Favoritismo
“Gre-Nal é clássico
e, portanto, não existe favorito”. Discordo amigavelmente. Nem que seja em
caráter singelo, sempre uma equipe chega em vantagem — TEÓRICA — em relação a
outra para a disputa. Desta vez, o favoritismo, mesmo que seja mínimo, é do Grêmio,
não apenas para o Gre-Nal 400 como também para a conquista do título. E
justifico...
Cancha
e equilíbrio
Por estar disputando
a Libertadores, o tricolor encontra-se mais tarimbado para enfrentar grandes adversários,
o que ainda não ocorreu com o Internacional na temporada — exceto o
primeiro Gre-Nal, em fevereiro, embora as duas equipes ainda estivessem recém
iniciando os trabalhos. Mas principalmente, porque a equipe de Enderson Moreira (d) é infinitamente mais
equilibrada que a de Abel Braga.
Além da consistência defensiva, garantida pela presença dos três homens de
marcação, o Grêmio também tem mais alternativas ofensivas, sobretudo através de
Dudu e Luan, com extrema velocidade.
Versatilidade
Além disso, o
tricolor dispõe da versatilidade de Riveros que atua hora como meia, hora como
volante, dependendo da exigência do momento. Futebol se começa a ganhar ou
perder é pelo meio-campo. E neste ponto, o Grêmio entra no clássico com
superioridade.
Mudança
Para igualar o
cenário, seria imperioso que Abel Braga promovesse ao menos uma mudança na
equipe: o ingresso do volante Ygor, por exemplo, é a possibilidade que me
parece mais adequada — Mas também poderia ser o ingresso de Ernando e a migração
para o sistema 3-5-2. Com Ygor e Willians, o Inter teria proteção à frente dos
zagueiros e legaria ao time mais liberdade para Aránguiz, D’Alessandro e Alex
criarem e chegarem à frente. Neste sentido, Alex atuaria na vaga de Jorge
Henrique, que até agora não disse a que veio.
Diferencial
Pelo lado do
Internacional, o grande diferencial chama-se D’Alessandro. O camisa 10 será o
único craque em campo no Gre-Nal 400 e certamente, é capaz de decidir o
confronto em uma jogada solo, seja com um chute de fora da área, um drible
desconcertante ou uma assistência precisa. O jovem Luan, embora todo o
potencial, ainda é um ‘projeto de craque’. Poderá até consolidar-se inclusive a
partir do Gre-Nal, numa hipotética atuação de luxo, mas por enquanto, não possui
a estatura técnica de D’Ale. Ainda, reitero. Além de ambos, os centroavantes
Barcos e Rafael Moura (ou Wellington Paulista) também são potenciais candidatos
a heróis do duelo pelo simples critério da ‘centroavância’, isso é, posição
talhada para decidir.
Grêmio
francês
Pela ‘liga’ tática da equipe, Enderson deverá
repetir a mesma formatação das últimas jornadas com Edinho, Ramiro e Riveros
numa primeira linha, com Luan e Dudu mais à frente e Barcos no comando de
ataque — formação idêntica a utilizada pela seleção francesa. Eis os pitacos
gremistas deste colunista.
Internacional
Inglês
Dentro da tática
proposta, com mais um homem de marcação entre os titulares, Abelão poderia
mandar a campo uma equipe em duas linhas de quatro (4-4-2), tendo Aránguiz e
Alex abertos e Willians e Ygor mais ao centro. Sendo assim, D’Alessandro
atuaria à frente dos quatro, com mais liberdade para armar e encostar no
centroavante. Na peça defensiva, seria um esboço do esquema típico do futebol
inglês. Entretanto, com a posse de bola, Aránguiz e Alex se somariam a D’Ale na
armação, formando a linha de três meias atrás do centroavante, em 4-2-3-1. Eis
os pitacos colorados deste colunista.
Outras
possibilidades
O ingresso de Alán
Ruiz no time e a saída de um dos volantes para deixar o Grêmio mais ofensivo.
Nesse sentido, o tricolor atuaria no 4-2-3-1, com Ruiz centralizado. No lado do
Inter, o meia-atacante Otávio, embora esteja voltando de lesão, é uma bela
alternativa de ataque e velocidade, independente da formatação tática — embora
o 4-2-3-1 fosse o mais indicado. Entretanto, são possibilidades que embora
possam ser “surpresas dos treinadores” para o início da partida, são mais
indicadas para ocorreram ao longo do confronto, principalmente no segundo
tempo.
Numerologia
Em matéria de finalíssima
do Gauchão, a obviedade veste azul e vermelho. Até hoje, a dupla decidiu o
estadual 35 vezes, com pequeníssima vantagem gremista: 18 títulos, contra 17
dos colorados. No próximo domingo, ocorrerá o clássico de número 400 da
história. E na “numerologia”, a supremacia geral também é do Grêmio, que venceu
os clássicos de número 100, no ano de 1948, empatou o de número 200, em 1971 e
venceu nos pênaltis, o de número 300, em 1989. Quando a comparação são os
clássicos na historia, o Internacional leva vantagem com 149 triunfos, contra
125 do tricolor e 125 empates.
Fotos: Esportes UOL/Bol*, Goal.com, Esporte IG e Google Imagens
*Vinícius
Costa/Agência Preview & Lucas Uebel/Divulgação Grêmio




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