segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Barcelona x Santos


Decepção mundial

Perder é contingência do jogo, mas podemos contestar a forma com que ela ocorre. Muricy Ramalho, que há tempos defendo para a seleção brasileira, foi uma decepção do tamanho do mundo. Que o Barcelona é um "cano" todos já sabem, mas convenhamos: era preciso no mínimo capacidade de indignação, marcação forte, especulação no contra-ataque. Que nada, vimos um time omisso, aceitando passivamente a superioridade do rival e com os craques Ganso e Neymar brincando de esconde-esconde. Parabéns Barcelona, mas o Peixe foi girino.

Revolução

É incrível, mas o melhor time do planeta ganhou por 4 x 0 sem nenhum atacante de ofício. Com a lesão de David Villa – que está longe de ser um centroavante clássico - Joseph Guardiola escalou o meia Thiago Alcântara, filho do tetracampeão Mazinho. Desta forma, o comandante Catalão segurou o lateral-esquerdo Abidal, formando um trio defensivo com Puyol e Piqué e liberou o restante da equipe ao ataque, a exceção do volante Sergio Busquets. O que se viu foi uma aula de equilíbrio e efetividade. Xavi, Iniesta, Fabregas, Daniel Alves pela direita, Alcântara pela esquerda e Messi. Uma atuação de gala, com o selo Barcelona, indiscutivelmente.

Estratégia

Por mais que o adversário seja o Barcelona, é preciso convicção, repetição de equipe, coerência. Infelizmente, Muricy se acovardou, é compreensível, é verdade, mas não podemos eximir o melhor técnico do país – na minha humilde opinião – de suas responsabilidades. Vejamos: qual o setor em que o jogo é decidido? Qual o setor em que o Barcelona é mais forte? Resposta: na meia cancha! Foi justamente esse o equívoco do treinador. Ao invés de povoar o setor, ele retirou um atleta do meio-campo e promoveu o ingresso de um defensor, o lateral-esquerdo Léo...

Variações

Por mais que as variações táticas, às vezes, dispusessem o peixe no 4-4-2, em duas linhas de quatro, com Bruno Rodrigo na lateral-direita e Danilo no meio, o Santos foi mal escalado. Além da superioridade “amazônica” do Barça, Muricy conseguiu dificultar a proposta que já era quase impossível – vencer os catalães. Deixar Elano – por mais que esteja em um mau momento – e Ibson no banco para escalar um defensor a mais foi um atestado de covardia, compreensivo, repito, mas covardia. Pensou mal o comandante da Vila, uma pena. Mas, tudo é aprendizado.

Elenco

É claro que ninguém vence sozinho, muito menos, perde. Muricy não é o único responsável. A direção santista, a quem o Brasil todo rende cumprimentos pela metamorfose de gestão que entre outros, mantém Neymar e Ganso, mesmo com o assédio europeu, também pecou. É inadmissível que um time dispute um mundial com uma defesa frágil e veterana composta por Edu Dracena e Durval. Com todo o respeito aos profissionais, mas eles estão mais para ex-jogadores do que qualquer outra coisa. Desta forma, Muricy tentou algo novo, escalou três zagueiros para compensar a deficiência do sistema defensivo. O treinador errou, mas teve motivos para tanto. Não havia zagueiros confiáveis no elenco.

Moeda

Segundo o próprio Muricy Ramalho, jornalista que assiste ao jogo do sofá jamais será derrotado. Concordo com ele, mas existe o outro lado da moeda. O tetracampeão brasileiro – 3 com São Paulo e 1 com o Fluminense – é astronomicamente bem pago para dirigir e bem. Sendo assim, um treinador não pode ficar inerte, sentado na casamata, quase sonolento, enquanto seu time é vergonhosamente envolvido em uma final de Copa do Mundo. O Peixe foi humilde demais, morreu sem lutar. A começar por seu treinador.

Craques

Quando vencem, são craques, quando perdem são “pipoqueiros”. Não gosto dessa simplificação comum na opinião pública nacional, sobretudo, com os jovens, como Paulo Henrique Ganso e Neymar. O ano foi fantástico para o segundo, mas o Ganso ficou defendo. É verdade que as inúmeras lesões dificultaram a jornada do camisa 10, mas ainda tenho muito esperança na dupla. Se continuar a jornada, sem desvios, cuidando da parte física e atlética, aposto, vislumbro que Neymar será o melhor do mundo em até cinco anos. Sobre Ganso, o futuro também promete. Trata-se de um jogador raro, perna esquerda fantástica, um meia à moda antiga, mas precisa superar a série de lesões. O futebol brasileiro, sobretudo a seleção, precisa de Ganso e Neymar. Torçamos para que tudo dê certo!

Omissão

Mesmo sem condenar a promissora dupla, isoladamente, não podemos deixar passar a omissão de Ganso e Neymar. É verdade que quando a coletividade não rende, a individualidade dificilmente impera – vide Messi na seleção argentina – mas as maiores esperanças santistas também possuem sua parcela de culpa na goleada em Yokohama. Esperava-se que Neymar e Ganso buscassem o jogo, não se rendessem facilmente tão facilmente a marcação. O camisa 11 ficou os 97 minutos aberto na ponta-esquerda, submetido ao capitão Puyol, enquanto Ganso foi meramente um assessor dos volantes...

Preço

Tenho certeza que os torcedores do time de Pelé não esperavam uma atuação luxuosa de Henrique, Durval, Dracena ou Léo. Mas, de Ganso e Neymar, sim! Confiasse nos melhores e, cobra-se dos mesmos na mesma proporção. É preço pela qualidade!

Capítulo

Seria preciso um capítulo à parte para tratar de Lionel Messi. Sem exageros, trata-se de um extraterrestre, é “palhaçada” o que joga o argentino natural de Rosário. Velocidade, drible, passe, lançamento, conclusão, domínio único – correndo com a bola grudada no pé esquerdo. Não tenho dúvidas que o camisa 10 já está entre os 10 maiores atletas da história do futebol mundial, guardadas as peculiaridades de cada época, logicamente. Com estilo próprio, é da mesma estirpe de Pelé e Maradona, ou perto disso, para não chocar os conservadores. Ronaldo, Romário, Messi, Zidane e Ronaldinho. Esse é o Top Five desse jovem colunista, nascido em 1985. Feliz Natal a todos e tenhamos um extraordinário 2012!

Foto: Veja.com

Um comentário:

  1. Pois é Saul, me chamou atenção a atitude passiva do Murici no jog mais importante de sua vida profissional, já que em jogos de menor importância ele normalmente se agita tanto. A verdade é que o Santos foi completamente envolvido. Tenho pra mim que a equipe da Vila Belmiro errou, tal qual o Inter em 2010, quando abdicou do brasleirão para a preparar-se para o Mundial. Se o Santos jogasse contudo o campeonato brasileiro, poupando eventualmente ou outro jogador, chegaria com mais embocadura no Mundial de Clubes e até perderia, mas não de maneira vexatória.

    André Bresolin

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