quarta-feira, 7 de maio de 2014

Convocação de Felipão reflete crise técnica do futebol brasileiro

Dura realidade


Se levarmos em conta, somente os últimos 20 anos, pela primeira vez o Brasil jogará uma Copa do Mundo sem craques ou sem jogadores capazes de decidir individualmente – exceção feita a Neymar Jr., embora o camisa 10 ainda precise passar por uma ‘prova de fogo’ para consolidar-se definitivamente no rol dos top-brasileiros. Diante disso, mais do que nunca, a força da torcida, o fator local, terá que pesar a nosso favor. Do contrário, estaremos fadados, novamente, a repetir o fatídico ‘Maracanaço’ no dia 13 de julho de 2014. Isso se chegarmos a final, logicamente.

Prognóstico

Antes de a bola rolar, Alemanha, Espanha e Argentina, nesta ordem, se credenciam como favoritas a vencer o maior certame de futebol do planeta. Por sua vez, o Brasil, na minha singela visão, ‘corre por fora’ e têm no apoio da torcida e no “fator” Luís Felipe Scolari, as principais esperanças visando o sonhado Hexacampeonato. Bota sonho nisso. Tomara que eu queime a língua!

Cadê?

Ao contrário das Copas de 2010 e, sobretudo, de 2002, desta vez não houve nenhum clamor popular pela convocação de algum atleta. Tudo por que, infelizmente, a safra brasileira é paupérrima em jogadores diferenciados — notadamente, do meio para frente, o que, ironicamente, sempre foram posições abundantes na seleção. Além disso, os craques existentes, como Ronaldinho Gaúcho, por exemplo, se ‘desconvocaram’ ao longo dos últimos quatro anos por atuações ‘fantasmagóricas’ com a camiseta canarinho.

Faltou ousadia

Mesmo reconhecendo a coerência de Felipão, outros atletas deveriam receber nova oportunidade e constar na lista. Falo especificamente de Kaká e Robinho. Mesmo que estejam em momentos longe do brilhantismo do passado recente, a dupla poderia sim, render bem mais que muitos convocados — Felipão, inclusive, destacou que não preocupa a má-fase de alguns convocados, como Oscar, por exemplo, ou seja, o que justificaria a aposta nos jogadores do Milán. Além da questão técnica, os citados legariam experiência e dividiriam a ‘responsabilidade’ com o pupilo Neymar. 

Observações e hipóteses

Ramires e Fernandinho, por exemplo, são atletas que se sobrepõem tática e tecnicamente e não precisariam constar, ambos, na lista. Vamos conjecturar: Se Oscar for suspenso, por exemplo, caberá a William a tarefa de ‘armar’ o selecionado – ou ainda Hernanes, escalado um pouco mais à frente. Eis o porquê Kaká se justificaria. Se a suspensão pegar Neymar então... Vixi!!!! Querendo ou não, Robinho teria ‘bagagem’ para de alguma forma, cumprir a função de Ney10 — sem o mesmo brilho, claro, mas exerceria o papel tático e manteria a velocidade da equipe. Falo em suspensão para não citar as famigeradas lesões, evidentemente. Isola... Toc, toc, toc. 

Surpresa bem-vinda

O zagueiro do Napoli, Henrique, ex-Palmeiras, foi a maior surpresa da convocação. Podendo jogar também de volante – a versatilidade é fundamental tratando-se de Copa do Mundo — gostei da lembrança de Felipão. Porém, os quatro zagueiros chamados não possuem o diferencial de Dedé do Cruzeiro: a bola aérea, beneficiado pelos 1,93 cm do camisa 26. Fica a preocupação, mas gostei da indicação de Henrique.

Camisa 9

Por características, Fred e Jô são mais do mesmo, com vantagem técnica para o primeiro, lógico. Desta feita, Felipão poderia ter ousado com Alexandre Pato, que tem velocidade e pode atuar como segundo atacante — embora o camisa 11 do São Paulo sofra com o mesmo argumento que alijou R10 da Seleção. Mas, não há nenhum absurdo a escolha de Felipão, pelo contrário, ela reflete lógica e, sobretudo, ‘gratidão’ pela participação dos convocados na conquista da Copa das Confederações ano passado. Lastimo, entretanto, que Adriano Imperador e depois, o próprio Pato, tenham jogado no lixo a ‘camisa 9 da seleção’. Do contrário, seria de um deles, no mínimo, a titularidade.

---

Foto: Vip Comm/Marlon Falcão

Nenhum comentário:

Postar um comentário