‘Arenaço’
Com quase 50 mil pessoas
na Arena, os gremistas atenderam o clamor da direção, quebraram o recorde de
público no novíssimo estádio e literalmente fizeram a sua parte. Mesmo que
tenha faltado competência ofensiva ao tricolor, apesar da iniciativa ao longo
de toda a partida, os torcedores novamente deram show de militância. Pena que o
desfecho foi o mesmo dos últimos tempos e os gremistas novamente precisam
amargar mais um fracasso: a eliminação nos pênaltis para o San Lorenzo, em
plena Arena, em fatídica noite de ‘Maracanaço’. O Grêmio é muito maior que os ‘grêmios’
dos últimos treze anos, marcado pela passividade, por ‘atletas sem sangue’ e
por direções ‘politiqueiras’ e incompetentes. Avante, Grêmio. O torcedor merece
mais, infinitamente, mais...
Treze
anos
Os jogadores em campo
e, sobretudo, as direções nas últimas décadas estão muito aquém da real
grandeza do Grêmio e da potência de sua torcida. É inadmissível, por exemplo,
que apesar de toda a ‘cera’ feita pelo goleiro Torrico, no primeiro tempo,
nenhum jogador gremista tenha se resignado com apenas um minuto de descontos indicado
pela arbitragem. Falando na direção, alô Fábio Koff: afinal, onde está o “nome
do cofre?” Enderson Moreira, embora não tenha sido o responsável direito pela
eliminação, não deveria ter permanecido após levar 6 a 2 do maior rival e vir
aos microfones dizer que o “resultado foi normal” — conforme abordamos dias
atrás.
Em
campo
Taticamente, Enderson
Moreira mandou a campo uma das melhores formações possíveis de empregar com o
grupo de jogadores Grêmio — Exceto a insistência com o lateral-direito Pará que
poderia ter sido trocado pelo volante Ramiro. Com apenas dois volantes e três
meias, a equipe foi formatada para o ataque. Entretanto, foi punida pela
jornada fracassada de suas individualidades, sobretudo nos casos de Zé Roberto —
com direito a canelada — e do jovem Luan que, novamente sucumbiu em uma grande
partida. Aliás, já estamos no quinto mês do ano e o jovem atacante segue sendo
promessa. Já passou da hora de afirmar-se. ‘Bola no corpo’ ele tem. O que será
que está faltando então?
Abafa
cedo
Além disso, o Grêmio
desorganizou-se muito cedo. Com ‘apenas’ 25 minutos da segunda etapa a equipe
simplesmente inexistiu taticamente e passou para o “abafa”, usando e abusando
das jogadas aéreas — faltou tranquilidade, fruto de um elenco que vem de maus
resultados e pressionado pela década do clube sem grandes conquistas. Somente
com o ingresso de Rodriguinho — no lugar de um irreconhecível e infelizmente,
decadente Zé Roberto — que a equipe passou a ter força de armação e chegada ao
ataque. Aliás, foi do camisa 27 a jogada para o gol de Dudu, novamente o mais “gremista”
dos jogadores, pela entrega e obstinação, embora tecnicamente estivesse bem
abaixo de suas atuações habituais.
Passaporte
Além disso, a série
de gols desperdiçados foi outro passaporte para a eliminação, seja por
imperícia ou por ‘falta de sorte’— vejamos o lance em que Baffurini salvou o
gol de Barcos sobre a linha. Outros exemplos foram as cobranças de pênaltis
argentinas que bateram na trave e mesmo assim, balançaram as redes de Marcelo
Grohe.
Capitão
em decadência
O centroavante Barcos
fez uma das melhores atuações individuais desde que chegou ao tricolor: reteve
a bola no ataque, fez pivô, teve vitórias individuais sobre os defensores
argentinos, mas desgraçadamente e ironicamente “a bola não entrou”. Para
corroborar seu ‘inferno astral’, o capitão gremista desperdiçou a primeira
cobrança de pênalti, sendo repetido posteriormente por outro ‘castelhano’, Maxi
Rodriguez. Enfim... Barcos, Zé Roberto e, principalmente, Pará, podem ter feito
uma de suas últimas partidas vestindo azul, preto e branco.
Organização
defensiva
Campeão da
Libertadores 2008 pelo equatoriano LDU, o argentino Edgardo Bausa arquitetou o
San Lorenzo em duas linhas de quatro, neutralizando completamente o setor de armação
do Grêmio. Liderado pelo capitão Mercier, que joga muito, o time do Papa, tinha
no contra-ataque a principal virtude ofensiva — ilustrada nas chances de gol
desperdiçadas nos dois tempos, tendo o camisa 15 Villalba, que atua aberto à
direita, como protagonista das dos desperdícios. Na segunda etapa, Bausa errou
feito ao retirar o próprio Villalba e, posteriormente, o atacante Correa,
abdicando assim, do ataque — restando ao jovem Piatti pessoalizar toda a
investida ofensiva. Somadas aos contra-ataques perdidos e a ‘postura covarde’,
o San Lorenzo chamou o Grêmio ainda mais para o seu campo e sofreu o 1 a 0. A
bola pune e o Grêmio foi brindado pela insistência.
Futuro
O momento gremista demanda
renovação. Começando pela troca da comissão técnica e pelo grupo de jogadores
e, posteriormente, pela chegada de novas lideranças na diretoria. Fábio Koff já
deixou seu legado ao tricolor, é bota legado nisso, né? Foi duas vezes campeão da
América e Campeão do Mundo. Mas, para tudo na vida e, principalmente, no
futebol existe um prazo de validade. Fora isso, é imprescindível a chegada de atletas
com qualidade técnica e que sejam capazes, de fato, de “vestirem a camiseta” —
atrelado a melhor aproveitamento dos jogadores da categoria de base. Somente
com estas qualidades, somatizadas e complementares, é possível se forjar times
vencedores. Do contrário, as vitórias e os objetivos serão alcançados somente
com epopeias — vide o gol de Dudu, marcado somente aos 38 minutos da segunda
etapa.
Marca
da cal
O goleiro Marcelo
Grohe, que possui 1,85 cm, é uma das afirmações gremistas da temporada — ao
lado do volante Edinho e do meia/atacante Dudu. Porém, chamou a atenção a infelicidade do camisa 1 na escolha dos cantos na disputa de pênaltis. Considerado
“baixo” em relação a média dos goleiros mundiais, não resta outra alternativa a
não ser ‘sortear o lado’. Grohe, neste sentido, lembra muito o ‘mito’ multicampeão
pelo Grêmio, Danrlei. Se para os arqueiros ‘gigantes’, a tarefa de esperar o
cobrador para lançar-se aos cantos já é árdua, imagina para os ‘baixinhos’.
Infelicidade
Quando mais nada
parecia ser pior na noite gremista, eis que vem a entrevista do presidente
Fábio André Koff. “Enquanto o
Gauchão não sofrer uma reestruturação, vai ser relegado a um plano secundário.
Erramos em dar importância a ele em determinado momento. Foi um equívoco. Me dói
em ser eliminado de uma competição como esta (a Libertadores)", avaliou Koff.
Como assim presidente? O Grêmio deu importância ao Gauchão e mesmo assim levou
6 a 2 do Internacional em dois jogos? Com todo o respeito que merece o maior
dirigente da história do futebol gaúcho — e me perdoem pela aparente petulância
— mas Fábio Koff perdeu a chance de ficar ‘com a boca fechada’. Para tudo na
vida existe um prazo de validade.
---
Fotos: Lance Net, Estadão, Globoesporte e Grêmio Oficial





Nenhum comentário:
Postar um comentário