segunda-feira, 28 de abril de 2014

Vitória inspiradora na Arena e apagão colorado no ‘Maraca’

GRÊMIO 2 X 1 ATLÉTICO-MG

Surpresa e herança


Após a sequência de três derrotas seguidas, o Grêmio surpreendeu e com reservas venceu o time titular do Atlético-MG, atual Campeão da Libertadores, em partida na Arena, por 2 a 1. A vitória obtida com gols de Alan Ruiz e Lucas Coelho legou ao time um ambiente um ‘pouco menos tensionado’ para a decisão da próxima quarta-feira (30), no mesmo estádio, contra o San Lorenzo, pela Copa Libertadores. Mesmo que tenha sido obtida no Brasileirão e protagonizada pelos suplentes, a vitória, além de herdar a equipe o sucesso de uma nova formatação tática, serve de estímulo para o desafio frente aos argentinos.

Trinca promissora

O jovem Luan, variando investidas pela esquerda e pelo centro, foi o grande nome individual da equipe. Além disso, a formação com três meias e apenas dois volantes (4-2-3-1), surtiu bom resultado, sem deixar a equipe vulnerável defensivamente. Rodriguinho, ao centro e Alan Ruiz, pela direita, foram outros destaques. Com três meias, o Grêmio jogou em aproximação, contribuindo com a individualidade de Ruiz, que antes, era escalado solitariamente como falso ponta-direita, sem nenhuma contribuição à equipe. Na quarta-feira, o esquema deve ser repetido, entretanto, com novos nomes, claro: Edinho e Riveros na contenção, com Luan, Zé Roberto e Dudu nas meias. Rodriguinho pode ser a surpresa na vaga de Zé. Aguardemos!

Diferencial


Apesar de o aspecto tático ter favorecido o coletivo e permitido o destaque das individualidade, o grande trunfo do tricolor frente ao Galo mineiro foi o fator anímico. Ao contrário das últimas jornadas, além da melhor organização, a equipe teve ‘entrega’, comeu ‘grama’, como se diz no bom ‘futebolês’ — pessoalizado na dupla de defesa Saimon e Bressan. A gurizada do Grêmio deu aula ao time principal: entregou-se a tradição do clube, jogou e foi à luta. É evidente que para vencer, não basta apenas raça. Claro que não. Mas, sem ela, a tarefa é ainda mais inglória. Que sirva de inspiração aos titulares.

Pelos lados

Faz tempo que esse espaço sugere o volante Ramiro na lateral-direita na vaga do criticado Pará. Contra o San Lorenzo, não haveria melhor oportunidade para guindar o camisa 17 à função em que ele conhece desde os tempos de Juventude. Com Ramiro pelo lado, o Grêmio ganharia em qualidade no apoio pelo lado, teria uma saída qualificada pela direita e proporia ao jovem Luan uma dobradinha interessante — semelhante a que ocorre pelo outro lado com Wendell e Dudu. Com Ramiro, o Grêmio não perderia em poder de marcação, uma vez que atleta natural de Gramado-RS, é volante. Além disso, com ele, o time de Enderson Moreira terá mais um expediente contra a retranca que possivelmente os argentino farão: o chute de médio-longa distância.

BOTAFOGO 2 x 2 INTERNACIONAL

Extremos


Em que pese a pouca amostragem — apenas duas rodadas — o primeiro tempo do Internacional contra o Botafogo, no Maracanã foi digno de um postulante ao título. Com troca de passes no campo adversário, domínio técnico da partida e o meia Valdívia como grande protagonista da equipe, o Internacional foi para o intervalo vencendo por 2 a 0, dois gols do oportunista Rafael Moura. Na segunda etapa, porém, o colorado sucumbiu completamente, sofreu o empate e não seria nenhum absurdo se houvesse sofrido a virada. A etapa final do Inter foi digna de candidato ao rebaixamento. É preciso que a comissão técnica se atente ao fato e busque alternativas que reduzam a oscilação.

Raio-x do apagão

O ingresso do lateral-direito Edílson no Botafogo foi o grande acréscimo dos cariocas em relação a etapa inicial. Com a alteração de Vagner Mancini, o Fogão qualificou a saída de bola e fez do camisa 33, ex-Grêmio, elemento surpresa ofensivo. Abel Braga detectou a fragilidade e mandou a campo Gladstone como antídoto. Entretanto, o camisa 37 em nada justificou seu ingresso, inclusive tendo levado cartão amarelo em sua primeira participação na partida — o que talvez tenha tirado a naturalidade do atleta e comprometido a sua atuação. Talvez...


Blecaute total


O Internacional iniciou o segundo tempo com postura extremamente defensiva, ilustrada na marcação em duas linhas de quarto, tendo o volante Willians entre as linhas – prova disso que era o meia Valdívia em estava na marcação de Lucas, no primeiro gol do Botafogo. Aliás, o 1 a 2, marcado pelo estreante Emerson Sheik, teve dois co-autores colorados: o zagueiro Juan e, sobretudo, o goleiro Dida que falhou amadoramente ao sair em falso. Atrelado aos erros e a postura recuada — até certo ponto normal pela vantagem daquele momento — Alan Patrick e D’Alessandro, em jornada apática, não conseguiam reter a bola no campo ofensivo. Valdívia era a exceção e não deveria ter saído, configurando o erro de Abel Braga. Sem o camisa 29, entrou Otávio, visivelmente carecendo de ritmo de jogo. Jorge Henrique talvez pudesse dar melhor resposta. Talvez...

Carência ofensiva

Há tempos abordamos nesse espaço, que apesar de Alan Patrick ter acertado a equipe colorada, o time carece de maior ‘poder de fogo’. Patrick atua improvisadamente no setor esquerdo, como falso segundo atacante pela ausência de opções de qualidade. O camisa 19 rende melhor centralizado, por ser um meia-cancha clássico de visão de jogo, alta técnica e qualidade no passe. Mais do que nunca, é imprescindível que a direção saia às compras para reforçar o elenco. Do contrário, o sonho do Tetra do Brasileirão será pauta somente para 2015.
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Fotos: Lance Net, Diego da Rosa/GES, Globoesporte e Internacional Oficial

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