sexta-feira, 23 de maio de 2014

Migramos para o FINAL SPORTS


É com grande alegria que comunico aos amigos que a partir de agora passo a integrar o time de colunistas do Final Sports (http://www.final.com.br/)

Com isso, a presente página migrará para o citado portal.

Agradeço a todos os envolvidos pela nova oportunidade e, sobretudo, a vocês, amigos-leitores, pelo apoio de sempre.

Continuo contando com o carinho e 'audiência' de vocês, agora em

http://futebolalemdoresultado.final.com.br/

Vamos adiante... Debatendo, discutindo, dialogando sobre o ESPORTE BRETÃO.

Grato desde já.

Saudações futebolísticas;

SAUL Teixeira

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Com virada promissora em Caxias, Grêmio assume a vice-liderança

Peleia


Em jogo com cara de Gauchão, o Grêmio viajou a Caxias do Sul e ‘recebeu’ o Botafogo no Alfredo Jaconi, tradicional casa do Juventude — a Arena já está à disposição da Fifa para ser campo de treinamento da Copa do Mundo. O gramado pesado foi o cenário perfeito para um jogo truncado, marcado por muitas faltas e confusão. Com a bola rolando, o tricolor começou vacilante, levou um gol aos cinco minutos, teve séries dificuldades para vencer a marcação do Fogão na primeira etapa, mas teve a insistência brindada com o empate assinalado por Rodriguinho, após ‘parede’ do centroavante Barcos. No segundo tempo, porém, o time de Enderson Moreira entrou mais aceso, teve volume de jogo, criou chances e viu Maxi Rodriguez sair do banco para garantir os três pontos e o salto para a vice-liderança.

Resenha e tabela

Com os 2 a 1, os gremistas superaram o rival Internacional na tabela. Hoje, o Grêmio está com 13 pontos, mesma pontuação do líder Cruzeiro. No sábado, sem Alán Ruiz, suspenso pelo terceiro cartão amarelo, o tricolor enfrentará o São Paulo, no estádio Morumbi, em horário insólito: 21 horas.

‘Bancários’ em voga


Veloz e habilidoso, Máxi Rodriguez ingressou na equipe na vaga do cansado Rodriguinho. Ao contrário de suas últimas aparições do time, Máxi atuou mais centralizado e foi ali que protagonizou lindo drible no ex-colorado Bolatti, com posterior conclusão precisa de pé direito. O craque Zé Roberto, embora saído igualmente do banco, também foi decisivo ao dar assistência perfeita ao camisa 14. Embora não tenha a mesma energia de outrora, o camisa 10 ainda pode, com sobras, ser muito útil à equipe. Aliás, Máxi e Zé disputam a vaga de Ruiz, suspenso, contra o São Paulo. Enderson, porém, poderá voltar a formação com três volantes. Zé Roberto, um pouco mais recuado que o normal, como terceiro volante, à esquerda — com Edinho e Riveros nas primeiras funções — seria o meu ‘pitaco’. Veremos!

Mudança de postura

Embora tenha atuado novamente aberto pelo flanco direito, Alán Ruiz, contra os cariocas, movimentou-se mais e por diversas ocasiões ocupou a faixa central do gramado, local aonde rende bem mais. Ao contrário de suas últimas jornadas, o camisa 11 driblou, passou, deu assistências e ameaçou a meta de Renan na bola parada. A jornada de destaque de Ruiz deu-se muito pelo posicionamento tático mais centralizado — conforme defendido repetidas vezes neste espaço.  Mesmo que no ‘papel’ essa seja a função de Rodriguinho, Ruiz ao centro é sem dúvidas muito mais útil do que aberto pelo flanco. Longe de ser um velocista, o argentino tem na conclusão a sua principal virtude e, portanto, é talhado para jogar como um ponta-de-lança clássico, isto é, centralizado atrás dos atacantes.

Maturação na ala

Ao contrário da partida contra o Fluminense, o jovem Breno mostrou-se mais à vontade, menos inseguro, e colocou em prática a sua principal qualidade, o apoio. Aliás, essa foi a característica que o fez ascender das categorias de base.

‘Vazamento’ previsto


Durante todo o primeiro tempo, o polêmico meia Carlos Alberto atuou às costas de Riveros e Ramiro — vide o passe que originou o gol carioca. Aliás, as dificuldades na contenção já eram previstas, uma vez que nem Riveros, nem Ramiro são marcadores implacáveis, tampouco guardam posição à frente da área. Com o atual grupo de jogadores, o volante Edinho não pode ser reserva, ainda mais que o zagueiro Rhodolfo, que é outro esteio do sistema defensivo gremista, está fora por lesão. Edinho é garantia de equilíbrio defensivo. Com ele, o único ‘vazamento’ que ocorre é de fotos na internet — o volante foi foco de polêmica, pois ganhou as manchetes por ter feito uma ‘selfie’ em que aparece com uma lata de cerveja e com agasalho do Grêmio.

Exigência ou fato?

Pelo menos dois dos três gols da partida deram a impressão de serem defensáveis. Embora os lances não configurem falhas graves dos arqueiros —Renan (Botafogo) e Marcelo Grohe (Grêmio) — os gols de Zeballos e Rodriguinho, contaram sim com a ‘contribuição’ involuntária dos goleiros rivais. 

Na sequência

No próximo post, confira os destaques do empate de 1 a 1 entre Coritiba e Internacional.
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Fotos: Grêmio Oficial/Lucas Uebel, Lance Net, Clic RBS

terça-feira, 20 de maio de 2014

Com os velhos problemas, Inter ‘tropeça’, mas segue na liderança

Repetição



Se nas vitórias já são flagrantes algumas fragilidades do Internacional, elas se tornam ainda mais visíveis quando o resultado não é o esperado pelos ‘vermelhos’, como ocorrido no empate sem gols diante do Criciúma. Com um jogador a mais durante todo o segundo tempo, o time de Abel Braga teve mais de 70% de posse de bole, mas não soube traduzir a superioridade territorial em chances de gol. Pecou novamente pela ausência de ‘poder de fogo’ e velocidade, este último, problema crônico da temporada, o que torna o setor de armação e criatividade fácil de ser neutralizado. Mesmo com o empate, o Inter manteve-se na liderança isolada do brasileirão 2014, com 11 pontos.

Solução mágica

Mesmo que tenha sido contratado para atuar como primeiro volante, Abelão escalou o estreante Wellington, ex-São Paulo, mais à frente, especificamente na linha de meias, pela direita, na função que comumente é ocupada por Charles Aránguiz. Erro rotundo. Sem o chileno, que está a serviço da seleção do Chile que disputará a Copa do Mundo, o treinador poderia ter testado a formação clamada por parte da opinião pública: isto é, com dois volantes (Wellignton e Willians) — o que legaria mais liberdade a Alex, D’Alessandro e Alan Patrick. Abelão não quis. Com a opção equivocada, Alex seguiu como segundo volante — na maior parte das ações — enquanto Wellington, embora esforçado, tentava fazer aquilo que não sabe: armar e apoiar o ataque.

Desperdício


Pelo jeito, o treinador colorado rechaça completamente a ideia de atuar com dois homens de marcação no meio. Discordo, mas respeito — conforme escrevemos diversas vezes neste espaço, futebol requer equilíbrio. Entretanto, levando-se em conta a filosofia do comandante, a melhor opção para suprir, ao menos taticamente a ausência de Aránguiz, seria Jorge Henrique. Jamais Wellington. Com JH, o Inter manteria o apoio pelo setor direito, sem perder na recomposição defensiva, uma vez que o camisa 23 se notabiliza pelo trabalho tático que desempenha desde a época do Corinthians. Falando nisso, desde que chegou ao colorado, Jorge Henrique pouquíssimas vezes foi escalado na função em que rende mais e que conquistou “quase tudo” no clube paulista: aberto no setor direito. Se for escalado na vaga de Aránguiz, de alguma forma ou de outra, JH estará no seu habitat natural. Embora tenha mais responsabilidades defensivas, claro.

‘Faceirice’ aguda

Durante grande parte do segundo tempo, o esquema do Inter, que já é ofensivo, ganhou ainda mais ares de ‘faceirice’ — desta feita, porém, justificada pelo contexto. Com os ingressos de Otávio, Valdívia e Wellington Paulista, o Inter passou a atuar no 4-1-3-2. Porém, Otávio insistiu muito pela faixa central do gramado, quando se previa, por suas características, que atuasse pelos flancos, sobretudo o esquerdo. Não foi o que ocorreu. Valdívia, por sua vez, obrigou Galatto a uma grande defesa no final do jogo, mas teve poucos minutos para tentar algo além. Outra: Wellington Paulista ao lado de Rafael Moura realmente é uma opção meramente emergencial e justificada somente para o “tudo ou nada”. O fato novamente ilustra outra debilidade do Inter: a falta de opções de qualidade para o setor ofensivo, notadamente, a função de segundo atacante.

Perguntar não ofende

Falando nisso: alguém tem notícias do jovem Aylon? Embora atue mais centralizado, como camisa 9, ele poderia ao menos servir de opção para o ataque colorado, não acham? Rafael Moura e Wellington Paulista se assemelham em características. Aylon, porém, tem mais técnica e velocidade. Poderia e deveria receber mais oportunidades. Por essas e outras, Carlos Luque, jogador do argentino Colón, deve ser anunciado nos próximos dias. Com ele, o ataque do Inter voltará a ter um expediente imprescindível a todo e qualquer equipe, a velocidade.


Craque deslocado



Novamente D’Alessandro esteve abaixo de suas atuações de destaque. Atuando mais à esquerda que o normal, o argentino ‘perde campo de ação’, uma vez que não dispõe de velocidade e, portanto, não busca a linha de fundo pela esquerda — mesmo atuando prioritariamente com a perna canhota. Sendo assim, o camisa 10 precisa necessariamente voltar a joga à direita, onde inegavelmente é diferenciado. Ou então, precisa migrar para a função de meia centralizado. Embora a alternância de posição seja salutar, D’Ale na esquerda está sendo subaproveitado e facilmente neutralizado. 


Bendita tabela


Com o empate, o Inter manteve-se na liderança do campeonato de maneira isolada, com 11 pontos, muito em conta da “tabela pra lá de generosa” neste início de campeonato. O que já era bom (leia-se a liderança) poderia ser ainda melhor se o Internacional não tivesse perdido quatro pontos “fáceis”: dois contra o Botafogo, no Rio de Janeiro, quando cedeu o empate após abrir 2 a 0 e por último, diante do Tigre catarinense. Agora, o jeito é correr atrás do “prejuízo”, por mais contraditório que pareça, levando-se em conta que os ‘colorados’ já estão na liderança. No entanto, não esqueçamos do nome deste espaço, né? Viva o Futebol Além do Resultado - Página que possuímos no Facebook. 
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Fotos: Internacional Oficial/Alexandre Lops

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Marcelo Grohe e ‘pragmatismo’ conduzem Grêmio ao G-4

Vitória cirúrgica


Mesmo atuando em casa, as melhores chances de gol foram do Fluminense; o melhor em campo foi o goleiro do Grêmio, Marcelo Grohe; e a iniciativa, na maior parte do tempo, partiu do tricolor carioca. Entretanto, o Grêmio foi cirúrgico no pragmatismo, marcou 1 a 0 com Rodriguinho — que, novamente foi destaque — e garantiu, assim, a vitória dentro de casa, o que é imprescindível para quem ambiciona “algo grande” no certame nacional. Com o triunfo, o Grêmio saltou para a terceira colocação e hoje é terceiro (com pontuação de vice), com 10 pontos.

Monstro sob as traves

Não tenho dúvidas de que se a Copa do Mundo ocorresse daqui a seis meses, Marcelo Grohe estaria entre os convocados de Luís Felipe Scolari. Não existe nenhum bairrismo nessa colocação, tampouco, exagero. Grohe é inegavelmente, o maior nome gremista na temporada e o melhor goleiro em atuação no futebol nacional. Neste momento, supera inclusive os atuais convocados Jefferson e Victor e está à frente também de outra referência nacional na posição: Fábio, do Cruzeiro. Contra o Fluminense, o camisa 1 fez no mínimo duas grandes defesas, consagrando-o como um goleiro acima da média. Isto é, aquele arqueiro que realiza defesas que a maioria não as realiza — ilustrada na maior defesa da recém-inaugurada Arena, em cabeçada do centroavante da Seleção, Fred. Enfim... só para lembrar: diversas vezes manifestei minhas restrições em relação a Marcelo. Felizmente para os gremistas, o camisa 1 está 'queimando a minha língua a cada rodada'. Que continue assim.

Milagre tem limite

Frente a Chapecoense, Grohe já havia feito belíssimas defesas. Embora a sequência de grandes atuações seja um justo motivo para a celebração dos gremistas, o fato ilustra um desequilíbrio defensivo da equipe – aguçado desde a saída de Rhodolfo, lesionado. Contra o tricolor das Laranjeiras, outra baixa importante no setor: suspenso, Edinho, não atuou. ‘Improvisado’ na primeira função da meia-cancha, Riveros acusou falta de ritmo na função e muitas vezes foi ‘pego fora de lugar’.  O jovem lateral-esquerdo, Breno, também foi outro ponto vulnerável da equipe, mas é compreensivo, o camisa 21 disputou os primeiros 90 minutos como titula  — após a saída de Wendell para o futebol alemão.

Até quando?


Caro treinador Enderson Moreira: até quando vossa excelência insistirá com Alán Ruiz? E o pior, escalando-o fora de função, ou seja, aberto pelo flanco direito? Típico ponta-de-lança, o camisa 11 tem no arremate a sua grande virtude e não dispõe de velocidade, portanto, escalá-lo rente a linha lateral é um desperdício técnico e um erro tático imperdoável. Tudo bem que Rodriguinho “tomou conta” da função centralizada dos três meias – onde Ruiz renderia mais —, mas insistir com o argentino revela uma teimosia e tanto. Dizem que a maior contribuição de Ruiz à equipe foi ter ‘cavado’ a justa expulsão de Fred. Exageros à parte, por que não tentar Maxi Rodriguez? Mesmo longe de empolgar, o camisa 14, sim, é atleta da função e talhado, sobretudo por ter velocidade, para atuar aberto na direita.

O paradoxo da camisa 9

Grande protagonista da vitória contra a Chapecoense, semana passada, Hernán Barcos voltou a ser criticado pelos tricolores gaúchos e com razão. O camisa 9, ao contrário do que se espera de um centroavante-nato, novamente sucumbiu nas horas decisivas da partida — o argentino desperdiçou duas chances claríssimas de “matar o duelo”, quando o Fluzão já estava com um a menos. Por enquanto, Barcos segue convivendo com a desconfortável pecha de ‘artilheiro dos gols fáceis e não decisivos’. Mesmo assim, o atacante é disparado o goleador gremista na temporada com 17 gols em 2014. Como diria o folclórico centroavante Dario Maravilha: “Não existe gol feio, feio é não fazer gol”. Barcos agradece.

Resumo da ópera


Ancorado na atuação de gala de Marcelo Grohe, o Grêmio correu riscos, cedeu muito terreno ao rival, mesmo assim teve méritos coletivos e garantiu a vitória contra um adversário direito às primeiras posições. Entretanto, se a ambição tricolor gaúcha for o título, é imprescindível que a equipe jogue mais, bem mais. Pragmatismo ganha jogos, claro, mas não é o suficiente para garantir o “caneco”, sobretudo em torneios de pontos corridos, como é o brasileirão.

Na sequência

No próximo post, confira os destaques do empate sem gols de Criciúma e Internacional, em Santa Catarina.
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Foto: Luciano Leon / Futura Press / Agência Estado, Globoesporte e Esportes IG

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Inter: Classificação protocolar, variações e velho impasse

Terceira fase


Conforme era esperado, a partida do Internacional frente ao Cuiabá foi um ‘massacre’ técnico. Se em condições normais, o favoritismo já era todo vermelho e branco, o caminho ficou ainda mais facilitado pelo fato do time do Mato Grosso, pasmem, escalar uma equipe sem cinco titulares visando a disputa da Série C. Tudo bem que a distância futebolística entre ambos é abissal, mas a equipe treinada pelo ex-gremista Luciano Dias pecou e muito pela falta de ambição. A derrota era iminente, lógico, mas o clube esmeraldino poderia ao menos ter “vendido” um pouco mais caro e com mais “dignidade” a derrota. Enfim, o Inter jogou por protocolo e garantiu a passagem para a terceira fase da Copa do Brasil.

Variações

O grande trunfo do time de Abel Braga deu-se pela constante variação de posição entre os meias, o que impõe sérias dificuldades aos marcadores. O primeiro gol, por exemplo, Alex (foto) saiu de uma posição recuada — de segundo volante ao lado de Willians — projetou-se e tabelou com Rafael Moura: Inter 1 a 0. No segundo, Aránguiz trocou de função com Alan Patrick e aberto pelo flanco esquerdo, cruzou perfeitamente para Moura. No terceiro, Aránguiz, centralizado, ‘deu novo merengue’, desta vez para Alex, que nesta altura estava aberto pelo setor canhoto, ocupando a vaga de Patrick, substituído por Jorge Henrique. Aliás, JH entrou em campo trocando sistematicamente de posição com D’Alessandro: hora um atuava aberto pela direita, com o outro aberto pelo flanco direito. Fabrício, de cabeça, após escanteio, marcou o quarto gol. No ‘apagar das luzes’, Alan Popó descontou. Final: Inter 4 a 1.

Velho impasse


Falando nisso, é impressionante como o Internacional sofre gol de quase todos os adversários. Mesmo que troque a dupla de ‘zaga’, desta feita com Ernando e Juan, a sina é a mesma: bola na rede de Dida. O fato, sem dúvidas, ilustra um desequilíbrio defensivo. Se por um lado, os meias do Inter são justamente festejados, por outro, a presença de apenas um volante lega ao time de Abel a tática ‘cobertor curto’. O gol cuiabano, por exemplo, teve origem num ‘balão’ da defesa que pegou os quatro defensores do Inter, amadoramente posicionados em linha. Ygor, que entrara na vaga de Willians, no momento, estava na ponta-esquerda.

Resenha defensiva

Se com apenas um volante de ofício a marcação já é deficitária (Willians ou Ygor), imaginem ‘sem nenhum’. Neste esquema do colorado, é impreterível que o volante guarde mais posição — a maior crítica a Willians, ao longo da temporada, é justamente essa. Do contrário, o Internacional continuará levando muitos gols e a tendência aponta para dificuldades ainda maiores frente a adversários de maior capacidade técnica.

Aprovação


Aposta quase solitária de Abelão no início da temporada, Rafael Moura está dando conta do recado e com sobras. Além dos gols, função primordial do centroavante, o camisa 11 vem notabilizando-se pelas assistências. Contra o Atlético-PR, o passe preciso serviu Alan Patrick. Contra o Cuiabá, Alex foi o beneficiado. Além disso, He-Man tem feito muito bem ‘a parede’, o que é fundamental para o time, sobretudo levando em conta a características da meia-cancha da equipe, marcada pela alta técnica, mas pouca velocidade.

Os protagonistas

O craque D’Alessandro esteve abaixo de suas conhecidas jornadas. Menos mal que pela mecânica de jogo permite que outros atletas liderem as investidas ofensivas do time. Contra o Cuiabá, Alex foi o grande nome individual, pelo trabalho tático (variando como segundo volante e meia) e técnico — coroado pela marcação de dois gols. Único jogador da dupla Gre-Nal convocado para a Copa do Mundo, Charles Aránguiz, foi outro destaque, novamente sendo decisivo. Mesmo sem a movimentação das últimas partidas, o chileno foi autor de duas belíssimas assistências. Pelo jeito, o Inter está criando alternativas para a outrora, preocupante, “D’Aledependência”. O camisa 10 com justiça continua sendo o centro técnico do time, mas é fundamental que outros atletas tenham condições de também decidir. Ganham os colorados. 
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Fotos: Internacional Oficial/Alexandre Lops

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Grêmio: Vitória com a marca do centroavante paradoxal

Três pontos


Embora tenha iniciado a partida acuado, tendo o goleiro Marcelo Grohe como melhor em campo, aos poucos, o Grêmio fez valer sua maior capacidade técnica e venceu a Chapeconse, em Santa Catarina, por 2 a 1, no domingo. Embora a atuação esteja longe de empolgar, os três pontos foram fundamentais para devolver o ‘mínimo’ de tranquilidade ao cotidiano gremista — que vive um verdadeiro calvário desde a eliminação na Libertadores — e, sobretudo, para colocar os tricolores perto dos líderes e consolida-lo como postulante ao título, embora o certame esteja apenas iniciando. Detalhes abaixo.

Redenção

Hernán Barcos, vilão de ‘ontem’, marcou os dois gols da vitória, demonstrando presença de área e oportunismo típicos de um camisa 9. Mais do que isso, a partida no estado vizinho, trouxe ao ‘Pirata’ o lado inverso da moeda, se compararmos com suas últimas jornadas: Mesmo jogando mal contra os catarinenses, Barcos fez sua função primordial com sobras, ou seja, “bola na rede!” Em tempo: contra o San Lorenzo, na Arena, no passado recente, por exemplo, o argentino teve uma de suas melhores atuações individuais desde que chegou a Porto Alegre, mas sucumbiu na hora decisiva. Em Chapecó, Barcos foi centroavante na essência.

Cerebral


Embora vista a camisa 27, Rodriguinho foi um legítimo camisa 10, isto é, centro técnico e termômetro da equipe. Com altíssimo índice de acerto de passes, boa dinâmica e aproveitamento satisfatório na bola parada — algo que o tricolor não possuía desde a saída de Elano, hoje no Flamengo —, o meia credenciou-se a continuar como titular absoluto, atuando centralizado na linha de três meias. Embora a amostragem ainda seja pequena, o atleta reeditou um pouco do grande futebol que fez com que o Corinthians o contratasse junto ao América-MG. Só deixará a equipe se Enderson Moreira for ‘maluco’ ou se quiser ser demitido.

Equívoco repetido

Apesar de ter acertado no ingresso de Rodriguinho na equipe, Enderson segue pecando pela insistência com Alán Ruiz. Pior: o comandante teima em escalar o camisa 11 fora de função, ou seja, aberto na ponta-direita. Típico ponta-de-lança o argentino renderá apenas se atuar centralizado, já que não dispõe de velocidade e tem no arremate a sua maior virtude. Após o ‘gelo’ merecido em Luan, devido a suas atuações sofríveis, a tendência é que o camisa 26 retome a titularidade muito em breve. Desta feita, o tricolor terá “cada um no seu quadrado”. Leia-se Luan pelo flanco direito; Dudu no lado oposto e Rodriguinho ao centro. É apenas uma questão de tempo.

Miolo em pauta

Desde que foi guindado à função de segundo volante (mesmo papel que desempenha na seleção paraguaia), Riveros não consegue repetir as jornadas do início do ano. Ao contrário do que se imaginava — inclusive defendido neste espaço — o camisa 16 não consegue apoiar o setor de criação, tampouco, tem êxito na marcação, nas roubadas de bola. Seu companheiro, Edinho, contra a Chapecoense, lembrou o início instável de sua carreira, principalmente por ‘usar e abusar’ da força — inclusive deveria ter sido expulso. A atuação da dupla, abaixo da média, contribuiu para que o time da casa tivesse claras chances na segunda etapa.

Afirmação

Sem dúvidas, Marcelo Grohe é um dos melhores goleiros brasileiros da atualidade. Calando os críticos — como o dono deste espaço — o camisa 1 novamente foi o grande nome gremista na partida. Uma lástima que tenha falhado no gol da Chapecoense. Do contrário, teria tido uma partida irreparável: vide as duas saídas perfeitas, por baixo, na primeira etapa, e a ‘defesaça’ após cabeceio catarinense, no segundo tempo. Para coroar a jornada, quando estava vencido, a trave o salvou, consagrando a máxima de que ‘goleiro bom também é sortudo’. Falando na falha, aliás, o lateral-esquerdo Wendell, que despediu-se do clube e jogará no Bayer Leverkussen, ‘furou’ bisonhamente no lance que originou o gol do ‘Chapecó’.

Craque suplente


Durante a pressão normal feita pela Chapecoense no final do jogo, o meia Zé Roberto notabilizou-se como a principal figura gremista pela retenção de bola e desaceleração da partida, atuado assim, mais recuado que o habitual —  relembrando sua jornada na Copa do Mundo de 2006. Mesmo jogando parcos minutos — ao entrar na vaga de Dudu — o camisa 10 demonstrou, sim, que ainda pode ser muito útil ao grupo gremista. Pena que devido a idade avançada, talvez, não consiga mais atuar em alto nível como titular. Mesmo assim, novamente Zé demonstrou sua importância e ascendência técnica. Joga demais... Aliás, sempre jogou.


Foto: Bernardo Bercht / Correio do Povo, Rádio Gaúcha

Na liderança, Internacional se repete nas virtudes e fragilidades

Isolado no topo


Na virada frente ao Atlético-PR no último sábado, no Beira-Rio, o Internacional computou 15 jogos de invencibilidade na temporada e alcançou a liderança, com 10 pontos, do recém iniciado Brasileirão 2014 — beneficiado pelos tropeços de Corinthians e Cruzeiro, seus principais concorrentes na largada do certame. Dentro de campo, o time de Abel Braga voltou a empolgar por suas virtudes, porém, voltou a colocar em risco os três pontos, reiterando suas principais debilidades. Abaixo:

Nata nacional

O que joga a meia-cancha ofensiva do Internacional não está o gibi. O quarteto Aránguiz, D’Alessandro, Alex e Alan Patrick, garantem ao colorado um domínio técnico de jogo impressionante — ilustrado pela posse de bola esmagadora, sobretudo nas partidas realizadas em casa. És a maior virtude do Inter de Abelão, em 2014. D’Ale e Alan Patrick (foto) — após ‘merengue’ de Rafael Moura, marcaram os gols alvirrubros. Patrick, aliás, até a marcação do golaço, repetia suas últimas jornadas apagadíssimas, crescendo apenas após o gol. Por isso, aponta-lo como ‘craque do jogo’, conforme fizera a maioria dos veículos de comunicação, acho uma demasia. Ninguém jogou mais que Willians na noite de sábado (veja mais abaixo).

Burocracia

No entanto, nenhum dos atletas citados possui a velocidade como característica, o que deixa a equipe por vezes burocrática e fácil de ser neutralizada, sobretudo quando a troca de passes é pouco objetiva e não visa o gol rival. Para legar à equipe maior poder de fogo é fundamental que Abel Braga conte com um atleta que legue rapidez na transição meio-ataque: Otávio, que entrou na segunda etapa, pode ser a opção. Martin Luque, do argentino Colón, deve ser anunciado ainda nesta semana. Com um ‘velocista’ entre os 11, o que já está bom, poder-se-á  ficar ainda melhor.

Honra ao mérito


Cobertura da lateral-direita, da lateral-esquerda, dos zagueiros quando sobem e combate frenética à frente da área. As características são todas de apenas um homem: Willians. O que jogou o camisa 8 no sábado foi assombroso. Mesmo sozinho nas tarefas de contenção, o volante de ‘meias caídas’, sem a bola, atua alinhado na linha defensiva, deixando o Internacional na formação 5-4-1. Isso mesmo: Willians, quando o colorado não detém a posse de bola, atua alinhado a Gilberto, Paulão (Ernando), Juan e Fabrício. Não é à toa que o camisa 8 foi apontado, por Abelão, no início da temporada, como o atleta em que ele não ‘abre mão de jeito maneira’. Está justificado.

Cobertor curto

Embora o quarteto ofensivo seja a principal ‘arma’ do Inter, preocupa a vulnerabilidade da equipe, sobretudo, quando o time sofre o contra-golpe. No sábado, não poucas vezes, os zagueiros ficaram no mano-a-mano contra os atacantes do Furacão e por pouco as redes de Dida não foram balançadas. O gol do Atlético-PR, porém, foi fruto de um erro individual de Ernando e não teve relação alguma com a disposição tática.

Até quando?

No entanto, se houvesse mais um homem de marcação ao lado de Willians, o colorado talvez não corresse tantos riscos. Méritos de Abel, que está contrariando a lógica do ‘equilíbrio’ e está liderando o campeonato. Porém, é preciso que o ousado esquema seja testado contra adversários de maior envergadura técnica. Por enquanto, o Inter enfrentou apenas o Grêmio e novamente, Abelão logrou êxito.

Mutação tática


Sem a bola, o Inter atua no 5-4-1. Com ela, a equipe migra para o 4-1-4-1, variando para o 4-2-3-1, tendo Alex como segundo volante e Aránguiz como meia — a mesma estratégia empregada no segundo tempo do Gre-Nal 400 na Arena. Em que pese meu ‘pé atrás’ com o desequilíbrio da meia-cancha, o Inter está jogando um futebol que há tempos os colorados não tinham o prazer de acompanhar. Embora estejamos ainda no início do campeonato e qualquer previsão que se faça ainda seja precipitada, os méritos de Abel Braga, por enquanto, são inegáveis.

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Foto: Félix Zucco/Agência RBS e Vinícius Costa/Internacional Oficial