quinta-feira, 15 de maio de 2014

Inter: Classificação protocolar, variações e velho impasse

Terceira fase


Conforme era esperado, a partida do Internacional frente ao Cuiabá foi um ‘massacre’ técnico. Se em condições normais, o favoritismo já era todo vermelho e branco, o caminho ficou ainda mais facilitado pelo fato do time do Mato Grosso, pasmem, escalar uma equipe sem cinco titulares visando a disputa da Série C. Tudo bem que a distância futebolística entre ambos é abissal, mas a equipe treinada pelo ex-gremista Luciano Dias pecou e muito pela falta de ambição. A derrota era iminente, lógico, mas o clube esmeraldino poderia ao menos ter “vendido” um pouco mais caro e com mais “dignidade” a derrota. Enfim, o Inter jogou por protocolo e garantiu a passagem para a terceira fase da Copa do Brasil.

Variações

O grande trunfo do time de Abel Braga deu-se pela constante variação de posição entre os meias, o que impõe sérias dificuldades aos marcadores. O primeiro gol, por exemplo, Alex (foto) saiu de uma posição recuada — de segundo volante ao lado de Willians — projetou-se e tabelou com Rafael Moura: Inter 1 a 0. No segundo, Aránguiz trocou de função com Alan Patrick e aberto pelo flanco esquerdo, cruzou perfeitamente para Moura. No terceiro, Aránguiz, centralizado, ‘deu novo merengue’, desta vez para Alex, que nesta altura estava aberto pelo setor canhoto, ocupando a vaga de Patrick, substituído por Jorge Henrique. Aliás, JH entrou em campo trocando sistematicamente de posição com D’Alessandro: hora um atuava aberto pela direita, com o outro aberto pelo flanco direito. Fabrício, de cabeça, após escanteio, marcou o quarto gol. No ‘apagar das luzes’, Alan Popó descontou. Final: Inter 4 a 1.

Velho impasse


Falando nisso, é impressionante como o Internacional sofre gol de quase todos os adversários. Mesmo que troque a dupla de ‘zaga’, desta feita com Ernando e Juan, a sina é a mesma: bola na rede de Dida. O fato, sem dúvidas, ilustra um desequilíbrio defensivo. Se por um lado, os meias do Inter são justamente festejados, por outro, a presença de apenas um volante lega ao time de Abel a tática ‘cobertor curto’. O gol cuiabano, por exemplo, teve origem num ‘balão’ da defesa que pegou os quatro defensores do Inter, amadoramente posicionados em linha. Ygor, que entrara na vaga de Willians, no momento, estava na ponta-esquerda.

Resenha defensiva

Se com apenas um volante de ofício a marcação já é deficitária (Willians ou Ygor), imaginem ‘sem nenhum’. Neste esquema do colorado, é impreterível que o volante guarde mais posição — a maior crítica a Willians, ao longo da temporada, é justamente essa. Do contrário, o Internacional continuará levando muitos gols e a tendência aponta para dificuldades ainda maiores frente a adversários de maior capacidade técnica.

Aprovação


Aposta quase solitária de Abelão no início da temporada, Rafael Moura está dando conta do recado e com sobras. Além dos gols, função primordial do centroavante, o camisa 11 vem notabilizando-se pelas assistências. Contra o Atlético-PR, o passe preciso serviu Alan Patrick. Contra o Cuiabá, Alex foi o beneficiado. Além disso, He-Man tem feito muito bem ‘a parede’, o que é fundamental para o time, sobretudo levando em conta a características da meia-cancha da equipe, marcada pela alta técnica, mas pouca velocidade.

Os protagonistas

O craque D’Alessandro esteve abaixo de suas conhecidas jornadas. Menos mal que pela mecânica de jogo permite que outros atletas liderem as investidas ofensivas do time. Contra o Cuiabá, Alex foi o grande nome individual, pelo trabalho tático (variando como segundo volante e meia) e técnico — coroado pela marcação de dois gols. Único jogador da dupla Gre-Nal convocado para a Copa do Mundo, Charles Aránguiz, foi outro destaque, novamente sendo decisivo. Mesmo sem a movimentação das últimas partidas, o chileno foi autor de duas belíssimas assistências. Pelo jeito, o Inter está criando alternativas para a outrora, preocupante, “D’Aledependência”. O camisa 10 com justiça continua sendo o centro técnico do time, mas é fundamental que outros atletas tenham condições de também decidir. Ganham os colorados. 
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Fotos: Internacional Oficial/Alexandre Lops

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