
Qualidade
Ao contrário do que normalmente ocorre nos Gre-Nais, o clássico 383 foi muito bem jogado, com as equipes não só preocupadas em marcar e neutralizar o adversário, mas também com postura ofensiva e objetivando o gol. Nos primeiros 15 minutos de partida, o domínio foi do Internacional. A partir de então, o Grêmio reequilibrou a disputa, fez valer o fator local, mandou no confronto e só perdeu a hegemonia nas ações após a expulsão do capitão Fábio Rochemback (foto), na segunda etapa. Por tudo que foi dito, o tricolor esteve melhor, mas o colorado teve os méritos da eficiência. Definitivamente, foi um belo duelo, tendo a qualidade da disputa como característica principal.
Paradigma
Para apimentar ainda mais a maior rivalidade do país, o Gre-Nal reuniu todos os componentes de uma grande disputa: surpresas, destaques, empenho, estádio lotado e muitos gols. Apesar dos 2 a 2, foi um grande confronto que merece ser enaltecido. O clássico de domingo rompeu com o velho paradigma de que Gre-Nal é um jogo marcado predominantemente pela vontade, em detrimento da técnica. O futebol gaúcho agradece!
Dicotomia
Conforme afirmou certa vez o deputado federal e outrora dirigente colorado, Ibsen Pinheiro (PMDB), o Gre-Nal é um jogo de tamanha excepcionalidade que é “capaz de arrumar ou derrubar a casa”. Embora o empate não traga consequências drásticas para nenhuma das equipes, o resultado tem reflexos distintos. Para os azuis, fica uma ponta de frustração, já que uma vitória, além de possibilitar a ultrapassagem sobre o maior rival, colocaria os azuis na quarta colocação e bem próximos da Libertadores 2011. Por outro lado, para os colorados, o resultado é um pouco mais saboroso, já que se mantém à frente do maior rival e, principalmente, reprime a ascensão dos gremistas.
Bola parada
Mesmo com a iniciativa, o Grêmio não conseguia traduzir a superioridade em gol. Até que Douglas cobrou uma falta na cabeça do centroavante André Lima, que no meio da efervescência azul-vermelha só escorou o cruzamento para as redes e marcou seu sexto gol no campeonato. Além disso, o Grêmio utilizou-se muito bem do expediente denominado bola parada. Inclusive, o tricolor lidera o ranking de gols de cabeça marcados no certame. Foi a 13ª vez que os gremistas celebraram o momento máximo do futebol através de sua pujança aérea. Como o empate, o Grêmio ocupa a oitava colocação, com 47 pontos.
Surpresa
Gre-Nal que se preze possui surpresa. E desta vez, o componente ficou a cargo do contestado lateral-esquerdo Fábio Santos. Apesar das severas críticas que recebe da torcida gremista, o camisa 6 teve grande atuação, inclusive sendo autor do segundo gol da equipe após belo passe do meia Douglas. Além disso, o canhoto foi perfeito na outra tarefa que compete aos ocupantes da função: a defesa. Fábio Santos marcou com precisão e foi ao ataque com qualidade. Sem dúvidas, foi o destaque do Gre-Nal, ao menos pelo lado das três cores.
Substituições
Após a marcação do pênalti, que originou a expulsão de Rochemback, Renato Portaluppi foi obrigado a reorganizar o Grêmio. Desta forma, precisou sacar o centroavante André Lima e lançar o volante Adílson, que voltou de lesão, levou o terceiro cartão amarelo e desfalcará o tricolor na próxima partida. Além disso, com o pedido de Jonas para deixar a partida, o treinador mandou a campo o atacante Diego Clementino, já que a proposta era o contra-ataque. Por fim, com o cansaço de Douglas, foi a vez de Gilson entrar na equipe. As circunstâncias da partida fizeram Renato mexer, o que ocasionou a queda do desempenho. Para os gremistas, a perda dos dois pontos passa necessariamente pela expulsão.
Passado
Com a impossibilidade de Tinga atuar, Celso Roth abraçou-se ao passado e escalou o Inter com três volantes. Coube a Glaydson ganhar a camisa 7 e sua escalação teve como propósito marcar individualmente o goleador do brasileirão Jonas (20 gols) de atuação discreta e uma chance incrivelmente perdida. Com isso, o volante atuou todo o primeiro tempo como uma espécie de terceiro zagueiro, deixando o Inter no 3-6-1. A medida dificultou a mecânica do meio-campo vermelho, o que acabou se refletindo no predomínio gremista na primeira etapa. Com o resultado, o colorado ocupa a quinta posição com 48 pontos.
Correção
No entanto, no intervalo Roth substituiu Glaydson pelo atacante Rafael Sóbis. Mesmo voltando de lesão e sem ritmo de jogo, o avante passou a preocupar a zaga adversária, deixando o Inter com maior poder de fogo. O treinador pensou mal o confronto, mas corrigiu a tempo de empatar o clássico. A reação da equipe passa necessariamente pela presença de um companheiro para Alecsandro. Já faz tempo que o Inter peca pela pouca ofensividade. Talvez o Gre-Nal seja um divisor de águas para as convicções do treinador em escalar apenas um atacante. É o que torcem os colorados!
Estrela
Típico jogador de decisão. Assim é D’Alessandro. De grande técnica e retenção de bola, o camisa 10 do Inter foi decisivo na busca do empate. O argentino recebeu a bola na meia-lua da aérea gremista, girou, acertou o canto de Victor com precisão e correu para o abraço. Além de possuir grande cartaz no futebol sul-americano e ter crescido nos momentos decisivos da Libertadores deste ano – o que o levou novamente para a seleção – o argentino parece talhado para o Gre-Nal. Domingo, o meia disputou o seu clássico de número nove e já marcou quatro gols. Uma média excelente, ainda mais para alguém que nunca teve o carimbo de “goleador” em seu currículo.
Dupla em campo
Gre-Nal concluído é vida que segue. Na próxima quinta-feira o Grêmio vai ao Rio de Janeiro enfrentar o líder Fluminense, às 21h. Por outro lado, o Internacional recebe o Santos no Beira-Rio, no sábado, às 16h. Toda a 34ª rodada será finalizada no sábado, já que domingo teremos o segundo turno das eleições presidenciais entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB). Grande semana a todos e votem com consciência!
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