
Justiça
Futebol nunca foi e jamais será um ato de justiça. Porém, existem exceções, em que uma equipe demonstra tanta superioridade, que a vitória passa a ser o único resultado aceitável. Este foi o caso do Inter na vitória de virada sobre o Chivas em Guadalajara. O time de Celso Roth ditou o ritmo de toda a partida, com marcação adiantada, troca de passes no ataque e controle absoluto do meio-campo, setor fundamental para a definir o vencedor. No entanto, o triunfo por 2 a 1 veio somente após o susto, ao levar o gol no final da primeira etapa. No segundo tempo, Giuliano e Bolívar garantiram a virada e a vantagem para o jogo de volta. Na próxima quarta-feira, basta um empate para os colorados celebrarem o Bicampeonato da América. Desta vez, em gramado verdadeiro.
Meritocracia
O técnico Celso Roth teria três opções para substituir Tinga, suspenso. Para manter a mesma esquematização, no chamado 4-2-3-1, bastaria escalar Andrezinho ou Giuliano. No entanto, por tratar-se de uma partida fora de casa, em gramado pouco comum aos jogadores (grama sintética), talvez fosse mais prudente escalar Wilson Mathias, típico volante de contenção. Porém, Roth parece ter sepultado a fama de “retranqueiro” e escalou Giuliano. A medida, além de permitir a repetição da equipe que vem atuando, permitiu ao meia a marcação do gol de empate. A vitória passa necessariamente por Roth. Os méritos são inegáveis.
Talismã
Autor de cinco gols na Libertadores, o meia Giuliano é o grande nome do colorado no torneio. Alternando entre a titularidade e a suplência, o camisa 11 tem no controle de bola e no drible curto suas principais virtudes, além da maior delas, o “pé quente”. Só para lembrarmos, na partida contra o Estudiantes, pelas quartas-de-final, ele fez o gol da classificação quase nos acréscimos. Além disso, foi autor do gol na vitória contra o São Paulo, na primeira partida das semifinais, no Beira-Rio. Por fim, embora, não tenha feito uma grande partida contra o Chivas, foi protagonista, ao aparar belo cruzamento de Kleber e empatar a partida. Ponto para Giuliano, o talismã das decisões.
Preocupação
Fundamental para o esquema colorado, o centroavante Alecsandro, único avante fixo, saiu lesionado logo no início de jogo. O criticado camisa 9 sentiu a coxa após bela cobrança de falta que explodiu no travessão defendido pelo goleiro mexicano Michel. Após sua lesão, a equipe perdeu a referência na área, sobretudo a possibilidade da bola aérea ofensiva. Felizmente, para os colorados, a lesão não possui gravidade e o goleador estará disposição para a finalíssima no Beira-Rio.
Humildade
Com a lesão de Alecsandro, Roth pôs em campo o atacante Éverton e não Rafael Sobis, como seria presumível. A justificativa do treinador é que Sobis não teria condições de aguentar o ritmo de jogo, já que ainda não está em sua plenitude física. No entanto, Éverton não soube aproveitar a oportunidade – ou não tem condições para isso – e acabou sendo substituído na segunda etapa. Logo no primeiro lance, Sobis participou do gol de empate. Roth parece ter se equivocado na substituição, mas teve a humildade de corrigir a tempo. Os colorados agradecem!
Prudência
O Inter está a um empate do Bicampeonato da Libertadores. Entretanto, é necessário deixar a euforia para os torcedores, já que o “oba-oba” sempre é perigoso. Temos exemplos clássicos de jogos aparentemente decididos, mas que se transformaram em zebras históricas. Podemos citar o Maracanaço, em 1950, a vitória da Alemanha sobre a Holanda na Copa de 74 ou até mesmo a vitória do Inter sobre o Barcelona no mundial de 2006. Tudo bem que o momento colorado é pródigo, mas é fundamental que a direção não permita que o “já ganhou” contamine o grupo de jogadores. Falta apenas um empate, mas ainda é preciso disputar 90 minutos. Humildade e prudência não fazem mal a ninguém. Boa sorte aos vermelhos!
Reservas
Como não poderia deixar de ser, o Inter enfrentará o líder do Brasileirão, o Fluminense, com uma equipe totalmente reserva. A partida será no Maracanã, às 16h no domingo. Na maioria dos casos, sou contrário a preservação de titulares, mas tratando-se de jogos pontuais, como a decisão da Libertadores, apoio a atitude. No momento, tudo que não for Libertadores, passa a ser secundário. É compreensível.
Risco necessário
O maior ídolo gremista volta ao Olímpico, desta vez em outra função. Autor dos dois gols gremistas no título mundial do Grêmio, em 83, Renato Portaluppi desembarcou em Porto Alegre para assumir o comando técnico do tricolor. Embora possua um currículo modesto como treinador – possui apenas uma Copa do Brasil e um vice-campeonato da Libertadores, ambos pelo Fluminense – o polêmico comandante parece ser o nome ideal para o momento. Apesar do risco de colocar em cheque a sua idolatria, Renato assume o desafio. Afinal, o Grêmio precisa mais do que nunca do apoio de seu torcedor. A contratação do ídolo também tem essa estratégia: trazer os gremistas novamente para o lado da equipe. Boa sorte aos tricolores!
Nenhum comentário:
Postar um comentário