segunda-feira, 12 de maio de 2014

Na liderança, Internacional se repete nas virtudes e fragilidades

Isolado no topo


Na virada frente ao Atlético-PR no último sábado, no Beira-Rio, o Internacional computou 15 jogos de invencibilidade na temporada e alcançou a liderança, com 10 pontos, do recém iniciado Brasileirão 2014 — beneficiado pelos tropeços de Corinthians e Cruzeiro, seus principais concorrentes na largada do certame. Dentro de campo, o time de Abel Braga voltou a empolgar por suas virtudes, porém, voltou a colocar em risco os três pontos, reiterando suas principais debilidades. Abaixo:

Nata nacional

O que joga a meia-cancha ofensiva do Internacional não está o gibi. O quarteto Aránguiz, D’Alessandro, Alex e Alan Patrick, garantem ao colorado um domínio técnico de jogo impressionante — ilustrado pela posse de bola esmagadora, sobretudo nas partidas realizadas em casa. És a maior virtude do Inter de Abelão, em 2014. D’Ale e Alan Patrick (foto) — após ‘merengue’ de Rafael Moura, marcaram os gols alvirrubros. Patrick, aliás, até a marcação do golaço, repetia suas últimas jornadas apagadíssimas, crescendo apenas após o gol. Por isso, aponta-lo como ‘craque do jogo’, conforme fizera a maioria dos veículos de comunicação, acho uma demasia. Ninguém jogou mais que Willians na noite de sábado (veja mais abaixo).

Burocracia

No entanto, nenhum dos atletas citados possui a velocidade como característica, o que deixa a equipe por vezes burocrática e fácil de ser neutralizada, sobretudo quando a troca de passes é pouco objetiva e não visa o gol rival. Para legar à equipe maior poder de fogo é fundamental que Abel Braga conte com um atleta que legue rapidez na transição meio-ataque: Otávio, que entrou na segunda etapa, pode ser a opção. Martin Luque, do argentino Colón, deve ser anunciado ainda nesta semana. Com um ‘velocista’ entre os 11, o que já está bom, poder-se-á  ficar ainda melhor.

Honra ao mérito


Cobertura da lateral-direita, da lateral-esquerda, dos zagueiros quando sobem e combate frenética à frente da área. As características são todas de apenas um homem: Willians. O que jogou o camisa 8 no sábado foi assombroso. Mesmo sozinho nas tarefas de contenção, o volante de ‘meias caídas’, sem a bola, atua alinhado na linha defensiva, deixando o Internacional na formação 5-4-1. Isso mesmo: Willians, quando o colorado não detém a posse de bola, atua alinhado a Gilberto, Paulão (Ernando), Juan e Fabrício. Não é à toa que o camisa 8 foi apontado, por Abelão, no início da temporada, como o atleta em que ele não ‘abre mão de jeito maneira’. Está justificado.

Cobertor curto

Embora o quarteto ofensivo seja a principal ‘arma’ do Inter, preocupa a vulnerabilidade da equipe, sobretudo, quando o time sofre o contra-golpe. No sábado, não poucas vezes, os zagueiros ficaram no mano-a-mano contra os atacantes do Furacão e por pouco as redes de Dida não foram balançadas. O gol do Atlético-PR, porém, foi fruto de um erro individual de Ernando e não teve relação alguma com a disposição tática.

Até quando?

No entanto, se houvesse mais um homem de marcação ao lado de Willians, o colorado talvez não corresse tantos riscos. Méritos de Abel, que está contrariando a lógica do ‘equilíbrio’ e está liderando o campeonato. Porém, é preciso que o ousado esquema seja testado contra adversários de maior envergadura técnica. Por enquanto, o Inter enfrentou apenas o Grêmio e novamente, Abelão logrou êxito.

Mutação tática


Sem a bola, o Inter atua no 5-4-1. Com ela, a equipe migra para o 4-1-4-1, variando para o 4-2-3-1, tendo Alex como segundo volante e Aránguiz como meia — a mesma estratégia empregada no segundo tempo do Gre-Nal 400 na Arena. Em que pese meu ‘pé atrás’ com o desequilíbrio da meia-cancha, o Inter está jogando um futebol que há tempos os colorados não tinham o prazer de acompanhar. Embora estejamos ainda no início do campeonato e qualquer previsão que se faça ainda seja precipitada, os méritos de Abel Braga, por enquanto, são inegáveis.

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Foto: Félix Zucco/Agência RBS e Vinícius Costa/Internacional Oficial

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