Merengue
com chocolate
É preciso que se faça
um reconhecimento ao virtual Campeão da Champions League 2014: o Real Madrid.
Jogando na Alemanha, os ‘merengues’ não tomaram conhecimento do atual campeão
europeu e do mundo, o Bayern de Munique, e aplicaram sonoro ‘chocolate’ de 4 a 0
— surpreendentes 5 a 0 no placar no agregado. Liderados pelo melhor do mundo
Cristiano Ronaldo (CR7), autor de dois gols, os espanhóis aguardam o vencedor
de Chelsea e Atlético de Madrid para saber o adversário no próximo dia 24 de
maio, na finalíssima, em Lisboa, capital portuguesa. Contra os bávaros, CR7 alcançou
a marca extraordinária de 16 gols no certame, batendo o recorde em uma única
edição do torneio. Méritos ao comandante italiano Carlo Anchelotti,
infinitamente superior ao ‘marqueteiro-retranqueiro’ José Mourinho,
ex-treinador do Madrid. Na minha ótica, claro.
Temor
justificado
No dia 29 de maio de
2013 — quando da conquista da Champions pelo Bayer e frente a iminente chegada
de Pep Guardiola (abaixo), que já estava contratado e substituiria Jupp Heyneckes
— manifestei um temor: “Espero que Guardiola não promova a “Barcelonização” do Bayer
(...) que prioriza a posse de bola através da troca sistemática de passes, em
detrimento da objetividade”, escrevi naquela oportunidade. Infelizmente, para
os admiradores daquele Bayern, como eu, Guardiola conseguiu, sim, a proeza de “burocratizar”
ou outrora melhor time do mundo que era arquitetado e vocacionado para o gol,
sem deixar de ser equilibrado.
Mutação
No mesmo texto, acrescentei: “No duelo de estilos, sou
mais Jupp Heyneckes (e seu 4-2-3-1 com variação para o 4-3-3) e já faz tempo,
desde quando o Barcelona era justa e merecidamente, “modelo tático” do futebol
mundial”. Infelizmente, acertei. Hoje, os ‘bávaros’ jogam o mesmo futebol
insosso e sem ‘sangue’ da época vitoriosa do Barcelona — apesar da aparente
contradição — com um agravante: O Bayern não dispõe de atletas como Xavi e
Iniesta, talhados para o ‘toque-toque’ e, sobretudo, não possui a genialidade
objetiva de Lionel Messi, que avalizavam o 'modelo' vitorioso do Barça. O estilo
Guardiola no Bayer era a crônica de um ‘fracasso anunciado’. O mais
impressionante de tudo é que a diretoria dos “vermelhos da Alemanha” investiu
fortemente no comandante catalão. Mas, tem uma coisa, né? Nunca é tarde para
mudar.
Estilos
Ao contrário do Barcelona, o Bayer possui um elenco
marcado por atletas de velocidade e força, ilustrados em Robben e Ribery no que
tange a rapidez. Sem a objetividade coletiva, os alemães perdem o melhor trunfo
de suas individualidades: a jogada solo, a ‘fome’ pelo gol, o ‘partir para
dentro’, como se diz no futebol. Ano passado, Robben, herói do título, era um
típico ponteiro-direito agudo ‘de perna direita’. Por exemplo, hoje, é um mero auxiliar de
ataque que atua junto a bandeirinha de escanteio e troca passes improdutivos
com o melhor lateral do mundo, Phillip Lahm (aliás, que jogou a primeira
partida contra o Real como volante em mais uma das bizarras escolhas de
Guardiola).
Resenha
A filosofia de futebol do Bayern, pelos atletas
disponíveis, está deveras equivocada, para dizer o mínimo. E modéstia à parte,
os leitores do Futebol Além do Resultado (espaço que possuo no Facebook) já sabiam há pelo menos um ano.
Redenção
Menos mal — para os admiradores do estilo bávaro de
2013 — que grande parte do elenco do Bayern de Munique terá uma chance e tanto
de reabilitar-se a partir de junho, no Brasil. Base da seleção alemã, o
selecionado de Neuer, Lahm, Schweisteiger, Gotze, Müller e cia, é a grande
favorita a conquistar o Copa do Mundo de 2014. Ao contrário de Guardiola,
Joachim Löw, técnico da Tricampeã, escala a equipe conforme as características
dos atletas disponíveis. Claro que favoritismo não é garantia de nada. Mas,
pelo futebol apresentado nos últimos anos, a minha racionalidade torcerá para
os alemães. Entretanto, a passionalidade, claro, estará de mãos dadas com a seleção canarinho - como faço desde 1994.
Fotos: Reuters, AFP, Netflu e EFE




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