
Percentagem
O clássico Gre-Nal, válido pela final da Taça Farroupilha, foi a síntese histórica do da maior rivalidade do país. Polêmica, expulsão, marcação, reclamação de arbitragem e dramaticidade. Além disso, foi a primeira ez que os dois maiores ídolos da dupla, se enfrentaram como treinadores. Mesmo dominando 75% do clássico, o Internacional novamente pecou pela falta de conclusões, o que possibilitou ao Grêmio, durante os 25% de domínio, mostrar eficiência, igualar o marcador e levar a decisão para as cobranças da marca penal. A vitória colorada (foto), além de ser um presente pela imposição técnica na maior parte do jogo, provoca a tão aguardada finalíssima. Agora, serão mais dos clássicos para que o Campeão Gaúcho seja decidido. Respeitando as tradições gaúchas, ficou melhor assim: final com Gre-Nal tem outro sabor!
Contundência
Com duas linhas de quatro no meio-campo e adiantando um pouco o meia D’Alessandro, Falcão contriubuiu para que o colorado mandasse no Gre-Nal. Com trocas rápidas de passe, infiltrações e tarde inspirada de Leandro Damião, a partida poderia ter sido decidia no tempo normal, se o velho problema não se repetisse. A falta de contundência, de finalização e objetividade, não permitiu que a atuação se refletisse no placar. Além disso, a fraca jornada do meia Oscar - que teve a escalação defendida por este colunista -, favoreceu ao cenário. O treinador precisa resolver a questão. Posse de bola e volume de jogo não decidem jogos, muito menos, conquistam títulos. “Futebol é bola na rede”, com o perdão da obviedade.
Pequenês
Em quase 20 anos que acompanho Gre-Nais, nunca vi uma equipe tão acovardada, quanto o Grêmio do primeiro tempo. Mesmo com o número excessivo de lesões e a escassez de valores, nada justifica a escalação de Renato Portaluppi. É inadmissível que um clube do tamanho do Grêmio, dispute uma partida com três zagueiros e três volantes, ainda mais tratando-se de um clássico. A pequenês de Renato, deixou o Grêmio refém das circunstâncias. Menos mal, para os gremistas, que com as lesões de William Magrão e a expulsão do colorado Guiñazu, equilibraram a equipe. Renato teve mais sorte do que juízo, mas foi punido nos pênaltis. Um castigo merecido para quem entrou para empatar!
Plantão
A mesma covardia acometeu Falcão. A diferença é que o treinador recuou a equipe faltando 5 minutos para o término da partida, estando vencendo e com um a menos. No entanto, os “deuses do futebol” estavam de plantão e não perdoam o comandante colorado. Com o cansaço de Andrezinho – de boa atuação, é verdade, embora tenha outros que poderiam ocupar a posição com maior qualidade -, o treinador chamou o zagueiro-lateral Juan, mandando Kléber para o meio-campo. A atitude chamou o tricolor para o gol de Renán e através do “abafa”, da insistência e da bola parada, o Grêmio empatou e forçou os pênaltis. Falcão poderia ter posto Zé Roberto e assim, ganharia uma importante peça para o contra-ataque a a retenção de bola no ataque. Falcão optou, errou e pagou o preço. Futebol e covardia não combinam, mesmo que seja momentânea!
Polêmicas
Gre-Nal é polêmico até no par ou ímpar. No último domingo, duas reclamações, uma para cada lado, nortearam as discussões sobre a arbitragem de Márcio Chagas da Silva. Os gremistas reclamam falta de Leandro Damião no zagueiro Rodolfo, antes da marcação do gol colorado. Por sua vez, os colorados protestam sobre a escolha da meta para a cobrança de pênaltis, já que Chagas escolheu a goleira em que estavam os torcedores gremistas. Creio que a arbitragem tenha acertado nos dois episódios. Damião girou o corpo de maneira legal antes do gol e os pênaltis foram cobrados onde havia a presença de torcedores das duas equipes. Porém, concordo com o “choro” colorado, que diz que o primeiro cartão de Guiñazu foi excessivo, mas, respeito a interpretação do árbitro. Mas, faz parte. Gre-Nal sem polêmica não é Gre-Nal.
Destempero
O que é inadmissível é a reação do vice de futebol do Inter, Roberto Siegmann. Mesmo em contrariedade com o árbitro, um diretor de futebol, que representa milhares de torcedores, não pode perder a cabeça e ir para os microfones insultar o árbitro. Reclamação, é uma coisa, mas chamar o árbitro de “mal-intencionado”, é um exagero inadimissível. Errando ou acertando, o árbitro merece respeito, a não ser que haja de má fase e seja comprovado, como no caso do ex-árbitro, Edilson Pereira de Carvalho – no escândalo da arbitragem no Brasilierão 2005.
Amadorismo
Outro fator digno de repúdio foi a presença dos dirigentes nas casamatas, antes da cobrança dos pênaltis. Além disso, a montagem do pódio, antes do final da decisão penal e a própria presença do presidente da Federação Gaúcha de Futebol (FGF), Francisco Noveletto, no gramado, trouxeram um caráter amador para o espetáculo. É preciso profissionalizar o gauchão, a começar pela FGF e os dirigentes da dupla Gre-Nal.
Redenção
Moção de parabenização ao goleiro Renán, que além de intervenções seguras, ao longo dos 90 minutos - embora o tricolor tenha feito parcas conclusões -, defendeu a cobrança de pênalti do jovem volante Fernando. Depois de assumir a condição de titular após a lesão de Lauro, o goleiro natural de Viamão parece ter readirido a condição técnica que o levou para a seleção brasileira – muito pela atuação do novo preparador de goleiros Marquinho. Renán há pouco viveu um drama pessoal, tendo perdido a mãe em um acidente automobilístico, estando o pai, ainda hospitalizado. Por sua dedicação e comprometimento profissional, merece todo o sucesso do mundo.
Imortalidade
O que já estava difícil, tornou-se praticamento impossível. Além da necessidade de vencer por dois gols de diferança – ou um, a partir dos 3 a 2 - o tricolor precisa superar os diversos desfaques para o jogo de volta contra o Universidad Católica, na próxima quarta-feira, às 21h50min, no Chile. Além de André Lima, Victor e Lúcio, que já estavam lesionados, Renato precisa administrar as ausências de Fábio Rochemback, Gabriel, William Magrão, machucados no Gre-Nal e de Borges, suspenso. Se bem, que pelo mal momento do centroavante, a ausência de Borges nem está sendo muito sentida. Falando nisso, acho que o camisa 9 está com seus dias contados na Azenha. É preciso invocar a tão conhecida importalidade. Boa sorte aos gremistas.
Vaga
Em situação muito mais confortável, após o empate de 1 a 1, em Montevidéu, o colorado recebe o Peñarol no Beira-Rio, na quarta-feira, às 19h30min. O time de Falcão está a um 0 x 0 da classificação às quartas-de-final. Se passar, os colorados enfrentam o vencedor de Grêmio e Universidade. Podemos ter mais Gre-Nais à vista. Boa sorte aos colorados!
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