terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Grenal 399: Empate, pouca ambição e dura realidade


Tradição


No maior clássico do futebol gaúcho, em regra, impera uma lógica: sobra disposição, marcação e falta futebol. No jogo de número 399 entre as maiores grifes gaúchas na 'Arte de chutar' não foi diferente. Embora seja apenas início de temporada e o campeonato gaúcho não seja a competição dos sonhos dos clubes e seus torcedores, no 1 a 1 (gols do colorado Fabrício e do gremista Barcos) ficou nítido e claro uma dura realidade: Se Grêmio e Internacional não 'adicionarem sal e fermento', de maneira considerável, o único título que terão reais condições de conquistar, será justamente o famigerado e muitas vezes marginalizado Gauchão.

Trinca de volantes

Enderson Moreira invocou Renato Portaluppi e mandou a campo um time com três volantes. No início da partida, o ímpeto e dedicação de Edinho, Ramiro e Riveros até surtiram efeito, em marcação adiantada, levando sérias dificuldades ao rival que mal conseguia cruzar a linha divisória. Entretanto, no restante da partida, a discrepância tática surtiu o esperado efeito negativo: Zé Roberto sozinho, pouco inspirado, e time sem nenhuma capacidade de armação e com raríssimas chegadas à frente. De positivo, ficam a boa movimentação de Barcos, que saiu um pouco menos da área que o habitual, além da jornada desinibida do jovem, veloz e promissor Luan - Aliás, a tendência é que Kléber Gladiador 'curta o banco' por um bom tempo, ao menos que o 'carteiraço' retire o guri da equipe. 

Futuro

Mais do que uma experiência para a próxima partida contra o Nacional do Uruguai, aí sim, pela Libertadores, a 'menina dos olhos' dos gremistas na temporada, a escalação de Enderson foi sintomática: faltam opções no grupo para que o Grêmio tenha condições de fazer uma equipe verdadeiramente competitiva - Máxi Rodriguez não consegue se firmar. Talvez Jean Deretti, de bom ingresso no Gre-Nal, ou o argentino Alán Ruiz, possam fazer dupla com Zé Roberto. Do contrário, os gremistas dificilmente terão maiores alegrias do que a hoje festejada (de maneira justa) participação na maior competição de clubes da América.

Esquema ilusório

No papel, o Internacional atuaria num ousado 4-3-3, com D'Alessandro e Jorge Henrique bem abertos. Na prática o que se viu foi a boa e velha 'retranca inglesa' justificada pela retórica das duas linhas de quatro - Com Willians entre elas e um atacante isolado. Defensivamente a postura surtiu efeito, mas quando a exigência foi ameaçar o gol de Marcelo Grohe, Rafael Moura sentiu-se um náufrago no oceano atlântico. Embora o bom trabalho de articulação feito pela meia-cancha, sobretudo pelo chileno Aránguiz e por D'Alessandro, o time de Abel pecou pela falta de ambição e de poder de fogo. 

Raio-X

Longe do velho Jorge Henrique agudo do Corinthians, o camisa 23 preocupou-se muito mais em conter as investidas de Pará, do que tornar-se um ponta-esquerda como sugestionado no papel, antes da partida. Alex, atuando quase como um volante, nem de longe lembrou o velho meia que chegou a seleção, entre outros, por sua capacidade de conclusão. Abel Braga precisa rever alguns de seus conceitos. Talvez Otávio ganhe a vaga de Jorge Henrique num futuro próximo, e Alex jogue um pouco mais adiantado. Quem sabe seja esse o caminho para que o Inter, de fato, no papel, na prática, e no campo, se torne mais agudo e ofensivo.

Arbitragem

Gre-Nal que se prese tem que ter polêmica sobre a arbitragem e ela veio no pênalti que originou o empate, convertido por Barcos - Após 'enrosca-enrosca' na área, Leando Pedro Vuaden marcou mão de Paulão. Com total respeito as opiniões em contrário, o lance é daqueles chamados, de no mínimo, duvidoso, longe de certezas absolutas e típico de 'interpretação'. Assim como foi marcado, não seria nenhum absurdo se Vuaden adotasse outra postura. Na primeira etapa, porém, Fabrício 'derrubou' Pará e não houve dúvida, tampouco, espaço para a interpretação: errou o 'homem do apito' ao não marcar a infração. Por essas e outras, seja por linhas tortas ou não, o pênalti convertido por Barcos acabou trazendo justiça ao resultado do Gre-Nal 399.

Foto: Clic RBS

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