
Voo interrompido
Após computar três derrotas seguidas, a última delas sendo goleado pelo São Paulo em pleno Beira-Rio, por 3 a 0, a direção colorada promoveu uma legítima varredura no departamento de futebol. Com a decisão, perderam o emprego o vice-presidente de futebol Roberto Teixeira Siegmann e o então treinador e maior ídolo da história Colorada, Paulo Roberto Falcão (foto). Em 19 partidas à frente do Inter, Falcão venceu oito, perdeu seis e empatou cinco, obtendo aproveitamento de apenas 50%. No entanto, a demissão do comandante me parece precipitada e revela uma de tantas falhas dos atuais gestores colorados, a começar pela falta de convicção...
Simplismo
Pouco adiantará as trocas de treinador e do departamento de futebol se o grupo de jogadores não for reformulado. Se não rejuvenescerem a defesa, não disponibilizarem um lateral-direito no mínimo de qualidade média; além de um volante, um meia e dois atacantes em condições de serem titulares, a tarefa de fazer o time jogar será árdua para qualquer comandante. Porém, Falcão também teve seus pecados...
Equívocos
Os números são preocupantes. Apenas 50% de aproveitamento em 19 jogos depõem contra o maior ídolo vermelho. A demora para fixar os jovens Juan e Oscar como titulares, a insistência com Ricardo Goulart, como alternativa prioritária no banco de reservas, além da eliminação precoce para o Peñarol, no Beira-Rio, pela Libertadores, revelam que a passagem de Falcão teve uma dose de fracasso. De positivo, fica a conquista do Campeonato Gaúcho, contra o rival, no Olímpico, embora nos pênaltis. No entanto, a incapacidade de vencer outros grandes, como Palmeiras, Corinthians, Vasco, além da derrota para o Ceará, em casa, e a goleada derradeira frente ao São Paulo, são duras de aceitar.
Teoria x prática
Logo que assumiu o comando colorado, em 10 de abril, neste mesmo espaço me referi a Falcão como uma “aposta mística”. Muito tempo longe dos meandros do futebol, o treinador foi conduzido ao cargo muito mais como um presente à torcida e, sobretudo, como uma resposta ao Grêmio, que também possuía seu maior ídolo como comandante, do que qualquer outra justificativa. Em apenas três meses, Falcão não conseguiu praticar seus principais conceitos de futebol, como a compactação e a imposição. Mas, convenhamos: com a falta de opções e, diante das lesões de Tinga, Andrezinho, as convocações de Juan, Oscar e as saídas de Rafael Sóbis e Cavenaghi e a suspensão de Zé Roberto, seria preciso milagre. Falcão falhou muitas vezes, mas, neste momento, sua saída é muito mais fruto de decisões políticas do que por argumentos dentro de campo, apesar das três derrotas seguidas.
Oxigênio
Também neste espaço, exaltei a revelação que fora Roberto Siegmann. Demonstrando conhecimento profundo sobre o cotidiano do vestiário, dominando a chamada “linguagem dos boleiros” e, não hesitando em decidir, em mudar rumos – como a extinção do Time B, por exemplo – sem dúvidas, Siegmann é uma perda e tanto ao Internacional. E digo mais: está na hora da oposição ganhar o próximo pleito no Internacional. É fundamental para a democracia que haja alternância no poder. Tudo na vida tem um prazo de validade. Luigi, Carvalho, Píffero, possuem serviços inegáveis ao Internacional. Entretanto, está na hora de oxigenar a direção colorada.
Racha
Os discursos de Roberto Siegmann e do presidente Giovanni Luigi jamais foram afinados. A contratação e permanência de Falcão no Inter sempre foram bancadas por Siegmann. De temperamento explosivo e decisões fortes, o ex-dirigente difere e muito do comportamento quase inerte do atual presidente colorado. Um agravante, tornava a “parceria” uma questão de tempo: a possível ascendência do ex-presidente Fernando Carvalho, sobre as decisões de Luigi...
Laranja
Não consigo conceber que um clube do tamanho do Internacional, com mais de 100 mil sócios, esteja sendo gerido por um “laranja”. Prefiro ficar com o discurso político do presidente Giovanni Luigi, que, em entrevista coletiva foi taxativo: “A decisão de demitir o treinador e reformular o departamento de futebol, é exclusivamnete minha”. Só achei a frase desnecessária, uma vez que o regime no Internacional é presidencialista. Afinal, quem poderia mandar no clube fora o presidente?
Futebol
Não me surpreenderia nada se Fernando Carvalho voltasse ao futebol colorado. Se não como vice, ao menos, como assessor. Outros boatos apontam que Fernandão, capitão da conquista do mundial, em 2006, seria outra peça fundamental para a reformulação do departamento. No entanto, o ex-camisa 9, ocuparia a função de gerente, inclusive sendo remunerado e com outras prerrogativas. No entanto, será que Carvalho e Fernandão trabalhariam juntos, novamente? Não esqueçamos que Fernando Carvalho rejeitou o retorno do ex-capitão há dois anos.
Nomes?
Entre os treinadores cogitados para assumir o colorado, estão Dunga, Dorival Júnior e a tendência do momento, é Cuca. Com todo o respeito, trocar Falcão por Cuca soará como deboche à torcida colorada. Se ainda restar alguma competência ao presidente Giovanni Luiggi, certamente o atual mandatário não trará Cuca ao Beira-Rio. Desta forma, Dunga me parece o nome ideal. Isso, se os velhos caciques colorados, disserem amém.
Muito boa a análise do momento vivido pelo colorado.
ResponderExcluirAcho que Dunga assumirá.
Abraço.