segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Reencontro, polarização e amadurecimento copeiro

Retorno


Após meses e meses de cimento, máquinas, capacete e muito trabalho, finalmente a bola voltou a rolar, no último sábado (15), no gramado, hoje, ainda mais verde do estádio Beira-Rio. Com o retorno da praça esportiva, o colorado volta a usufruir de um aliado histórico de suas maiores conquistas e resgata a identidade do time e a química com o seu torcedor. É óbvio, que sendo um evento-teste — outros ocorrerão ainda até a inauguração oficial, em abril, conforme cartilha da Fifa para viabilizar a disputa da Copa do Mundo —, significa que muitos ajustes ainda precisam ser feitos, o que acaba justificando a limitação de público (10 mil pessoas). Entretanto, a primeira impressão foi a mais positiva possível: um Beira-Rio mais vermelho do que nunca e com a arquitetura que lembra os modernos estádios europeus. Para fechar o reencontro com chave de ouro, uma goleada contra o Caxias por 4 a 0 — dois gols e Fabrício e os outros assinalados por Rafael Moura.

Papelão Fifa

Em que pese a beleza do novo Beira-Rio, nem tudo são flores para o estádio gaúcho da Copa do Mundo. A ‘dor de cabeça da hora’ responde pelo nome de Estruturas Temporárias orçadas em 35 milhões de reais. Os recursos seriam aplicados em áreas de mídia, de recepção dos torcedores, de voluntários e espaços comerciais no entorno do estádio. No contrato feito em 2007, conforme a Fifa, a competência seria do Internacional, proprietário do estádio, porém, o presidente do clube Giovanni Luigi afirmou que o clube ‘não tem condições de arcar com os custos’ e não descartou que o Beira-Rio deixe de sediar a 20° Copa do Mundo da história.

E, agora?


Embora documentos oficiais da prefeitura da Capital e do governo do Estado revelem que há a previsão de investimentos para as estruturas móveis — conforme reportagens do site Globo Esporte —, a obrigação é, sim, por força contratual, do Internacional e o seu não cumprimento revela um absurdo inaceitável ao bom senso, podendo sobrar para os cofres públicos ‘pagar a conta’. Se está no contrato, cumpra-se. Simples assim, Giovanni Luigi. Entretanto, pelo impasse, tenho a impressão que ocorrerá um acordo entre o clube, a prefeitura e o governo do Estado. Enfim, aguardemos os próximos capítulos da novela chamada ‘Copa em Porto Alegre’. 

Crise gaúcha

Infelizmente, o tradicionalíssimo futebol do interior gaúcho está na UTI. Por mais que os recursos advindos dos direitos de transmissão pagos pela televisão garantam verba sem precedentes, as equipes na contramão da lógica, mal conseguem ofertar resistência aos times reservas da dupla Gre-Nal, muito menos às equipes mistas, tampouco, os titulares de Enderson Moreira e Abel Braga. Não é à toa que o Estado não possui sequer um representante na série B e conta com apenas o Caxias, na terceira divisão nacional. Há muito tempo o futebol interiorano clama por um choque de gestão liderado por diretores ousados e responsáveis que sejam capazes de administrar os recursos com criatividade e legar às equipes a velha competitividade de outrora. Do contrário, o campeonato gaúcho continuará na mesmice polarizada entre Grêmio e Internacional.

Liga copeira


Na última quinta-feira (13), Enderson Moreira pôs em prática a estratégia testada no Gre-Nal dias antes e estreou na Libertadores, contra o Nacional, em Montevidéu, atuando com três volantes — modelo semelhante ao do ano passado — e venceu por 1 a 0. Mesmo longe da formatação de sua preferência (o 4-2-3-1) que foi testado no início do Gauchão e não surtiu o efeito desejado, o comandante parece ter encontrado a formatação ideal, ao menos nas partidas fora de casa, ancorada em Edinho, Riveros e Ramiro — Aliás, o gol gol da vitória foi construído em belo cabeceio de Riveros após cruzamento de Ramiro.

Futuro

Nas partidas na Arena, porém, com adversários provavelmente fechados e explorando os contra-ataques, é muito provável que a trinca de volantes gere impasses e seja necessária uma meia-cancha mais ousada. O uruguaio Maxi Rodrigues e o argentino Alán Ruiz, de boas atuações na vitória sobre o Esportivo, no domingo (16) por 3 a 1 são alternativas. Maxi, de pênalti, Werley de cabeça e o jovem centroavante Everaldo foram os protagonistas dos gols, porém, novamente, o atacante Luan foi o grande nome da partida. Joga muito. Se não se deslumbrar, será um avante e tanto. Tomara!

Perigoso precedente


Em decisão esdrúxula do TJD-RS, o Grêmio foi absolvido no caso dos dois rojões arremessados contra o goleiro do Juventude e vindos da torcida Geral, localizada no Alfredo Jaconi. A punição prevista seria de R$ 50 mil e mais a perda de dois mandos de campo. Porém, o ‘engavetamento’ do caso, justificado pelos auditores pelo fato de a Brigada Militar identificou o responsável pelos atos de insanidade, pode criar um perigoso precedente de que ‘a bandalheira’ está liberada nos estádios gaúchos.  Conforme o jornal Zero Hora, o responsável pela denúncia, o procurador Alberto Franco, irá recorrer da decisão. A data do novo julgamento ainda não foi marcada.

Fotos: Internacional Oficial e Clic RBS

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