segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Reabilitação e tropeço


Incontestável

Muito mais equilibrado do que em outras partidas, o Grêmio venceu o vice-líder Corinthians, fugiu de vez das últimas colocações e agora pode até vislumbrar algo mais no campeonato nacional. Mesmo tempo um pênalti contra e atuando com um jogador a menos em grande parte do segundo tempo, Renato Portaluppi usou das substituições para manter o padrão da equipe e garantiu a primeira vitória tricolor fora de casa pelo Brasileirão, o que não ocorria há quase um ano. Com o resultado, os azuis ocupam a 12ª posição com 26 pontos. Uma vitória incontestável e com a cara do Grêmio.

Equilíbrio

Finalmente, o meio-campo gremista funcionou. Formatado com quatro atletas no setor, Ferdinando e Adílson ficaram na contenção, dando liberdade a Souza e Douglas para criarem. Com variações táticas, por vezes em losango, com Ferdinando recuado, Adílson na direita, Souza – que ainda está devendo - na esquerda e Douglas adiantado, o Grêmio conseguiu neutralizar as ações da meia-cancha corintiana, uma das mais qualificados do país, com Ralf, Jucilei, Elias e Bruno César. Futebol se ganha, se perde e se empata no meio-campo. Renato pensou muita bem a partida e colheu os frutos com todos os méritos.

Reabilitação

Típico meia-armador, perna esquerda, qualidade no passe e grande habilidade. Este é Douglas, que apesar de inúmeras altos e baixos, parece estar recuperando a condição técnica que o transformou em um dos melhores meias do Brasil, no Corinthians de Mano Menezes. A reabilitação do Grêmio passa também pelo crescimento de Douglas, que está inegavelmente mais participativo, foi autor do golaço que garantiu os três pontos e de quebra, fixou seu nome na seleção da rodada. O lance do gol foi digno de placa: O camisa 10 colocou a bola entre as pernas do zagueiro Paulo André e desferir um belo chute no ângulo corintiano. Sem dúvidas, Douglas honrou o número que veste.

Rotina

Elogiar o goleiro Victor (foto) virou rotina. Além de protagonizar defesas quase impossíveis durante as partidas, o arqueiro da seleção brasileira passou a reverter a tendência das cobranças de pênaltis. Quando o mais óbvio é a confirmação do gol, Victor cresce, usa a envergadura e deixa os cobradores em maus lençóis. Só para terem ideia, dos seis pênaltis marcados contra o Grêmio, Victor defendeu nada mais, nada menos do que quatro. O último deles contra o atacante Iarley no domingo. São números impressionantes do melhor goleiro do país, disparado.

Tropeço

Apesar das derrotas de Fluminense e Corinthians, líder e vice, respectivamente, o Internacional jogou pelo ralo a chance de se aproximar ainda mais da ponta da tabela. Em uma atuação sonolenta, o colorado não conseguiu sair do bom sistema defensivo armado pelo técnico Jorginho e não passou de um empate sem gols contra o lanterna Goiás em pleno Beira-Rio. Apesar de tudo, a situação na tabela segue estável, em grande parte pela derrota do Santos para o Ceará. Mesmo com o tropeço, a equipe de Roth ocupa a quinta colocação com 32 pontos.

Pontinho

Em campeonato de pontos corridos, empatar em casa, ainda mais contra o lanterna da competição tem gosto de derrota. Entretanto, não fosse o goleiro Renan, a situação poderia ter sido ainda pior. O arqueiro salvou a equipe no início da partida, ao defender com as pernas o chute do meia Bernardo a queima-roupa. Na segunda etapa, o próprio Bernardo entrou livre na área e acabou desarmado pelo goleiro. O mísero ponto ganho passa necessariamente por Renan.

Insistência

Esquemas táticos devem ser formados conforme característica dos atletas. Vejamos: para uma formação com três zagueiros, por exemplo, é necessária a existência de alas capazes de avançar e transformarem-se em meias. Por outro lado, para atuar no esquema consagrado na Copa do Mundo, o 4-2-3-1 - utilizado na conquista do Inter na Libertadores - , é fundamental a presença de pelo menos um meia de velocidade que se reveze entre o meio-campo e o ataque. O que ocorre é que desde a saída de Taison - que foi atuar na Ucrânia -, o Inter não encontrou um substituto destas características, o que acaba deixando a equipe lenta e fácil de ser neutralizada. Está mais do que na hora de Roth rever a formação colorada.

Rendimento

Por outro lado, o jovem Marquinhos – que poderia ser o substituto de Taison no setor esquerdo – parece estar fora dos planos de do treinador, estando atrás, inclusive do jovem Eduardo Sasha, que estreiou contra o Goiás, timidamente. Uma opção, no mínimo estranha. Além da formatação tática, que me parece equivocada, Roth precisa administrar o decréscimo técnica de Tinga. Fundamental na reta final da Libertadores, o camisa 7 parece travado, lento e sem o dinamismo que o consagrou. Talvez o atleta esteja carecendo de um melhor condicionamento físico para que possa readquirir a velha qualidade técnica. Aguardemos!

Desfalques

Em certames longos, é fundamental a presença de um grupo numeroso e de qualidade. Do contrário, com a sequencia de lesões e suspensões, as equipes acabam caindo de rendimento, o que acaba inviabilizando a busca pelos objetivos. Neste sentido, a dupla Gre-Nal precisa superar importantes ausências na próxima rodada. Pelo lado gremista, Renato não terá a dupla de zaga Vilson e Rafael Marques, além do atacante Borges. Em seus lugares, devem entrar Paulão, Neuton e André Lima (ou Roberson). Por outro lado, no Inter, Roth não terá Guiñazu, que deverá ser substituído pelo volante Glaydson.

Dupla em campo

O tricolor se reencontra com o ídolo Luís Felipe Scolari, na próxima quarta-feira. O Grêmio recebe o Palmeiras, no Olímpico, às 19h30min. Já na quinta-feira, os colorados retornam ao Morumbi – onde conquistaram o título da América em 2006 e a vaga para a final em 2010. A partida inicia às 21 horas. Boa sorte a dupla.

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