
Desmanche
Assim com ocorrera no rival, o Grêmio também anunciou mudanças profundas em seu departamento de futebol. Deixa o cargo o vice eleito Antônio Vicente Martins, bem como os assessores José Simões e César Cidade Dias, que deixou o posto na semana passada. O diretor-executivo, Alexandre Faria, nem chegou a completar um mês no clube e também integra o “desmanche gremista”. Para a “salvação da lavoura”, uma velha e polêmica figura: assume como diretor de futebol remunerado, Paulo Pelaipe...
Crédito
Vice de futebol, em 2008, na melhor campanha do tricolor na história dos pontos corridos, sendo vice-campeão, Pelaipe parece ser o nome ideal para o atual momento. Homem de decisões fortes e profundo conhecedor do mercado da bola, foi ele quem “decobriu” o goleiro Victor no Paulista de Jundaí. No entanto, tenho apenas uma ressalva ao seu comportamento. Por vezes, o “cartola” integra o famigerado grupo de dirigentes falastrões e provocadores, do tipo Vitório Píffero - ex-presidente do Inter -, que sempre quando podem, alfinetam o rival. Entretanto, o momento não é propício. Mais do que nunca, é hora de trabalhar mais e falar menos.
Pênalti
Julinho Camargo está na marca do pênalti. A série de maus resultados coloquam em cheque a permanência do emergente comandante gremista. A pouca produtividade da equipe, atrelada a queda de todo o departamento de futebol e a volta de Pelaipe ao clube, são indícios fortes que ocorrendo um fracasso contra o Atlético-MG, na próxima quarta-feira, Camargo deverá deixar o cargo. O presidente Paulo Odone e Paulo Pelaipe (ambos na foto) são admiradores do trabalho de Celso Roth. A batata está assando para o lado de Julinho. Não tem outra saída. É vencer ou vencer!
Escolhas
Sem dúvidas, o tricolor carece de mais qualidade, notadamente na defesa e no ataque. No entanto, pelas peças dispostas no elenco, Julinho deveria fazer o Grêmio jogar mais. Algumas escolhas do treinador nas últimas partidas me parecem equivocadas. Entre elas, está a escalação de Lúcio na lateral-esquerda, em detrimento de Bruno Colaço. Lúcio é um jogador que se encaminha para o final da carreira e nem de longe, possui as outrora vitalidade. No entanto, ainda pode ser útil, principalmente pela forte jogada em velocidade pelo flanco canhoto. Desta forma, poderia tranquilamente ocupar a função de meia, em lugar do “sonolento” argentino Damián Escudero, desde que tenha outro meia - este articulador - , ao lado...
Tática
Falando nisso, é um pecado de lesa à “tática” escalar três volantes (Gilberto Silva, Rochemback e Adílson) e apenas Escudero na articulação. A proposta poderia até surtir efeito se no lugar de Escudero atuasse Marquinhos – já que devido a uma amigdalite, Douglas está fora. Longe de ser um primor técnico, o meia vindo do Avaí, ao menos é do lugar. Típico meia de articulação, centralizador, pensador do jogo. Escudero, não. Em que pese sua boa atuação diante do Flamengo, o argentino é jogador de lado de campo, de buscar vitória pessoal e não de organização. Desta forma, a bola dificilmente chega ao ataque. E aí, quem paga o “pato” são os avantes, sobretudo o centroavante André Lima.
Ainda órfão
Passando para a metade vermelha do Estado, é inadmissível que um clube do tamanho e a história do Internacional, esteja há tanto tempo sem treinador. Diversos nomes foram elencados e, muitos, rechaçados. “Queridinho” de Giovanni Luigi e de Fernando Carvalho, Cuca, ao que tudo indica, só não veio pela reprovação da torcida. Dunga disse que não foi procurado; Celso Roth, no momento, nem pensar; Abel Braga, recém assumiu o Fluminense. Não tem jeito, o único que me parece razoável na atual escassez de treinadores ditos “top”, é Dorival Júnior. Porém, o Atlético-MG, salvaguardado pela multa rescisória de R$ 5 milhões, segue apostando em seu comandante. Somente uma derrota vexatória para o tricolor, na próxima quarta-feira, deixaria Dorival perto do gigante da Beira-Rio. Aguardemos!
Efetivação
Com todo respeito a trajetória vitoriosa de Osmar Loss nas categorias de base, é uma temeridade efetivá-lo como treinador. Seu trabalho desenvolvido na Copa Audi - embora com méritos inegáveis – não pode ser parâmetro para conduzi-lo ao cargo . O torneio foi realizado em um ambiente completemente oposto a rotina de um grande clube. Contra Milán e Barcelona, a motivação dos jogadores é infinitamente superior aquela impregada cotidianamente.
Antídoto
O empate contra o Atlético-GO – mesmo com a série de desfalques - em pleno Beira-Rio é um dos tantos motivos que evidenciam a necessidade de um treinador experiente. Não pelo resultado isolado - afinal, o colorado já havia sido derrotado pelo Ceará e goleado pelo São Paulo em seus domínios - mas pela importância do cargo. O fato ganha ainda maior representatividade dentro do vestiário colorado, repleto de atletas vencedores e por vezes, sentindo-se “donos do clube”. Contra cobra criada, é preciso o antídoto correto. Não adianta delegar a uma criança a responsabilidade de chefiar um exército armado.
Dupla em campo
O Grêmio recebe o Atlético-MG, no Olímpico, na próxima quarta-feira, às 19h30. Por sua vez, o Internacional vai ao Rio de Janeiro enfrentar o Fluminense de Abel Braga e Rafael Sóbis, às 21h de quinta-feira. Boa sorte à dupla!
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