Vitória
cirúrgica
Mesmo atuando em
casa, as melhores chances de gol foram do Fluminense; o melhor em campo foi o
goleiro do Grêmio, Marcelo Grohe; e a iniciativa, na maior parte do tempo,
partiu do tricolor carioca. Entretanto, o Grêmio foi cirúrgico no pragmatismo,
marcou 1 a 0 com Rodriguinho — que, novamente foi destaque — e garantiu, assim,
a vitória dentro de casa, o que é imprescindível para quem ambiciona “algo
grande” no certame nacional. Com o triunfo, o Grêmio saltou para a terceira
colocação e hoje é terceiro (com pontuação de vice), com 10 pontos.
Monstro
sob as traves
Não tenho dúvidas de
que se a Copa do Mundo ocorresse daqui a seis meses, Marcelo Grohe estaria
entre os convocados de Luís Felipe Scolari. Não existe nenhum bairrismo nessa
colocação, tampouco, exagero. Grohe é inegavelmente, o maior nome gremista na
temporada e o melhor goleiro em atuação no futebol nacional. Neste momento,
supera inclusive os atuais convocados Jefferson e Victor e está à frente também
de outra referência nacional na posição: Fábio, do Cruzeiro. Contra o
Fluminense, o camisa 1 fez no mínimo duas grandes defesas, consagrando-o como
um goleiro acima da média. Isto é, aquele arqueiro que realiza defesas que a maioria
não as realiza — ilustrada na maior defesa da recém-inaugurada Arena, em
cabeçada do centroavante da Seleção, Fred. Enfim... só para lembrar: diversas
vezes manifestei minhas restrições em relação a Marcelo. Felizmente para os
gremistas, o camisa 1 está 'queimando a minha língua a cada rodada'. Que
continue assim.
Milagre
tem limite
Frente a Chapecoense,
Grohe já havia feito belíssimas defesas. Embora a sequência de grandes atuações
seja um justo motivo para a celebração dos gremistas, o fato ilustra um
desequilíbrio defensivo da equipe – aguçado desde a saída de Rhodolfo,
lesionado. Contra o tricolor das Laranjeiras, outra baixa importante no setor:
suspenso, Edinho, não atuou. ‘Improvisado’ na primeira função da meia-cancha,
Riveros acusou falta de ritmo na função e muitas vezes foi ‘pego fora de lugar’. O jovem lateral-esquerdo, Breno, também foi
outro ponto vulnerável da equipe, mas é compreensivo, o camisa 21 disputou os
primeiros 90 minutos como titula — após
a saída de Wendell para o futebol alemão.
Até
quando?
Caro treinador
Enderson Moreira: até quando vossa excelência insistirá com Alán Ruiz? E o
pior, escalando-o fora de função, ou seja, aberto pelo flanco direito? Típico
ponta-de-lança, o camisa 11 tem no arremate a sua grande virtude e não dispõe
de velocidade, portanto, escalá-lo rente a linha lateral é um desperdício
técnico e um erro tático imperdoável. Tudo bem que Rodriguinho “tomou conta” da
função centralizada dos três meias – onde Ruiz renderia mais —, mas insistir
com o argentino revela uma teimosia e tanto. Dizem que a maior contribuição de
Ruiz à equipe foi ter ‘cavado’ a justa expulsão de Fred. Exageros à parte, por
que não tentar Maxi Rodriguez? Mesmo longe de empolgar, o camisa 14, sim, é
atleta da função e talhado, sobretudo por ter velocidade, para atuar aberto na
direita.
O
paradoxo da camisa 9
Grande protagonista
da vitória contra a Chapecoense, semana passada, Hernán Barcos voltou a ser
criticado pelos tricolores gaúchos e com razão. O camisa 9, ao contrário do que
se espera de um centroavante-nato, novamente sucumbiu nas horas decisivas da
partida — o argentino desperdiçou duas chances claríssimas de “matar o duelo”,
quando o Fluzão já estava com um a menos. Por enquanto, Barcos segue convivendo
com a desconfortável pecha de ‘artilheiro dos gols fáceis e não decisivos’.
Mesmo assim, o atacante é disparado o goleador gremista na temporada com 17
gols em 2014. Como diria o folclórico centroavante Dario Maravilha: “Não existe
gol feio, feio é não fazer gol”. Barcos agradece.
Resumo
da ópera
Ancorado na atuação
de gala de Marcelo Grohe, o Grêmio correu riscos, cedeu muito terreno ao rival,
mesmo assim teve méritos coletivos e garantiu a vitória contra um adversário
direito às primeiras posições. Entretanto, se a ambição tricolor gaúcha for o
título, é imprescindível que a equipe jogue mais, bem mais. Pragmatismo ganha
jogos, claro, mas não é o suficiente para garantir o “caneco”, sobretudo em
torneios de pontos corridos, como é o brasileirão.
Na
sequência
No próximo post,
confira os destaques do empate sem gols de Criciúma e Internacional, em Santa
Catarina.
---
Foto:
Luciano Leon / Futura Press / Agência Estado, Globoesporte e Esportes IG



Nenhum comentário:
Postar um comentário