quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

A inauguração do templo e o Capitão do Tetra


Perplexidade

Todos os rótulos que sirvam para enaltecer a Arena do Grêmio são justos e merecedores. Com arquitetura moderna, instalações feitas para durar mais de um século e arquibancada a 10 metros do campo, a nova casa gremista tem tudo para marcar uma nova etapa na histórica azul, preto e branco. Historicamente, a construção de estádios serve de estímulo para a formação de times vitoriosos, como o Grêmio na década de 60 e o Internacional nos anos 70. A primeira parte está bem encaminhada, restando a Fábio Koff & Cia confirmar a tendência histórica ou servir como triste exceção. Parabéns a nação gremista!

Precocidade

Entretanto, ficou comprovado que o “novo templo” está longe de estar concluído. Com banheiros e copa inacabados, gramado longe das condições ideias – o que gerou gozação por parte da imprensa alemã - entre outros ajustes a serem feitos, a direção gremista serviu um dos maiores pratos da história do clube muito antes do tempo. Além disso, o poder público precisa urgentemente voltar atenções para o entorno do estádio. A festa foi bonita, a Arena é fora de série, mas não precisava ser inaugurada agora. A própria organização reconhece que o estádio estará concluído somente em março do ano que vem. Nada tira o brilho da inauguração, mas, excluindo as obras do entorno, o Grêmio poderia ter esperado a conclusão completa, não acham?

Politicagem

Não é novidade para ninguém. A Arena teve inauguração precoce exclusivamente pela seara política, ou melhor, da politicagem. Até o mais desligado torcedor sabe que Paulo Odone não deixaria de ganhar o “título” de “presida da Arena”, ainda mais com a iminente eleição de Fabio Koff – o que veio se confirmar posteriormente. Não deixa de ser uma pequenez de espírito, um fato digno de repúdio, mas as coisas são assim, infelizmente, na maioria dos clubes do país.

Justiça eterna

Sobre a disputa contra o Hamburgo, a análise do jogo fica um pouco prejudicada levando em conta que os alemães iniciaram a partida praticamente com o time reserva e a situação inverteu-se na segunda etapa – o Grêmio com suplentes e o rival com o que tinha de melhor. Porém, muito me agrada o fato de André Lima ter marcado o primeiro gol do estádio e o meia Marquinhos ter sido autor do passe do gol da vitória marcado por Marcelo Moreno. São dois personagens que jogo a jogo marcam sua passagem pelo Grêmio, sem muito brilhantismo técnico, tampouco reconhecimento da torcida, mas inegavelmente, eficiência na ponta da chuteira.

Renovação

Centro técnico do time, Zé Roberto renovou o contrato com Grêmio por mais uma temporada, com possibilidade de prorrogação por mais 365 dias caso o tricolor esteja na Libertadores 2014. Com 38 anos, forma física exemplar e habilidade reconhecida mundialmente, o camisa 10 é o principal candidato a primeiro grande ídolo da Arena. Porém, deixo aqui uma singela crítica. Condicionar a renovação à vaga na Libertadores – aliás, ele só renovou este ano por isso – é no mínimo contestável. Fazer o quê? Estamos no século 21, marcado pela globalização do futebol e pouco, raro, quase nulo amor à camiseta – Não é mérito do Zé Roberto, é a tendência mundial.

Capitão do Tetra

Depois de uma novela sonolenta, Dunga finalmente será apresentado como novo treinador do Internacional. Segundo levantamento da rádio Bandeirantes de Porto Alegre ele será o 22° treinador do colorado nos anos 2000. Mais do que isso, Carlos Caetano é o terceiro ídolo alvirrubro guindado ao desafio de dominar o polêmico vestiário colorado nos últimos tempos – Falcão e Fernandão foram os outros. Com provável anúncio de Paulo Paixão como chefe da preparação física e a retirada de Luciano Davi do protagonismo do futebol, tudo indica que os colorados terão um ano muito melhor que este que finda. Ao menos, é a esperança. Sucesso ao capitão do tetra e boa sorte aos vermelhos.

Elenco x cartolas

Ao contrário do que brada a imprensa local que aponta um vestiário “derrubador de treinadores”, creio que o principal problema colorado na atualidade tenha origem na direção, notadamente na postura do reeleito presidente Giovanni Luigi. Com calma tibetana, discurso excessivamente agregador e diplomático, o mandatário está longe do perfil sanguíneo e apaixonado que tradicionalmente agrada os torcedores da dupla. Todavia, ao contrário do que fizera em sua primeira gestão, o presidente está se cercando de pessoas com perfil oposto ao seu – Dunga é o exemplo disso -o que pode ser uma interessante complementação rumo às vitórias.

Dispensa inquietante

O anúncio da dispensa do lateral-direito Nei é paradoxal. Por mais que muitos torcedores tenham eleito o camisa 4 como uma dos testa-de-ferro do insucesso em 2012, não consigo compreender a liberação do atleta. Longe de ser um primor técnico, porém trata-se do melhor jogador da posição no Beira-Rio e um dos melhores da função em todo o país – diante da escassez de laterais incontestáveis. Não sabemos o que ocorre nos bastidores, porém se o “cartão vermelho” for exclusivamente de ordem técnica, eis mais um equívoco da atual direção. Tudo bem liderá-lo, desde que a reposição seja superior. De nada adianta dispensar o Nei se o substituto for o Edson Ratinho ou o volante Elton improvisado. Concordam?
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Fotos: Portal Uol, Globoesporte.com, Esportes Terra e Sport Club Internacional

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