segunda-feira, 19 de maio de 2014

Marcelo Grohe e ‘pragmatismo’ conduzem Grêmio ao G-4

Vitória cirúrgica


Mesmo atuando em casa, as melhores chances de gol foram do Fluminense; o melhor em campo foi o goleiro do Grêmio, Marcelo Grohe; e a iniciativa, na maior parte do tempo, partiu do tricolor carioca. Entretanto, o Grêmio foi cirúrgico no pragmatismo, marcou 1 a 0 com Rodriguinho — que, novamente foi destaque — e garantiu, assim, a vitória dentro de casa, o que é imprescindível para quem ambiciona “algo grande” no certame nacional. Com o triunfo, o Grêmio saltou para a terceira colocação e hoje é terceiro (com pontuação de vice), com 10 pontos.

Monstro sob as traves

Não tenho dúvidas de que se a Copa do Mundo ocorresse daqui a seis meses, Marcelo Grohe estaria entre os convocados de Luís Felipe Scolari. Não existe nenhum bairrismo nessa colocação, tampouco, exagero. Grohe é inegavelmente, o maior nome gremista na temporada e o melhor goleiro em atuação no futebol nacional. Neste momento, supera inclusive os atuais convocados Jefferson e Victor e está à frente também de outra referência nacional na posição: Fábio, do Cruzeiro. Contra o Fluminense, o camisa 1 fez no mínimo duas grandes defesas, consagrando-o como um goleiro acima da média. Isto é, aquele arqueiro que realiza defesas que a maioria não as realiza — ilustrada na maior defesa da recém-inaugurada Arena, em cabeçada do centroavante da Seleção, Fred. Enfim... só para lembrar: diversas vezes manifestei minhas restrições em relação a Marcelo. Felizmente para os gremistas, o camisa 1 está 'queimando a minha língua a cada rodada'. Que continue assim.

Milagre tem limite

Frente a Chapecoense, Grohe já havia feito belíssimas defesas. Embora a sequência de grandes atuações seja um justo motivo para a celebração dos gremistas, o fato ilustra um desequilíbrio defensivo da equipe – aguçado desde a saída de Rhodolfo, lesionado. Contra o tricolor das Laranjeiras, outra baixa importante no setor: suspenso, Edinho, não atuou. ‘Improvisado’ na primeira função da meia-cancha, Riveros acusou falta de ritmo na função e muitas vezes foi ‘pego fora de lugar’.  O jovem lateral-esquerdo, Breno, também foi outro ponto vulnerável da equipe, mas é compreensivo, o camisa 21 disputou os primeiros 90 minutos como titula  — após a saída de Wendell para o futebol alemão.

Até quando?


Caro treinador Enderson Moreira: até quando vossa excelência insistirá com Alán Ruiz? E o pior, escalando-o fora de função, ou seja, aberto pelo flanco direito? Típico ponta-de-lança, o camisa 11 tem no arremate a sua grande virtude e não dispõe de velocidade, portanto, escalá-lo rente a linha lateral é um desperdício técnico e um erro tático imperdoável. Tudo bem que Rodriguinho “tomou conta” da função centralizada dos três meias – onde Ruiz renderia mais —, mas insistir com o argentino revela uma teimosia e tanto. Dizem que a maior contribuição de Ruiz à equipe foi ter ‘cavado’ a justa expulsão de Fred. Exageros à parte, por que não tentar Maxi Rodriguez? Mesmo longe de empolgar, o camisa 14, sim, é atleta da função e talhado, sobretudo por ter velocidade, para atuar aberto na direita.

O paradoxo da camisa 9

Grande protagonista da vitória contra a Chapecoense, semana passada, Hernán Barcos voltou a ser criticado pelos tricolores gaúchos e com razão. O camisa 9, ao contrário do que se espera de um centroavante-nato, novamente sucumbiu nas horas decisivas da partida — o argentino desperdiçou duas chances claríssimas de “matar o duelo”, quando o Fluzão já estava com um a menos. Por enquanto, Barcos segue convivendo com a desconfortável pecha de ‘artilheiro dos gols fáceis e não decisivos’. Mesmo assim, o atacante é disparado o goleador gremista na temporada com 17 gols em 2014. Como diria o folclórico centroavante Dario Maravilha: “Não existe gol feio, feio é não fazer gol”. Barcos agradece.

Resumo da ópera


Ancorado na atuação de gala de Marcelo Grohe, o Grêmio correu riscos, cedeu muito terreno ao rival, mesmo assim teve méritos coletivos e garantiu a vitória contra um adversário direito às primeiras posições. Entretanto, se a ambição tricolor gaúcha for o título, é imprescindível que a equipe jogue mais, bem mais. Pragmatismo ganha jogos, claro, mas não é o suficiente para garantir o “caneco”, sobretudo em torneios de pontos corridos, como é o brasileirão.

Na sequência

No próximo post, confira os destaques do empate sem gols de Criciúma e Internacional, em Santa Catarina.
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Foto: Luciano Leon / Futura Press / Agência Estado, Globoesporte e Esportes IG

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