terça-feira, 20 de maio de 2014

Com os velhos problemas, Inter ‘tropeça’, mas segue na liderança

Repetição



Se nas vitórias já são flagrantes algumas fragilidades do Internacional, elas se tornam ainda mais visíveis quando o resultado não é o esperado pelos ‘vermelhos’, como ocorrido no empate sem gols diante do Criciúma. Com um jogador a mais durante todo o segundo tempo, o time de Abel Braga teve mais de 70% de posse de bole, mas não soube traduzir a superioridade territorial em chances de gol. Pecou novamente pela ausência de ‘poder de fogo’ e velocidade, este último, problema crônico da temporada, o que torna o setor de armação e criatividade fácil de ser neutralizado. Mesmo com o empate, o Inter manteve-se na liderança isolada do brasileirão 2014, com 11 pontos.

Solução mágica

Mesmo que tenha sido contratado para atuar como primeiro volante, Abelão escalou o estreante Wellington, ex-São Paulo, mais à frente, especificamente na linha de meias, pela direita, na função que comumente é ocupada por Charles Aránguiz. Erro rotundo. Sem o chileno, que está a serviço da seleção do Chile que disputará a Copa do Mundo, o treinador poderia ter testado a formação clamada por parte da opinião pública: isto é, com dois volantes (Wellignton e Willians) — o que legaria mais liberdade a Alex, D’Alessandro e Alan Patrick. Abelão não quis. Com a opção equivocada, Alex seguiu como segundo volante — na maior parte das ações — enquanto Wellington, embora esforçado, tentava fazer aquilo que não sabe: armar e apoiar o ataque.

Desperdício


Pelo jeito, o treinador colorado rechaça completamente a ideia de atuar com dois homens de marcação no meio. Discordo, mas respeito — conforme escrevemos diversas vezes neste espaço, futebol requer equilíbrio. Entretanto, levando-se em conta a filosofia do comandante, a melhor opção para suprir, ao menos taticamente a ausência de Aránguiz, seria Jorge Henrique. Jamais Wellington. Com JH, o Inter manteria o apoio pelo setor direito, sem perder na recomposição defensiva, uma vez que o camisa 23 se notabiliza pelo trabalho tático que desempenha desde a época do Corinthians. Falando nisso, desde que chegou ao colorado, Jorge Henrique pouquíssimas vezes foi escalado na função em que rende mais e que conquistou “quase tudo” no clube paulista: aberto no setor direito. Se for escalado na vaga de Aránguiz, de alguma forma ou de outra, JH estará no seu habitat natural. Embora tenha mais responsabilidades defensivas, claro.

‘Faceirice’ aguda

Durante grande parte do segundo tempo, o esquema do Inter, que já é ofensivo, ganhou ainda mais ares de ‘faceirice’ — desta feita, porém, justificada pelo contexto. Com os ingressos de Otávio, Valdívia e Wellington Paulista, o Inter passou a atuar no 4-1-3-2. Porém, Otávio insistiu muito pela faixa central do gramado, quando se previa, por suas características, que atuasse pelos flancos, sobretudo o esquerdo. Não foi o que ocorreu. Valdívia, por sua vez, obrigou Galatto a uma grande defesa no final do jogo, mas teve poucos minutos para tentar algo além. Outra: Wellington Paulista ao lado de Rafael Moura realmente é uma opção meramente emergencial e justificada somente para o “tudo ou nada”. O fato novamente ilustra outra debilidade do Inter: a falta de opções de qualidade para o setor ofensivo, notadamente, a função de segundo atacante.

Perguntar não ofende

Falando nisso: alguém tem notícias do jovem Aylon? Embora atue mais centralizado, como camisa 9, ele poderia ao menos servir de opção para o ataque colorado, não acham? Rafael Moura e Wellington Paulista se assemelham em características. Aylon, porém, tem mais técnica e velocidade. Poderia e deveria receber mais oportunidades. Por essas e outras, Carlos Luque, jogador do argentino Colón, deve ser anunciado nos próximos dias. Com ele, o ataque do Inter voltará a ter um expediente imprescindível a todo e qualquer equipe, a velocidade.


Craque deslocado



Novamente D’Alessandro esteve abaixo de suas atuações de destaque. Atuando mais à esquerda que o normal, o argentino ‘perde campo de ação’, uma vez que não dispõe de velocidade e, portanto, não busca a linha de fundo pela esquerda — mesmo atuando prioritariamente com a perna canhota. Sendo assim, o camisa 10 precisa necessariamente voltar a joga à direita, onde inegavelmente é diferenciado. Ou então, precisa migrar para a função de meia centralizado. Embora a alternância de posição seja salutar, D’Ale na esquerda está sendo subaproveitado e facilmente neutralizado. 


Bendita tabela


Com o empate, o Inter manteve-se na liderança do campeonato de maneira isolada, com 11 pontos, muito em conta da “tabela pra lá de generosa” neste início de campeonato. O que já era bom (leia-se a liderança) poderia ser ainda melhor se o Internacional não tivesse perdido quatro pontos “fáceis”: dois contra o Botafogo, no Rio de Janeiro, quando cedeu o empate após abrir 2 a 0 e por último, diante do Tigre catarinense. Agora, o jeito é correr atrás do “prejuízo”, por mais contraditório que pareça, levando-se em conta que os ‘colorados’ já estão na liderança. No entanto, não esqueçamos do nome deste espaço, né? Viva o Futebol Além do Resultado - Página que possuímos no Facebook. 
---
Fotos: Internacional Oficial/Alexandre Lops

Nenhum comentário:

Postar um comentário