Se nas vitórias já são
flagrantes algumas fragilidades do Internacional, elas se tornam ainda mais
visíveis quando o resultado não é o esperado pelos ‘vermelhos’, como ocorrido no
empate sem gols diante do Criciúma. Com um jogador a mais durante todo o segundo
tempo, o time de Abel Braga teve mais de 70% de posse de bole, mas não soube
traduzir a superioridade territorial em chances de gol. Pecou novamente pela
ausência de ‘poder de fogo’ e velocidade, este último, problema crônico da
temporada, o que torna o setor de armação e criatividade fácil de ser
neutralizado. Mesmo com o empate, o Inter manteve-se na liderança isolada do
brasileirão 2014, com 11 pontos.
Solução
mágica
Mesmo que tenha sido
contratado para atuar como primeiro volante, Abelão escalou o estreante
Wellington, ex-São Paulo, mais à frente, especificamente na linha de meias,
pela direita, na função que comumente é ocupada por Charles Aránguiz. Erro
rotundo. Sem o chileno, que está a serviço da seleção do Chile que disputará a
Copa do Mundo, o treinador poderia ter testado a formação clamada por parte da
opinião pública: isto é, com dois volantes (Wellignton e Willians) — o que
legaria mais liberdade a Alex, D’Alessandro e Alan Patrick. Abelão não quis. Com
a opção equivocada, Alex seguiu como segundo volante — na maior parte das ações
— enquanto Wellington, embora esforçado, tentava fazer aquilo que não sabe:
armar e apoiar o ataque.
Desperdício
Pelo jeito, o treinador
colorado rechaça completamente a ideia de atuar com dois homens de marcação no
meio. Discordo, mas respeito — conforme escrevemos diversas vezes neste espaço,
futebol requer equilíbrio. Entretanto, levando-se em conta a filosofia do
comandante, a melhor opção para suprir, ao menos taticamente a ausência de
Aránguiz, seria Jorge Henrique. Jamais Wellington. Com JH, o Inter manteria o
apoio pelo setor direito, sem perder na recomposição defensiva, uma vez que o
camisa 23 se notabiliza pelo trabalho tático que desempenha desde a época do
Corinthians. Falando nisso, desde que chegou ao colorado, Jorge Henrique
pouquíssimas vezes foi escalado na função em que rende mais e que conquistou
“quase tudo” no clube paulista: aberto no setor direito. Se for escalado na
vaga de Aránguiz, de alguma forma ou de outra, JH estará no seu habitat
natural. Embora tenha mais responsabilidades defensivas, claro.
‘Faceirice’
aguda
Durante grande parte
do segundo tempo, o esquema do Inter, que já é ofensivo, ganhou ainda mais ares
de ‘faceirice’ — desta feita, porém, justificada pelo contexto. Com os
ingressos de Otávio, Valdívia e Wellington Paulista, o Inter passou a atuar no
4-1-3-2. Porém, Otávio insistiu muito pela faixa central do gramado, quando se
previa, por suas características, que atuasse pelos flancos, sobretudo o
esquerdo. Não foi o que ocorreu. Valdívia, por sua vez, obrigou Galatto a uma grande
defesa no final do jogo, mas teve poucos minutos para tentar algo além. Outra:
Wellington Paulista ao lado de Rafael Moura realmente é uma opção meramente
emergencial e justificada somente para o “tudo ou nada”. O fato novamente
ilustra outra debilidade do Inter: a falta de opções de qualidade para o setor
ofensivo, notadamente, a função de segundo atacante.
Perguntar
não ofende
Falando nisso: alguém
tem notícias do jovem Aylon? Embora atue mais centralizado, como camisa 9, ele
poderia ao menos servir de opção para o ataque colorado, não acham? Rafael
Moura e Wellington Paulista se assemelham em características. Aylon, porém, tem
mais técnica e velocidade. Poderia e deveria receber mais oportunidades. Por
essas e outras, Carlos Luque, jogador do argentino Colón, deve ser anunciado
nos próximos dias. Com ele, o ataque do Inter voltará a ter um expediente
imprescindível a todo e qualquer equipe, a velocidade.
Craque
deslocado
Novamente
D’Alessandro esteve abaixo de suas atuações de destaque. Atuando mais à
esquerda que o normal, o argentino ‘perde campo de ação’, uma vez que não
dispõe de velocidade e, portanto, não busca a linha de fundo pela esquerda — mesmo
atuando prioritariamente com a perna canhota. Sendo assim, o camisa 10 precisa
necessariamente voltar a joga à direita, onde inegavelmente é diferenciado. Ou
então, precisa migrar para a função de meia centralizado. Embora a alternância
de posição seja salutar, D’Ale na esquerda está sendo subaproveitado e
facilmente neutralizado.
Bendita tabela
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Fotos: Internacional Oficial/Alexandre Lops




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