segunda-feira, 30 de maio de 2011

Realidades distintas: Dupla x Barça


Outro mundo

Ao contrário do que normalmente ocorre, hoje começamos a coluna pelo futebol internacional. Nem poderia ser diferente, tratando-se de Barcelona. Com seis titulares formados em casa, o clube catalão é disparado a melhor equipe do mundo na atualidade. Com meias que marcam e atacam, defesa sólida e a genealidade de Lionel Messi, o resultado não poderia ser outro: vitória sobre o Manchester Unidet (3 x 1), tetracampeonato da Champions League e vaga assegurada ao Mundial de Clubes, em dezembro.

Escola

Ainda sobre o título do barça, poderia ser escrito uma coluna inteira elencando os méritos do time de Guardiola. Mas, somente alguns fatores já bastam para elucidar os méritos do time que dá aula de futebol, sem exageros. Com altíssimo acerto de passes, transição veloz entre defesa e ataque, valorização da posse de bola, o Barcelona está a anos luz à frente de qualquer outro time do planeta. Todos os conceitos defendidos aqui no Estado, por exemplo, são comprovados dentro de campo, como compactação, contunduência, profundidade e imposição. Tudo isso exposto taticamente no velho e bom 4-3-3, com variação para o 4-4-2. Futebol equilibrado, ofensivo e vencedor. Sem dúvidas, um alento à mediocridade geral esporte bretão. Viva o Barça, uma escola futebolística.

Realidade

Como nem tudo são flores, terminado o jogo de Messi & Cia migrei para o campeonato nacional. Sei que não posso exigir similaridade, mas a diferença chega a ser absurda. Ao ver a atuação do Internacional contra o Ceará em pleno Beira-Rio, no sábado e a vitória “caída do céu” do Grêmio contra o Atlético-PR, um dia depois, o sentimento foi de frustração. Por mais que a razão distingua bem as realidades, havia a esperança que a dupla apresentasse alguma evolução. Que nada, foi tudo como sempre, inclusive nas declarações de Falcão e Renato. A realidade, às vezes, é cruel!

Atestado

Não existe atestado maior de incompetência do que ser derrotado pelo Ceará, em casa. Com a velha morosidade de sempre, troca de passes laterais e poucas conclusões, o futebol do Internacional precisa de uma revolução urgente. Quando chegou ao Beira-Rio, Paulo Roberto Falcão dava indícios que seria a pessoa ideal para a tão falada reformulação. Mas, na prática, o que se vê é o mesmo Inter de Roth, sem repetição de equipe, com Damião, por vezes isolado, e três volantes na meia cancha (Bolatti, Tinga e Guiñazu). O time de Falcão ainda tem um agravante à filosofia anterior: com Falcão Oscar é reserva. Assim, fica difícil!

Acaso

Já que no dia a dia, nos treinamento e nos jogos, Falcão não consegue acertar o time, o acaso dará uma forcinha. Com a lesão de Daniel, finalmente o volante Glaydson deverá ganhar a titularidade na lateral-direita, caso o titular Nei ainda não retorne. Além disso, com a convocação de Mario Bolatti para a seleção argentina, o meio-campo colorado deverá ganhar mais equilíbrio, com dois volantes e dois meias. Para completar a metamorfose, bastaria ao comandante escalar o jovem Juan, ao lado do capitão Bolívar na defesa. Mesmo sendo ídolo, Falcão já está sofrendo com a animosidade da torcida. Futebol é resultado, não tem jeito e nem poderia ser diferente. Abre o olho, comandante!

Microfone

Como muitas vezes ocorre com Renato Portaluppi, Falcão está virando craque do microfone. Com ideia bem claras de futebol, detectando as principais fragilidades do time, o treinador vermelho fala com uma lucidez que chega a impressionar, mas o time simplesmente não joga. Para piorar ainda mais a relação teoria x prática, Falcão disse em uma rádio de Porto Alegre, ontem à noite: “O Internacional não possui grupo para vencer o Brasileirão. Precisa de reforços”. A dúvida que surge é a seguinte: Será que o Ceará possui grupo?

Bênção

Com o perdão da obviedade, vencer é fundamental. Mas, apesar dos três pontos, a atuação do Grêmio foi contrangedora, principalmente na segunda etapa. Com um ataque formado por Lins e Jr. Viçosa, com dois zagueiros improvisados nas laterais (Mário Fernandes e Neuton) e com os meias Lúcio e Douglas omissos, a vitória só poderia ter ocorrida como foi: com um gol contra. O recuo-chute (gol contra) do zagueiro Rafael Santos, ex-Inter, foi um dos lances mais bizonhos dos últimos tempos. O tricolor venceu, recuperou os pontos perdidos na estreia para o Corinthians, mas a atuação foi deficitária. Ao contrário do que pregou Renato, o atuação ficou longe de ser “fantástica”. Não nos iludamos...

Mérito

É óbvio que nem só de sorte a vitória foi contruída. Com mais uma atuação de luxo, o ótimo goleiro Victor uma vez mais justificou o porquê de ser presença constante na seleção brasileira e possuir o rótulo de ídolo gremista. Na verdade, os méritos precisam ser divididos entre todo o sitema defensivo, com menção honrosa também ao jovem Saimon, que mostrou-se firme pelo alto e destacou-se pelas antecipações precisas. Agora, que venham os reforços...

Cofres

Demorou, mas a direção tricolor está abrindo os cofres. Além das contratações do avante Miralles, do Colo-Colo e do multicampeão Gilberto Silva, do Panathinaikos, os próximos a desembracarem na Azenha deverão ser o meia Marquinhos do Avaí - com passagem pelo grande time do Santos no ano passado – e o meia-atacante Paredes, também do Colo-Colo. Se forem confirmados os reforços, o Grêmio aumenta consideravelmente o nível e coloca-se em outro patamar. No entanto, faltarão ainda, pelo menos um zagueiro, uma lateral-esquerdo e atacantes. Mãos à obra, cartolas!

Classificação e futuro

Com os resultados do final de semana, o Grêmio ocupa a 7ª colocação com quatro pontos e o Internacional é o 15° com apenas 1 ponto. No próximo domingo, o tricolor recebe o Bahia, no Olímpico, às 16h. Por sua vez, o Inter vai a Mato Grosso do Sul, enfrentar o América-MG, às 18h30. Boa sorte à dupla, será preciso e... muito!

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