes na largada do certame. Dentro de campo,
o time de Abel Braga voltou a empolgar por suas virtudes, porém, voltou a
colocar em risco os três pontos, reiterando suas principais debilidades.
Abaixo:
Nata
nacional
O que joga a
meia-cancha ofensiva do Internacional não está o gibi. O quarteto Aránguiz,
D’Alessandro, Alex e Alan Patrick, garantem ao colorado um domínio técnico de
jogo impressionante — ilustrado pela posse de bola esmagadora, sobretudo nas
partidas realizadas em casa. És a maior virtude do Inter de Abelão, em 2014.
D’Ale e Alan Patrick (foto) — após ‘merengue’ de Rafael Moura, marcaram os gols
alvirrubros. Patrick, aliás, até a marcação do golaço, repetia suas últimas
jornadas apagadíssimas, crescendo apenas após o gol. Por isso, aponta-lo como
‘craque do jogo’, conforme fizera a maioria dos veículos de comunicação, acho
uma demasia. Ninguém jogou mais que Willians na noite de sábado (veja mais
abaixo).
Burocracia
No entanto, nenhum
dos atletas citados possui a velocidade como característica, o que deixa a
equipe por vezes burocrática e fácil de ser neutralizada, sobretudo quando a
troca de passes é pouco objetiva e não visa o gol rival. Para legar à equipe
maior poder de fogo é fundamental que Abel Braga conte com um atleta que legue
rapidez na transição meio-ataque: Otávio, que entrou na segunda etapa, pode ser
a opção. Martin Luque, do argentino Colón, deve ser anunciado ainda nesta semana.
Com um ‘velocista’ entre os 11, o que já está bom, poder-se-á ficar ainda melhor.
Cobertor
curto
Embora o quarteto
ofensivo seja a principal ‘arma’ do Inter, preocupa a vulnerabilidade da
equipe, sobretudo, quando o time sofre o contra-golpe. No sábado, não poucas
vezes, os zagueiros ficaram no mano-a-mano contra os atacantes do Furacão e por
pouco as redes de Dida não foram balançadas. O gol do Atlético-PR, porém, foi
fruto de um erro individual de Ernando e não teve relação alguma com a
disposição tática.
Até
quando?
No entanto, se
houvesse mais um homem de marcação ao lado de Willians, o colorado talvez não
corresse tantos riscos. Méritos de Abel, que está contrariando a lógica do
‘equilíbrio’ e está liderando o campeonato. Porém, é preciso que o ousado
esquema seja testado contra adversários de maior envergadura técnica. Por
enquanto, o Inter enfrentou apenas o Grêmio e novamente, Abelão logrou êxito.
Mutação
tática
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Foto:
Félix
Zucco/Agência RBS e Vinícius Costa/Internacional Oficial
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