Cartilha
Nada de colocar a culpa no gramado, nas dimensões do campo ou no calendário Maia. O Internacional fez a sua parte e seguiu à risca a cartilha das grandes equipes: jogou, venceu a melhor equipe do torneio até então, goleou e assegurou vaga a finalíssima do Campeonato Gaúcho – isso se não vencer também o returno. Muito mais do que os cinco gols (Damião 2x, Gabriel, D’Alessandro e Rafael Moura) e o retorno das boas atuações de Leandro Damião, a atuação denota um padrão tático consistente, que permite a solidez defensiva e o destaque das individualidades. Méritos a Dunga e taça em boas mãos, sem dúvidas.
Disciplina
Com disciplina
militar, Dunga cobra que a equipe faça dos treinos jogo e dos jogos, final de
Copa do Mundo. O comportamento reflete diretamente no crescimento da equipe,
com destaque para a aplicação dos atletas – exemplo foi o capitão D’Alessandro
que mesmo com os 4 a 0 no placar, estava na lateral direita assessorando Gabriel
na marcação. “A equipe teve humildade de marcar e não deixar o São Luiz jogar”,
enalteceu o comandante após a vitória. Mais do que ninguém ele sabe que após
favoritismo e qualidade técnica não ganham jogo. Futebol é muito mais, a
começar pela transpiração.
Laboratório
O Internacional
acerta em cheio ao utilizar o Gauchão como laboratório para a temporada. Nada
de euforia ou ilusão pela vitória. A direção e a comissão técnica sabem que as
exigências daqui para frente serão muito maiores, mas o início do ano é
promissor, sobretudo se compararmos com o Internacional do ano passado.
Solidez
A tão falada “solidez
defensiva” é sonho de qualquer treinador. O termo não é sinônimo de “retranca”,
mas, sim, denota uma equipe que corre poucos riscos, marca com aplicação e
ajuda a promover outro conceito adorado pelos comandantes: o equilíbrio –
defender e atacar com a mesma eficiência. No time de Dunga, um jogador em
especial tem grande responsabilidade para o sucesso inicial do padrão tático: o
volante Ygor. Atuando bem à frente dos zagueiros e, por vezes, entre Moledo e
Juan, o gaúcho de Santana do Livramento é peça chave para o sucesso inicial do
time de Dunga...
Modelos
Nos últimos anos,
três equipes de notoriedade utilizaram o mesmo padrão defensivo do Internacional.
A seleção tetracampeã de 94, por exemplo, tinha na figura de Mauro Silva –
companheiro de Dunga na marcação – um volante bem recuado e por vezes,
zagueiro. O mesmo ocorreu no pentacampeonato como Edmílson – embora este com
movimento oposto – partia da função de zagueiro para a de volante. O último
modelo foi a própria seleção de Dunga na Copa de 2010 com a figura de Gilberto
Silva, ex-Grêmio. Falando no assunto, não será surpresa se Felipão testar o
beque do Chelsea, David Luiz, na mesma função. Aposto e aguardo!
Afinação
O posicionamento de
Ygor colabora e muito com o crescimento técnico e o entrosamento de Rodrigo
Moledo (esq.) e Juan. Aliás, a dupla reúne uma “dobradinha” por muitos, tida como
perfeita do ponto de vista das características. Enquanto o primeiro tem o vigor
e a imposição física como principais atributos, Juan é técnico, experiência e
joga no “atalho”. Além disso, a solidez permite, inclusive, o crescimento do
volante Josimar. Outrora contestável, hoje o camisa 27 já é admitido como no
mínimo, uma boa peça de reposição para o setor. São as virtudes do padrão
defensivo.
Ataque
e expectativa
Reduzindo as chances
de ser derrotado, o passo seguinte é buscar a vitória. È isso que tem feito o
time de Dunga. Com supremacia técnica – incomparável aos demais adversários até
agora enfrentados, inclusive o Grêmio misto – o time tem conseguido se impor
naturalmente, principalmente pela qualidade dos atacantes. Embora as virtudes
sejam inegáveis, “muita calma nessa hora!”. O time de Dunga, ainda não teve
nenhum “batismo de fogo”. Quem sabe um Gre-Nal de titulares no segundo turno?
Torcemos e aguardemos.
Goleador
Goleador dos últimos
dois gauchões, Leandro Damião foi a grande figura da conquista. Autor de dois
gols e participando ativamente de outros dois – inclusive com assistência para
o de D’Alessandro – o centroavante mostrou a velha capacidade que o tornou
assíduo na seleção brasileira. Movimentando-se mais do que nos últimos
confrontos, o camisa 9 chegou aos cinco gols e está um atrás do companheiro Forlán,
discretíssimo na final. Se o futebol de Damião voltou, só o tempo dirá. Uma
“coisa” de cada vez. Por enquanto, os colorados celebram a volta dos gols de
seu “matador”.
Reposição
Mais do que um time
competitivo é preciso ter grupo. Paralelo as boa atuações, a direção trabalha
para qualificar o elenco - um meia capaz de substituir D’Ale é o desafio da hora.
Em contrapartida, dois suplentes mostraram suas credenciais contra o São Luiz.
O atacante Caio fez boa assistência para o belíssimo gol de Rafael Moura. Mesmo
assim, ainda gostaria de ver Cassiano melhor aproveitado.
Libertadores
Em busca da terceira vitória
seguida na maior competição do Continente, o Grêmio enfrenta o Caracas, às
21h30 – horário de Brasília – desta terça-feira, no Equador. Embalado pelo
excelente momento da equipe, Luxemburgo tem em Barcos e Zé Roberto as grandes
esperanças para mais uma jornada luxuosa rumo ao Tricampeonato. Boa sorte aos
tricolores!
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Fotos: Alexandre Lops (S.C. Internacional), Globoesporte e Esportes Uol





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