quarta-feira, 9 de abril de 2014

Adriano Gabiru: “Voltaria ao Inter com o maior prazer”

ENTREVISTA EXCLUSIVA

Por Saul Teixeira


Autor do gol mais importante da história de 105 anos do Sport Club Internacional, ADRIANO GABIRU, 37 anos, pretende atuar profissionalmente por no mínimo mais duas temporadas. Procurando clube desde que saiu do Conilon do Espírito Santo, no início deste ano, o meio-campista, porém, não descarta ‘pendurar as chuteiras’ antes do previsto se receber uma proposta do clube onde “ganhou o mundo”, no dia 17 de dezembro de 2006. “Voltaria a trabalhar no Inter com o maior prazer”, destacou.

Atualmente morando em Curitiba, o outrora camisa 16 vive da renda obtida em eventos esporádicos que realiza junto aos consulados do Inter em todo o Estado do RS — mas sem nenhuma relação oficial com o Internacional. Nascido em Maceió, nas Alagoas, em 11 de agosto de 1977, Carlos Adriano de Souza Vieira, teve passagem exitosa também pelo Atlético-PR, onde conquistou o Brasileirão de 2001; integrou a seleção pré-olímpica do Brasil, em 1999, ao lado de Ronaldinho Gaúcho e Alex, além de ter tido rápida experiência no futebol francês, no mesmo período. Surgido no CSA-AL, em 1997, Gabiru defendeu ainda Cruzeiro, Figueirense, Sport, Goiás e Guarani-SP, além de outros clubes de menor expressão.

Foi justamente sobre sua trajetória ‘peregrina’ no futebol nacional e, sobretudo sobre os bastidores da conquista que colocou o Internacional no seleto grupo de 'Campeão Mundial', em 2006, que gentilmente o meia-atacante conversou com BLOG DO SAUL TEIXEIRA, em um restaurante de Porto Alegre. Ele também respondeu questões, como: Existe ‘mala preta' no futebol? Você se sente injustiçado pelo Inter? Quem escalava a equipe colorada: Abel Braga, Fernandão ou Fernando Carvalho? Confira abaixo a ENTREVISTA EXCLUSIVA.

1) Como foi a festa de reinauguração do Beira-Rio nos dias 4 e 5 de abril?

Adriano Gabiru: Foi uma emoção muito grande, ainda mais rever o gol contra o Barcelona. A torcida comemorou como se o gol tivesse sido marcado naquele momento. O novo Beira-Rio está fantástico.

2) O que passou na sua cabeça após a marcação do gol na final do Mundial?

Gabiru: Pensei na minha família e agradeci a Deus pela bênção.

3) Na hora que você marcou o gol, não ficou com vontade de dar uma resposta à torcida e a opinião pública que tanto o criticava? Por exemplo, fazendo um gesto pedindo silêncio:

Gabiru: Não, não... Jamais faria algo contra o time que estou jogando ou a torcida. Torcedor é assim mesmo e cobra bastante. Naquele momento realmente eu estava devendo. Agradeço ao Abel [Braga] por ter me levado ao mundial e ao grupo de jogadores do Inter. Felizmente acabei fazendo o gol e deu tudo certo. A vitória foi importante.

4) Você se sente injustiçado pelo Internacional? Falta gratidão do clube?

Gabiru: Não, não. O futebol é assim mesmo.

5) Aceitaria algum convite para trabalhar no clube, após se aposentar: nas categorias de base, junto aos consulados, em campanhas para arrecadação de sócios, etc.?

Gabiru: Eu pretendo continuar jogando por mais dois anos ou até quando Deus permitir. Mas, sem dúvidas, voltaria a trabalhar no Inter com o maior prazer e no lugar onde eu fosse mais útil para o clube.

6) Você se sente satisfeito com o tratamento que o Inter te ofertou após a conquista do Mundial?

Gabiru: O importante é estar feliz com a família por perto e todos com saúde. O futebol é assim mesmo.

7) Qual o segredo do Inter Campeão Mundial de 2006?

Gabiru: O grupo de jogadores estava fechado desde o roupeiro até o presidente (Fernando Carvalho). Sem isso, não se chega a lugar algum. O elenco era muito bom e forte, contava com muitos jogadores experimentes e rodados. Fizemos história, afinal, não é todo o dia que se ganha do Barcelona, né?

8) Vocês sentiram algum tipo de menosprezo/soberba por parte dos jogadores do Barcelona antes ou durante a partida?

Gabiru: É (...) Não temos como confirmar, mas era visível o olhar deles tranquilo, brincando uns com os outros no túnel antes do jogo. Passava a ideia que ganhariam quando quisessem e de goleada. Entramos concentrado como nunca e graças a Deus o futebol se decide é dentro de campo.

9) No meio do futebol gaúcho dizem, brincando ou não, que nem escalava o time era o Fernandão e o então presidente Fernando Carvalho. Qual era a influência deles na escalação do Abel Braga?

Gabiru: Não sei disso não, cara. O Abel era o treinador e o Fernandão nosso líder dentro e fora de campo. Assim como o Iarley e o Clemer. Acredito que esse papo [que embasou a pergunta] é só boato mesmo.

10) Você ainda tem contato, é amigo de algum jogador daquele grupo campeão Mundial?

Gabiru: Falo muito com o Perdigão, até nos encontramos nas férias neste verão. Quando nos encontramos [como ocorreu na festa de reinauguração do Beira-Rio] converso com todos, mas o que tenho mais contato é o Perdigão.

11) É verdade que o Fernandão, o Iarley e o Clemer ‘não se misturavam’ muito com o restante do grupo?

Gabiru: Eles ‘andavam mais juntos’, mas não tinha essa história ‘panelinha’. Era normal, como ocorre em qualquer trabalho, a gente conversa com quem tem mais contato (afinidade).

12) Quem foi o melhor treinador que você trabalhou?

Gabiru: Para mim foram três, posso dizer três? O Geninho [técnico durante o título do campeonato brasileiro em 2001, pelo Atlético-PR], o Vadão [Osvaldo Alvarez, no mesmo clube] e o Abel Braga, que me treinou no Atlético Paranaense, me levou para o Olympique e depois me trouxe para o Inter, em 2006. Cada treinador tem seu estilo, mas o Abel é excelente.

13) O Abel Braga é seu maior ‘guru’ no futebol?

Gabiru: O Abel é um excelente técnico. Ele brinca quando tem que brincar, mas cobra muito dos jogadores. Tenho muito que agradecer a ele por tudo que fez pela minha carreira.

14) Como foi a passagem pela Europa, em 2000, no Olympique de Marseille?

Gabiru: Eu fui emprestado pelo Atlético [Paranaense]. Comecei bem, fiz uns golzinhos lá, mas depois perdi espaço quando o Abel (Braga) foi embora e voltei para o Atlético. A língua [idioma francês] era bem difícil.

15) Depois que você saiu do Inter, não conseguiu se firmar mais em nenhuma equipe. Por quê?

Gabiru: Na verdade não sei o que acontece. O futebol é assim mesmo, cheio de altos e baixos. O tempo vai encurtando, a idade vai pesando (...) e vai chegando a hora de parar. Mas ainda quero jogar. Estou esperando propostas. Estou na expectativa para voltar a jogar. Se Deus quiser, tudo dará certo.

16) O que representa o Internacional para você?

Gabiru: O Inter é tudo pra mim. Trabalhar no Inter foi um momento maravilhoso. Ser campeão da Libertadores e do Mundo é inesquecível. Agradeço a todos que me apoiaram na minha passagem [pelo Beira-Rio], em especial pelo carinho da torcida.

17) Em algum clube você se deparou com a ‘mala-preta’ ou a ‘mala-branca’? Existem essas práticas no futebol?

Se existe ou não, nunca fiquei sabendo. A mala preta [quando o clube recebe dinheiro de outro para entregar o jogo/perder] eu acredito que não exista, não. Mas a mala branca [quando o clube recebe dinheiro de outro para vencer] eu acredito que exista. Eu nunca vi, mas acredito que tenha.
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Foto: Sport Club Internacional/Oficial-arquivo

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