terça-feira, 22 de abril de 2014

Luto e gangorra Gre-Nal marcam o início do Brasileirão

Fortuna estrangeira



D’Alessandro e Aránguiz garantem ao Internacional, sem exageros, o melhor setor direito do futebol brasileiro. A dobradinha de luxo pode ser conferida novamente no trunfo de 1 a 0 contra o Vitória, na estreia colorada no último sábado (19/04), no remodelado Beira-Rio — exemplo o golaço marcado pelo chileno de cobertura, após bela assistência do capitão camisa 10, logo aos cinco minutos de partida.

Sinal de alerta

Depois disso, muitas chances foram criadas, mas a trave, o goleiro Wilson e o ‘desperdício’ impediram que o placar fosse ampliado. Na segunda etapa, porém, a equipe ‘relaxou’, cedeu espaços e quase comprometeu os primeiros três pontos rumo ao sonhado Tetracampeonato nacional. Abel Braga, com razão, ‘puxou a orelha’ da boleirada pela etapa final insossa dos colorados. Fez bem. Brasileirão é uma Copa do Mundo a cada jogo — com o perdão do clichê.

Fênix

A exemplo da final do Gauchão, Alex Raphael novamente foi o destaque individual do Inter. Colocando em prática a sua velha virtude, o chute de médio-longa distância, o camisa 12 só não deixou o seu por milímetros e tem crescido muito de produção com a sequência de jogos. Contra os baianos, Alex atuou como legítimo meia centralizado no 4-2-3-1 e parece ter superado o excesso de lesões e o déficit físico, oriundo de sua passagem pelo futebol árabe — embora tenha deixado a partida mais cedo acusando dores musculares. O Alex de 2014 é um acréscimo e tanto ao Inter, se comparado com o jogador da temporada última.

Rotina incômoda


Mesmo atuando com o time principal, a invencibilidade do Grêmio no Brasileirão 2014 durou míseros 90 minutos. Novamente em jornada apática, o time contou com o retorno de Zé Roberto, após longo período de lesão, mas acusou as ausências de Marcelo Grohe, Wendell e Rhodolfo, lesionados. Enfrentando um Atlético-PR com média de idade de 23 anos e com apenas a dupla de ataque Marcelo e Ederson, do time que fez excelente campanha no passado, o Grêmio levou o gol na jogada mais óbvia possível: a bola parada. O desafio agora é remobilizar o grupo para a primeira partida das oitavas-de-final da Libertadores, na próxima quarta-feira, contra o San Lorenzo, na Argentina. Para tanto, a comissão técnica deveria ter sido trocada, o que certamente, seria um ‘fator’ novo e serviria de combustível para o ainda possível, mas cada vez mais distante sonho do Tri da América.

Validade

Embora seja promissor, Enderson Moreira ainda está muito aquém da grandeza e, sobretudo, das exigências do Grêmio. O comandante parece ser incapaz de criar alternativas dentro do grupo e peca muito pelos erros no aspecto tático — vide a escalação de Zé Roberto aberto pela direita, tal qual a postura equivocada de Alán Ruiz nas últimas partidas. O diferencial foi o brilhantismo e a dinâmica do camisa 10 que se movimentou por todos os lados do setor de armação. Desta feita, Enderson já deu diversas provas de que ‘está com o prazo de validade vencido’ à frente do comando técnico do time.  O camisa 7 Dudu, que joga cada dia mais, novamente foi a exceção de um time que nem de longe corresponde ao real tamanho do Grêmio.

Melhor gol da TV


Era desta forma que o jornalista Milton Neves, com total justiça, chamava o narrador Luciano do Valle, falecido precocemente, aos 66 anos, no último sábado. Mais do que uma voz marcante e de uma trajetória empreendedora dentro esporte nacional, o narrador da Bandeirantes era de fato, essencialmente, um JORNALISTA ESPORTIVO. Entre as proezas de sua carreira, esteve a popularização do voleibol no país do futebol, o que garantiu a ele a justa alcunha de Luciano do Vôlei. Além disso, era profundo conhecedor das demais modalidades esportivas, desde o futebol, passando pelo basquetebol, pelo futebol americano e culminando, pasmem, na sinuca — o que ajuda a pontuar a sua excelência e versatilidade profissional.

Legado jornalístico

Luciano do Valle deixa como legado não somente a sua inconfundível voz, mas, sobretudo, o exemplo de um JORNALISTA ‘da gema’, trabalhador de todos os finais de semana e que jamais se contentou com o cômodo “lugar comum do jornalismo futebolístico”. Luciano sabia como poucos que jornalista não é ‘estrela’, tampouco sujeito da notícia. Fez como poucos a tarefa de relatar com emoção e isenção, sem jamais colocar-se à frente dos reais protagonistas do esporte, os atletas. Deixou saudades! 

Fotos: Internacional Oficial/ Alexandre Lops; Bandeirantes/Divulgação e Grêmio Oficial/arquivo

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