segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Especial: O Mundo é vermelho e branco

Sete anos


Quando o ídolo maior do elenco, Fernandão, saiu extenuado, com cãibras, nem o mais otimista torcedor colorado poderia imaginar que seu suplente, Adriano Gabiru, pudesse colocar os alvirrubros, àquela noite de branco, no seleto grupo de “donos do Mundo”. Porém, como em futebol a única certeza é o imponderável, foi justamente dele, do outrora criticado camisa 16, que saiu o gol que garantiu ao dia 17 de dezembro, uma data eterna aos vermelhos. Parabéns a nação colorada por sua maior efeméride. Abaixo, algumas considerações sobre uma das maiores conquistas do futebol gaúcho e a manhã (horário de Brasília) mais gloriosa do centenário Sport Club Internacional.

Caminho

Liderados pelo técnico Abel Braga, o Internacional chegou a Yokohama após vencer a Libertadores sobre o São Paulo, Campeão da América e do Mundo, em 2005. Sem Rafael Sóbis, Jorge Wagner, Tinga e Bolívar, que deixaram o colorado após a conquista da América, a equipe foi reformulada, com ênfase no ataque, e bateu ninguém menos que o Barcelona, que na época, já era considerado o suprassumo do futebol mundial, tendo como destaque simplesmente o melhor do mundo: Ronaldinho Gaúcho. Enquanto os ‘vermelhos’ suaram muito para bater o Al-Alhy do Egito, na semifinal do torneio, com dois gols dos prata-da-casa Alexandre Pato e Luiz Adriano —  que meses antes foram os protagonistas da conquista do Brasileirão Sub-20 do Inter — o Barça aplicou sonora goleada de 4 a 0 no América do México, deixando os catalães ainda mais favoritos ao certame. Felizmente para os colorados e para a história do Internacional, novamente o “impossível não passou de teoria”.

Meio e Ataque


Com um meio-campo em losango e extremamente ofensivo, Abel escalou Edinho, na primeira função, Wellington Monteiro na direita, Alex na esquerda e Fernandão à frente, fechando o quarteto. No ataque Iarley, sem dúvidas, o craque da partida, e o prodígio Alexandre Pato, 17 anos. Na segunda etapa, ingressou o meia-volante colombiano Fabián Vargas, ex-Boca Júnior, na vaga de Alex, o que garantiu um pouco mais de robustez defensiva ao setor. No comando de ataque, o outro jovem Luiz Adriano entrou na vaga do cansado Pato. Além disso, Adriano Gabiru saiu do banco para entrar na história — com o perdão do clichê justificado.

Defesa

No gol Clemer, que foi fundamental para a conquista da Libertadores e autor de uma das defesas mais bonitas de sua carreira na final contra o Barça em chute de Deco. Na lateral-direita Ceará, que ouviu bem o recado de Abelão na véspera do confronto: “Você vai marcar o melhor do mundo (Ronaldinho) e amanhã poderá ser o melhor lateral-direito do mundo”, profetizou o treinador. Foi o que ocorreu, ao menos em 2006. Na esquerda jogou Rubens Cardoso, substituindo o lesionado peruano Martin Hidalgo. A dupla defensiva foi composta por Índio e Fabiano Eller, atrelando as características consideradas ideais para o sucesso do setor: força de um e técnica de outro, respectivamente.

Comando

Vice-campeão brasileiro pelo próprio Internacional, em 1988, Abel Braga chegou ao Inter após a saída de Muricy Ramalho, que obteve o mesmo desempenho no campeonato em 2005, porém, com a escandalosa remarcação de jogos, após Edison Pereira de Carvalho ter ‘roubado a torto e direito’. Convivendo com a ‘pecha’ de eterno VICE, Abelão precisou superar as desconfianças inclusive de parte da torcida, que acabaram dissipadas na Libertadores ganha num Beira-Rio lotado contra o São Paulo do próprio Muricy. Nesta semana, Abel reassumiu o comandando da equipe pela sexta vez. Voltando a 2006, no vestiário, Fernando Carvalho na presidência e Vitório Píffero como vice de futebol. O líder da preparação física era Paulo Paixão. Definitivamente, o Inter não ganhou o mundo por acaso.

Craque do jogo


Contra o Barcelona, o baixinho Pedro Iarley justificou o número de sua camiseta. Com velocidade, vitória pessoal, além de janelinha no ‘zagueiraço’ Puyol e passe certeiro para o gol de Gabiru, o camisa 10 foi o principal nome individual dos colorados de branco na fria noite de Yokohama. Após o gol e a eminente pressão dos catalães, coube a ele segurar a bola na linha de fundo, sofrer faltas e garantir a inédita conquista a sala de troféus do Internacional. O prêmio de melhor jogador do mundial ficou para o meia Deco, então do Barça, mas na prática, a distinção foi do cearense mais gaúcho da história do Inter.

Ídolo

Embora o gol tenha sido marcado por Adriano Gabiru, sem dúvidas o nome que melhor representa a conquista foi o do camisa 9 Fernandão. Um dos goleadores do time na Libertadores, o capitão notabilizou-se por sua ascendência técnica e, sobretudo, por sua inegável liderança junto ao grupo. Durante a estada em Yokohama, em uma das reuniões entre a comissão técnica e o grupo de jogadores, Fernandão interveio: “Abel, precisamos bloquear a saída de bola do Barcelona. Deixa que vou para o sacrifício e marcarei o Thiago Motta”, disse. Está explicado as câimbras do ídolo colorado. Logo ele, sempre protagonista com gols e assistências, teve destaque por seu trabalho tático. Eis mais um capítulo de uma noite atípica.

Temporalidade 



Para àqueles que viveram epidermicamente a geração Falcão & Cia — que ganhou três campeonatos brasileiros na década de 70, o último deles inclusive de maneira invicta, em 1979 —, o feito histórico de Abel, Fernandão, Iarley, Clemer & Cia teve gosto de ‘catarse’, uma vez que a geração de ouro não venceu nenhuma competição internacional. Para os mais jovens, que não puderam vibrar com o timaço da década de 70, eis um encontro e tanto do Inter com seu verdadeiro tamanho, agora, em dose interplanetária. Aliás, ver seu time, in loco, conquistar o Mundo é uma dádiva de poucos. Parabéns novamente a nação colorada pelos sete anos da conquista do Planeta Bola.

Fotos: S.C. Internacional Oficial

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