segunda-feira, 12 de maio de 2014

Grêmio: Vitória com a marca do centroavante paradoxal

Três pontos


Embora tenha iniciado a partida acuado, tendo o goleiro Marcelo Grohe como melhor em campo, aos poucos, o Grêmio fez valer sua maior capacidade técnica e venceu a Chapeconse, em Santa Catarina, por 2 a 1, no domingo. Embora a atuação esteja longe de empolgar, os três pontos foram fundamentais para devolver o ‘mínimo’ de tranquilidade ao cotidiano gremista — que vive um verdadeiro calvário desde a eliminação na Libertadores — e, sobretudo, para colocar os tricolores perto dos líderes e consolida-lo como postulante ao título, embora o certame esteja apenas iniciando. Detalhes abaixo.

Redenção

Hernán Barcos, vilão de ‘ontem’, marcou os dois gols da vitória, demonstrando presença de área e oportunismo típicos de um camisa 9. Mais do que isso, a partida no estado vizinho, trouxe ao ‘Pirata’ o lado inverso da moeda, se compararmos com suas últimas jornadas: Mesmo jogando mal contra os catarinenses, Barcos fez sua função primordial com sobras, ou seja, “bola na rede!” Em tempo: contra o San Lorenzo, na Arena, no passado recente, por exemplo, o argentino teve uma de suas melhores atuações individuais desde que chegou a Porto Alegre, mas sucumbiu na hora decisiva. Em Chapecó, Barcos foi centroavante na essência.

Cerebral


Embora vista a camisa 27, Rodriguinho foi um legítimo camisa 10, isto é, centro técnico e termômetro da equipe. Com altíssimo índice de acerto de passes, boa dinâmica e aproveitamento satisfatório na bola parada — algo que o tricolor não possuía desde a saída de Elano, hoje no Flamengo —, o meia credenciou-se a continuar como titular absoluto, atuando centralizado na linha de três meias. Embora a amostragem ainda seja pequena, o atleta reeditou um pouco do grande futebol que fez com que o Corinthians o contratasse junto ao América-MG. Só deixará a equipe se Enderson Moreira for ‘maluco’ ou se quiser ser demitido.

Equívoco repetido

Apesar de ter acertado no ingresso de Rodriguinho na equipe, Enderson segue pecando pela insistência com Alán Ruiz. Pior: o comandante teima em escalar o camisa 11 fora de função, ou seja, aberto na ponta-direita. Típico ponta-de-lança o argentino renderá apenas se atuar centralizado, já que não dispõe de velocidade e tem no arremate a sua maior virtude. Após o ‘gelo’ merecido em Luan, devido a suas atuações sofríveis, a tendência é que o camisa 26 retome a titularidade muito em breve. Desta feita, o tricolor terá “cada um no seu quadrado”. Leia-se Luan pelo flanco direito; Dudu no lado oposto e Rodriguinho ao centro. É apenas uma questão de tempo.

Miolo em pauta

Desde que foi guindado à função de segundo volante (mesmo papel que desempenha na seleção paraguaia), Riveros não consegue repetir as jornadas do início do ano. Ao contrário do que se imaginava — inclusive defendido neste espaço — o camisa 16 não consegue apoiar o setor de criação, tampouco, tem êxito na marcação, nas roubadas de bola. Seu companheiro, Edinho, contra a Chapecoense, lembrou o início instável de sua carreira, principalmente por ‘usar e abusar’ da força — inclusive deveria ter sido expulso. A atuação da dupla, abaixo da média, contribuiu para que o time da casa tivesse claras chances na segunda etapa.

Afirmação

Sem dúvidas, Marcelo Grohe é um dos melhores goleiros brasileiros da atualidade. Calando os críticos — como o dono deste espaço — o camisa 1 novamente foi o grande nome gremista na partida. Uma lástima que tenha falhado no gol da Chapecoense. Do contrário, teria tido uma partida irreparável: vide as duas saídas perfeitas, por baixo, na primeira etapa, e a ‘defesaça’ após cabeceio catarinense, no segundo tempo. Para coroar a jornada, quando estava vencido, a trave o salvou, consagrando a máxima de que ‘goleiro bom também é sortudo’. Falando na falha, aliás, o lateral-esquerdo Wendell, que despediu-se do clube e jogará no Bayer Leverkussen, ‘furou’ bisonhamente no lance que originou o gol do ‘Chapecó’.

Craque suplente


Durante a pressão normal feita pela Chapecoense no final do jogo, o meia Zé Roberto notabilizou-se como a principal figura gremista pela retenção de bola e desaceleração da partida, atuado assim, mais recuado que o habitual —  relembrando sua jornada na Copa do Mundo de 2006. Mesmo jogando parcos minutos — ao entrar na vaga de Dudu — o camisa 10 demonstrou, sim, que ainda pode ser muito útil ao grupo gremista. Pena que devido a idade avançada, talvez, não consiga mais atuar em alto nível como titular. Mesmo assim, novamente Zé demonstrou sua importância e ascendência técnica. Joga demais... Aliás, sempre jogou.


Foto: Bernardo Bercht / Correio do Povo, Rádio Gaúcha

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