Sete
anos
Quando o ídolo maior
do elenco, Fernandão, saiu extenuado, com cãibras, nem o mais otimista
torcedor colorado poderia imaginar que seu suplente, Adriano Gabiru, pudesse
colocar os alvirrubros, àquela noite de branco, no seleto grupo de “donos do
Mundo”. Porém, como em futebol a única certeza é o imponderável, foi justamente
dele, do outrora criticado camisa 16, que saiu o gol que garantiu ao dia 17 de
dezembro, uma data eterna aos vermelhos. Parabéns a nação colorada por sua maior efeméride. Abaixo,
algumas considerações sobre uma das maiores
conquistas do futebol gaúcho e a manhã (horário de Brasília) mais gloriosa do
centenário Sport Club Internacional.
Caminho
Liderados
pelo técnico Abel Braga, o Internacional chegou a Yokohama após vencer a
Libertadores sobre o São Paulo, Campeão da América e do Mundo, em 2005. Sem
Rafael Sóbis, Jorge Wagner, Tinga e Bolívar, que deixaram o colorado após a
conquista da América, a equipe foi reformulada, com ênfase no ataque, e bateu
ninguém menos que o Barcelona, que na época, já era considerado o suprassumo do
futebol mundial, tendo como destaque simplesmente o melhor do mundo: Ronaldinho
Gaúcho. Enquanto os ‘vermelhos’ suaram muito para bater o Al-Alhy do Egito, na
semifinal do torneio, com dois gols dos prata-da-casa Alexandre Pato e Luiz
Adriano — que meses antes foram os
protagonistas da conquista do Brasileirão Sub-20 do Inter — o Barça aplicou
sonora goleada de 4 a 0 no América do México, deixando os catalães ainda mais
favoritos ao certame. Felizmente para os colorados e para a história do
Internacional, novamente o “impossível não passou de teoria”.
Meio e Ataque
Com
um meio-campo em losango e extremamente ofensivo, Abel escalou Edinho, na
primeira função, Wellington Monteiro na direita, Alex na esquerda e Fernandão à
frente, fechando o quarteto. No ataque Iarley, sem dúvidas, o craque da
partida, e o prodígio Alexandre Pato, 17 anos. Na segunda etapa, ingressou o
meia-volante colombiano Fabián Vargas, ex-Boca Júnior, na vaga de Alex, o que
garantiu um pouco mais de robustez defensiva ao setor. No comando de ataque, o
outro jovem Luiz Adriano entrou na vaga do cansado Pato. Além disso, Adriano
Gabiru saiu do banco para entrar na história — com o perdão do clichê
justificado.
Defesa
No
gol Clemer, que foi fundamental para a conquista da Libertadores e autor de uma
das defesas mais bonitas de sua carreira na final contra o Barça em chute de
Deco. Na lateral-direita Ceará, que ouviu bem o recado de Abelão na véspera do
confronto: “Você vai marcar o melhor do mundo (Ronaldinho) e amanhã poderá ser
o melhor lateral-direito do mundo”, profetizou o treinador. Foi o que ocorreu,
ao menos em 2006. Na esquerda jogou Rubens Cardoso, substituindo o lesionado
peruano Martin Hidalgo. A dupla defensiva foi composta por Índio e Fabiano
Eller, atrelando as características consideradas ideais para o sucesso do
setor: força de um e técnica de outro, respectivamente.
Comando
Vice-campeão
brasileiro pelo próprio Internacional, em 1988, Abel Braga chegou ao Inter após
a saída de Muricy Ramalho, que obteve o mesmo desempenho no campeonato em 2005,
porém, com a escandalosa remarcação de jogos, após Edison Pereira de Carvalho
ter ‘roubado a torto e direito’. Convivendo com a ‘pecha’ de eterno VICE,
Abelão precisou superar as desconfianças inclusive de parte da torcida, que
acabaram dissipadas na Libertadores ganha num Beira-Rio lotado contra o São
Paulo do próprio Muricy. Nesta semana, Abel reassumiu o comandando da equipe
pela sexta vez. Voltando a 2006, no vestiário, Fernando Carvalho na presidência
e Vitório Píffero como vice de futebol. O líder da preparação física era Paulo
Paixão. Definitivamente, o Inter não ganhou o mundo por acaso.
Craque do jogo
Contra
o Barcelona, o baixinho Pedro Iarley justificou o número de sua camiseta. Com
velocidade, vitória pessoal, além de janelinha no ‘zagueiraço’ Puyol e passe
certeiro para o gol de Gabiru, o camisa 10 foi o principal nome individual dos
colorados de branco na fria noite de Yokohama. Após o gol e a eminente pressão
dos catalães, coube a ele segurar a bola na linha de fundo, sofrer faltas e
garantir a inédita conquista a sala de troféus do Internacional. O prêmio de
melhor jogador do mundial ficou para o meia Deco, então do Barça, mas na
prática, a distinção foi do cearense mais gaúcho da história do Inter.
Ídolo
Embora
o gol tenha sido marcado por Adriano Gabiru, sem dúvidas o nome que melhor
representa a conquista foi o do camisa 9 Fernandão. Um dos goleadores do time
na Libertadores, o capitão notabilizou-se por sua ascendência técnica e,
sobretudo, por sua inegável liderança junto ao grupo. Durante a estada em
Yokohama, em uma das reuniões entre a comissão técnica e o grupo de jogadores,
Fernandão interveio: “Abel, precisamos bloquear a saída de bola do Barcelona.
Deixa que vou para o sacrifício e marcarei o Thiago Motta”, disse. Está
explicado as câimbras do ídolo colorado. Logo ele, sempre protagonista com gols
e assistências, teve destaque por seu trabalho tático. Eis mais um capítulo de
uma noite atípica.
Temporalidade
Para
àqueles que viveram epidermicamente a geração Falcão & Cia — que ganhou
três campeonatos brasileiros na década de 70, o último deles inclusive de
maneira invicta, em 1979 —, o feito histórico de Abel, Fernandão, Iarley,
Clemer & Cia teve gosto de ‘catarse’, uma vez que a geração de ouro não venceu nenhuma competição internacional. Para os mais jovens, que não puderam
vibrar com o timaço da década de 70, eis um encontro e tanto do Inter com seu
verdadeiro tamanho, agora, em dose interplanetária. Aliás, ver seu time, in
loco, conquistar o Mundo é uma dádiva de poucos. Parabéns novamente a nação colorada
pelos sete anos da conquista do Planeta Bola.
Fotos: S.C. Internacional Oficial




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