Retorno
Após meses e meses de
cimento, máquinas, capacete e muito trabalho, finalmente a bola voltou a rolar,
no último sábado (15), no gramado, hoje, ainda mais verde do estádio Beira-Rio.
Com o retorno da praça esportiva, o colorado volta a usufruir de um aliado
histórico de suas maiores conquistas e resgata a identidade do time e a química
com o seu torcedor. É óbvio, que sendo um
evento-teste — outros ocorrerão ainda até a inauguração oficial, em abril, conforme
cartilha da Fifa para viabilizar a disputa da Copa do Mundo —, significa que
muitos ajustes ainda precisam ser feitos, o que acaba justificando a limitação de
público (10 mil pessoas). Entretanto, a primeira impressão foi a mais positiva
possível: um Beira-Rio mais vermelho do que nunca e com a arquitetura que
lembra os modernos estádios europeus. Para fechar o reencontro com chave de
ouro, uma goleada contra o Caxias por 4 a 0 — dois gols e Fabrício e os outros
assinalados por Rafael Moura.
Papelão
Fifa
Em que pese a beleza
do novo Beira-Rio, nem tudo são flores para o estádio gaúcho da Copa do Mundo.
A ‘dor de cabeça da hora’ responde pelo nome de Estruturas Temporárias orçadas
em 35 milhões de reais. Os recursos seriam aplicados em áreas de mídia, de recepção dos
torcedores, de voluntários e espaços comerciais no entorno do estádio.
No contrato feito em 2007, conforme a Fifa, a competência seria do
Internacional, proprietário do estádio, porém, o presidente do clube Giovanni
Luigi afirmou que o clube ‘não tem condições de arcar com os custos’ e não
descartou que o Beira-Rio deixe de sediar a 20° Copa do Mundo da história.
E, agora?
Embora documentos oficiais da prefeitura da Capital e
do governo do Estado revelem que há a previsão de investimentos para as
estruturas móveis — conforme reportagens do site Globo Esporte —, a obrigação
é, sim, por força contratual, do Internacional e o seu não cumprimento revela
um absurdo inaceitável ao bom senso, podendo sobrar para os cofres públicos ‘pagar
a conta’. Se está no contrato, cumpra-se. Simples assim, Giovanni Luigi.
Entretanto, pelo impasse, tenho a impressão que ocorrerá um acordo entre o
clube, a prefeitura e o governo do Estado. Enfim, aguardemos os próximos
capítulos da novela chamada ‘Copa em Porto Alegre’.
Crise
gaúcha
Infelizmente, o
tradicionalíssimo futebol do interior gaúcho está na UTI. Por mais que os
recursos advindos dos direitos de transmissão pagos pela televisão garantam
verba sem precedentes, as equipes na contramão da lógica, mal conseguem ofertar
resistência aos times reservas da dupla Gre-Nal, muito menos às equipes mistas,
tampouco, os titulares de Enderson Moreira e Abel Braga. Não é à toa que o
Estado não possui sequer um representante na série B e conta com apenas o
Caxias, na terceira divisão nacional. Há muito tempo o futebol interiorano clama
por um choque de gestão liderado por diretores ousados e responsáveis que sejam
capazes de administrar os recursos com criatividade e legar às equipes a velha
competitividade de outrora. Do contrário, o campeonato gaúcho continuará na
mesmice polarizada entre Grêmio e Internacional.
Liga
copeira
Na última
quinta-feira (13), Enderson Moreira pôs em prática a estratégia testada no
Gre-Nal dias antes e estreou na Libertadores, contra o Nacional, em Montevidéu,
atuando com três volantes — modelo semelhante ao do ano passado — e venceu por
1 a 0. Mesmo longe da formatação de sua preferência (o 4-2-3-1) que foi testado
no início do Gauchão e não surtiu o efeito desejado, o comandante parece ter
encontrado a formatação ideal, ao menos nas partidas fora de casa, ancorada em
Edinho, Riveros e Ramiro — Aliás, o gol gol da vitória foi construído em belo
cabeceio de Riveros após cruzamento de Ramiro.
Futuro
Nas partidas na
Arena, porém, com adversários provavelmente fechados e explorando os
contra-ataques, é muito provável que a trinca de volantes gere impasses e seja
necessária uma meia-cancha mais ousada. O uruguaio Maxi Rodrigues e o argentino
Alán Ruiz, de boas atuações na vitória sobre o Esportivo, no domingo (16) por 3
a 1 são alternativas. Maxi, de pênalti, Werley de cabeça e o jovem centroavante
Everaldo foram os protagonistas dos gols, porém, novamente, o atacante Luan foi
o grande nome da partida. Joga muito. Se não se deslumbrar, será um avante e
tanto. Tomara!
Perigoso
precedente
Em decisão esdrúxula
do TJD-RS, o Grêmio foi absolvido no caso dos dois rojões arremessados contra o
goleiro do Juventude e vindos da torcida Geral, localizada no Alfredo Jaconi. A
punição prevista seria de R$ 50 mil e mais a perda de dois mandos de campo.
Porém, o ‘engavetamento’ do caso, justificado pelos auditores pelo fato de a
Brigada Militar identificou o responsável pelos atos de insanidade, pode criar
um perigoso precedente de que ‘a bandalheira’ está liberada nos estádios
gaúchos. Conforme o jornal Zero Hora, o responsável pela denúncia, o procurador Alberto
Franco, irá recorrer da decisão. A data do novo julgamento ainda não foi
marcada.
Fotos: Internacional Oficial e Clic RBS




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