quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O desfecho do Brasileirão 2013


Vice-campeão



O que já era motivo de celebração para os gremistas, a vaga na Libertadores 2014, ganhou um sabor ainda mais especial: o tricolor gaúcho participará da fase de grupos da maior competição do Continente. Com um empate sem gols com a Portuguesa, em São Paulo, na última rodada, no domingo, o time de Renato garantiu o vice-campeonato, com 65 pontos, o que possibilitará mais tempo de férias, maior período para a pré-temporada, além de legar ao clube 6 milhões de reais de prêmio da CBF. Mesmo longe de jogar um futebol brilhante, o Grêmio logrou êxito por sua disciplina, pragmatismo e, sobretudo, regularidade. Agora, tudo é Libertadores da América. Boa sorte aos gremistas!

Ciclo encerrado

Por mais contraditório que pareça, acredito que Renato tenha cumprido seu objetivo na segunda passagem pela casamata do tricolor. Embora aparente um ato de “ingratidão”, uma vez que os resultados são incontestáveis, o comandante pecou muito pela intransigência e teimosia, sobretudo no aspecto tático — quando demorou muito a revogar o outrora exitoso esquema com três zagueiros e três volantes. Felizmente, para o bem dos gremistas, o maior ídolo da história do clube mudou a convicção e promoveu os ingressos de Vargas e Zé Roberto entre os titulares a tempo de confirmar a classificação à ‘Copa’. Entretanto, pela produção em campo (mesmo que tenha ‘tirado do grupo mais do que ele poderia render’) e pela necessidade de “reciclar a folha salarial”, às vezes é aconselhável mudar. Mesmo em time que está ganhando. 

Fórmula

Quem assistiu ao duelo entre Grêmio e Portuguesa, livre de qualquer paixão clubística, pode, com razão, contestar se o empate não fora obra de um acordo extracampo. Talvez não oficialmente, mas certamente as equipes foram a campo com o “freio de mão” puxado, uma vez que a igualdade bastaria a ambos para atingirem seus objetivos no final do certame. Nem gaúchos, nem paulistas têm culpa. O vilão do hipotético ‘jogo de compadres’, mesmo que tenha ocorrido de maneira velada, é a chatíssima fórmula do brasileirão. Embora aponte o melhor, com justiça, a forma de disputa é enfadonha, nega a tradição do futebol nacional e permite ‘desconfianças’ como a explicitada acima.

Vergonha


Nas bastasse a campanha pífia ao longo do segundo turno, o time do Internacional reservou mais uma “grande surpresa” ao seu torcedor na derradeira partida do brasileirão: conseguiu a ‘proeza’ de empatar com o time “C” da rebaixada Ponte Preta, — que nesta quarta-feira decide título da Copa Sul-Americana contra o Lanús, na Argentina. Com o empate em zero a zero, em Caxias do Sul, os colorados terminam o campeonato na vexatória 15ª posição, com míseros 48 pontos. De bom, ‘apenas’ a permanência na elite do futebol em 2014 — embora seja obrigação. Ah... falando nisso, os “vermelhos” não conseguiram sequer uma ‘vaguinha’ na Copa Sul-americana. Felizmente, para os “vermelhos”, 2013 já acabou.

Mutação

Abel Braga deverá ser o técnico do Inter no próximo ano. Todavia, a principal mutação precisa atingir outro setor fundamental do clube, o departamento de futebol. Nesse sentido, os “homens da área”, Luís César Souto de Moura e Marcelo Medeiros, deixaram seus cargos. Aliás, as despedidas revelam o maior serviço que a dupla prestou ao Internacional. Além deles, é imperiosa uma renovação no grupo de jogadores. Atletas do time “come e dorme”, como Rafael Moura, deverão deixar o colorado. Antes tarde do que nunca...

Legítimo campeão


Com quase dois titulares por posição, com nível técnico similar, o Cruzeiro é o legítimo campeão Brasileiro de 2013. Éverton Ribeiro, craque da Raposa, levou ainda a premiação como melhor atleta do certame. Além disso, o goleiro Fábio, a dupla de zaga composta por Dedé, ex-Vasco e Bruno Rodrigo, ex-Santos, além do volante Nilton, foram outros protagonistas da campanha irrepreensível do time de Marcelo Oliveira.

Seleção 


Os melhores do campeonato brasileiro, para esse singelo colunista, são: Fábio (Cruzeiro); Léo (Atlético-PR), Dedé (Cruzeiro), Rhodolfo (Grêmio) e Juan (Vitória); Nilton (Cruzeiro), Elias (Flamengo), Cícero (Santos) e Éverton Ribeiro (Cruzeiro) - eleito, justamente, o craque do certame; Walter (Goiás) e Hernane (Flamengo). Técnico: Ney Franco. Viram? Ao contrário de outros anos, poucos nomes foram do “tipo incontestáveis" — mesmo nas eleições tradicionais realizada ao final de cada temporada. A propósito, o brasileirão 2013 foi um dos piores, tecnicamente, dos últimos tempos. Tomara que no próximo, em 2014, a “bola seja menos maltratada”.

Rebaixamento

Além de Náutico e Ponte Preta, rebaixados há tempos, os gigantes cariocas Vasco e Fluminense também integrarão o álbum de figurinhas da Segundona em 2014. No caso do Vasco, o descenso decorre muito em conta da precaridade do grupo de jogadores — evidenciada em seus goleiros quase “amadores”. Pelo lado do tricolor carioca, a ‘queda’ é digno de estudo psicanalítico. Afinal, o Fluzão foi campeão brasileiro ano passado e, embora tenha perdido valores após a Libertadores deste ano — como Thiago neves e Wellington Nem —, tem, no papel, um dos grupos de jogadores para no mínimo, não ser rebaixado. A utilização de um atleta irregular pela Portuguesa, contra o Grêmio, porém, poderá livrar o Fluminense da ‘degola’. É o que sonham os tricolores do Rio.

Fotos: Futura Press, Bol fotos, Folha de S. Paulo

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