D’Alessandro e
Aránguiz garantem ao Internacional, sem exageros, o melhor setor direito do
futebol brasileiro. A dobradinha de luxo pode ser conferida novamente no trunfo
de 1 a 0 contra o Vitória, na estreia colorada no último sábado (19/04), no
remodelado Beira-Rio — exemplo o golaço marcado pelo chileno de cobertura, após
bela assistência do capitão camisa 10, logo aos cinco minutos de partida.
Sinal
de alerta
Depois disso, muitas
chances foram criadas, mas a trave, o goleiro Wilson e o ‘desperdício’ impediram
que o placar fosse ampliado. Na segunda etapa, porém, a equipe ‘relaxou’, cedeu
espaços e quase comprometeu os primeiros três pontos rumo ao sonhado
Tetracampeonato nacional. Abel Braga, com razão, ‘puxou a orelha’ da boleirada
pela etapa final insossa dos colorados. Fez bem. Brasileirão é uma Copa do
Mundo a cada jogo — com o perdão do clichê.
Fênix
A exemplo da final do
Gauchão, Alex Raphael novamente foi o destaque individual do Inter. Colocando
em prática a sua velha virtude, o chute de médio-longa distância, o camisa 12
só não deixou o seu por milímetros e tem crescido muito de produção com a
sequência de jogos. Contra os baianos, Alex atuou como legítimo meia
centralizado no 4-2-3-1 e parece ter superado o excesso de lesões e o déficit
físico, oriundo de sua passagem pelo futebol árabe — embora tenha deixado a
partida mais cedo acusando dores musculares. O Alex de 2014 é um acréscimo e
tanto ao Inter, se comparado com o jogador da temporada última.
Rotina
incômoda
Mesmo atuando com o
time principal, a invencibilidade do Grêmio no Brasileirão 2014 durou míseros
90 minutos. Novamente em jornada apática, o time contou com o retorno de Zé
Roberto, após longo período de lesão, mas acusou as ausências de Marcelo Grohe,
Wendell e Rhodolfo, lesionados. Enfrentando um Atlético-PR com média de idade
de 23 anos e com apenas a dupla de ataque Marcelo e Ederson, do time que fez
excelente campanha no passado, o Grêmio levou o gol na jogada mais óbvia
possível: a bola parada. O desafio agora é remobilizar o grupo para a primeira
partida das oitavas-de-final da Libertadores, na próxima quarta-feira, contra o
San Lorenzo, na Argentina. Para tanto, a comissão técnica deveria ter sido
trocada, o que certamente, seria um ‘fator’ novo e serviria de combustível para
o ainda possível, mas cada vez mais distante sonho do Tri da América.
Validade
Embora seja
promissor, Enderson Moreira ainda está muito aquém da grandeza e, sobretudo,
das exigências do Grêmio. O comandante parece ser incapaz de criar alternativas
dentro do grupo e peca muito pelos erros no aspecto tático — vide a escalação
de Zé Roberto aberto pela direita, tal qual a postura equivocada de Alán Ruiz
nas últimas partidas. O diferencial foi o brilhantismo e a dinâmica do camisa
10 que se movimentou por todos os lados do setor de armação. Desta feita,
Enderson já deu diversas provas de que ‘está com o prazo de validade vencido’ à
frente do comando técnico do time. O
camisa 7 Dudu, que joga cada dia mais, novamente foi a exceção de um time que
nem de longe corresponde ao real tamanho do Grêmio.
Melhor
gol da TV
Era desta forma que o
jornalista Milton Neves, com total justiça, chamava o narrador Luciano do
Valle, falecido precocemente, aos 66 anos, no último sábado. Mais do que uma
voz marcante e de uma trajetória empreendedora dentro esporte nacional, o
narrador da Bandeirantes era de fato, essencialmente, um JORNALISTA ESPORTIVO.
Entre as proezas de sua carreira, esteve a popularização do voleibol no país do
futebol, o que garantiu a ele a justa alcunha de Luciano do Vôlei. Além disso,
era profundo conhecedor das demais modalidades esportivas, desde o futebol, passando
pelo basquetebol, pelo futebol americano e culminando, pasmem, na sinuca — o
que ajuda a pontuar a sua excelência e versatilidade profissional.
Legado
jornalístico
Luciano do Valle
deixa como legado não somente a sua inconfundível voz, mas, sobretudo, o
exemplo de um JORNALISTA ‘da gema’, trabalhador de todos os finais de semana e
que jamais se contentou com o cômodo “lugar comum do jornalismo futebolístico”.
Luciano sabia como poucos que jornalista não é ‘estrela’, tampouco sujeito da
notícia. Fez como poucos a tarefa de relatar com emoção e isenção, sem jamais
colocar-se à frente dos reais protagonistas do esporte, os atletas. Deixou
saudades!
Fotos: Internacional Oficial/ Alexandre Lops; Bandeirantes/Divulgação e Grêmio Oficial/arquivo



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