quinta-feira, 1 de maio de 2014

Grêmio e a triste sina de ‘lamber feridas’. Até quando?

‘Arenaço’


Com quase 50 mil pessoas na Arena, os gremistas atenderam o clamor da direção, quebraram o recorde de público no novíssimo estádio e literalmente fizeram a sua parte. Mesmo que tenha faltado competência ofensiva ao tricolor, apesar da iniciativa ao longo de toda a partida, os torcedores novamente deram show de militância. Pena que o desfecho foi o mesmo dos últimos tempos e os gremistas novamente precisam amargar mais um fracasso: a eliminação nos pênaltis para o San Lorenzo, em plena Arena, em fatídica noite de ‘Maracanaço’. O Grêmio é muito maior que os ‘grêmios’ dos últimos treze anos, marcado pela passividade, por ‘atletas sem sangue’ e por direções ‘politiqueiras’ e incompetentes. Avante, Grêmio. O torcedor merece mais, infinitamente, mais...

Treze anos

Os jogadores em campo e, sobretudo, as direções nas últimas décadas estão muito aquém da real grandeza do Grêmio e da potência de sua torcida. É inadmissível, por exemplo, que apesar de toda a ‘cera’ feita pelo goleiro Torrico, no primeiro tempo, nenhum jogador gremista tenha se resignado com apenas um minuto de descontos indicado pela arbitragem. Falando na direção, alô Fábio Koff: afinal, onde está o “nome do cofre?” Enderson Moreira, embora não tenha sido o responsável direito pela eliminação, não deveria ter permanecido após levar 6 a 2 do maior rival e vir aos microfones dizer que o “resultado foi normal” — conforme abordamos dias atrás.

Em campo

Taticamente, Enderson Moreira mandou a campo uma das melhores formações possíveis de empregar com o grupo de jogadores Grêmio — Exceto a insistência com o lateral-direito Pará que poderia ter sido trocado pelo volante Ramiro. Com apenas dois volantes e três meias, a equipe foi formatada para o ataque. Entretanto, foi punida pela jornada fracassada de suas individualidades, sobretudo nos casos de Zé Roberto — com direito a canelada — e do jovem Luan que, novamente sucumbiu em uma grande partida. Aliás, já estamos no quinto mês do ano e o jovem atacante segue sendo promessa. Já passou da hora de afirmar-se. ‘Bola no corpo’ ele tem. O que será que está faltando então?

Abafa cedo


Além disso, o Grêmio desorganizou-se muito cedo. Com ‘apenas’ 25 minutos da segunda etapa a equipe simplesmente inexistiu taticamente e passou para o “abafa”, usando e abusando das jogadas aéreas — faltou tranquilidade, fruto de um elenco que vem de maus resultados e pressionado pela década do clube sem grandes conquistas. Somente com o ingresso de Rodriguinho — no lugar de um irreconhecível e infelizmente, decadente Zé Roberto — que a equipe passou a ter força de armação e chegada ao ataque. Aliás, foi do camisa 27 a jogada para o gol de Dudu, novamente o mais “gremista” dos jogadores, pela entrega e obstinação, embora tecnicamente estivesse bem abaixo de suas atuações habituais.

Passaporte

Além disso, a série de gols desperdiçados foi outro passaporte para a eliminação, seja por imperícia ou por ‘falta de sorte’— vejamos o lance em que Baffurini salvou o gol de Barcos sobre a linha. Outros exemplos foram as cobranças de pênaltis argentinas que bateram na trave e mesmo assim, balançaram as redes de Marcelo Grohe.

Capitão em decadência

O centroavante Barcos fez uma das melhores atuações individuais desde que chegou ao tricolor: reteve a bola no ataque, fez pivô, teve vitórias individuais sobre os defensores argentinos, mas desgraçadamente e ironicamente “a bola não entrou”. Para corroborar seu ‘inferno astral’, o capitão gremista desperdiçou a primeira cobrança de pênalti, sendo repetido posteriormente por outro ‘castelhano’, Maxi Rodriguez. Enfim... Barcos, Zé Roberto e, principalmente, Pará, podem ter feito uma de suas últimas partidas vestindo azul, preto e branco.

Organização defensiva


Campeão da Libertadores 2008 pelo equatoriano LDU, o argentino Edgardo Bausa arquitetou o San Lorenzo em duas linhas de quatro, neutralizando completamente o setor de armação do Grêmio. Liderado pelo capitão Mercier, que joga muito, o time do Papa, tinha no contra-ataque a principal virtude ofensiva — ilustrada nas chances de gol desperdiçadas nos dois tempos, tendo o camisa 15 Villalba, que atua aberto à direita, como protagonista das dos desperdícios. Na segunda etapa, Bausa errou feito ao retirar o próprio Villalba e, posteriormente, o atacante Correa, abdicando assim, do ataque — restando ao jovem Piatti pessoalizar toda a investida ofensiva. Somadas aos contra-ataques perdidos e a ‘postura covarde’, o San Lorenzo chamou o Grêmio ainda mais para o seu campo e sofreu o 1 a 0. A bola pune e o Grêmio foi brindado pela insistência.

Futuro

O momento gremista demanda renovação. Começando pela troca da comissão técnica e pelo grupo de jogadores e, posteriormente, pela chegada de novas lideranças na diretoria. Fábio Koff já deixou seu legado ao tricolor, é bota legado nisso, né? Foi duas vezes campeão da América e Campeão do Mundo. Mas, para tudo na vida e, principalmente, no futebol existe um prazo de validade. Fora isso, é imprescindível a chegada de atletas com qualidade técnica e que sejam capazes, de fato, de “vestirem a camiseta” — atrelado a melhor aproveitamento dos jogadores da categoria de base. Somente com estas qualidades, somatizadas e complementares, é possível se forjar times vencedores. Do contrário, as vitórias e os objetivos serão alcançados somente com epopeias — vide o gol de Dudu, marcado somente aos 38 minutos da segunda etapa.

Marca da cal


O goleiro Marcelo Grohe, que possui 1,85 cm, é uma das afirmações gremistas da temporada — ao lado do volante Edinho e do meia/atacante Dudu. Porém, chamou a atenção a infelicidade do camisa 1 na escolha dos cantos na disputa de pênaltis. Considerado “baixo” em relação a média dos goleiros mundiais, não resta outra alternativa a não ser ‘sortear o lado’. Grohe, neste sentido, lembra muito o ‘mito’ multicampeão pelo Grêmio, Danrlei. Se para os arqueiros ‘gigantes’, a tarefa de esperar o cobrador para lançar-se aos cantos já é árdua, imagina para os ‘baixinhos’.

Infelicidade



Quando mais nada parecia ser pior na noite gremista, eis que vem a entrevista do presidente Fábio André Koff. “Enquanto o Gauchão não sofrer uma reestruturação, vai ser relegado a um plano secundário. Erramos em dar importância a ele em determinado momento. Foi um equívoco. Me dói em ser eliminado de uma competição como esta (a Libertadores)", avaliou Koff. Como assim presidente? O Grêmio deu importância ao Gauchão e mesmo assim levou 6 a 2 do Internacional em dois jogos? Com todo o respeito que merece o maior dirigente da história do futebol gaúcho — e me perdoem pela aparente petulância — mas Fábio Koff perdeu a chance de ficar ‘com a boca fechada’. Para tudo na vida existe um prazo de validade. 
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Fotos: Lance Net, Estadão, Globoesporte e Grêmio Oficial

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