sexta-feira, 2 de maio de 2014

Com domínio ilusório, Inter “acha” empate contra o Cuiabá

Futebol na gênese


Apoiado majoritariamente pela torcida local, o Internacional foi ao Mato Grosso com a esperança de fazer no mínimo dois gols de diferença no Cuiabá, eliminar a partida de volta e, assim, ganhar mais tempo para o repouso e os treinamentos para a Brasileirão. Não passou de esperança. Pelo contrário, o Internacional precisa ‘erguer’ as mãos para os céus pelo empate arrancado na reta final, gol de Rafael Moura, sempre ele, na novíssima Arena Pantanal. O 1 a 1 ilustra muito bem os ‘perigos’ e os atrativos das competições disputadas no formato de Copas, isto é, com mata-mata. Quem diria que um time da terceira divisão pudesse impor resistência a outro da série A? Tratando-se de Copa, tudo é possível. Entretanto, apesar dos méritos inegáveis do time da casa, faltou futebol ao Internacional.

Padrão Bayern

O time de Abel Braga tomou a iniciativa e teve a posse de bola na esmagadora maioria do confronto. Entretanto, no pior sentido “Bayern de Munique” de Guardiola, o domínio não passou de ilusão, já que a equipe, apesar da insistência, teve pouquíssimas oportunidades e conclusões. Aliás, as melhores chances da partida foram do Cuiabá, que no mínimo poderia ter feito mais um gol em Dida. O camisa 8 Diego Torres, conhecido do futebol gaúcho, poderia ter ampliado para 2 a 0 ainda na primeira etapa. Em tempo: na última terça-feira, o Bayern teve 65% de posse de bola, mas ‘tomou’ 4 a 0 do Real Madrid, na Alemanha, em partida válida pelas semifinais da Champions League.

Vulnerabilidade


Os espaços cedidos ao Cuiabá, ilustrados pela facilidade de apoio do lateral-esquerdo Ruan e a permanente exposição dos zagueiros Paulão e Ernando, ilustram o desequilíbrio defensivo da equipe. Há tempos, alertamos neste espaço que jogar com apenas Willians na marcação, é uma formação ousada e digna do clichê “cobertor curto”. Embora oferte a qualidade do apoio de Aránguiz e Alex ao mesmo tempo — que deu muito certo no Gre-Nal, por exemplo — a equipe por vezes pode ficar demasiadamente exposta — como ocorreu, contraditoriamente, frente ao Cuiabá. Contra os mato-grossenses, o Internacional chegou a dispor de sete atletas no campo adversário e nem por isso, tornou-se mais ofensivo. Futebol requer equilíbrio. 

Melhor do Brasil

O volante Willians foi campeão brasileiro pelo Flamengo, em 2009, atuando como segundo homem de meio campo. Se alguém pensa que o posicionamento com um pouco mais de liberdade, tirou o poder de marcação do camisa 8, segue um dado: Willians foi o “ladrão de bolas” daquele campeonato, mesmo atuando como segundo volante. Enfim... Defendo a presença de dois homens de marcação como padrão de jogo para toda a temporada. Em partidas contra adversários menos qualificados, na teoria, como o Cuiabá, pode-se arriscar com apenas um volante. No Mato Grosso, entretanto, a atuação defensiva foi sintomática: para jogar com apenas Willians na contenção é preciso que Alex ou Aránguiz recuem um pouco e que os dois laterais se alternem no apoio, jamais ambos à frente ao mesmo tempo. Do contrário, a defesa ficará mais exposta que turista banhista em praia de nudismo.

Mudança


Alan Patrick, desde que foi um dos principais nomes da virada do Inter, no Gre-Nal da Arena, jamais conseguiu realizar jornada semelhante. Alô Abelão, não ‘vale’ testar o Valdívia entre os 11? Com o camisa 29 a equipe ganharia algo que não dispõe: velocidade. Aliás, com apenas um homem de frente — Rafael Moura — como costumeiramente atua o Inter, é imprescindível que ao menos um dos meias tenha como características o drible e a rapidez. Reforço, também, a necessidade de a direção contratar um segundo atacante de qualidade. O Internacional está sem poder de “fogo”... e já faz tempo.

Méritos defensivos

Muito bem treinado pelo ex-gremista Luciano Dias, o Cuiabá atuou grande parte da partida atrás da linha da bola, exercendo marcação em duas linhas de quatro e neutralizando assim completamente o setor de armação colorado. Nem por isso, o time da casa abdicou do contra-ataque, liderado pelo meia Washingtom — autor do gol — (com ‘M’ mesmo), que, embora vista a camisa 9, é um legítimo ponta-de-lança camisa 10. Pena, para as pretensões do Cuiabá, que a equipe tenha pecado tanto pelo desperdício de gols. Contra times da grandeza e, sobretudo, da qualidade do Internacional, pode ser fatal. A partida de volta ocorre no estádio Beira-Rio no próximo dia 15 de maio.

Craque devendo


Liderança técnica inquestionável da equipe, D’Alessandro, incrivelmente, completou 180 minutos de atuações sumidas, “fantasmagóricas” — se computarmos a partida contra o Botafogo, no último domingo. Além dos méritos do Cuiabá na marcação, que foram inegáveis, a ausência do brilhantismo individual dos atletas colorados, sobretudo, D’Ale, contribui e muito para o empate injusto. Sim, injusto! Pois se futebol fosse um ato de justiça — com o perdão da utopia—, o Cuiabá teria vencido o Internacional. Aqui no Beira-Rio a tendência é que os vermelhos passem com relativa tranquilidade. Será? Muita calma nessa hora. Afinal, Copa é Copa...

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Fotos: Internacional Oficial/ Alexandre Lops e Futura Press/Euclides Jr.

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