Futebol
na gênese
Apoiado
majoritariamente pela torcida local, o Internacional foi ao Mato Grosso com a
esperança de fazer no mínimo dois gols de diferença no Cuiabá, eliminar a
partida de volta e, assim, ganhar mais tempo para o repouso e os treinamentos
para a Brasileirão. Não passou de esperança. Pelo contrário, o Internacional
precisa ‘erguer’ as mãos para os céus pelo empate arrancado na reta final, gol
de Rafael Moura, sempre ele, na novíssima Arena Pantanal. O 1 a 1 ilustra muito
bem os ‘perigos’ e os atrativos das competições disputadas no formato de Copas,
isto é, com mata-mata. Quem diria que um time da terceira divisão pudesse impor
resistência a outro da série A? Tratando-se de Copa, tudo é possível.
Entretanto, apesar dos méritos inegáveis do time da casa, faltou futebol ao
Internacional.
Padrão
Bayern
O time de Abel Braga
tomou a iniciativa e teve a posse de bola na esmagadora maioria do confronto.
Entretanto, no pior sentido “Bayern de Munique” de Guardiola, o domínio não
passou de ilusão, já que a equipe, apesar da insistência, teve pouquíssimas
oportunidades e conclusões. Aliás, as melhores chances da partida foram do
Cuiabá, que no mínimo poderia ter feito mais um gol em Dida. O camisa 8 Diego
Torres, conhecido do futebol gaúcho, poderia ter ampliado para 2 a 0 ainda na
primeira etapa. Em tempo: na última terça-feira, o Bayern teve 65% de posse de
bola, mas ‘tomou’ 4 a 0 do Real Madrid, na Alemanha, em partida válida pelas
semifinais da Champions League.
Vulnerabilidade
Os espaços cedidos ao
Cuiabá, ilustrados pela facilidade de apoio do lateral-esquerdo Ruan e a
permanente exposição dos zagueiros Paulão e Ernando, ilustram o desequilíbrio
defensivo da equipe. Há tempos, alertamos neste espaço que jogar com apenas
Willians na marcação, é uma formação ousada e digna do clichê “cobertor curto”.
Embora oferte a qualidade do apoio de Aránguiz e Alex ao mesmo tempo — que deu
muito certo no Gre-Nal, por exemplo — a equipe por vezes pode ficar
demasiadamente exposta — como ocorreu, contraditoriamente, frente ao Cuiabá.
Contra os mato-grossenses, o Internacional chegou a dispor de sete atletas no
campo adversário e nem por isso, tornou-se mais ofensivo. Futebol requer
equilíbrio.
Melhor
do Brasil
O volante Willians
foi campeão brasileiro pelo Flamengo, em 2009, atuando como segundo homem de meio
campo. Se alguém pensa que o posicionamento com um pouco mais de liberdade, tirou
o poder de marcação do camisa 8, segue um dado: Willians foi o “ladrão de
bolas” daquele campeonato, mesmo atuando como segundo volante. Enfim... Defendo
a presença de dois homens de
marcação como padrão de jogo para toda a temporada. Em partidas contra
adversários menos qualificados, na teoria, como o Cuiabá, pode-se arriscar com
apenas um volante. No Mato Grosso, entretanto, a atuação defensiva foi
sintomática: para jogar com apenas Willians na contenção é preciso que Alex ou
Aránguiz recuem um pouco e que os dois laterais se alternem no apoio, jamais
ambos à frente ao mesmo tempo. Do contrário, a defesa ficará mais exposta que turista banhista em praia de nudismo.
Mudança
Alan Patrick, desde
que foi um dos principais nomes da virada do Inter, no Gre-Nal da Arena, jamais
conseguiu realizar jornada semelhante. Alô Abelão, não ‘vale’ testar o Valdívia
entre os 11? Com o camisa 29 a equipe ganharia algo que não dispõe: velocidade.
Aliás, com apenas um homem de frente — Rafael Moura — como costumeiramente atua
o Inter, é imprescindível que ao menos um dos meias tenha como características
o drible e a rapidez. Reforço, também, a necessidade de a direção contratar um
segundo atacante de qualidade. O Internacional está sem poder de “fogo”... e já
faz tempo.
Méritos defensivos
Muito bem treinado pelo ex-gremista Luciano Dias, o Cuiabá atuou grande parte da partida atrás da linha da bola, exercendo marcação em duas linhas de quatro e neutralizando assim completamente o setor de armação colorado. Nem por isso, o time da casa abdicou do contra-ataque, liderado pelo meia Washingtom — autor do gol — (com ‘M’ mesmo), que, embora vista a camisa 9, é um legítimo ponta-de-lança camisa 10. Pena, para as pretensões do Cuiabá, que a equipe tenha pecado tanto pelo desperdício de gols. Contra times da grandeza e, sobretudo, da qualidade do Internacional, pode ser fatal. A partida de volta ocorre no estádio Beira-Rio no próximo dia 15 de maio.
Craque
devendo
Liderança técnica
inquestionável da equipe, D’Alessandro, incrivelmente, completou 180 minutos de
atuações sumidas, “fantasmagóricas” — se computarmos a partida contra o
Botafogo, no último domingo. Além dos méritos do Cuiabá na marcação, que foram
inegáveis, a ausência do brilhantismo individual dos atletas colorados,
sobretudo, D’Ale, contribui e muito para o empate injusto. Sim, injusto! Pois
se futebol fosse um ato de justiça — com o perdão da utopia—, o Cuiabá teria
vencido o Internacional. Aqui no Beira-Rio a tendência é que os vermelhos
passem com relativa tranquilidade. Será? Muita calma nessa hora. Afinal, Copa é
Copa...
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Fotos: Internacional Oficial/ Alexandre Lops e Futura Press/Euclides Jr.




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