Três pontos
Embora tenha iniciado
a partida acuado, tendo o goleiro Marcelo Grohe como melhor em campo, aos
poucos, o Grêmio fez valer sua maior capacidade técnica e venceu a Chapeconse,
em Santa Catarina, por 2 a 1, no domingo. Embora a atuação esteja longe de
empolgar, os três pontos foram fundamentais para devolver o ‘mínimo’ de
tranquilidade ao cotidiano gremista — que vive um verdadeiro calvário desde a
eliminação na Libertadores — e, sobretudo, para colocar os tricolores perto dos
líderes e consolida-lo como postulante ao título, embora o certame esteja
apenas iniciando. Detalhes abaixo.
Redenção
Hernán Barcos, vilão
de ‘ontem’, marcou os dois gols da vitória, demonstrando presença de área e
oportunismo típicos de um camisa 9. Mais do que isso, a partida no estado
vizinho, trouxe ao ‘Pirata’ o lado inverso da moeda, se compararmos com suas
últimas jornadas: Mesmo jogando mal contra os catarinenses, Barcos fez sua
função primordial com sobras, ou seja, “bola na rede!” Em tempo: contra o San
Lorenzo, na Arena, no passado recente, por exemplo, o argentino teve uma de
suas melhores atuações individuais desde que chegou a Porto Alegre, mas
sucumbiu na hora decisiva. Em Chapecó, Barcos foi centroavante na essência.
Cerebral
Embora vista a camisa
27, Rodriguinho foi um legítimo camisa 10, isto é, centro técnico e termômetro
da equipe. Com altíssimo índice de acerto de passes, boa dinâmica e
aproveitamento satisfatório na bola parada — algo que o tricolor não possuía
desde a saída de Elano, hoje no Flamengo —, o meia credenciou-se a continuar
como titular absoluto, atuando centralizado na linha de três meias. Embora a
amostragem ainda seja pequena, o atleta reeditou um pouco do grande futebol que
fez com que o Corinthians o contratasse junto ao América-MG. Só deixará a
equipe se Enderson Moreira for ‘maluco’ ou se quiser ser demitido.
Equívoco
repetido
Apesar de ter
acertado no ingresso de Rodriguinho na equipe, Enderson segue pecando pela
insistência com Alán Ruiz. Pior: o comandante teima em escalar o camisa 11 fora
de função, ou seja, aberto na ponta-direita. Típico ponta-de-lança o argentino
renderá apenas se atuar centralizado, já que não dispõe de velocidade e tem no
arremate a sua maior virtude. Após o ‘gelo’ merecido em Luan, devido a suas atuações
sofríveis, a tendência é que o camisa 26 retome a titularidade muito em breve.
Desta feita, o tricolor terá “cada um no seu quadrado”. Leia-se Luan pelo
flanco direito; Dudu no lado oposto e Rodriguinho ao centro. É apenas uma
questão de tempo.
Miolo
em pauta
Desde que foi
guindado à função de segundo volante (mesmo papel que desempenha na seleção
paraguaia), Riveros não consegue repetir as jornadas do início do ano. Ao
contrário do que se imaginava — inclusive defendido neste espaço — o camisa 16
não consegue apoiar o setor de criação, tampouco, tem êxito na marcação, nas
roubadas de bola. Seu companheiro, Edinho, contra a Chapecoense, lembrou o
início instável de sua carreira, principalmente por ‘usar e abusar’ da força —
inclusive deveria ter sido expulso. A atuação da dupla, abaixo da média,
contribuiu para que o time da casa tivesse claras chances na segunda etapa.
Afirmação
Sem dúvidas, Marcelo
Grohe é um dos melhores goleiros brasileiros da atualidade. Calando os críticos
— como o dono deste espaço — o camisa 1 novamente foi o grande nome gremista na
partida. Uma lástima que tenha falhado no gol da Chapecoense. Do contrário,
teria tido uma partida irreparável: vide as duas saídas perfeitas, por baixo,
na primeira etapa, e a ‘defesaça’ após cabeceio catarinense, no segundo tempo. Para
coroar a jornada, quando estava vencido, a trave o salvou, consagrando a máxima
de que ‘goleiro bom também é sortudo’. Falando na falha, aliás, o
lateral-esquerdo Wendell, que despediu-se do clube e jogará no Bayer
Leverkussen, ‘furou’ bisonhamente no lance que originou o gol do ‘Chapecó’.
Craque
suplente
Durante a pressão normal
feita pela Chapecoense no final do jogo, o meia Zé Roberto notabilizou-se como
a principal figura gremista pela retenção de bola e desaceleração da partida, atuado
assim, mais recuado que o habitual — relembrando sua jornada na Copa do Mundo de
2006. Mesmo jogando parcos minutos — ao entrar na vaga de Dudu — o camisa 10
demonstrou, sim, que ainda pode ser muito útil ao grupo gremista. Pena que
devido a idade avançada, talvez, não consiga mais atuar em alto nível como
titular. Mesmo assim, novamente Zé demonstrou sua importância e ascendência
técnica. Joga demais... Aliás, sempre jogou.
Foto:
Bernardo Bercht / Correio do Povo, Rádio Gaúcha



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